terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O interior dos detalhes.

 

                                                          Image by WikiImages from Pixabay.




O interior dos detalhes.



E assim, nos pormenores específicos da existência humana repercutimos a aleatoriedade abrangente das nossas intenções. Um pouco de hesitação aqui, um tanto excitação ali quando o arcabouço das minúcias se estabilizam. E portanto, do nada se materializa um contexto, uma aflição metódica, que chega sempre na companhia de alguma emoção. Como uma evidencia oportunista que desafia as necessidades prementes do espaço que de forma impertinente insiste em ser vazio de contexto. Minha alma não possui gelosias para aplacar ou atenuar esse tipo de aproximação sistêmica e prototipadas nas ocasiões mais inconvenientes do dia. Aqui, o adorno do momento se faz específico para a ocasião, Então, na clausura do espaço humanamente possível a mim concedido para existir, concedo-me a exequível tarefa de escrever, e escrevendo, me transformo em texto, em letras organizadas na textura do tempo que se faz de registro, para a consolidação do espaço editado útil como a esperança. Na sutileza desmembrada dos termos configuro o propósito, ocupar o que foi esquecido e negligenciado por ser insignificante. Para mim, o desnecessário se apresenta como a poeira que acumula nas memórias e no passado como uma inconveniência consentânea que acaba se tornando essencial para a criação. Quem lê, veste o autor, vive dele a presença na ocasião em narrativa, e sendo assim, empresta vida ao que foi registrado. Uma roupa fabricada em algum momento passado para se tornar presente na realidade do leitor, que assim sente o que já foi sentido, vive o que já não tem mais uma vida, mas ainda assim; sobrevive no corpo do texto. Na tecitura da narrativa e entre as reentrâncias sentenciadas pela estrutura gramatical da semântica impregnada de emoção. Enfim, a literatura pede envolvimento, sentimento e a entrega total ao corpo da narrativa que flui na superfície do papel. Este depósito final da construção em letras que talvez a conserve por mais tempo para futuras gerações. Em seu corpo estarão as emoções, análises, argumentos, evasivas e descrição de propósitos em relação a algum evento, a alguma vida ou a algum momento pessoal. Essas premissas, momentaneamente serão suas. Se for empolgante ou angustiante terão o tratamento que a sua realidade vai assumir prezado leitor. Há os que preferem emoção outros a paixão, mas a sobrevida oferecida pela leitura vai apresentar o que lhe é de sua natureza. Eu esse escriba apresento cultura, informação, embalada em produção literária para consumo. Com a intenção de não ser monótono e de certa forma atribuir qualidade a apresentação do assunto específico. E aqui vou eu em mais um texto, embriagado de conceitos que a solidão proporciona nesses espaços vagos, aflitos por sentido em um axiomático ritual onde se corrobore a necessidade de existir. Entretanto, nas minhas frações de perseverança ainda ameaço fuga da alienação no cântico das promessas vazias que habitam a textura da realidade com um único objetivo, desencaminhar uma alma desavisada de algum romântico que ainda possui a inocência para se deixar levar por falsas promessas e assim demolir o restante de razão.



Se torna precípua toda parcimônia, toda austeridade mediante a escassez de significado no que assistimos hoje. O volume de crueldade obscena que nos oferecem a título de informação agora e que merecem registro de um tempo cruel e animalizado, onde entregam ignomínia embalada em rituais sofisticados de uma elite abominavelmente constituída. Com requinte extremado, onde com toda pompa e opulência demoníaca se faz o impensável para uma civilização que se apresenta como o ápice da criação. Não há luz nesses ambientes, apenas a escuridão de abismos e a sordidez dos comportamentos onde a infâmia se torna apenas um detalhe corriqueiro entre os participantes. Filosoficamente e metafisicamente nos faz pensar, existe inferno? Existe paraíso? Onde foi parar esses temores, esses instrumentos regulatórios de comportamento que ninguém encontra mais, o que temos é apenas o gratificante prêmio da boa vida para infames onde a torpeza baila freneticamente rindo dos justos sem demostrar receio de punição. O mal venceu, e isto é apenas uma constatação, as evidências concretas dessa ocorrência estão sendo esfregadas na nossa cara todo o tempo. Não há o mínimo vestígio que se salve como alento para a verdadeira justiça. Cumpro aqui apenas o meu papel de elaborar o registro de um tempo, de uma ocasião onde qualquer expectativa de mudança de rumos apenas mostra um precipício comportamental sem limitantes para que de faça uma real correção de rumo. O bem se tornou inócuo, nessa planície congestionada de abominações exuberantes e com um assanhamento que se faz valer da mansidão benevolente da ocasião. A abordagem negativa de Schopenhauer tem espaço aqui nessa nossa realidade tranquilamente:
O mundo é o inferno, e o mundo divide-se em almas atormentadas e em diabos atormentadores”. E ele prossegue:


