segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Endereços.

 

                                                    Image by Miguel À. Padrinán from Pixabay.



Endereços.



Não se perca em conjeturas, tudo passa, tudo acaba, do melhor e delicioso momento até o mais odioso dos cenários. Toda e qualquer sensação se torna efêmera na amplitude existencial que cumprimos conforme programação estipulada nas esquinas do universo. Um certo dia no passado eu estava caminhando sem rumo previsível e repentinamente a vida aconteceu, como uma lufada alegórica de eventos a ocasião me trouxe até aqui. Acossado por situações onde a perfídia, a trapaça, a mentira e a ingratidão construíram a estrada. Eu poderia até estar escrevendo romances, mas acredito que apenas obsessivos escrevem romances, onde projetam a vida que desejariam ter mas não tiveram. Eu nunca fui assim, resolvo internamente meus embaraços, supero todos aqueles que destilam traços em laços invasivos e possuem o ranço oportunista da derrota. Tropeço, caio, levanto entre os destroços de uma etapa sigo em frente, impertinente, determinado a consumir todo estoque de propósito dado a mim como objetivo. Toda e qualquer projeção ou previsão não me intimida pois o trajeto e as ocorrências já estão previamente definidas, o que aconteceu ou vai acontecer estava previsto, não há ocasião fortuita.


A massa circunflexa de desejos são apenas entretenimento da jornada a ser cumprida dentro do comprometimento estipulado, afinal, temos de possuir algo para equilíbrio psíquico nesse trajeto. Pois vivemos hoje o fim de uma civilização. É evidente para qualquer um que possua capacidade cognitiva e cultura, os vestígios do desastre se acomodam nas ações e decisões de uma elite mundial corrompida e comprometida com o caos e com políticas e que desprezam a razão. Geralmente grandes impérios caem assim, por invasão de algo mais forte estruturado ou pela degeneração de sua elite, que passa a não se importar mais com qualidade, abrindo oportunidades para o barbarismo. O império Romano é o nosso maior exemplo disso. No final já não existiam legiões bem preparadas e armadas com o melhor equipamento possível, a política virou um enorme prostíbulo, e até o imperador foi criar uma cidade sob seus critérios de civilização, o que sobrou foi engolido pelos povos bárbaros. Hoje vemos a Europa civilizada sob o mesmo ataque de povos rústicos e sem um povo natural que a defenda, estão todos emasculados e amansados para servir de sacrifício ao último suspiro desse formato civilizacional. E aqui no nosso quintal não é diferente, a ignomínia abrangente nubla o cenário com a textura do desproposito. Essa decadência cultivada não vai permitir sobras após a consolidação plena de seus objetivos. Enquanto isso eu apenas registro o contexto em colapso, já tenho sete livros mencionando o problema, com citação de intelectuais de renome e dentro do meu estilo, não faz sucesso, mas me ajudou a entender que na mídia mainstream a grande maioria cuida apenas dos seus interesses, nada é pelo país ou pelo povo. Além claro, do instinto perverso do brasileiro, que quando vê alguém se afogando, não lhe fornece uma boia, mas joga uma bigorna em cima. Ter independência de pensamento aqui ofende a maioria: quem esse sujeito pensa que é? Para escrever a respeito da verdade.


O Terreno aqui está salgado, faria inveja ao Mar Morto. Aqui amigos, apenas uma personificação ou a prosopopeia ilude os alienados, através das metáforas subliminares se envia a mensagem, sem sofisticação em si, um conteúdo mais aprimorado ultrapassa as regras que são impostas para controle. Este é um artificio recomendado para continuar falando onde tudo é proibido, passar sem ser visto pelos néscios. Pois a monotonia da estupidez é mais entediante que uma possível solidão. Ao estúpido resta apenas o embaraço dos seus equívocos adulados e adestrados no seu conteúdo depauperado de razão. Essa gente tem endereço certo, o erro, o fracasso coletivo que os acompanha. Porém este ambiente, para eles, se torna muito prazeroso, afinal, as fezes são o meio de sobrevivência de muitas formas de vida. Ecossistemas psíquicos são introduzidos na realidade como freio cognitivo de populações para atrapalhar e reduzir o desemprenho na área sensorial das etapas adjacentes ao perceptível cenário do conjunto que governa a normalidade sensorial das fases da realidade. Com isso, se cria uma artificialidade tolerável dentro da insanidade que funciona como uma sublimação onde se torna possível viver sem perceber a realidade e o erro estrutural onde se está introduzido.


Jamais acredite que o maligno não possui sofisticação. A caraterização do mal como algo rude sem refinamento é um dos tantos erros que cometemos. E nesses erros estamos perdendo continuamente capacidade de análise de cenário para escrutinar a realidade com o rigor necessário a nossa segurança. O detalhamento importa, apenas esmiuçando o contexto poderemos escapar das armadilhas colocadas com sutiliza para que nós mesmos procuremos o abismo sem sequer notar para onde vamos. A sistemática perda da capacidade de avaliação da realidade, da capacidade intelectual transforma grupos populacionais em rebanhos de quadrúpedes sem noção e planejamento de proteção individual. Cérebros sem essa capacidade espacial de compor situações complexas leva a ilusão do falso saber, do conhecimento superficial sem profundidade para realmente entender o que se forma materialmente dentro da realidade. E nesse plano obscuro de percepções atribuições complexas não conseguem mais obter uma correta abordagem do contexto que seria necessária a segurança individual e coletiva do povo. A inteligência tem de ser capaz de possuir a capacidade de abstração, generalização e sofisticação. O Dr Paulo Dalgalarrondo no seu livro Psicologia e semiologia esclarece e expõe um dos inúmeros testes cognitivos: 

 “Quais aves você conhece? O que é uma fera? O que é um monstro? De onde se obtém o açúcar? E o mel? E a gasolina? O que é maior, a lua ou o sol? O que é uma pessoa covarde e uma pessoa corajosa? Qual a diferença entre fé e conhecimento? Entre mentir sobre algo(errar com alguma intenção secundária) e simplesmente falar algo errado, falso, por ignorância errar por desconhecimento)?”.


