quinta-feira, 3 de abril de 2025

Memórias de uma saudade.

 

                                                         Image by John Hain from Pixabay.



Memórias de uma saudade.



O que exatamente seria a realidade além do momento que nos envolve? Um contexto definido por condições específicas onde habitamos e chamamos de hoje ou de tudo aquilo que nos construiu no trânsito do tempo? As condições e contradições surgiram e foram assimiladas, geraram convicções e lembranças, houve especificação de atributos conceituais e específicos em relação a textura temporal daquele momento, ou no mínimo ocorreu a impressão harmoniosa dos sentimentos e sensações que vieram a construir seu acervo de experiências que hoje se traduzem em você. As agonias, o medo, a dor, as alegrias e o júbilo se apresentaram para essa obra arquitetonicamente estruturada em desafios, medo e ousadia entregue ao diapasão do destino para assim adquirir a qualidade necessária ao impossível. Há quem consiga se abrigar na dor, outros na ousadia, e tantos no pressentimento. A alma tem objetivos e metas interessantes, e a ela são entregues os desafios e as oportunidades para adentrar a vida e nela se realizar ou se perder. Escolha com sabedoria seu propósito, na verdade, sempre tenha um objetivo. Seu alcance, a profundidade que atingirá seu mergulho dependerá muito disso, dessa bussola que lhe guiará entre os termos contraditórios de existir. E isto começa muito cedo, caso tenha sorte de nascer onde bons parâmetros são ensinados tudo fica mais fácil, mas nem sempre isso acontece. Há ocasiões onde se faz necessário usar o conteúdo que vem conosco, um guia pessoal de sanidade para sobreviver se possível dentro de situações de desequilíbrio situacional na estrutura do ambiente onde surgimos. Pois cá estamos imersos nessa surrealidade brutal, que faz brotar o desejo de retroceder no tempo, onde o mundo era mais amigável com o correto, e não abrigava de bom grado a insanidade. Vontade de brincar novamente com o barro da pracinha em obras e criar estruturas aleatórias obtidas através da memória dos quadrinhos que lia na ocasião. Escutar novamente a água da chuva bater e escorrer pela telha de zinco e sentir o cheiro de terra molhada que sempre precedia a chuva. Tempos difíceis, tempos adoráveis, numa mistura de sensações onde a diversificação de proposições corriam e se misturavam na multiplicidade das mais variadas circunstâncias eventuais. Onde hoje percebo que o homem não precisa de quase nada para ser feliz. Um teto para se abrigar, comida para se saciar, saúde e um leito para dormir, a sutil complexidade desses atributos oferecem tudo o que precisamos, Nas ruas, o bonde passando e triturando o vidro para o cerol das pipas, na igreja, aquele bolo gostoso nas quermesses costumeiras em datas especiais das igrejas. Não possuir nada e ter tudo ao mesmo tempo. Conflitos situacionais? Pois é, em tudo há problemas se resolvermos procurá-los. Está na natureza humana com sua característica curiosidade procurar com afinco uma tribulação para chamar de sua. Sem isso, a vida parece não ter graça, ser monótona e vazia de sentido. Para nós o contratempo sempre impulsiona o desejo, a vontade de ser e querer mais. Graças a isso evoluímos, da inocência escapamos e na turbulência comportamental buscamos o sucesso. Depois de um certo nível não tem mais como retroceder, você já se transformou em algo diferente, se incorporou a estrutura da insanidade, e por este perfil lutará sem arrependimentos até que vença ou seja derrotado. Você agora é apenas mais um no teatro de operações, cuide-se e respire essa atmosfera carregada de sentidos oblíquos e enganadores. Você terá de se alimentar disso e conseguir não a ela pertencer. A angústia proporcionará desassossego, mas procure transformar em placidez o medo que se oculta nos detalhes. O mais importante é pertencer a si mesmo, continuar no controle de sua vida, e se muitas vezes tiver de se vestir de palhaço para se adequar ao ambiente não se ressignifique apenas por isso, se a ocasião pede então ofereça o que você tem também de ilusão. A proposta está em se confundir com o ambiente, ser momentaneamente mais um deles para não ser como eles. Os imbecis gostam da liturgia padronizada da querência onde o gado sempre volta para pastar. Atribua-se nesse momento um volume de nostalgia para reviver naturalmente aquele cheiro de terra molhada onde uma inocência produziu memórias para toda uma vida. Ortega y Gasset afirma: “Ao nos percebermos e nos sentirmos, tomamos posse de nós mesmos, e esse estar sempre em posse de si mesmo, este assistir perpétuo e radical a tudo que fazemos e somos, diferencia o viver de tudo o mais”.


Porque tudo mais seria loucura, desequilíbrio e decrepitude situacional da própria existência. Não se perca na fantasia da artificialidade concreta da ocasião, a ilusão é um truque perspicaz do mal para capturar os incautos e desprevenidos. Deixe a sagacidade da perversão para quem a aprecia, Ortega y Gasset conclui: “O louco ao não se saber a si mesmo, não se pertence, foi expropriado; e expropriação; passar a posse alheia, é o que significam os velhos nomes da loucura: alienação, alienado; dizemos “está fora de si”, “já foi”, entende-se, de si mesmo; é um possuído, entende-se, possuído por outro”. Hoje temos muitos expropriados de si, pertencem ao outro ou outros, por política, religião ou afinidade de propósitos. Ao renunciar a si mesmo, a se coletivizar, o homem se transforma em massa e perde sua identidade original. A partir desse ponto passa a ser um objeto de manipulação para vários propósitos e é incapaz de oferecer um raciocínio plausível de contestação ao que se cria a partir dele. A mente coletiva está subjugada ao seu manipulador, ao administrador da massa, não há espaço e nem é aceitável o contraditório, a argumentação dialética. O feitor do grupo determina o destino de todos e como irão agir e se conduzir dentro da circunstância que parecer favorável e boa para o capataz, e não necessariamente para o grupo. O grupo pode ocasionalmente ser sacrificado por alguma causa interessante para o dono do rebanho humano. E apenas isso já indica que essa condição não é boa para o indivíduo. É realmente isso que você quer? Perder sua capacidade de decidir seu destino? Resgate suas memórias e tenha realmente saudade delas, de um tempo que você era livre, mesmo sendo tão dependente. Qual o motivo de se submeter a um cacique político e a ele prestar culto? Está devendo dinheiro a ele ou pertente lucrar com isso? A submissão cobra seu preço não se permita assumir esse papel aviltante.




