segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Nuance.



Ah estes meus neurônios sem sinapses

Que fervem neste quadrante do dia.

Digam-me se puderem: o que acontece

Neste momento de letargia.

A inconsistência dos discursos cleptocráticos...

Esta azia encharcada de agonia!

E a minha ânsia que perambula sob o sol.

Não me venha com perdigotos,

Detesto este papo face a face.

Meu critério não adula a efemeridade.

Gosto das raízes,

Na fonte meu discernimento busca a verdade.

Se não gostou passe reto desvia,

Vá em frente com teu ar blasé.

Sou altamente complexo

Com o máximo de simplicidade.

Meu prêmio mora no minuto

Que antecede o agora.

Não sou Gregor Samsa;

Porém existe luta para que eu seja.

Gerson F. Filho.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Balcão de detalhes.




Eu sei o que conta, no final sempre falta o detalhe. Não venha me dizer que após tantos beijos e uma noite de amor nada sobrou para ser recordação. Viver sem memória transforma o agora na angustia do não mais existir assim que acabe. Contigo vivi momentos que ainda moram comigo e os quais revivo em minúcia. E, no entanto sei que algo faltou.


Não encontramos aquele pormenor que habita a fotografia da ocasião. Mas será que isso tem importância? Eu sei, para você tem, e isso muda todo o contexto, e por esse pretexto a felicidade torna-se impossível. Curioso possuir memória para o que falta, mas esquecer o que foi realizado.


Na verdade esta tua faceta não reflete porque não quer. A arrogância individualista da tua história envelopou teu querer. Particularidades não te salvarão do abraço da solidão. Seria melhor ser só somente tendo e tido um sentido para o sentimento do que passou. Aquilo que lhe sobra há de lhe faltar e será também apenas mais um detalhe.



Gerson F. Filho.