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As nuances do espectro.
Bom,
aqui nesse texto abordaremos a complexidade comportamental da
atualidade do meu ponto de vista e do ponto de vista de um
intelectual de primeiríssima prateleira, Eric Voegelin. Ele
desenvolveu uma teoria que, embora tenha desagradado muita gente no
mundo intelectual, tem um conteúdo explicitamente correto, apenas
não foi compreendido na sua profundidade conceitual. Aviso que o
assunto é árido, áspero e provoca conflito em sinapses
despreparadas para um conteúdo mais sofisticado do pensamento.
Versatilidade cerebral de entendimento da realidade será necessário
para trafegar nesses caminhos alternativos da consciência humana.
Aqui, intelectualidade frugal não basta, será preciso algo além de
comedimento e parcimônia para compreensão do que vai ser
apresentado, e poucos possuem essa qualidade de serem extravagantes
quanto ao entendimento da realidade. A isso se dá o nome de
flexibilidade e diversificação na conceituação e análise do
contexto para que sua decomposição em parcelas compreensíveis se
possível dentro do que chamamos realidade plausível do momento. E
para isso vamos iniciar com uma citação de Eric Voegelin, a
primeira de muitas, necessárias para esse tema:
“A ciência política sofre de um mal que decorre de sua própria natureza enquanto ciência do homem na existência histórica. Pois o homem não espera a ciência para que a sua vida lhe seja explicada, e o teórico, quando aborda a realidade social, encontra o campo já ocupado pelo que se pode chamar de autointerpretação da sociedade”.
Entendam, o que você, eu ou qualquer um entende hoje como sociedade é uma construção social programada para ser assim, onde o povo em maioria, principalmente as pessoas mais simples foram conduzidas a um comportamento específico para serem dominadas e manuseadas como rebanhos, com coletivos, sem muito interesse além de manter uma vida sem propósitos mais amplos e dignificantes. Podemos dizer que a origem seria Marx, sim, mas a estrutura politica e ideológica da coisa já foi reformulada para adquirir novo perfil de domínio e propagação mais aceitável até o ponto onde isso se torne normal dentro das sociedades onde se instala. E até briguem para que se mantenha assim, como se a decrepitude de qualidade de vida fosse algo a se buscar e não a se lamentar. Como um tradicional ditado: se porcos pudessem votar, e o homem que fornece a lavagem fosse o candidato, os porcos votariam nele, mesmo sendo o responsável pela morte sistemática dos porcos. Quem se incomodar com isso será visto como elitista, pedante, desagregador e intolerante, o ideal será o ser permissivo com a decadência e a degradação, afinal, todos são assim. Tomando aqui emprestado um aforismo da nutrição: “você é o que você come”, sim! Você é o que você consome, se você por anos se alimenta intelectualmente de lixo, exatamente o quê será você? Nessa encruzilhada onde que nos encontramos define a situação de modo geral do nosso país entregue ao completo descaso cultural e que apenas fornece o que existe de pior para seu cidadão. Este planejamento infame e sutil contou com vários intelectuais no passado para ser estruturado, para criar o que vemos hoje, alguns deles são: Lucáks, Adorno, Marcuse, Gramsci, Comte, etc. Sim Comte, ah, vocês não sabiam que o pai do Positivismo era apenas mais um degenerado coletivista? Um mecanicista humano que desejava uma sociedade onde o homem-máquina apenas produzisse e trabalhasse em Ordem e Progresso? Sem religião, criado para produzir, sem desejos ou vida individual, sem esperança, apenas uma engrenagem na máquina chamada Estado? O amado dos nossos militares que colocaram o lema principal dele na nossa bandeira republicana? Pois é, nunca existiu nesse país um militarismo conservador, e por isso eles possuem uma afinidade de base com a esquerda e seus métodos. Comte foi um coletivista menor, mas teve seu espaço na história como mais um que propôs a desumanização do povo em benefício de um Estado controlador. Não tenho certeza, mas aqui deve ser o único lugar no mundo onde as ideias dele foram implementadas e assumidas como política de instituições.
E sendo assim, uma importante parte da sociedade, aquela que cuida da sua proteção, não tem apreço pela liberdade, mas aprecia controle coletivo da população. Eric Voegelin tem uma interpretação dessa corrente de pensamento:
“A ideia de encontrar uma “lei” dos fenômenos sociais que correspondesse funcionalmente à lei da gravitação na física newtoniana nunca foi além do estágio de conversa fiada na era napoleônica. Por volta da época de Comte, a ideia já era reduzida à lei das três fases, isto é, a uma peça de especulação falaciosa sobre o sentido da história que se interpretava como a descoberta de uma lei empírica. Característico da diversificação precoce do problema é destino do terno physique dociale. Comte desejava empregá-lo para sua especulação positivista, mas foi contrariado quando Quételet se apropriou do termo para as próprias investigações estatísticas; a área dos fenômenos sociais de fato passíveis de quantificação começou a se separar da área em que brincar com uma imitação de física é um passatempo para diletantes em ambas as ciências. Assim, entendo o positivismo, em sentido estrito, como o desenvolvimento das ciências sociais por meio do uso por métodos matematizantes, poder-se-ia chegar à conclusão de que aquele nunca existiu; se. Porém, for entendido como a intenção tornar as ciências sociais “científicas” por meio de métodos que se assemelham ao máximo com aqueles empregados nas ciências do mundo exterior, então os resultados dessa intenção (embora não intencionados) serão bastante variegados”.