Gerson Ferreira Filho.




Citação:


Lições de metafísica. José Ortega y Gasset, Vide Editorial.



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sábado, 29 de março de 2025

O necessário.

 

                                                           Image by Dominik from Pixabay. 



O necessário.


De tantas ocorrências aleatórias nesse palco onde nos situamos muitas vezes tropeçamos em algo importante e definidor de oportunidades e nem sequer percebemos. Somos assim, dispersos envoltos em contradições somos levados pelo fluxo das ocasiões estabelecidas para um determinado fim. Fomos convencidos ou nos convenceram que somos donos do nosso próprio caminho, que a construção depende unicamente de nós, há um fundo de verdade mas o condutor de eventos trabalha silenciosamente e de forma discreta para dar-nos o destino que lhe convém. Para o equilíbrio das circunstâncias e a vibração da frequência universal trabalhamos imersos nessa hipótese confortável e submissa ao estabelecido aconchego da alma humana. Se faz necessário a devida acomodação de sentimento e de objetivos para a construção psíquica estável que conduza o indivíduo até o cerne da existência em meio a turbulência das razões exóticas que abraçam a realidade presumida. Envolvemo-nos em disputas por protagonismo nessa esfera de termos que flutuam na opacidade da textura que nos encobre de dúvidas quanto a veracidade plausível de um momento questionável quanto sua composição real. Agora aprofundados em tecnologia descobrimos que o universo não é exatamente como imaginamos e a física quântica está ai para nos mostrar que há a possibilidade de nem estarmos aqui de fato, ou estarmos aqui e em outro lugar simultaneamente. Não há previsibilidade plausível nesse contexto louco e multifacetado de hipóteses onde a semântica possível não encontra correspondência palpável para se traduzir o que realmente acontece. Tudo o que vier se tratará apenas de uma elucubração oportunista e volátil quanto a sua sustentação nesse gerador de plasma cognitivo que trabalha entre forças magnéticas enormes para não se dissipar. Dentro de uma simplicidade singular vivemos e nos sustentamos simplesmente por padrões frágeis e de natureza por enquanto biológica mas com portais abertos para o inusitado universo do imponderável atributo de talvez existir sem estar aqui. Considere-se produto sonhado de uma circunstância ambígua e preparada para ser versátil quanto a qualquer versão que possa ser oferecida como resposta. Não há resposta e ao mesmo tempo a resposta somos nós. Que estamos aqui e conseguimos estabilidade para desenvolver conversação em alto nível para decompor o cenário em fragmentos sugestivos de eventos que se introduzem como realidade no nosso cotidiano. Estamos no universo e possuímos dentro de cada um de nós outro universo de ocorrências chamado subconsciente, a metade de nós que nos completa para equilíbrio sustentável fora da demência circunstancial que possa nos abordar fortuitamente. O Dr Murray Stein tem uma abordagem a respeito dessa construção: “Os humanos nem sempre agem racionalmente e comportam-se de acordo com avaliações claras de interesse pessoal. O “homem racional”, na qual se baseia tanta teoria econômica, é apenas na melhor das hipóteses, uma descrição parcial dos seres humanos tal como realmente funcionam. Os humanos são impelidos por forças psíquicas, motivados por pensamentos que não se baseiam em processos racionais, e sujeitos a imagens e influências para além daquelas que podem ser medidas no meio ambiente observável. Em resumo, somos criaturas impulsionadas por emoções e imagens, tanto como somos racionais e ambientalmente adaptadas. Sonhamos tanto como ponderamos, e sentimos provavelmente muito mais do que pensamos”. E assim não se perca nessas ponderações oníricas onde a fantasia assim pode iludir e construir um mundo falso, de realidade relativa ao que se interessa obter de você. A pressão social e o acumulo de estresse no cotidiano pode se tornar um produto arrevesado, complexo e de variáveis infinitas causando um distúrbio evidente nas interligações de interpretação da realidade. A realidade pode ter variações de interpretação difusas e sem nexo no tecido previsível da circunstância, proporcionando um desequilíbrio causal da personalidade humana. Carl G. Jung chamava isso de constelação. O Dr Murray Stein explica: “A palavra “constelação” aparece com frequência nos escritos de Jung e é importante no léxico junguiano. Refere-se usualmente à criação de um momento psicologicamente carregado, um momento em que a consciência já está, ou está prestes a ficar perturbada por um complexo”. Ao perder o controle sobre si mesmo ou se aproximar disso o elemento vai ficar inerte e incapacitado para se sustentar de forma viável na sociedade. O assunto é bem abrangente e sugiro leitura a respeito do tema para aprofundamento nessa área do conhecimento humano. Para superar tudo isso o ser humano tem necessidade e precisa descarregar esse conteúdo excessivo de circunstâncias que se conflitam internamente ultrapassando os limites básicos da administração das respostas lógicas esperadas a uma situação de equilíbrio. Ao se desconectar do excesso de necessidades, já será possível um reagrupamento de proposições lúcidas nos arquivos internos da alma.