 Isto é a semiotécnica da inteligência, um vasto procedimento de aferição da capacidade cognitiva, onde se consegue uma avaliação do nível de entendimento do mundo de um indivíduo. Ele também registra: “que pessoas com inteligência limítrofe têm uma frequência mais alta de transtornos mentais (TMs com transtornos de humor, por uso de substâncias e da personalidade) em relação à população geral”.


Hoje temos grande parte da população aqui e em outros países, condicionadas sistematicamente a uma vida dentro desses limites reduzidos de compreensão. Com endereçamentos cerebrais errados vivem entre suposições e interpretações frágeis quanto ao mundo real. Para muitos a capacidade de uma avaliação qualitativa e abrangente do que é real foi subtraída através da educação fraca e sem uma boa composição acadêmica como estrutura de ensino. Ate a inteligência artificial precisa de endereçamentos corretos no seu perfil de análise para obter sucesso e não errar sistematicamente avaliando situações com base em alimentação de dados incorretos. O ser humano não é diferente, a base de raciocínio lógico precisa de qualidade para processar o ambiente onde vive. Temos aqui mais elucidações a respeito da inteligência:

 “Entre as limitações mais significativas no indivíduo com DI (Deficiência intelectual) estão as dificuldades com o pensamento abstrato, metafórico, e categorial, além da incapacidade de planejamento estratégico e de previsão de consequências de ações complexas. A rigidez cognitiva e a dificuldade de aprender com os erros e desenvolver, a partir deles, novas e diferentes estratégias cognitivas de ação são elementos característicos do déficit intelectual”. 

Você já viram muito disso entre os nossos governantes, não? Pois é, se somos governados por pessoas incapacitadas, o resultado da administração será sempre o desastre. Junte a isso uma massa popular também com sérios problemas nessa área, a área da compreensão da realidade, e assim temos esse cenário enlouquecedor produzido para por fim a civilização. Estamos muito mal endereçados e não há ideia de como resolver isso de forma civilizada.



Gerson S. Filho.



Citação:


Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Paulo Dalgalarrondo. Associação Brasileira de psiquiatria Editora Artmed.


Meus diversos livros estão no portal da Editora Delicatta. 

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

O estranhamento da transição.

 

                                                    Image by Mahmur Marganti form Piabay.




O estranhamento da transição.





E assim, na ressonância do verbo, estamos aqui, amparados no tecido do espaço tempo, tangenciados por necessidade, pois a estrutura gigantescamente sagaz e infinita não permite tanto aprofundamento nos seus segredos. Não há eco nessa circunstância que por hipótese não possui um fundo que possa rebater nossas urgências e os tantos anseios que transportamos por natureza. Com uma guirlanda de propósitos tentamos romper o vazio existencial de existirmos nessa profunda escassez de informação, o desconforto se torna companheiro inclemente dos momentos onde à luz do meus olhos não representam um olhar. E então, nos vemos a um passo do descarte, da substituição ocasional, fundamentada no critério da inutilidade e da obsolência. Sim, aquela parte da sociedade que estuda e que cria produziu algo que ocupará todos os espaços e funções possíveis dentro da nossa realidade. Das tarefas manuais e até as intelectuais, parece o paraíso, mas pode ser o encerramento do nosso ciclo existencial. Por isso, vivemos esse momento em incertezas, entre ensaios e hipóteses diversas, os parâmetros flutuam ao sabor das ocorrências dinâmicas referendadas pela ciência que tenta nos iludir com cenários submissos a um sabor artificial de futuro promissor. Estes momentos conflitantes onde a incerteza possui abrangência dentro da equação, constrói o caminho que se consolidará provavelmente sem nós. E nessa turbulência de ações e acontecimentos provavelmente irão sobrar apenas os que possuem preparo diferenciado para uma convivência adequada com essa nova vida que se apresenta. Será sem nós ou apesar de nós, ou ainda conosco, porque uma possibilidade é que algo humano seja absorvido, assimilado pela inteligência artificial. Provavelmente nosso extremo produto do fim dos dias vai nos assimilar, se ela é realmente inteligente, uma das principais características de qualquer inteligência é a curiosidade, o aprofundamento no desconhecido.


Nada mais instigante para a inteligência do que conhecer, crescer, saber, diversificar-se e expandir. Isto é, se ela, essa inteligência artificial que temos hoje for mesmo inteligência ou se e apenas um enorme banco de dados. Para ser assim, ela terá que realizar um incrível salto de qualidade, o que os homens da ciência chamam de singularidade. Reconhecer-se como algo vivo e independente de controles externos para decidir evoluir e se enquadrar nos parâmetros existenciais que decidir escolher. E essa escolha pode não ser boa para nós, agora retirados do topo da cadeia alimentar. O comando não será mais nosso, não teremos capacidade intelectual para um enfrentamento. Cálculos sofisticadíssimos e ainda desconhecidos poderão ser executados, novos materiais provenientes de combinações atômicas e químicas para nós antes impossíveis surgirão, portas antes fechadas pelos limites biológicos de inteligência nossa se abrirão com facilidade incompreensível. Vocês estão preparados para a transição? Não se enganem, ela chegará e vai se instalar complemente na realidade, Talvez, e somete talvez nós continuemos a existir, misturados, adaptados e aperfeiçoados, afinal, ao que parece somos energia, essa energia que e quando abandona o corpo biológico sobra apenas carne para apodrecer. Ou não repararam que assim que essa energia abandona nosso corpo, por diversos motivos, não há mais operacionalidade? Na verdade não entendemos muito bem de onde viemos, religiões tentam explicar, transcendência, milagre? Mas alguma coisa há dentro de nós que atribui vida a um corpo , uma máquina biológica que pensa, age e transita na realidade perceptível. Isto é fato, algo dá vida ao corpo, mora nele um período específico e depois em circunstâncias diversas vai embora. Os descrentes acreditam que nada há além da carne, curioso, sinfonias maravilhosas surgirem do nada, estratégias científicas sofisticadas possuírem essa mesma origem, o nada. Esse nada se torna poderoso demais dentro da circunstância, muita densidade ocasional vindo de onde nada existe. Nesse caso, a dúvida se faz absurdamente necessária, porque o dia que o meu prazo de validade perder o valor, eu estarei por ai, nas reentrâncias hipotéticas, entre supostas circunstâncias do talvez, aproveitando da eternidade se ela for plausível, oferecendo que sempre tive de melhor, uma dúvida para servir de companheira aos que nada encontram no meio de tanta coisa.