E para complemento desse tema Voegelin prossegue:
“A ciência foi destruída pela segunda manifestação do positivismo, isto é, pela operação em materiais relevantes sob princípios teóricos defeituosos”.
Bom, agora vamos entrar no tema principal, deixar essa aberração positivista de lado e vamos analisar o que Voegelin chamou de gnosticismo moderno, aquele procedimento de trazer o transcendental para o material, para o mundo que entendemos como realidade. A crença de que os homens podem criar o paraíso na terra com politica. É uma abordagem que eu adoto nos meus textos, hoje temos esse produto pronto na forma de populações completamente alienadas, produzidas por severa doutrinação, as vezes subliminar, outra vezes direta e muitas vezes com sutileza através da cultura de massa com o uso da cultura, onde se produzem filmes, programas de TV peças de teatro, todos impregnados de dessensibilização coletiva com o objetivo de produzir alienação quanto a realidade só contexto. O truque básico, oferecer uma alternativa crível de que o homem não precisa de mais nada além dele, afinal, nesse culto materialista o Estado representa o deus a ser cultuado, e seu líder nomeado, o demiurgo a ser tratado como o representante direto do Estado. Todos regimes coletivistas, socialistas, fascistas, nazistas trabalham nesse formato de governança, uma estrutura religiosa para controle e domínio de massas. Com amplitude cultivada através do tempo, e participação de muitos intelectuais renomados a estrutura foi sendo moldada para uma forma religiosa de aquisição de devotos, que uma vez conquistado, se comportam como lacaios, acólitos, sectários, intensamente intransigentes quanto a qualquer alteração de panorama político. Por isso, se torna extremamente difícil o convencimento dessa turma, absorvidos completamente pelo sistema, a única verdade que acreditam, é aquela que foi produzida para mantê-los no cabresto político, para essa gente, tudo fora da doutrina, é falso. Não merece crédito e está errado, nenhuma análise se faz necessário, pois, eles detém toda verdade possível. Essa religião do Estado foi plenamente implementada no mundo ocidental e é diretamente responsável por sua decadência de forma geral.
Ela é abrangente, sedutora e seus princípios estão presentes na cultura, nas instituições de ensino, de justiça, militares e na política de forma geral. Temos aqui mais um pouco de Voegelin:
“Quando a experiência gnóstica se consolida, o material social bruto está pronto para a representação existencial por um líder. Afinal, continua Hooker, tais pessoas preferirão a companhia uma das outras à do resto do mundo, aceitarão voluntariamente o conselho e a direção dos doutrinadores, negligenciarão seus próprios interesses e dedicarão tempo excessivo ao serviço da causa, fornecendo generoso auxílio material aos líderes do movimento”.
Como em qualquer religião, seus acólitos são extremamente fiéis ao ritual, oferecendo lealdade inquestionável a causa, e portanto, refratários a qualquer ideia fora daquilo que entendem como verdade. O que costumo dizer em vários textos nos meus livros, eles o povo e também os seus líderes se transformam em produtos, pacotes ideológicos com certificação ISO para que assim não exista de forma alguma diferenciação e não tenhamos desvio de “qualidade” esperada no conteúdo industrializado no método de coletivização de mentes. Para os raros que acompanham o que escrevo sabem disso. Os efeitos dessa doutrinação foram ressaltados por Voegelin:
“Uma vez que um ambiente social desse tipo se organiza, será difícil, se não impossível dissolvê-lo por persuasão. Se qualquer homem de opinião contrária abre a boca para persuadi-los, eles fecham os ouvidos, não ponderam suas razões, tudo é respondido se repetindo as palavras de João: Nos somos de Deus, quem conhece Deus nos ouve; quanto ao resto, vos sois do mundo: é para a pompa e vaidade deste mundo que falais, e o mundo, do qual sois, vos ouve”. Eles são impermeáveis à argumentação, e suas respostas são bem ensaiadas. Sugira-se a eles que são incapazes de julgar em tais assuntos, e responderão: “Deus escolheu os simples”.”.
Essa abordagem religiosa do gnosticismo político que envolve a ideologia, consolida o método coletivo de fiéis de uma religião materialista que não permite ou aceita divergência. Os dogmas devem ser preservados acima de tudo e de qualquer coisa. Por isso hoje se vê velhos comunistas ainda presos no dogmatismo do processo, vão morrer acreditando naquilo que receberam como verdade na juventude, e o povo hoje? Ora, a baderna conceitual se apropriou da realidade, tudo é relativo, qualquer norma de conduta moral e ética pode ser flexionada, e os absurdos são plenamente tolerados, pois a doutrinação prossegue na mídia, na educação e na cultura, todo dia, para sempre. Por isso, toda pessoa ainda não absorvida pelo processo tem de ter cuidado ao consumir a proposta alienante. Ao se expor a radioatividade desses ambientes, você muda sem perceber, subliminarmente passa a concordar com o inadmissível, e o que julgava intolerável já passa a ser admissível como tolerância a “diversidade” cultural. A atitude mais inteligente, é não se expor a esse tipo de doutrinação sutil, não assistindo televisão, cinema, ou programas com conteúdo de massa com perfil progressista, porque hoje, tudo é doutrinação. Sem perceber, você hoje tolerante e inclusivo, será um deles. Como supracitei: cada um é aquilo que consome, ou poderia citar Nietzsche: “Se você olha para o abismo, o abismo olha para você” Não se trata de elitização, exclusivismo ou intolerância, falamos aqui de sobrevivência.
Gerson Ferreira Filho.
ADM 20 – 91992 CRA – RJ.
Citação:
A nova ciência da política. Eric Voegelin. Vide Editorial.
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