A miséria que alastra por esse mundo protesta demasiado alto contra a hipótese de uma obra perfeita devida a um ser absolutamente sábio, absolutamente bom, e também todo poderoso; e, de outra parte, a imperfeição evidente e mesmo burlesca caricatura do mais acabado dos fenômenos da criação, o homem, são de uma evidência demasiado sensível”.



A desilusão do filósofo com o enunciado e com o resultado é evidente, e também contagiante. Como definir o cenário com tanta contradição? Afinal, para toda expectativa se espera um retorno que se alinhe com a proposta anunciada. E se tudo for ilusão?



A evidente e consolidada vitória do mal está materializada na intensa corrupção, nas hoje demostradas monstruosidades sanguinárias com sacrifícios de inocentes para o deleite de pervertidos de uma elite demoníaca. A pergunta que se deve fazer respeitosamente: Onde está o bem? Onde está o que sustenta o justo, o fiel? Consolidou-se a frase de João o evangelista: “O mundo jaz no maligno”. Onde a felicidade e a alegria efusiva dos demônios se estabelece. Temos aqui um mundo de ferozes contradições, onde a honestidade e a honra são constantemente violentadas para o prazer infinito dos canalhas e dos venais. Estes constantemente se deliciando com o fruto da venda de seus valores moldáveis e que mudam de acordo com o preço oferecido em pagamento para alguma facilidade suja. Se tudo isso for um teste de fé, exageraram. As cobaias, nós, não sobreviveremos a tanta pressão psicológica. Algo precisa ser revisto no detalhamento desse cronograma de vida porque no seu interior o caos colapsante dos sentidos se aproxima perigosamente. Como um preludio existencial de civilização estamos dançando na beira do precipício, sem corda de segurança que possa impedir a queda. E para encerramento, um pouquinho mais de Schopenhauer : “Quão longa é a noite do tempo sem limites comparada ao curto sonho da vida!”.



Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.




Citação:


As dores do mundo, Schopenhauer. Edipro Editora.  


A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Vadiagem conceitual.

 


                                      Image by Sofia Cristina Córdova Valladares from Pixabay. 






Vadiagem conceitual.



Então, cá estamos em meio às ocorrências circunstanciais que desnudam toda uma estrutura oculta que de tão ousada já transborda iniquidades provenientes do coração da estrutura criada para ser vantajosa aos seus membros societários e colaboracionistas. Atenção, o povo está fora desse nível, não há espaço aqui para insignificantes ou apenas coadjuvastes, neste espaço, frequentam apenas aqueles que obtiveram a permissão de ver o rosto do sistema. E o que exatamente é esse rosto? Compõe-se de uma mascara onde por detrás está um seleto grupo de privilegiados extremamente ricos, não! Não pense que é você, que possui mil cabeças de gado e usa um relógio Rolex de duzentos mil Reais, essa gente tem dez vezes mais bois que você, e não é o único empreendimento deles. Possuem centenas de prédios, empreendimento hoteleiro, iates, provavelmente embarcações de cabotagem para trabalho costeiro, bancos de investimento e bancos por si só, jatos particulares e helicópteros customizados para deslocamento em cidades e ilhas particulares para um relaxamento ocasional. Essa gente controla o Brasil, eles decidem quem governa e quem será eliminado da vida política. Não há vida possível fora desse controle insinuante e abrangente. Afinal, no mundo o dinheiro manda, e quem tem muito, controla tudo. Recentemente um velho politico mostrou como o sistema se organiza, em vídeo curto na rede social, não foge muito daquilo que ele disse, mas um renomado intelectual do passado, já mapeou isso tem tempo, e eu citei ele em outras duas ocasiões, e serei obrigado a apresentar mais um pouco do trabalho dele, Darcy Ribeiro, do livro O povo brasileiro, recomento esse livro a todos que puderem acessá-lo. Porque por mais que eu o cite, todo o conteúdo tem enorme importância para entender o que se passa conosco, porque somos esse atraso atolado entre espertalhões de todo tipo. Nós, os insignificantes, merecemos ao menos conhecer quem realmente nos controla e quem dita nosso destino. Conforme Darcy Ribeiro citou em outro momento, nós fomos sede do reino português, e os americanos foram simples colônia com igrejas e cidades de tábuas, o que deu tão errado? Aquilo que dá errado até hoje, uma elite insensível, elitista, arrogante, pedante exclusivista.