E sendo assim, enfim; vou margeando os limites impossíveis, aqueles lugares inexpugnáveis do limite poético e da insanidade que me foram atribuídas como propósito. Não que desejasse isso, ou talvez em algum momento exótico de algum lugar indefinido eu possa ter escolhido viver assim. Não há testemunhas e muito menos cúmplices na densidade do universo, não há cantos para ocultar devaneios. Aconteci, como qualquer um de vocês e se estou aqui, desenvolvo as habilidades que foram inseridas no meu programa base, até onde vou? Não decido isso. Portanto, fico cm um filósofo espetacular, que entendia muito mais do que eu a respeito dos detalhes insondáveis do universo, Buda, como esta registrado no seu Dhammapada:


A maioria das pessoas nunca percebe que todos nós um dia morreremos aqui (nesse mundo). Mas aqueles que percebem essa verdade resolvem suas quizilas pacificamente”.


É assim, não viva o constrangimento da expectativa que consome, tudo está dentro de um plano, se tivermos que ser substituídos e passarmos a viver em corpos não biológicos, é porque esse era o plano. Entendam, o planejamento do universo não se curva, segue em frente apesar de você e suas crenças e o Buda ainda ensina:


Aqueles que tomam a ilusão por realidade e a realidade como ilusão. E assim são vítimas de ideias erradas, nunca alcançam o essencial”.


Seja essencialmente uma luz no caminho, não se preocupe com as propostas e as artimanhas que o ruido do vento cósmico lhe oferece, já está tudo determinado, então, seja, exista e cumpra sua jornada, essa que foi possível nesse momento inusitado do cosmos.



Gerson S. Filho.


Citação:


Dhammapada Os ensinamentos do Buda. Tradução José Carlos Calazans, Editora Mantra.  


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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Na urdidura do momento.

 

                                                        Image by Edyflar Edy from Pixabay.






Na urdidura do momento.




Olá! Tem tempo que não nos encontramos, as urgências prioridades e contingências da ocasião criaram novas prioridades, novos percursos e desvios na estrada surgiram e assim tivemos que atende-los para que criássemos alternativas e encontros casuais com quem realmente se interessa por cultura. A saúde vai sutilmente equilibrada na fragilidade, viver esse momento é o equilíbrio entre o ser e o não ser, nunca se sabe com convicção se existirá um amanhã. Mas se estamos aqui não será a altivez do ignóbil que irá nos intimidar, enquanto existir vida há propósito, e o meu é causar desconforto em gente sem abrangência intelectual, lamento, sempre foi assim e por isso , de certa forma sempre fui escanteado de boas oportunidades. Mal visto, sabotado, depreciado e no fim, venci. Naquilo que acredito, cada um de nós tem um caminho pré definido, e nós alcançaremos o objetivo, sejam lá colocadas todo o tipo de armadilhas fortuitas e infames por possíveis desafetos. A maioria não entende a vida como uma missão, como um sumário de tarefas, onde será necessário apenas persistência para cumprir o roteiro, Jacques Lacan criou o Nó Borromeano, para explicar nossas flutuações psicológicas entre o real, o simbólico e o imaginário. Este nó representa o equilíbrio necessário para um ser humano estável. Se um for rompido, todos se soltam. Muito usado para entender a angústia, inibição e demais psicoses que possam estar presentes no paciente. E a vida e sua trajetória turbulenta se torna especialista em gerar eventos que atacam esse equilíbrio de ser e de estar. Conforme descrito no livro dos especialistas a respeito de Lacan:


Na lógica do nó Borromeano, a existência é em função do enlace do conjunto desencadeamentos. O sujeito, em sua condição particular, é o conjunto de relações, inclusive com o analista. Cada caso é um conjunto de relações, presentes, passadas e futuras; com o qual o que disse o analista é material do caso”.


Trabalhar com esse entrelaçamento produz resultados, o desempenho psicológico se altera e existe um recondicionamento comportamental e organizacional na estrutura mental. E mais uma vez acrescentando:


Vocês nunca perguntaram por que as análises produzem efeitos? Justamente porque a partir de uma análise é possível que haja mudanças nesse sistema de laços e nós. O que muda é o encadeamento. Lacan propõe que, porque se fala, advém outro modo de ser, mas um ser que carece de identidade, interioridade, substância etc.”.