No fim tudo passa por reorganização de prioridades e recomposição de relacionamentos, sim, as relações sociais podem ser extremamente tóxicas e desagregadoras, principalmente quando se convive com quem apenas pensa em si mesmo e oferece negligência a quem está ao seu lado. E não pense que tudo isso não terá impacto físico, na saúde, terá sim e poderá ser grave. Essa colisão desenfreada de sentimentos aleatórios sem controle é extremamente prejudicial e cobrará seu preço. Por isso o que já acabou deve ser finalizado imediatamente para a saúde mental e física de quem está envolvido. Se a alma adoecer ela transmitirá seus problemas para o corpo, não esqueça disso. O Fluxo energético negativo pode inclusive afetar o ambiente e o mundo circundante, observou Jung. Então, não acumule problemas, não seja parcimonioso com absurdos, a economia de ações que você faz para supostamente preservar um status pode custar sua vida.




Gerson Ferreira Filho.



Citação:


Jung o mapa da alma. Murray Stein. Editora Cultrix.


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terça-feira, 25 de março de 2025

Método e fase.

 

                                          Image by Peggy und Marco Lachman-Anke from Pixabay. 






Método e fase.



Estão companheiros de jornada pelo cosmos vamos conversar a respeito de metodologia de ensino e aprendizado. Existe uma quantidade enorme de procedimentos e de alternativas nesses campos, especialistas trabalham intensamente para o bem e para o mal nesses tantos processos, pois não apenas de bom ensino vive o homem mas também de todo procedimento infame e desagregador. Mas aqui vamos conversar a respeito daquilo que soma realmente, que contribui para um mundo mais qualificado de fato. Agregar valor não é uma tarefa fácil e confortável a princípio, mas como o aforismo antigo o hábito faz o monge, e o treinamento e a dedicação modifica a vida, se não muito ao menos o suficiente para ajuste de trajetória no tempo. O passo básico está em aprender a ler, ler bem, ler com prazer, interpretar muito bem o que se lê o que a princípio não é uma tarefa fácil, um cérebro ainda vazio tem dificuldades de se organizar, mas de construção de estruturas ele já entende, claro, possui uma preguiça inerente ao seu conteúdo, se não contém nada ele rejeita o preenchimento a princípio por isso se faz necessário disciplina até provocar interesse legítimo e até um vício saudável em absorver conhecimento. Eu costumo e considero que a leitura se trata de um salto constante entre universos, cada livro um assunto, um mundo diferente, uma abordagem específica e um cenário particular, onde se desenvolve a versatilidade cognitiva e a diversidade de cultura através do tempo. Entendam o motivo de dar tanta importância a essa etapa, sem ler bem, sem interpretar perfeitamente o que se lê, apenas se produz simulacros debilitados de cultura, e hoje estamos cheios deles, gente até com curso superior com dificuldades nesse campo. Se você não processa corretamente a informação que adquire no que está escrito seu mundo vai ser estranhamente disfuncional. Terá eternamente aquele aspecto de algo que flutua entre suposições equivocadas mas ainda assim se apresenta como qualidade vulgar de premissas falsificadas na origem errônea onde foram geradas. E sendo assim, vamos a etapa seguinte, assimilação por pressão. É o jeito que gosto de abordar esse momento, quando estudar, ler a respeito de um autor, ou qualquer tema literário, econômico, filosófico, de exatas, sim matemática também, escreva. A absorção tem maior rendimento quando além de ler e raciocinar a respeito do que está em questão escreva a respeito do que está sendo abordado. Faça uma catalogação, um dossiê a respeito do autor abordado e estudado, compre um caderno e nele coloque toda e qualquer informação que ache relevante a respeito do autor pesquisado. Por exemplo: Milton Friedman, coloque nesse caderno os aforismos, as ideias técnicas, as proposições dele, decomponha em etapas cada afirmação e cada abordagem do autor. Desenvolva uma redação de próprio punho a respeito do que você acha da metodologia do economista. Pesquise e coloque no caderno também as ações e atuações do referido autor no mundo da economia e seus resultados práticos. Faça uma análise dialética do conteúdo, reúna os elementos e trabalhe como tese, antítese e síntese. A absorção de detalhes ao escrever é muito superior e mais permanente do que apenas ler. A leitura se torna apenas o salão de entrada para o conhecimento, ao transportar isso para o papel você estará assimilando em doses substanciais e formando uma estrutura sólida de conhecimento a respeito desse autor. Tomar conhecimento difere de aprender de verdade. Apenas pessoas com capacidades especiais aprendem apenas lendo, e mesmo assim estão sujeitas a falhas de memória circunstanciais nessa estrutura do saber. Confesso que fui assim, era um estudante relapso mas de uma memória profunda e abrangente. Apenas prestava atenção nas aulas, meu caderno só continha rabiscos, e nas provas tirava as melhores notas, por que? Eu me lembrava perfeitamente das aulas onde o professor ensinava o que cobrava no momento da prova. Mas nem todos possuem essa característica e habilidade e depois durante a vida aprendi que ao colocar no papel o assunto de interesse, a assimilação era fantasticamente maior. Ainda possuo diversos cadernos com conteúdo técnico dos tantos cursos que fiz, eu praticamente copiava tudo da aula e também copiava as apostilas toda observação colocada em aula pelo professor também. E quando estava em ação na área industrial eu criava um caderno exclusivo de desenhos da planta de processo e seus detalhes, tudo à mão. Isto, este comportamento se repetiu para todo curso técnico que fiz e também para o curso universitário, não basta escutar e discutir a respeito tem de escrever. Materializar em texto e o assunto em forma de letras para que esse conteúdo migre definitivamente e de maneira sólida para seus arquivos internos de raciocínio. Comece com os autores que abordam coisas necessárias e mais prementes à vida, os de economia, administração, organização social, exatas, informação e depois vá para os filosóficos e psicanalíticos. Você pode fazer tudo isso sem ao menos frequentar uma escola ou curso, tudo se trata de disciplina pessoal.