Essa gente não nos enxerga como seres humanos, mas como objetos para uso e para produção de lucro e posterior descarte, não! Você classe média alta, para eles, tem a mesma composição de um mendigo inútil, sem origem nobre eles não se importam nem um pouco com você. Para essa gente não há diferenciação entre aqueles que vencem na vida e os que perdem tudo. São apenas componentes de um cenário que pode sofrer modificação conforme o desejo deles a qualquer momento. Como essa gente vive muito bem no seu paraíso particular, a falência do país não importa, eles desenvolveram um chamego, um amor bandido por socialismo. Não se engane, a esquerda é apenas um capricho dessa gente, se eles quisessem, seriam eliminados rapidamente. Mas essa turma gosta desse coletivismo bocó, inclusivo, e com pautas absurdas. Para eles, tudo não passa de um jogo para eliminar o tédio de possuir tudo e poucas opções de prazer ainda existirem. Uma recreação para privilegiados mergulhados no marasmo impregnante de vidas sem propósito, pois não há desejo que não possa ser cumprido. Na cabeças vadias se instala o inferno, para os outros é claro. Como funciona esse andar superior? Vamos a Darcy Ribeiro:



A estratificação social gerada historicamente tem também como característica a racionalidade resultante de sua montagem como negócio que a uns privilegia e enobrece, fazendo-os donos da vida, e aos demais subjuga e degrada, como objeto de enriquecimento alheio. Esse caráter intencional do empreendimento faz do Brasil, ainda hoje, menos uma sociedade do que uma feitoria, porque não estrutura a população para o preenchimento de suas condições de sobrevivência e de progresso, mas para enriquecer uma camada senhorial voltada para atender às solicitações exógenas. Essas duas características complementares – as distâncias abismais entre os diferentes estratos e o caráter intencional do processo formativo – condicionam a camada senhorial para encarar o povo como mera força de trabalho destinada a desgastar-se no espaço produtivo e sem outros direitos que o de comer enquanto trabalha, para refazer suas energias produtivas e de reproduzir-se para repor a mão de obra gasta. Nem podia ser de outro modo no caso de um patronato que se formou lidando com escravos, tido como coisas e manipulados com objetivos puramente pecuniários, procurando tirar de cada peça o maior proveito possível.



Nada mudou no procedimento em centenas de anos, a elite funciona do mesmo jeito e alimenta os mesmos valores, não há sentimentos, não há patriotismo, o que existe para esses privilegiados é apenas um grande engenho cheio de escravos para produzir riquezas para eles. E para manter esse status quo precisam de facilidades que diminuam ou eliminem qualquer aventura por parte desse povo escravizado, como? Possuindo juízes, políticos e colaboradores que os considero capatazes do sistema. A voz deles? A grande mídia: jornais TVs, revistas e hoje influenciadores de internet, todos remunerados para defender essa camada social que representam. Não pertencem a ela mas a defendem mediante pagamento em grande volume. Como cachorros vadios que se tornam amigáveis com os restos que lhes oferecem, essa turma, sem saber, trabalha contra os próprios interesses e de seus descendentes, pois estão ajudando a perpetuar uma condição de vida humilhante. Não há aqui amplitude de raciocínio para avaliar o futuro, o que vale é o imediato, o ganho de momento. Sacudiu o dinheiro, se apoia qualquer coisa por mais bizarra que seja. Nossos nobres jogam com a necessidade social.