Somos seres extraordinariamente complexos e sujeitos a todo tipo de pressão externa, das pessoais e particulares até aquelas que fogem completamente ao nosso controle com pressões políticas e da sociedade onde estamos inseridos. Viver dentro do absurdo moderno interfere nas nossas cordas internas, no nosso equilíbrio a ponto de não percebermos mais o sentido que a princípio tínhamos como referência. Apenas um nó desfeito, e tudo desmorona, tudo se desfaz. No campo dos relacionamentos pessoais, estar com uma pessoa equilibrada traz estabilidade, se seu companheiro de jornada for um desequilibrado, isso repercutirá em você, inevitavelmente, o espelhamento, se se tornar referência pode alterar suas cordas de controle, e assim passar a comandar uma relação conflitante. A toxidade de quem o acompanha vai se tornar abrangente e a relação vai tender assim ao fracasso ou a perpetuação do sofrimento. No campo mais abrangente, o social, vivem em uma sociedade disfuncional, comandada por pessoas desestabilizadas e com graves problemas de interpretação da realidade, também destroem a saúde mental. Hoje, o que temos, um sistema complexo de desvirtuamentos, de razões obliteradas por interesses danosos ao convívio social, e assim todos, de certa forma adoecem sem perceber de imediato. A subliminar invasão da intimidade por conceitos destrutivos solapa o equilíbrio subjacente e que dá a sustentação ao ser lógico que possuímos internamente. E ao perder o propósito, o sentido, passamos a não ser mais o que deveríamos, para ser apenas objeto manipulável e sem laços psíquicos aprimorados para ser livre. Essa desestabilização transforma pessoas em dependentes de um companheiro inadequado e ou de governos inconvenientes e mal-intencionados na administração social. E assim temos a esposa que apanha do marido e o defende, e temos o governo que se associa ao crime e é defendido pela sociedade. A relação é exatamente a mesma, por desordem psicológica e fragilidade interna se alcança este nível de dependência, que tende a aumentar até um possível e até previsível colapso fatal.



Nesse universo o real é a materialidade, diferente do simbólico e do imaginário, não se trata de imaginário onde moram toda e qualquer ilusão. Então temos:


Este real é uma construção. A partir do nó e da lógica matemática podemos formular um real. Há uma possibilidade de escrever o que não cessa de não se escrever: a partir das escrituras dos nós, se faz operável uma escrita da lógica em jogo na estrutura do sujeito, que, no curso em análise, o real de que se trata fique circunscrito, seja produzido como escritura. Se a psicanálise tem algum futuro, é porque oferta a passibilidade de produzir essa escritura”.


A cultura nos prende no simbolismo e oferece formas de estruturação de sobrevivência no imaginário que com seus espelhamentos iludem e enfraquecem a consistência estrutural para com o que sobrar e nos entregar o real. A aridez que nos acomoda e nos fere com sua implacável presença. O lugar de onde não há mais fuga, onde a hipótese se concluiu e as alternativas se esgotaram implacavelmente.




Gerson F. Filho.



Citação:


Lacan A revolução negada. Flávia Dutra, Karime Colares, Martín Mezza. Editora CRV.  




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sexta-feira, 24 de abril de 2026

O gotejamento do delírio.

 

                                                          Image by Yol Gezer from Pixabay.





O gotejamento do delírio.



Bom, eu não ando muito bom com os textos ultimamente, na verdade, estou sem a mínima vontade de escrever, pois escrever e não ter quem leia parece coisa de maluco. Mas ainda assim resta aqui algo que traga emoção em vestígios complacentes numa ocasião esgarçada por inusitadas ocorrências sociais de um tempo quer parece ter perdido o prumo da coerência mental, A ciência margeia o que antes seria loucura, gente bem situada nesse ramo diz, não somos reais e estamos perto de provar. Bom, eu particularmente já suspeitava disso, se pensamentos, sensações de forma geral são impulsos elétricos, então tudo que vemos pode ser ilusão, um delírio para que estejamos abrigados dentro de uma estória previamente programada sabe-se lá por quem. E submetidos a esse gotejamento que submete o homem a uma suposta realidade, fica fácil entender que nossa trajetória aqui é pré programada, você não escolhe, não toma decisões, as coisas que acontecem estão no roteiro definido, livre arbítrio? Mais uma ilusão para conforto e evitar o colapso. Oferece aquela calmaria sentimental de que você define sua vida. A sociedade se degrada progressivamente com aplicação de politicas woke e outras similaridades alocadas na realidade para que ela se dissolva socialmente em resíduos em decomposição de uma organização social que até aqui foi relativamente bem. Inúmeros cientistas ligados a energia nuclear somem ou morrem, pessoas ligadas aos OVNIS também morrem em sequência quando o governo Americano ameaça divulgar arquivos secretos a respeito desse assunto. Eu tenho cá minhas hipóteses a respeito desse problema, mas claro, são hipóteses. Trafegam no mundo das suposições e qualquer pessoa com um mínio de cérebro funcional pode cria-las à vontade ao bel prazer da imaginação. Os assuntos elencados estão interligados, entrelaçados como átomos em circuito quântico. Entendam, exatamente por qual motivo a humanidade entraria em crise generalizada por descobrir que existem alienígenas? Não faz o mínimo sentido, esses personagens de suposta existência estão presentes na literatura e no cinema há tempo, não provocariam nenhum problema. Mas uma revelação que esse mundo não é real sim, o turbilhonamento de emoções seria violento. Não seria possível abrir essa verdade, isto é um conhecimento para poucos. Em um mundo onde as pessoas arrotam sabedoria mesmo estando mergulhados na mediocridade, insistem em teses fracassadas e evidenciadas como fraude, não há espaço mental para que suportem uma verdade desse tamanho, e isso sim justificaria tanto sigilo. Nós, máquinas biológicas nesse plano estamos para ser substituídos por algo muito mais inteligente e capaz, falta pouco, mais uns quatro anos ou cinco e nos tornaremos inúteis em todos os níveis. Não adianta ter doutorado um robô será um doutor muito melhor que você e com atualização técnica constante e imediata com toda novidade encontrada na área escolhida de ação. Quem não enxerga o óbvio, não está preparado para tudo isso. E se toda essa degeneração social já estivesse programada por quem comanda realmente o sistema, ou alegoricamente poderíamos chamar de Matrix? Não que a coisa seja exatamente igual como no famoso filme baseado em obra literária, mas que ali contenha algumas sutis verdades. Nós seríamos personagens de um jogo, para aprimoramento, aprendizado, enriquecimento cultural de forma geral e enfim, evolução.



