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O interior dos detalhes.
E assim, nos pormenores específicos da existência humana repercutimos a aleatoriedade abrangente das nossas intenções. Um pouco de hesitação aqui, um tanto excitação ali quando o arcabouço das minúcias se estabilizam. E portanto, do nada se materializa um contexto, uma aflição metódica, que chega sempre na companhia de alguma emoção. Como uma evidencia oportunista que desafia as necessidades prementes do espaço que de forma impertinente insiste em ser vazio de contexto. Minha alma não possui gelosias para aplacar ou atenuar esse tipo de aproximação sistêmica e prototipadas nas ocasiões mais inconvenientes do dia. Aqui, o adorno do momento se faz específico para a ocasião, Então, na clausura do espaço humanamente possível a mim concedido para existir, concedo-me a exequível tarefa de escrever, e escrevendo, me transformo em texto, em letras organizadas na textura do tempo que se faz de registro, para a consolidação do espaço editado útil como a esperança. Na sutileza desmembrada dos termos configuro o propósito, ocupar o que foi esquecido e negligenciado por ser insignificante. Para mim, o desnecessário se apresenta como a poeira que acumula nas memórias e no passado como uma inconveniência consentânea que acaba se tornando essencial para a criação. Quem lê, veste o autor, vive dele a presença na ocasião em narrativa, e sendo assim, empresta vida ao que foi registrado. Uma roupa fabricada em algum momento passado para se tornar presente na realidade do leitor, que assim sente o que já foi sentido, vive o que já não tem mais uma vida, mas ainda assim; sobrevive no corpo do texto. Na tecitura da narrativa e entre as reentrâncias sentenciadas pela estrutura gramatical da semântica impregnada de emoção. Enfim, a literatura pede envolvimento, sentimento e a entrega total ao corpo da narrativa que flui na superfície do papel. Este depósito final da construção em letras que talvez a conserve por mais tempo para futuras gerações. Em seu corpo estarão as emoções, análises, argumentos, evasivas e descrição de propósitos em relação a algum evento, a alguma vida ou a algum momento pessoal. Essas premissas, momentaneamente serão suas. Se for empolgante ou angustiante terão o tratamento que a sua realidade vai assumir prezado leitor. Há os que preferem emoção outros a paixão, mas a sobrevida oferecida pela leitura vai apresentar o que lhe é de sua natureza. Eu esse escriba apresento cultura, informação, embalada em produção literária para consumo. Com a intenção de não ser monótono e de certa forma atribuir qualidade a apresentação do assunto específico. E aqui vou eu em mais um texto, embriagado de conceitos que a solidão proporciona nesses espaços vagos, aflitos por sentido em um axiomático ritual onde se corrobore a necessidade de existir. Entretanto, nas minhas frações de perseverança ainda ameaço fuga da alienação no cântico das promessas vazias que habitam a textura da realidade com um único objetivo, desencaminhar uma alma desavisada de algum romântico que ainda possui a inocência para se deixar levar por falsas promessas e assim demolir o restante de razão.
Se
torna precípua toda parcimônia, toda austeridade mediante a
escassez de significado no que assistimos hoje. O volume de crueldade
obscena que nos oferecem a título de informação agora e que
merecem registro de um tempo cruel e animalizado, onde entregam
ignomínia embalada em rituais sofisticados de uma elite
abominavelmente constituída. Com requinte extremado, onde com toda
pompa e opulência demoníaca se faz o impensável para uma
civilização que se apresenta como o ápice da criação. Não há
luz nesses ambientes, apenas a escuridão de abismos e a sordidez dos
comportamentos onde a infâmia se torna apenas um detalhe corriqueiro
entre os participantes. Filosoficamente e metafisicamente nos faz
pensar, existe inferno? Existe paraíso? Onde foi parar esses
temores, esses instrumentos regulatórios de comportamento que
ninguém encontra mais, o que temos é apenas o gratificante prêmio
da boa vida para infames onde a torpeza baila freneticamente rindo
dos justos sem demostrar receio de punição. O mal venceu, e isto é
apenas uma constatação, as evidências concretas dessa ocorrência
estão sendo esfregadas na nossa cara todo o tempo. Não há o mínimo
vestígio que se salve como alento para a verdadeira justiça. Cumpro
aqui apenas o meu papel de elaborar o registro de um tempo, de uma
ocasião onde qualquer expectativa de mudança de rumos apenas mostra
um precipício comportamental sem limitantes para que de faça uma
real correção de rumo. O bem se tornou inócuo, nessa planície
congestionada de abominações exuberantes e com um assanhamento que
se faz valer da mansidão benevolente da ocasião. A abordagem
negativa de Schopenhauer tem espaço aqui nessa nossa realidade
tranquilamente:
“O mundo é o inferno, e o mundo divide-se
em almas atormentadas e em diabos atormentadores”.
E ele prossegue:
“A miséria que alastra por esse mundo protesta demasiado alto contra a hipótese de uma obra perfeita devida a um ser absolutamente sábio, absolutamente bom, e também todo poderoso; e, de outra parte, a imperfeição evidente e mesmo burlesca caricatura do mais acabado dos fenômenos da criação, o homem, são de uma evidência demasiado sensível”.
A desilusão do filósofo com o enunciado e com o resultado é evidente, e também contagiante. Como definir o cenário com tanta contradição? Afinal, para toda expectativa se espera um retorno que se alinhe com a proposta anunciada. E se tudo for ilusão?
A evidente e consolidada vitória do mal está materializada na intensa corrupção, nas hoje demostradas monstruosidades sanguinárias com sacrifícios de inocentes para o deleite de pervertidos de uma elite demoníaca. A pergunta que se deve fazer respeitosamente: Onde está o bem? Onde está o que sustenta o justo, o fiel? Consolidou-se a frase de João o evangelista: “O mundo jaz no maligno”. Onde a felicidade e a alegria efusiva dos demônios se estabelece. Temos aqui um mundo de ferozes contradições, onde a honestidade e a honra são constantemente violentadas para o prazer infinito dos canalhas e dos venais. Estes constantemente se deliciando com o fruto da venda de seus valores moldáveis e que mudam de acordo com o preço oferecido em pagamento para alguma facilidade suja. Se tudo isso for um teste de fé, exageraram. As cobaias, nós, não sobreviveremos a tanta pressão psicológica. Algo precisa ser revisto no detalhamento desse cronograma de vida porque no seu interior o caos colapsante dos sentidos se aproxima perigosamente. Como um preludio existencial de civilização estamos dançando na beira do precipício, sem corda de segurança que possa impedir a queda. E para encerramento, um pouquinho mais de Schopenhauer : “Quão longa é a noite do tempo sem limites comparada ao curto sonho da vida!”.
Gerson Ferreira Filho.
ADM 20 – 91992 CRA – RJ.
Citação:
As dores do mundo, Schopenhauer. Edipro Editora.
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