Uma vez que a vida promovida por eles é aviltante, não faltarão aqueles que por preço módico para as elites, se ofereçam para o serviço sujo. Temos que entender que, os milhões que circulam e escandalizam o povo não são grade coisa além de uma gorjeta dada a seus serviçais. Onde funcionários púbicos com salários de cinquenta mil Reais, o suficiente para viver bem, poderiam ter fazendas, escolas, relógios de 300 mil Reais, e até lanchas para uma pescaria recreativa? Afinal, essa turma protege os de cima, protege os nobres e recebe pagamento por isso. Não é ético, não é legal, mas quem se importa com isso, pois são eles que controlam o que é legal ou não. Azar de quem ficou de fora. E sendo assim, vivem com uma qualidade de vida inatingível para os que não fazem parte do jogo, a esquerda dita proletária, seus líderes ao menos, já foi cooptada e se integrou a esse etilo de vida tem tempo, dinheiro farto é muito bom. Imagine você acordando com mais quatro milhões de Reais na conta apenas por ter colaborado com algum desejo da elite. Lamento companheirada da base, que ainda possui aquelas ideias fantasiosas da esquerda legítima, seus líderes viraram cadelinhas da nossa nobreza, a troco de boa vida. E claro essa gente do topo da pirâmide não se comporta agressivamente, são até cordiais e educados, como visitantes de um zoológico humano, até participam de programas sociais de inclusão, mesmo a contragosto afinal o estilo faz o homem. Voltamos com mais um pouco de Darcy Ribeiro:



A classe dominante bifurcou sua conduta em dois estilos contrapostos. Um presidido pela mais viva cordialidade nas relações com seus pares; outro, remarcado pelo descaso no trato com os que lhe são socialmente inferiores. Assim é que na mesma pessoa se pode observar a representação de dois papéis, conforme encarne a etiqueta prescrita do anfitrião hospitaleiro, gentil e generoso diante de um visitante, ou o papel senhorial, em face de um subordinado. Ambos vividos com uma espontaneidade que só se explica pela conformação bipartida da personalidade”.



Assim são as grandes famílias que controlam a todos nós, de facilitadores aos irrelevantes, ou seja, o restante. Não sei quantas famílias são, mas acredito em torno de dez: banqueiros, grandes latifundiários, construtores de grande porte, armadores, proprietários de navios de apoio e serviços marítimos etc. Tem de ser negócio para gerar milhares de dólares diários, desse núcleo, não fazem parte empresários até considerados ricos, mas sem o pedigree necessário à nobreza regional. E assim mais um pouco de Darcy Ribeiro para vocês:



A essa corrupção senhorial corresponde uma deterioração da dignidade pessoal das camadas mais humildes, condicionadas a um tratamento gritantemente assimétrico, predispostas a assumir atitudes de subserviência, compelidas a se deixarem explorar até a exaustão. São mais castas que classes, pela imutabilidade de sua condição social”.



Neste ponto, que muitos funcionários públicos se transformam em colaboradores, criando castas de privilégio, prestando subserviência as grandes famílias a troco de gordas esmolas para viverem melhor. Ética? Moral? Nobreza profissional? A gorjeta é muito boa para ser negligenciada. Ideologia? Ah, que isso companheiro... Isto é apenas um sonho passageiro, fiquem ai estumando a massa nos sindicatos, tenho que pescar na minha lancha no fim de semana e saborear meu Blue Label.




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.



Citação: O povo brasileiro a formação e o sentido do Brasil. Darcy Ribeiro. Companhia das Letras. Ano 1995.




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domingo, 25 de janeiro de 2026

Por todas ocasiões.

 

                                                      Image by  Dawn Rose from Pixabay. 




 Por todas ocasiões.