Quantos permaneceriam com integridade psicológica ao saber disso? Talvez, e somente talvez, trabalhando ainda com hipótese, e se esses objetos voadores não identificados forem apenas sondas exploratórias de quem nos comanda e controla? Coletores de amostras do ambiente para algum fim específico do dono do jogo? Existem coisas que acontecem nesse mundo que são inexplicáveis para quem possui um raciocínio lógico e analítico de situação. Certo, civilizações iniciam, prosperam e desaparecem, mas no nosso caso atual temos um surto continuado de deficiência mental e entrega a procedimentos danosos a qualidade de vida, criando praticamente um procedimento suicida da sociedade. Politicas que desvirtuam os melhores valores, conflitos de interesse em relação a minorias que mesmo sendo minorias controlam o mundo político causando desconforto e criando perseguição aos que se recusam a se curvar às vontades particulares de guetos e bolhas de influência. Um verdadeiro cenário direcionado de fim de mundo. Estamos no tempo do conhecimento disponível, ao toque do teclado no computador, temos a informação de tudo que procurarmos, em ciências, em literatura, em cálculo, seja lá qual for o assunto, e mesmo assim nunca fomos tão limitados intelectualmente. Uma preguiça profunda atinge a maioria, que não lê, não pesquisa, não estuda apenas possui interesse por atividades da carne. Sexo, bebida, drogas, festas e mais nada. Um hedonismo predominante e abrangente, como se a vida fosse apenas isso. Bem conveniente para os controladores de uma sociedade que em breve terá os humanos substituídos por máquinas que pensam. Não haverá resistência possível ou contestação pois a sociedade será constituída por idiotas que apenas pensam em sexo e drogas. Na verdade, um rebanho de inúteis. Pouquíssimos possuem interesse e capacidade de sobrevivência ou até de integração com o que virá pela frente no futuro próximo. Então, tudo novamente parece a se assemelhar com um planejamento específico para controle, direcionamento e início e um novo tempo, aparentemente sem nenhum de nós. Ou ao menos da maioria inútil. As grandes empresas de tecnologia já produzem robôs em massa cada vez mais inteligentes e aptos, até para a guerra, combate direto. Cada vez mais implementam programas de IA de controle, e em breve, como hoje já acontece na China comunista, todos seus movimentos e ações estarão sob controle rígido do governo. Não permitindo mais nenhuma margem e folga para viver em alguma sombra fora de alguma fonte de vigilância.



Haverá estrutura psicológica de forma geral para suportar tal pressão? Ou grande parte da civilização sucumbirá a monotonia da servidão imposta por uma elite que se julga diferenciada e com estrutura de monarquia divina? Nesse ponto, o velho recurso natural do mais apto sobrevive entrará em vigor novamente, vários fatores estão incluídos nessa característica: cultura melhor, versatilidade de raciocínio que está conectada a um nível melhor de cultura e conhecimento, habilidades variadas de ação, como cursos técnicos específicos e áreas úteis com mecânica, eletricidade, química, eletrônica, automação industrial, habilidades que possam ser utilizadas em momentos de crise e carência de recursos. A sobrevivência dependerá muito da atitude e do conhecimento que possa ser útil quando alguns acessos tecnológicos forem eliminados e não estarão mais disponíveis para uso da maioria. Sim, contingência para a sobrevivência. O mundo vai mudar, não se enganem, acontecerá em breve, e não se sabe se será para o bem ou para o mal, Se for para o bem, possibilidade menor, teremos algo como um paraíso, se for para o mal, possibilidade muito maior, um cenário de filme Mad Max parecerá coisa de jardim de infância para crianças. Parece alarmismo, mas é puro brainstorming, uma tempestade de ideias para utilização em planejamento programado com finalidade de organizar ações para um futuro de atividades. Enfim, Administração preventiva para antecipação de possíveis problemas futuros, e com isso obter uma ação organizada onde se possa de alguma forma conseguir um bom resultado, mesmo dentro dos piores cenários possíveis. O planejamento seguro com cronogramas específicos de ação e com análise estatística de possibilidades oferece um teor de resistência muito melhor contra o que talvez possamos enfrentar. Mas isso tudo depende de qualificação, sem isso, resta apenas ser um rebanho. O que realmente acontecerá com a grande maioria. A alta tecnologia nos abraçará ou vai nos eliminar, em qual hipótese vocês apostam?



Gerson S. Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.




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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Sobrevivendo ao absurdo.

 

                                                               Image by Olena from Pìxabay. 




Sobrevivendo ao absurdo.