Essa disciplina pessoal transformará sua vida se você a possuir, seja seu próprio professor, pesquise, leia se encha de atributos favoráveis no contexto no qual está vivendo. Crie um arquivo de cadernos com tudo o que aprendeu, estudou, assimilou durante a vida, as vezes no futuro será prazeroso voltar a esses tempos de luta, ao menos por recordação e talvez para sanar dúvidas. Até porque depois de anos nesse caminho estudar vira prazer e o conhecimento cria satisfação na exata amplitude da altura que alcança nos nossos arquivos internos de prazer. Se for de forma autodidata você não terá diplomas mas terá cultura e conhecimento, e sendo assim quando puder e resolver obter um diploma será extremamente fácil. O diploma é um certificado burocrático do saber, ele não representa conhecimento de fato, apenas diz que você cursou e frequentou um colégio ou universidade. Mas sua capacidade intelectual dependerá somente de você, sua aplicação com pesquisa e procedimento de aprendizado. Cursos e faculdades oferecem conteúdo, o quanto você realmente se aplica para assimilá-los? Sim! É possível possuir formação acadêmica sofrível, sem conteúdo, débil, criando assim um profissional sem qualidade. É isso que você deseja ser? Tem muitos hoje vagando por ai e dando carteiradas inconvenientes mas incapazes de sobreviver a uma argumentação com quem realmente é preparado. Se você vai estudar estude certo, como tem de ser para se tornar um profissional qualificado e que represente com respeito a área que escolheu. Colecionar displicentemente diplomas apenas fará de você um imbecil certificado, que eventualmente poderá passar vergonha em algum contexto fortuito que a vida oferece. Afinal, o que se espera de alguém com títulos é a correta abordagem do tema a qual se dedicou. Faze tu a fase da tua vida.





Gerson Ferreira Filho.



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sábado, 22 de março de 2025

A substância do mal.

 

                                                       Image by Sabrina Belle from Pixabay. 





A substância do mal.




Na gema do maligno mora o desinteresse, não há significado representativo do outro perante a face insensível de origem, e essa característica confere rigidez a quem pertence a esse meio. Não espere misericórdia de onde nada existe, o conteúdo mental de gente assim não absorve o bem, são completamente refratários a dor e ao sofrimento alheio, entenda; o outro não possui alma, e muito menos representatividade no mundo, o semelhante tem construção alegórica e com fins definidos para o sacrifício, são objetos para satisfazer delírios pessoais de complexos de superioridade sempre famintos por satisfação. Desumanizados sistematicamente desde a infância atribuem-se superioridade clássica e preponderante e isso sem contar toda carga de traumas adquiridos na criação, na infância e os prováveis problemas estruturais do cérebro que possam existir. Crianças criadas em ambientes desajustados podem desenvolver uma terrível visão de mundo onde apenas o sofrimento alheio gratifica internamente seus impulsos. E se for assim, causar dor e sofrimento no próximo será um parque de diversões, não se preocupe, essa gente dorme muito bem com tudo isso. A perversidade é uma característica de corações malignos, existe prazer em executar o mal. No clássico Inferno de Dante Alighieri da Divina Comédia poderíamos tranquilamente situar essas almas abjetas no quinto círculo, se não me engano dos iracundos. E orar para que esses lugares realmente existam, porque seria um prêmio para a perversidade se simplesmente morressem e tudo acabasse. Eu particularmente acredito que não pode ser apenas isso, seria um contrassenso existencial e um incentivo a toda barbaridade do mal possível de ser executada, afinal, se enfim se morre e tudo simplesmente acaba, fica fácil, não? E assim a dor e as lágrimas de inocentes seria apenas um prazeroso jantar para pervertidos da pior espécie, lamento por gente assim, mas ao menos no que acredito não acaba tão simples dessa maneira. Durmam bem, participem dos seus banquetes, exercitem suas taras particulares como se não houvesse um amanhã, o problema? Este amanhã existe sim. Ora amigos, a vida não é tão simples e nem tão complicada, ela é o que é um caminho para um fim. Então, ficamos com os versos De Dante: “Já partimos da fida companhia, as ondas costeando rubras, quentes, donde agudo estribor ar subia té os cílios no sangue os padecentes. Eu vi, disse o Centauro: - São tiranos truculentos e em roubo preeminentes. Chora-se aqui por feitos desumanos”. Essa gente diversificada e aculturada em desvios sem sustentação lógica criam um mundo particular de convivência entre iguais, iguais a eles é claro. A presunção de superioridade é um atributo do estúpido. São a ralé especificada por Hannah Arendt. Um resíduo social presente em toda classe de povo, um conjunto de fracassados que vivem com seus transtornos e os projetam nos outros, geralmente culpam a sociedade por seu infortúnio e provável dessabor. Essa gente, caso consigam alcançar algum posto de poder, irão se vigar, não interessa em quem, eles atribuem a sociedade em geral a culpa por sua dores particulares, podem se vingar em uma etnia como foi na segunda grande guerra ou em quem estiver disponível para receber todo rancor acumulado. E assim citamos Hannah Arendt: “A ralé é fundamentalmente um grupo no qual são representados resíduos de todas as classes. É isso que torna tão fácil confundir ralé com o povo. O qual também compreende todas as camadas sociais. Enquanto o povo, em todas as grandes revoluções, luta por um sistema realmente representativo, a ralé brada sempre pelo “homem forte” pelo “grande líder”. Porque a ralé odeia a sociedade da qual é excluída e odeia o parlamento onde não é representada”. Um excluído mental desses quando fortuitamente alcança uma posição de poder é um perigo enorme para a sociedade. Temos dois exemplos típicos de exclusão mental na história: Calígula e Nero. Ambos com infâncias problemáticas e com abusos sistemáticos e fizeram o que a história conta. O mal germina cresce e floresce no ressentimento. Uma vez no poder a sociedade fica desinteressante e enfadonha, se torna necessário dinamizar o cenário com todo tipo de maldade cruel e desnecessária para a sociedade, apenas vital para quem a exerce como afirmação de poder. O imbecil dentro de seu calhamaço de certezas absurdas sempre procura um bode expiatório para descarregar suas frustrações. Sim, essa gente, mesmo em situação privilegiada convive com uma agonia interna subjacente que sempre diz a ele ser um ninguém. Uma convivência com um subconsciente doente, deformado e repleto de reflexões abjetas e distorcidas. É o tipo de gente que usando uma imagem metafórica pública: “olhando uma linda floresta só vê lenha para queimar”. Este desconforto interno intrínseco gera mais ódio ainda, ele não vaza e nem extravasa pelos poros, normalmente se apresenta com um frio sorriso de normalidade como o olho de um furacão. Assim que chegar a hora ele vai destroçar tudo que estiver pela frente.