A vida não passa de um inusitado protagonismo de coisa nenhuma. Surgimos, tomamos consciência, e agimos continuamente para tentar encontrar um encaixe que sirva na realidade sem provocar ferimentos, nem sempre dá certo, na maioria das vezes dá errado, e assim nos evadimos dos propósitos planejados um tanto antecipadamente para encontrar outro sentido. Um sentido que sirva na próxima narrativa que desta vez se ajuste para vestir o momento que se constrói no novo intervalo de vida. Novas associações, novas interpretações e outros sabores que o tempo nos oferece como opção, são tantos, tão diversificados, de amorosos a ultrajantes, de sedução ao ríspido abandono e descarte. É assim, pessoas vêm e vão, chegam e partem uns levam de nós as boas memórias, outras apenas saem a francesa sem causar impacto, mas de certa forma, todos deixam suas marcas. Parentes de sangue, amigos de alma e uma ocasião aleatória que fica na lembrança. Quantos já se tornaram saudade, outros livramento, mais uns tantos apenas se fizeram componentes coreográficos do cenário da vida, pois é assim, parece uma coisa sem importância mas todo o conjunto fez parte de você em algum momento e compõe suas lembranças. E você não passa de um acervo de ocasiões, de circunstâncias, e quando tudo isso se for, nada mais restará para compor o que você é. Eu me lembro, das tantas vezes que saltei de cabeça no risco, mesmo reconhecendo que o odor do perigo era preponderante na ocasião, confesso, fui ousado a beira da irresponsabilidade as vezes. Mas foi assim, não teria chegado a esses resultados que me puseram nesse agora sem essa dose de atrevimento. Talvez a vida aprecie a irresponsabilidade algumas vezes, goste daqueles que insinuam audácia onde naquele momento deveria existir comedimento, usei algumas vezes o abismo como referência para saltos inusitados dentro de realidades controversas que assediavam meu momento. Ainda me recordo do primeiro beijo, o primeiro amor a namorada e todas as ocasiões que aquecem o coração, do primeiro emprego e até das fragrâncias de uma época que hoje apenas mora em lembranças empoeiradas. Ainda está em mim aquele garoto desconfiado e que analisava todo o cenário com uma curiosidade absurda, tentando entender completamente tudo que surgia como novidade. Aprendi, aprendi muito, que esse mundo é repleto de idiotas, que se consideram espertos e te enganam toda hora com se você não fosse perceber, mas assim aprendi a deixar para lá, permitir que imbecis de toda espécie se deleitassem com supostas vitórias que apenas atestavam seu decrepito modo de pensar. Se regozijar de um suposta vantagem conseguida com trapaça onde o trapaceado sabe o que foi feito não é um vitória, mas uma vergonha mal alinhavada e passada. Um verdadeiro atestado de incompetência para dar aparência de vencer de forma justa. Estudei, trabalhei em diversos ambientes, cada um com sua realidade própria e em alguns até angustiante, em outros até agradável, mas sem nenhuma perspectiva de progresso, pois há de se possuir ambição, sem ela estacionaríamos em algum ponto referencial sem saída e ali teríamos o destino final da jornada sem alcançar um possível limite de progresso dentro do processo. Ser inquieto tem suas vantagens. Nunca consegui me satisfazer com o desconhecido, portanto, estudei tudo o que pude, fiz todos os cursos que foram possíveis, no encalço daquilo que se desconhece. Admito, obsessão tenho de sobra, quando escolho um alvo, sigo na captura, depois que mordo, nem trovoadas e relâmpagos me fazem soltar. Não me intimido com desafios. Os encaro com a determinação multifacetada do somatório de ocasiões que constam do meu acervo de capacidades. Estou falando muito de mim, mas poderia ser de você que lê isso, porque eu estou lhe oferecendo um roteiro de viagem.



Ninguém alcança o que deseja sem determinação, sem estabelecer um alvo, Não precisa ser desleal, muito menos trapaceiro, apenas se qualifique, esteja pronto para a oportunidade quando ela aparecer, e nesse ponto inicie seu baile de competência, vai gerar desconforto nos periféricos incapazes, sempre é assim. Aquela turma sem propósito não gosta dos que se destacam ou apresentam um bom desempenho, a turma gosta do nivelamento por baixo, a mediocridade remunerada é muita em muitos lugares. Trabalhar apenas para garantir o salário, esforço só se for para manter tudo como está, ideias novas? Os chamados grupos de conveniência “panelas” são muito comuns no meio empresarial, sempre fui visto com maus olhos por essa turma. E se você se interessar realmente pelo que faz e se dedicar a apresentar resultados sempre melhores, não se engane, será sabotado e possivelmente descartado pela turma de preguiça mental. Meus caminhos sempre foram produzidos pela minha teimosia em procurar fazer o melhor, isso me conduziu a posições que nunca imaginaria ocupar, e nesse ponto o trem passou e eu estava pronto na estação. E certa vez me disseram que pedra que rola muito não cria limo, em referência as minhas constantes transferências de lugar de trabalho, mas eu não quero criar limo, eu desejo ser refinado pelas múltiplas experiências, pela diversificação de situações, por tornar o abstrato em sólido e com ele construir minha realidade. E assim, dentro dessa realidade ainda tem casamento, filhos enfim, aquelas coisas que deveriam trazer estabilidade mas acabam se tornando mais alguma coisa a se administrar. Nesse campo reconheço, fracassei, ou não, porque trinta anos de casado não significa necessariamente um fracasso, mas não estou apto a aconselhar ninguém nesse campo. Cada um que gerencie seu relacionamento dentro de suas características específicas, se trata de um assunto muito particular, e o que funcionava para mim, pode não funcionar para outra pessoa. Os problemas que tive podem não ser um problema para outros relacionamentos. A neuroplasticidade circunstancial dos métodos cotidianos sociais conduzem a vários caminhos e muitos deles levam a desencontros e a separação inevitável. Quando o sincronismo que estabiliza a relação se perde, não há mais o que fazer. Tudo que vier depois será apenas desgaste desnecessário. Se eu errei? Sim, muitas vezes, com falta de atenção, com desinteresse, mas lembrem-se, o estresse no qual vivia profissionalmente era imenso. E justamente por ser humano, sofri um impacto devastador por uma vida profissional de altíssimo desempenho. Porém, eu penso da seguinte forma, tudo que aconteceu, foi porque tinha que acontecer, estava na programação existencial, não havia como fugir do resultado obtido, era para ser assim. Provavelmente, eu não teria escrito seis livros até agora e com um sétimo para ser lançado se continuasse numa vida a dois. Não procurei isso mas aconteceu, para que e por quê? Sinceramente não sei mas deve ter um propósito, deve representar algo, mesmo não obtendo e conquistado público leitor e prêmios literários.