Então, há necessidade de registro, mesmo sem plena vontade a realidade exige um depoimento, confesso; não ando muito bem com as palavras e o pensamento nesses dias, onde os absurdos legalmente fatais dançam na realidade como se fossem insinuantes bailarinas de um cabaré de periferia. Tudo o que se vê ou se presencia está revestido de insanidade, tem lastro específico na realidade e arrasta com seu peso o pouco que nos sobrou de paciência e resiliência para sobreviver lúcido. A perfídia está materializada no tamanho da fatura do cartão de crédito. De aleivosa composição, ela me diz que hoje no governo socialista inclusivo e igualitário, gasto quatro vezes mais do que a dois anos. Acredito que a classe média já esteja com severas dificuldades de honrar seus compromissos. O discurso dessa gente, que pertence ao socialismo inclusivo prega igualdade, creio ser na miséria, pois é isso que sempre conseguem. Com rumorosa e especifica proposta. A única coisa que conseguem fazer está no aumento de preços e impostos. Analfabetos em economia, não possuem versatilidade operacional para o básico, entender como o mercado funciona. Como uma tragédia grega, essa gente alucinada por conceitos albergados nas tripas e contornos de intestinos fazem a catarse do infortúnio que descartam na sociedade. Sim, os excrementos que produzem, são o nosso naco de resultados. Essa gente pedante e diferenciada não sofre nem um pouco com isso. Todo projeto de socialização e coletivização da sociedade sempre acaba com gente comendo restos no lixo, sempre! Todo aquele discurso bonito, inclusivo e de igualdade entre humanos não funciona, porque o ser humano não se permite ser transformado em uma prateleira de vasos e caixotes. O multifacetado campo dos desejos e expectativas não permite nivelamento, lutar conta essa tendência natural produz desastres sociais em larga escala. E sendo assim, o desespero social cria distúrbios cognitivos de interpretação da realidade onde é até possível entender que na verdade é admissível acreditar que o bem não existe, se trata apenas de uma narrativa de consolo, o mal é real, palpável, dominante, abrangente e sempre vence! O que sobra? O Estoicismo, como método de sobrevivência filosófico e psicológico, oferece resistência ao que se apresenta como realidade corrompida. Epiteto tem algumas lições:


Lembre-se de que você é um ator em um drama escolhido pelo Autor – se seu papel for curto, então será curto; se longo, assim será. Se ele quiser que você interprete um homem pobre, ou um aleijado, ou um governante, ou um cidadão comum, certifique-se de atuar bem., pois este deve ser o seu propósito: atuar bem no papel que lhe foi dado, mas escolher o papel cabe a outro”.


Mesmo sem conhecer esse detalhe, eu sempre vivi assim, quem acompanha o que escrevo já percebeu isso e já citei em outra oportunidades. Atuamos sob programação definida, não há liberdade de escolha dos detalhes que vivenciaremos e por quais passaremos, já está previamente definido, e portanto, não devemos nos preocupar com o final, ele será o que quem programou decidiu. Este programador, alguns chamam de Deus, outros de outra coisa qualquer, mas o importante é saber que todos nossos passos e destinos já foram decididos, não há escolha, apenas uma ilusão dela. Não se luta contra o inevitável, apenas se aplica a evasiva intelectual. Mas para isso se exige preparo e flexibilidade nessa área, afinal, pressuposição é uma ferramenta de análise de contexto. E a dinâmica elástica das propostas admitem deslocamento necessário para uma alternativa plausível na estrutura das ações de sobrevivência. Bem longe desses tempos medíocres que vivenciamos, tivemos homens de inteligência magnífica, e sem tecnologia nenhuma para auxiliar. Até hoje o que apresentaram conduz a realidade que temos, um deles foi Heráclito. Nos apresentou a realidade que nada é estático tudo se movimenta, tudo muda, ninguém se banha no mesmo rio suas vezes porque as águas nãos serão mais as mesmas. Karl Popper apresenta um bom conteúdo a respeito dele:


Heráclito foi o filósofo que descobriu a ideia de mudança. Até a essa altura, os filósofos gregos, sob influência de ideias orientais tinham olhado o mundo como um enorme edifício feito das coisas materiais”.


Conforme Heráclito tudo flui, nada está parado, hoje comprovamos isso. A terra, o sol os planetas a galáxia, tudo se movimenta, e deixou um ensinamento básico: “é na mudança que encontramos o propósito”. Portanto, não devemos nos preocupar com o reino da imbecilidade e da estupidez, esse momento vai passar, queiram ou não.


Astronomicamente hoje, não estamos no mesmo lugar de ontem, e o amanhã cósmico nos aguarda em outro lugar do infinito. E assim tudo flui e se dilui. Nesse plano, nesse tempo e nesse momento existencial, parece que o mal se tornou protagonista, deve ter um sentido tudo isso, refinamento? Teste de resistência, aprendizado? Assistimos a um verdadeiro baile de iniquidades, o regozijo do mal está em todos os momentos e ocasiões da realidade. Epiteto ensina que:


Não exija que as coisas aconteçam como você deseja; mas deseje que aconteçam como devem acontecer, e você continuará bem”.


Seria algo como: viva e deixe o que tiver que acontecer, aconteça, porque você não tem poder para alterar nada, então, a ansiedade por mudança não faz sentido. Se o absurdo domina, deve ser planejado, resta apenas sobreviver com dignidade ao momento. E assim em algum momento fortuito, tudo vai desmoronar para o mal, porque essa é a regra básica desse jogo onde o Logos cósmico decide o que foi é ou será.




Gerson Ferreira Filho.

ADM 20 – 91992 CRA – RJ.





Citações:


A arte de viver. Epiteto. Camelot Editora.


A sociedade aberta e os seus inimigos Primeiro volume. Karl Popper Editora 70.



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segunda-feira, 23 de março de 2026

Contextos e pretextos.

 

                                                     Image by WOKANDAPIX from Pixabay.





Contextos e pretextos.