Existem limites que o mal adora ultrapassar e um desses é o da dor do próximo. Causar aflição pertence a caixa de ferramentas do maligno não há contradição nisso pois Deus comanda e sabe de todos os passos e pensamentos daqueles que acreditam nada mais existir além do agora. Porque o impossível faz parte da sua tradição, e portanto vamos filosofar com Mário Ferreira dos Santos: “Todo possível é do ser supremo. Todo possível pode tornar-se termo de criação, pois, do contrário, afirmar-se-ia sua absoluta inviabilidade. Ora, tal inviabilidade seria extrínseca ao Ser Supremo, e por isso, uma limitação à sua onipotência, o que seria contraditório. Impossível, de modo absoluto, só se pode predicar do que é, fundamentalmente contraditório. O que é fundamentalmente contrário é absolutamente nada”. O mal se trata de um nada, um vazio existencial de tal forma sem representação que os que se dedicam a ele assim o serão também. Sendo o mal de tradição impossível em conflito com o possível divino a impossibilidade confirma sua tradição contraditória de anomalia pouco exequível na realidade. Realizar o mal é uma não atividade, um desperdício de recursos no universo realizável. Um salto consciente no abismo da escuridão completa.




Gerson Ferreira Filho.



Citações:


Divina Comédia. Dante Alighieri, Editora Martin Claret.


Origens do totalitarismo. Hannah Arendt, Editora Companhia das Letras.


Filosofia Concreta. Mário Ferreira dos Santos. Editora Filocália LTDA


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quarta-feira, 19 de março de 2025

O tecido da metáfora.

 

                                                      Image by Selline Selline from Pìxabay. 




 O tecido da metáfora.





Em ocasiões circunflexas se exige genuflexão de sentidos e a toda oportunidade episódica que surge como fragrância de um momento absurdo. Porque na clausura de um amor sem fim a eternidade se sustenta apesar do enigmático sorriso do amanhã. Pois fica aqui subtendido que não há caminho que me leve ao destino sem agonia pois dela se constitui a marca da circunstância que me trouxe aqui, e se não for agora pode ser no amanhã porque do ontem já consumi todo os espaços viáveis da ilusão. Enfim, amar demais pode não ser astúcia e sim oferta que pode ou não ser compreendida no contexto que se dá. Ser intangível e dissipar minha sustentação material não me preocupa, ser sem perder a essência do sorriso que me conforta ainda que assim na indefinição me submeta aos espaços do momento. Eu prefiro flutuar nas nuances do Criador que nos proporciona diversas opções, variados caminhos entremeados de circunstâncias fortuitas para apaziguar o nosso coração. Léon Denis certa vez disse no passado: “Cada religião, cada sociedade, cada nacionalidade contribui com seu contingente de ideias; dá origem a formas especiais a manifestações particulares da arte do pensamento. No seu grande concerto da história, cada povo fornece sua nota pessoal, a colaboração do seu gênio. Da luta, da concorrência vital nasce a evolução; surgem obras sólidas dos conflitos e reencontros”. Da diversidade se produz o todo, que um dia será forte com todas as opções de representatividade nesse tecido temporal que sustenta a todos nós. Não que seja seda ou seja linho está mais para uma organza que definirá com sutil delicadeza a composição da realidade no após ser desenrolado como pergaminho o destino. Na verdade tudo possui um sentido específico apenas não entendemos isso, a trajetória complexa e multifacetada na origem e seu turbilhonamento peculiar não oferece a face da compreensão aos seus filhos, neste ponto entra o auxílio da fé. O alvorecer acontece naquele que acredita e se importa. A origem submete seus detalhes à compreensão do tempo e aconselhamentos decisivos se perdem na poeira do tempo. Com um ensinamento de Hermes Trismegisto: “Deus está na inteligência; a inteligência na alma, na matéria, e em tudo isso subiste pela eternidade. A alma preenche esse corpo universal que contém todos os corpos; a inteligência e Deus preenchem a alma”. A luz que desvenda a escuridão se renova em cada ação positiva e que possui repercussão ao fazer o tecido dar respostas harmoniosas no contexto onde é aplicada. Nunca, jamais existirá desperdício de temas e teores nesse caminho. E o Trismegisto mais uma vez esclarece: “Afinal Deus não é ocioso. Do contrário, tudo estaria em repouso, posto que Deus preenche tudo. A inércia não existe nem no mundo, nem em parte alguma, nem no Criador, nem na criação. A inércia é uma palavra vazia no que diz respeito ao Criador e à criação”. A sociedade reflete o que o homem é, se ela é ruim, desorganizada, corrupta, suja assim temos nesse caso apenas o produto das partes mas certamente , neste caso, teremos o adubo pronto para o cultivo, a base que sob tratamento fornecerá o alimento necessário para a evolução nas mãos dos que vieram com esse propósito. Nunca há desperdício ou falta, no agitar da correnteza todos se misturam, nessa compostagem de desejos e sonhos se produz o que irá florescer no amanhã. Afinal, esse jardim tem de tudo um pouco. A diversificação da vida também é um aprendizado, onde se aprende civilização com a aceitação do que existe mas incomoda. Se nos incomoda ou se incomodamos, essas sensações conflitantes são produto da forma rudimentar na qual vivemos, se conseguirmos ajustar-nos na frequência adequada ao sincronizar os elementos que forneçam ajuste e equilíbrio na ocasião necessária para que a jornada prossiga em equilíbrio e com estabilidade compatível com o processo teremos êxito. Carlos Toledo Rizzini explica: “Ora, a sociedade não é uma instituição independente do homem, e sim, um organismo formado pela reunião de todos os indivíduos que nela vivem e atuam. Ela é o que os seus membros são – em ponto maior. Por isso, nela existem refúgios muito diferentes do conjunto, com casas de caridade e instituições religiosas, onde congregam-se elementos superiores à massa pelos objetivos, sentimentos e ideais”. Somos diferentes dentro das semelhanças, e isso é o que nos completa, nos conforta e ao mesmo tempo causa o desassossego. Precisamos de interação de um sorriso e de conflito, das doces palavras e da agressividade circunstancial que nos atormenta. Nada possui objetivo zero ou neutro, faz parte do movimento existencial das circunstâncias agregar valor sempre e dar prosseguimento ao processo de lapidação da joia que representamos para a criação. Eu sei, não me olhe com espanto por essa construção metafórica que acaba de não entender, é assim mesmo, aos poucos com paciência e determinação de suportar o enjoo das circunstâncias, considere uma efeméride ocasional nos espaços do eterno conflito de existir. Alegre-se por estar aqui, nesse intervalo de oportunidade aprendendo.