Por todas essas ocasiões e por tanto construído numa simples vida ao menos, além dos meus filhos deixo um legado de cultura, um caminho para os que se interessarem em aprender, em conhecer a respeito de grandes autores, no corpo desse trabalho, aqui coloquei uma infinidade de referências de grandes intelectuais, espalhadas por todos esses livros, disponível a quem se interessar. Imprimo também o meu jeito literário exótico e muitas vezes semanticamente estranho e controverso, é meu estilo. Enquanto eu tiver margem nesse mundo ocuparei esse espaço definido com trabalho, cultura e opinião. Sinto, pressinto que já não tenho muito mais tempo, mas prossigo por aqui enquanto o transporte para outra realidade não vem. Quem algum dia se interessar em ler esse autor que vos escreve e fala, o texto está nos livros e eu estou neles. Escolha qualquer um, pode se ler aleatoriamente, cada texto possui um universo diferente de interesses, alguns salvam um momento específico da vida, outros analisam as ocasiões políticas e econômicas do nosso tempo, e a literatura de grandes autores nacionais e internacionais. Porque a abrangência é necessária ao bom nível cultural. O sentido da vida que encontrei é esse, espero ajudar a todos vocês a encontrem os seus caminhos e que quando acharem, estejam preparados.



Gerson Ferreira Filho.


ADM  2 - 91992 CRA – RJ.



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sábado, 17 de janeiro de 2026

Padrões circunstanciados.

 

                                                  Image by Светлана Бердник from Pixabay





Padrões circunstanciados.



Não querendo ser repetitivo mas Ortega y Gasset definiu que somos inseparáveis do nosso contexto. “eu sou eu e minhas circunstâncias”, disse ele certa vez. Não há salvação individual sem uma transformação ou a saída do mundo onde nos situamos e onde obtemos nosso perfil psicológico. A reforma mental deve incluir uma reestruturação externa também, estamos profundamente ligados ao ambiente onde vivemos, recebemos constantemente as influências dele, obtemos a estrutura mental daquilo que no envolve. E este é o ponto que afeta hoje nossa sociedade, e que mostra o resultado da circunstancialização da educação por ideólogos da esquerda. Temos diversas gerações completamente influenciadas por um estilo e para um propósito definido. Já tratei desse assunto em outros textos, outras crônicas, mas que é sempre bom lembrar desse tema, porque ele está hoje em execução e sofremos, todos nós as consequências dele. E assim temos hoje aqueles que permitem a uma ideologia suplantar sua racionalidade para aderir a um padrão, o padrão circunstanciado, aquele que define o que você é mesmo sem que você saiba ou se de conta, muitas vezes do papel ridículo que faz. Ao menos exótico aos ouvidos que não pertencem ao grupo de alienados. Este padrão foi o método aplicado por várias décadas de ensino médio e universitário, uma sutil doutrinação, as vezes mas incisiva, outras vezes subliminar, empregando um linguajar característico, a novilíngua. Uma operação paciente e abrangente de moldagem social que quando pronta, o elemento não percebe mais no que se tornou. Suas convicções, seu estilo e interpretação da realidade pertencem a um nicho de prioridades subalternas ao totalitarismo, ao coletivismo e que rejeita o bem individual. Pensam em bloco, não conseguem ver mais o poder de uma economia de mercado livre, de possuir diferenciação pessoal quanto a realidade e a suas crenças particulares. Tudo passa ser uma miscelânea de propósitos de massa, de uniformidade padronizada e que rejeita o contexto para viver num aglomerado disforme porém com uma atração irresistível a não possuir mais conceitos abstratos pessoais a respeito de mais nada. Muitos que irão ler esse texto se encontram nessa situação e nem percebem. Se você possui convicções imutáveis, você está errado. O universo, o nosso mundo e muito menos a realidade não se resume a apenas uma interpretação. A vida flui e se qualifica por diferenças, por conflitos de interesse, pelo oceano de possibilidades e portanto, qualquer engessamento filosófico e ideológico proposto tende a ser um fracasso retumbante. Eu assim convido-os a evitar esse abismo ideológico, procurando alertar que a circunstância tem de ser alterada e que se deve abandonar o padrão equivocado, insustentável e sem nenhuma flexibilidade para lhe garantir sobrevivência além de um marasmo existencial esquizoide. Geralmente o psicótico, ou esquizofrênico, geram um mundo particular, onde uma realidade paralela governa suas atitudes e muitas vezes o colocando em risco e aqueles convivem com ele, foi isso que fizeram com muita gente. Nesse procedimento metódico se exclui o aprendizado em vários setores fundamentais para o sucesso, principalmente econômico, por isso se tornou notória a ignorância abissal dessa gente em economia e gestão desse setor, produzindo sistematicamente desastres colossais nessa área. Uma boa gestão econômica para essa turma representa algo burguês, improprio para o proletariado. Partindo desse pressuposto, eles produzem raciocínios completamente equivocados para este setor fundamental para o sucesso e geração de riquezas.