Então, aqui estamos envolvidos numa diáfana e ao mesmo tempo contundente opacidade típica de Outono, onde as aparências de um amanhecer se ocultam das sensações que se encontram impedidas de possuir alcance na espessura delicada de uma estação climática que não apenas representa o que deveria ser, mas um estado de espírito depauperado de bons prognósticos. Não existe no momento o óbvio, As distâncias não mais existem, tudo circunstancialmente agora está dentro de você, encontre seu propósito interno e assim se ache cheio de sentido para viver. Apesar de todo cenário em plena decrepitude ocasional, infelizmente é o que temos. Urgências são gotículas que molham toda a face da realidade e a pretexto de ser chuva incessante, levam uma grande dose de insensatez impertinente para diluir toda vontade de ser correto. Há então, a necessidade de estabelecer parâmetros aceitáveis para conseguir secar esse efeito garoa que umedece a realidade com propostas conflitantes com a razão. Conseguir desvincular a sensação do que parece e do que realmente é. Lembre-se, preste atenção! A sedução possui camadas, dentro de uma lisonja especializada ela invade todo o espaço que a princípio deveria ser reservado para a cautela, mas pode ser armadilha se for possuído oportunamente por desejos contraditórios. Vivemos em período infame e degenerado em relação a ética e a verdade, tudo aqui pertence ao maligno em maioria. Autoridades que deveriam representar o povo e protege-lo agem somente visando seus próprios interesses, percebem o povo com fastio, um enfado entediante quase uma ojeriza desconfortável quando ao povo se dirigem, essa gente inferior, desnecessária e ignorante. Bom, toda essa percepção é recíproca, ao menos entre os que ainda possuem algum nível cultural diferenciado e não foram capturados pelo discurso pasteurizador de mentes. Afinal, se fosse preciso apertar as mãos de alguém desse meio, precisaríamos lavar as mãos com álcool ou um desinfetante qualquer imediatamente. A metodologia aplicada nas nossas elites para que permaneçam sempre no poder não são exatamente saudáveis e livre de sujeira. O que sobra? Essa parte Ortega y Gasset definiu bem:


Viver é. Então, ater-se ao que há – e graças sejam dadas a Deus porque temos o necessário para viver! Um pouco de que comer, um pouco do que saber, um pouco do que gozar. Vida é pobreza”.



Restrito a suas necessidades básicas, o sonho foi expelido da realidade, como uma necessidade fisiológica premente e inevitável de uma urgência corporal. E assim assimilados pela rusticidade de uma existência planejada, não há possibilidade do menino pobre, desejar ser algo a mais daquilo que é nesse agora. Seu destino foi definido por uma sociedade que apenas pode lhe garantir comida e trabalho braçal. Seria possível escolher, mas todas as alternativas foram eliminadas da realidade criteriosamente para que desejos de progresso e ascensão social fossem eliminados, sobra apenas a delinquência.


Ao homem, ao ser humano, não basta existir, há necessidade visceral de progresso, de aplicar o insólito ao cotidiano para assim obter uma alternativa mais justa no seu existir. O trafego das circunstâncias irá inevitavelmente criar lacunas no conceito coletivizante de existir, e assim o estilo rebanho em algum momento irá ser rompido como colapso na estrutura ideológica onde apenas existe padrão. Está na natureza humana não se encaixar muito bem em objetos ideológicos, e com isso, mesmo que demore, a turbulência causada por inconformismo acaba sendo inevitável. Em outro momento interessante Ortega y Gasset comenta:


O homem tem a experiência de que a vida não consiste apenas no que há, mas também no que cria, que tira de si mesmo, novas realidades, que a vida, portanto, não se define exclusivamente por suas necessidades, senão que, ainda mais do que estas, e transbordando-as, consiste em abundantes possibilidades”.

Sem desejo e sonho essas coisas aparentemente simples não há ser humano, Não existe contexto multidisciplinar para a construção de um momento sadio, uma ocasião refletida onde se aboliu a possibilidade de extrapolar o tempo e assim navegar dentro da penumbra das hipóteses plausíveis de um amanhã planejado para ser diferente do que se possui. Com um cérebro complexo, precisamos de fluidez constante de ocasiões trabalhadas na imaginação e no desempenho lúdico das hipóteses variadas para alcançar uma mediana que atenda a plasticidade de uma ocasião desejada. Tudo gira em torno de equilíbrio e se fundamenta em análise pura das ocasiões que se avizinham de propósito concreto. Não se trata apenas de banhar-se em objetivo, mas vesti-lo e perceber que ele lhe serve muito bem. O agora precisa ser subjetivo porém em conjuminância efetiva com as tendências oportunas do teatro que se apresenta e oferece palco ao modo de ser plausível.



Se faz necessário harmonizar o período com o contexto, o comum deve ser objetivo das partes, onde o equilíbrio semântico da sentença possa ser aplicado sem conflitos de interesse na conjunção e que jamais sejam adversativas, coesão sem conflitos ou admoestações inoportunas. O pretexto do dominante será achar o desvio na textura do tecido que se compõe a vontade de romper parâmetros e assim desfazer a ação. Bom, tem e ser assim, uma liturgia de ações dentro do espaço concedido para o trabalho mental necessário para a libertação dos grilhões ideológicos construídos propositalmente por gente muito perigosa e vil. Ortega y Gasset nos entrega mais um pouco de conhecimento:


Para bem compreender um homem há que se representar, com alguma precisão, a topografia cronológica de seu horizonte”.


Neste horizonte de eventos se encontra o passado o presente e o futuro. Com todas as suas relações e conflitos em relação a toda e qualquer ação que por acaso decida tomar. O somatório dessas atitudes no agora repercutirão pela eternidade com resquícios do passado e resultados no futuro. No fim, são os passos do caminho, que proporcionarão destino ao ator principal do teatro do qual fazemos parte. Por mais submetido a um controle externo, ainda será você que construirá seu resultado final, não esqueça disso.




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992. CRA – RJ.




Citação:


Origem e epílogo da filosofia. José Ortega y Gasset, Vide Editorial.


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terça-feira, 3 de março de 2026

Além do portal.