E entenda, acasos, acidentes e debilidades são resultados produzidos na aleatoriedade do cenário para treiná-lo para quando a luz faltar e a escuridão se tornar predominante, nesses momentos onde o desafio se apresenta e assim que você seja forte e seja o predicado que resgatará com a sua versatilidade o amanhecer. Carlos Toledo Rizzini tem mais um recado: “Nenhum ser humano possui todas as faculdades e, tendo necessidade uns dos outros, completam-se pela união social. Ao demais, o isolamento total interfere com a sanidade mental. Segue-se que a solidariedade inter-humana é condição essencial à expansão do espírito; todos precisam de ajuda e dependem uns dos outros”. O conjunto é vital na evolução, mas não se esqueça de que tudo isso tem um único objetivo transcendência, algo além de nós mesmos, não é um processo para hoje e talvez nem para amanhã. É um caminho uma trilha a ser seguida para transmutarmo-nos em energia e assim participar da sustentação do espaço e do tempo onde o universo dorme.




Gerson Ferreira Filho.



Citações:



No invisível. Léon Denis. Federação Espírita Brasileira.


Corpus Hermeticum. Hermes Trismegisto. Polar Editora.


Evolução para o terceiro milênio. Carlos Toledo Rizzini. EDICEL. Editora Cultural Espírita LTDA.



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sábado, 15 de março de 2025

Estruturas vinculantes.

 


                                                  


                                                      Image by DuckaHouse from Pixabay.




Estruturas vinculantes.