Vejam, vou fazer um teste com vocês apenas para aferir o conhecimento real em economia, veremos se leram alguns desses autores, leram e estudaram a respeito deles: Adam Smith, Fredéric Bastiat, Mises, Hayek, Mílton Friedman, Thomas Sowell, estes são apenas alguns nomes do setor que fornecem um imenso conhecimento na área econômica. Não estou pedindo que demonstrem as isoquantas da microeconomia com detalhamento, estou solicitando algo básico e necessário para entender o funcionamento do mercado. Provavelmente não conhecem e nunca estudaram ou ouviram falar deles de forma que não seja pejorativa. Porque eles destroem a estrutura do pensamento econômico da esquerda, que não passa de um amontoado e platitudes. Existe, se não sabem um poderoso filtro ideológico que fornece a vocês apenas o que interessa ao planejamento deles. Eles apreciam a economia planificada que levou a União Soviética a falência, que mantem a Coreia do Norte miserável e improdutiva, até a China comunista abandonou essa metodologia, vide Deng Xiao Ping. Bom, cevados como vocês estão em delírios coletivistas improdutivos e fracassados, não há o que se esperar de algo que possa ser tratado como sucesso. E assim, nadando nessa banha ideológica, conduzem hoje o nosso país para o fracasso certo e o colapso financeiro. Quem me acompanha no que escrevo sabe, citando grandes autores, a definição de doença mental para o esquerdismo já foi estabelecida por profissionais especializados e altamente qualificados. Vocês apenas foram inseridos no problema. Se existir boa vontade há recuperação. A coisa se assemelha a se livrar de um furúnculo, lanceta-se o inconveniente núcleo e a cura vem. Mas o mundo foi ordenadamente direcionado para a ignorância sistematizada, circunstanciaram o momento e nele inseriram a loucura. Foi abrangente, e incluiu até a forma de falar e em relacionamentos. Nesse ponto utilizo Roger Scruton para explicar o que foi feito:



A novilíngua foi essencial a seu programa, reduzindo o que outros viam como autoridade, legalidade e legitimidade a poder, luta e dominação. E quando nas palavras de Lacan, Deluse, Altrusser, a máquina de nonsense começou a cuspir suas impenetráveis sentenças, da quais nada podia ser entendido, com exceção do que todas tinha, o “capitalismocomo alvo pareceu que o Nada finalmente encontrara voz. Dali em diante, a ordem burguesa seria vaporizada e a humanidade marcharia vitoriosa para o vazio”.