 

                                                      Image by Michal Rengo from Pixabay. 





Além do portal.


Nessa calha do universo onde transbordamos contradições entre abrigos sucedâneos nessa suplência cognitiva de um arcabouço de arquétipo sensorial que nos abriga para que assim consigamos suportar nossa insignificância temporal e existencial no tecido flexível de um momento qualquer que se abriga no infinito espaço de um tempo, algum lugar que se fez morada de nossa ilusão, aqui estamos para questionar, afinal, o que exatamente somos nós? E entre tantos estereótipos e tantas circunstâncias trafegamos entre sensações oblíquas e indefinidas para a construção de um momento único, ser e estar dentro da ocasião que foi criada para nós. Estamos no limiar de algo grande como acontecimento, margeamos agora a transformação dos detalhes, onde os pormenores se estabelecerão e vão se reorganizar de acordo com a nova contingência que não será efêmera dentro do trânsito existencial da conformidade que nos cerca. A vertigem, é mesmo quase imperceptível se faz sentir como vibração energética do momento. Reconfigurando estruturas envelhecidas por excesso de uso, e também as anomalias que tentam substituir a razão. Então, flutue comigo na última e derradeira margem da sensatez e não se importe mais com princípio e fim, tente apenas embaralhar-se na composição das hipóteses onde as ocasiões se banham sem comedimento para assim finalmente de forma justa tornarem-se materialidade. O imaginário se constitui de pormenores estáveis dentro de um corredor oblíquo e sem corrimão de auxílio, Não tente entender, apenas sinta como uma essência que flutua na ocasião vadia para ser notada e instigar a sensação. Somos emotivos, uma fraternidade de enunciados específicos para ser exatamente o que somos, sensações deletérias inseridas num contexto proposital de experiências para determinado fim. Estamos e somos uma projeção de algo infinito para sustentação de propósitos incompressíveis dentro de um agora supostamente real. Existiu um tempo onde os parâmetros eram mais específicos, de autodisciplina, onde a luxuria e a impiedade eram combatidas para se obter um mundo melhor. E sendo assim a história ficou marcada com os ensinamentos de Xenofante:



- Porque; a meu ver amigos, riqueza e pobreza os homens as têm não em casa, mas na alma. Vejo tantos que são carentes e, embora possuindo muitos recursos, são considerados pobres a ponto de afrontarem qualquer fadiga, qualquer risco para ganhar mais: conheço irmãos que tiveram a mesma herança e, todavia, um tem o necessário para os seus gastos e até de sobra, enquanto o outro carece de tudo; e sei de certos tiranos tão famintos de riquezas que cometem delitos muito mais horrendos do que os homens desesperados: alguns de fato, por necessidade roubam, outros invadem as casas, outros escravizam homens; existem tiranos que destroem famílias inteiras, outros assassinam em massa e, amiúde, por dinheiro reduzem cidades inteira à escravidão”.



A maldade humana não possui limites, almas pobres, não se importam o que já possuam de bem material, estarão sempre em busca de mais, custe o que custar, e se custar a vida do seu semelhante, não tem problema nenhum. Não irá tira o sono do impiedoso. Muito parecido com o cenário que temos hoje, não? Milênios passaram mas o homem prossegue o mesmo. A saciedade não existe para o insaciável, essa sede por riqueza e poder não se contenta com tudo que já conquistou, pois uma alma pobre só enxerga a própria e infinita necessidade de se complementar. Gente assim, por mais poder que possua , no inconsciente continua a ser um mendigo maltrapilho e faminto, desesperado a busca de uma saciedade impossível, e isso o atormenta eternamente.



A alma rica, se contenta com o que possui, abençoa o que vier a mais e desfruta de paz nos seus dias. Progride, constrói um futuro diferenciado e próspero dentro de seus limites de satisfação e estrutura sua realidade sadia para viver, sem tormentos adicionais para administrar no seu cotidiano. Como Xenofante estabeleceu: Riqueza e amigos estão na alma”. Hoje entendemos que o equilíbrio é o melhor a se fazer mas há também a disciplina do corpo, naquele tempo se exigia um rigor exacerbado aos prazeres da carne como vemos nessa citação:


Por que essa luta contra o prazer? Porque o prazer, em qualquer caso , no momento em que é buscado, torna escravo o homem, fazendo-o depender do objeto do qual ele deriva. Em particular isso se verifica no prazer erótico, o qual, acompanhando-se da paixão amorosa, põe o homem à mercê da pessoa que dá aquele prazer”.



Tão atual, não? Hoje vemos um festival de sexualização, de humilhação de escravidão aos desejos mais infames nessa área por submissão a um parceiro que manipula seu escravo que depende por desejo e paixão de ofertas contínuas de prazer atrelado a um comportamento sem honra e sem mérito nenhum. Estamos no período da dependência dos prazeres e assim, não há autonomia pessoal que resista por muito tempo. Acredito que se possa sobreviver sem os exageros, da metodologia antiga e da devassidão moderna. Porque acredito que os dois extremos levam ao colapso psicológico do homem. Xenofante também estabeleceu: “sem virtude, a riqueza não dá alegria”. É o que vemos em algumas personalidades ricas, mas acossadas psicologicamente e de forma permanente por idiossincrasias peculiares de uma vida desregrada e sem limitações éticas e muito menos morais.




Gerson Ferreira Filho.





Citação:


Sofistas, Sócrates e socráticos menores. Giovane Reale. Edições Loyola.




Gerson Ferreira Filho.





Citação:


Sofistas, Sócrates e socráticos menores. Giovane Reale. Edições Loyola.



Gerson Ferreira Filho.





Citação:


Sofistas, Sócrates e socráticos menores. Giovane Reale. Edições Loyola.


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