O que liga com exatidão o contexto a estrutura do espaço mental? Seriam laços de hipóteses ou o apego subliminar ao vazio que nos ocupa incidentalmente para fazer de nós um brinquedo conceitual no tempo? A previsão escapa nos intervalos oblíquos de um suposto instinto peculiar que transportamos na pele dos nossos segredos, das nossas intimidades onde a evasiva faz morada por sobrevivência. Não que desejemos o pior mas estamos sim, sempre dispostos a um desavio e a uma tentação. Fomos construídos com uma curiosidade natural e esta provoca o impulso que nos aprofunda nas circunstâncias na presunção do momento enraizado na carne do devaneio do qual fazemos parte. E assim partindo da Gnosiológica textura tendemos ao idealismo. A falta de realidade nessa pretensão intelectual pode levar a desastres sociais significativos. Flutuar em suposições acessórias à realidade presente pode gerar distorções intangíveis na estrutura da organização social aplicada em contexto normal do tecido social. Essa turbulência intelectual causada nessa sopa de conceitos subjetivos infere em termos ao processo imaginativo humano. Existe a necessidade de harmonia entre alguns conceitos para que seja proporcionado capacidade de julgamento. Essa estrutura vinculante não pode sofrer abalo ou ser prejudicada porque a partir dela se obtém o juízo, Immanuel Kant trabalhou intelectualmente nessa área e dá algumas instruções: “A imaginação colige e apresenta o material da sensação, o conteúdo da experiência, a um poder de relação cognitiva, a imaginação e subserviente às regras do entendimento, como é de se esperar para juízos determinativos acerca das coisas e suas propriedades. A imaginação e o entendimento funcionam harmoniosamente na cognição, e são bem adequados à tarefa de conhecer objetos através de conceitos, mas o entendimento é o poder predominante”. Não seria satisfatório um juízo sem esse equilíbrio específico. A estrutura de julgamento ficaria comprometida e a partir desse ponto é que o idealismo começa a ser tóxico. E quando se mistura a outra corrente filosófica o iluminismo fica explosiva. As características base das duas vertentes se corrompem e produzem uma quimera filosófica perigosa e instável para a sociedade. E temos que levar em conta ainda que a premissa base dessas duas frentes filosóficas geralmente não são aplicadas ao pé da letra e sim inseridas na realidade já com distorções evidentes. Essas adaptações corriqueiras levaram ao incremento da radicalização e ao conhecido terror da Revolução francesa. O idealismo veio um pouco depois mas foi usado também com variações problemáticas. Poderíamos apelidá-lo de Ideoiluminismo, uma geringonça filosófica que mais tarde aplicada aos concentos de Hegel principalmente causaria uma desordem generalizada na construção do futuro, gerando coisas que incomodam até hoje. Todos que estudam sabem ou deveriam saber a quem a síntese hegeliana inspirou; Karl Marx, e o mundo ficou muito pior. Extraídos dos desejos totalitários de Platão por Hegel foi criado algo que marcou o mundo e marca até hoje, o coletivismo e o totalitarismo. Karl Popper cita: “O desejo de Platão de deter qualquer mudança, combinado à doutrina de Marx de sua invencibilidade dão origem numa espécie de “síntese” hegeliana à exigência de, não podendo ser inteiramente detida, seja a mudança pelo menos “planejada” e controlada pelo Estado, cujo poder deve ser amplamente estendido”. Notam alguma semelhança com um certo tribunal que hoje usurpa o poder de forma geral? Essas coisas, esses desejos não são novos, na verdade já possuem até cobertura de mofo. Iluminismo e idealismo estão nessa base de distorção de conceitos e de leis que trabalham por um suposto bem maior, e esse é o problema principal, essa missão messiânica para a criação de um mundo perfeito, uma utopia que nunca pode ser alcançada e sempre depende de ajustes e expurgos daqueles que não se adaptam a transformação necessária no momento. Essa transformação ideal iluminada que ao tentar se criar se consome em termos de tragédia para as populações a ela submetidas. Vincular essas estruturas e com ela criar um sonho impossível está na base da desordem que hoje vivenciamos. Essa coisa alimenta “sonhos” de inclusão social onde se sacrifica o melhor da sociedade e se privilegia o incapaz. E assim sendo se perde rendimento no conjunto quanto ao enriquecimento da sociedade, obtendo apenas miséria generalizada com ilhas de privilegiados vivendo à custa de restante. No fim o que sempre se consegue é um desarranjo de proporções semelhantes a pragas bíblicas onde muitos morrem por pura teimosia em acreditar no impossível. Mas isso tem relação com o desequilíbrio citado por Kant, a perda da harmonia que fragiliza a interpretação e o julgamento de forma geral: “Kant sustenta que essa relação não seria possível se esses poderes não fossem capazes de primeiro se relacionar de maneira livremente harmoniosa que se obtém na experiência estética. A relação livre sustenta a determinada, tornando o juízo estético uma parte da satisfação geral de nossos objetivos cognitivos, ainda que de uma maneira pré ou não conceitual”.




Esse descarrilamento intelectual produz o desastre, não há harmonia e sendo assim a estética não se apresenta como um valor a ser considerado no conjunto de hipóteses a ser considerada e aplicada na realidade para uma estruturação plausível do conjunto social. E assim não racionalizando essa harmonia não se obtém uma estética necessária ao equilíbrio justo e seguro para o conjunto humano que chamamos de coletividade social. No fim, o objetivo que os coletivistas tanto perseguem se torna a ruína do sistema que tanto almejam. Mas convencidos de forma tenaz num erro de base de construção intelectual prosseguem e insistem no caminho do fracasso, este que se repete sistematicamente causando miséria dor e desespero na sociedade de forma geral. Revestidos de arrogância não percebem a simplicidade da vida, que está para todos nós envolvida em liberdade e a esse valor sim devemos preservar com toda energia possível, porque somos racionais e não custa muito apenas pensar.




Gerson Ferreira Filho.



Citações:


Conceitos fundamentais. Immanuel Kant. Editado por Will Dudley e Kristina Engelhard. Editora Vozes.


A sociedade aberta e seus inimigos. Sir Karl Popper Tomo 2. Editora Itatiaia LTDA.



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sábado, 8 de março de 2025

Explicitando ausências.

 

                                                 Image by Villus Kukanauskas from Pixabay. 




Explicitando ausências.




E assim, filosoficamente atrelado a essas circunstâncias caminhamos entre o que é impossível para ser submisso e a hipótese com seu perfil amórfico para companhia nessa realidade. A vida meu caro, fica complicada para quem não está preparado para ela. E isso inclui hoje se adaptar a decadência da civilização. Não existe mais elegância no cenário, o rodapé da alucinação nos circunda e determina os seus limites específicos para que percamos a vida entre premissas abjetas apenas para controle social, e sendo assim a ausência psicológica transforma-se em sublimação para que transbordemos pela beira da ocasião que se mostra corrosiva a todo e qualquer bom propósito. Não faz mais sentido a realidade, a textura complexa da ocasião se corrompeu com ignominias e nada restou para proporcionar um afeto ocasional para que os sonhos possam repousar em algum intervalo benéfico para assim se tornar saudável. O passado nos resta, para os que ainda o possuem, uma rapsódia, um fragmento do ontem , onde ainda existia romantismo para vestir nossa alma. O que foi, se tornou agora o bastante, um arquétipo alongado por esperanças como simulacro em um mundo mais confortável para ser nosso. Tudo isso porque nosso destino é escapar, fugir para enfrentar pois tudo que se torna oblíquo confunde, como um eufemismo ardiloso que se põe na superfície para iludir e amortecer o impacto daquilo que se quer. Tudo o que se precisa saber do que acontece hoje é: não existe sofisticação, tudo é rudimentar entre platitudes e raciocínios exóticos embalados em pura gafe do ensejo baldio de mentes empobrecidas. Não há muito o que fazer onde não há base cultural e intelectual para uma assimilação do bem. Apenas o que é possível fazer é uma gestão sanitária do conteúdo apresentado, como uma estação de reciclagem, teremos que selecionar essa gente em categorias, o que se deve fazer com cada volume. Quebrar o paradigma será necessário, e não se intimide de ser ridículo, conforme definiu Albert Camus: “Todas as grandes ações e todos os grandes pensamentos têm um começo ridículo. Muita vezes as grande obras nascem na esquina de uma rua ou na porta giratória de um restaurante”. Tudo aquilo que hoje chamamos de “insight” surge sem pedir licença. E com isso, essa capacidade superior de compreensão e raciocínio que vamos trabalhar, não se preocupe, do outro lado essas coisas não acontecem se faz preciso e necessário um avançado nível de cultura e inteligência abrangente para possuir essas ofertas mentais a respeito de algo inovador, o que se torna impossível em ambiente empobrecido por baixo padrão cultural. Parecer ser culto não produz novas ideias, aparências e diplomas não contam nesse nível. Se trata de uma relação temporal com o aprendizado através de muitos anos de estudo sério. A lassidão peculiar do extremo o impede de um raciocínio mais sofisticado, o exemplo se vê rotineiramente nas atitudes de comando e gerenciamento equivocadas e repetidas sistematicamente. Entre ausências de razão e propostas absurdas deve-se ficar com o inesperado e nada mais inesperado do que o absurdo. No nível de análise dos conceitos onde a hipótese que parece correta, deve ser mesmo a correta, existe simplicidade na verdade. Mas ainda assim se faz necessário trafegar pelo imponderável, submergir no âmago da evidência para fazer dela um corpo verificado em suas minúcias para assim impor aceitação entre os pares. Albert Camus prossegue: “A questão é reconciliar-se e, nos dois casos, o salto basta para fazê-lo. Sempre se pensa erroneamente, que a noção de razão tem um sentido único. Na verdade, por mais rigoroso que seja em sua ambição, o conceito não deixa de ser movediço quanto aos outros. A razão tem um rosto totalmente humano, mas também sabe voltar-se para o divino”. Se tem um lado humano, a razão pode falhar, mesmo que ainda assim possa levar a um lado divino. E voltando a a Camus: “ O absurdo é a razão lúcida que constata seus limites”. Para fazer uma autópsia na razão e preciso não ser razoável, penetrá-la em seus detalhes submissos pois muitas vezes há critérios errôneos de origem o que a torna imponderável e sujeita a influências exógenas a seu corpo e composição final. Enfim, atitudes pouco exploradas até suas raízes costumam projetar péssimos resultados, mas isso não passa de lugar comum para despreparados mentais, e o que mais se tem nos governo hoje é isso, gente que não entenderia uma análise combinatória, sabe, aquela matemática básica que foi negligenciada no passado mas oferece ao cérebro recursos operacionais fantásticos. Quantas vezes escutei: estou aprendendo isso aqui para quê? Aprendiz! A álgebra que você acha inútil, produtos notáveis etc. Vão ajudar seu cérebro a entender o mundo. Como raciocinar estatisticamente sem saber nada disso? O pulo do gato, o “insight” mora nesses detalhes. Voltando com Albert Camus: “Não há fronteiras entre as disciplinas que o homem emprega para compreender e para amar. Elas se interpretam e a mesma angústia as confunde”.



Nas sutilezas cósmicas e enigmáticas do que nos constitui existe algo que grita; você é livre! Foi feito para a liberdade e nada pode se opor a essa verdade. A plenitude do ser apenas se completa quando não há limites para sua realização pessoal, respeitando o seu próximo todo o resto se compõe de particularidades genéricas de um cotidiano livre e sem obstáculos políticos que o impeçam de realizar suas vontades. O ser humano é um animal político por natureza, mas tem se deixado dominar em demasia por essas decisões coletivas que buscam soluções de grupo. Porém, o indivíduo é o relevante, aquele que detém a realidade, e apenas por acordo e não por coação deve aceitar algum tipo de submissão momentânea que surja por necessidade circunstancial. Qualquer anomalia nesse campo deve ser combatida e eliminada pelo bem de todos e para a segurança individual do cidadão. Temos que entender que uma democracia a principio não foi criada para o bem de todos, mas de apenas um grupo de privilegiados, o restante da sociedade apenas obedecia o que esse grupo seleto escolhia como padrão de vida a partir daquele momento. Uma sutil evolução se compararmos ao poder imperial, onde todo o poder emanava de uma única pessoa, em alguns casos, elevada a condição divina. O poder passou para os filósofos, os comerciantes, os artesãos e os militares, todo o resto da sociedade não possuía qualquer influência decisória. Com o tempo, aconteceram flexibilizações, mas o desejo de concentração de poder ainda existe, e hoje estamos de volta ao passado. Com direitos e seguranças constitucionais suprimidas por um grupo privilegiado. Coisa antiga, com cheiro de mofo. Existe nesse contexto uma ausência explícita no ar, é perceptível, tem massa crítica densa e volumosa, a falta de ética. Para registro histórico é preciso deixar explícito o que acontece, pois os resultados podem ser muito ruins e no após vão procurar os motivos, todos sabem, que depois resta apenas o trabalho arqueológico para apurar o que motivou o fim.




Gerson Ferreira Filho.




Citação:



O mito de Sísifo. Albert Camus Editora Record.  


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