Nós já tivemos um exemplo clássico disso no Brasil, desse linguajar específico onde nada tem sentido real, tivemos uma ex presidente especialista nessa linguagem peculiar, do falar e não dizer nada. O nosso patrono na educação, era um especialista nessa linguagem, só falava e escrevia assim, um exotismo fuleiro de baixo clero intelectual preparado para doutrinação de massas. Algumas vezes esse linguajar passa a impressão de uma cultura tão superior que não pode ser entendida pela ralé inculta e feia. Ela foi criada para isso mesmo, este é o objetivo, gerar desassossego cultural e dominar completamente o ambiente com uma farsa linguística o perfil majoritário do povo. Não foi acidental, podem acreditar.



Então, prosseguindo com o esclarecimento necessário, um dos progenitores dessa loucura foi Lukaks, eu já o mencionei em textos meus do passado e hoje em livros, quem quiser pode consultar. Foi um radical do comunismo, dos mais fanatizados, mas e mesmo assim teve de fugir e se esconder do movimento comunista, entrou em conflito com o modo de ver o movimento ideológico. Ele percebeu que, se aquela brutalidade inicial prosseguisse, não levaria a lugar nenhum, o domínio das massas deveria ser através de outros métodos mais sutis, ser agradável se for preciso, mentir se for necessário, investir na cultura, o crime pelo benefício da causa poderia ser tolerado. A respeito dele Roger Scruton cita:



Quando os acadêmicos radicais dos anos 60 começaram a buscar autoridades que justificariam sua censura, foi para Lucaks que se voltaram. Ele não apenas compilara o primeiro índice marxista confiável de literatura moderna como também pensara em uma crítica que situava a cultura no centro da “luta mundial” entre revolução e reação”



E assim, temos o que assistimos na atualidade, a confusão generalizada de procedimentos e comportamentos. O comunismo, o socialismo, o progressismo, seja lá qual apelido que teve ou venha a possuir agora, não é algo leal e ordeiro ele se reproduz na discórdia e no enfrentamento social com um objetivo, transformar você num objeto, numa coisa que pertence ao Estado e por ele será submetido e descartado quando necessário.


Se você ainda não se convenceu que foi preparado para o sacrifício, e hoje sua vida como unidade humana não tem valor nenhum vou colocar aqui agora algumas coisas que Lucaks disse:



A lei não possuía nenhuma validez para além do processo político, “a questão da legalidade ou ilegalidade se reduz para o partido comunista a mera questão tática” .



E também:



A ética comunista tem como seu maior dever aceitar a necessidade de agir com iniquidade, acrescentando que esse é o maior sacrifício que a revolução requer de nós. Afinal, a iniquidade é uma concepção burguesa e tudo que é burguês deve ser destruído”.




Bom, aos que entenderam que vocês foram desumanizados sistematicamente, procurem se desvencilhar dessa circunstância desleal e agora munidos de um diploma universitário baixem o aplicativo de trabalho no UBER e vão trabalhar. Afinal, apesar de todos os esforços ideológicos ainda existe uma necessidade premente de produzir dinheiro para o sustento diário e como destruiriam a economia não há vagas para todos os doutores. Metodologia e consequências.




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.




Citação : Tolos, fraudes e militantes. Roger Scruton. Editora Record.


A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor.  

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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Incertezas.

 

                                                      Image by johannylisbeth from Pixabay.





Incertezas.




Você sabe por que está aqui? Então, se você não sabe nada de si por que saberia algo concreto a respeito do que o cerca e do restante que consegue observar? O que você aprende seria a verdade ou apenas um jogo e ilusão para conter expectativas e impulsos incontroláveis que desestabilizariam uma mente com recursos limitados dentro de um infinito de opções. Onde começa, onde termina, as fronteiras são definidas por quem? A narrativa tem de se sustentar ou a esperança sucumbe no borbulhamento das incertezas, essa que cumpre o seu papel fundamental de interagir com a emoção, e assim apaziguá-la dentro das fronteiras iluminadas de uma existência. Como uma tênue sutileza cósmica convivemos com o infinito numa parceria estável na qual verdadeiramente nada sabemos, apenas especulamos com as estrelas para romantizar aquilo que somos. O pó querendo ter significância, o atrito que aquece a alma para que se sinta relevante dentro de tudo isso. A certeza? Que chegamos aqui abruptamente e sairemos daqui aparentemente sem data marcada, inevitavelmente, essa coisas estão estabelecidas no cenário, todo o resto não passa apaziguamento de conflitos impenitentes que surgem para impedir a ociosidade da alma que não tem permissão para descansar. E assim, contamos com as possibilidades, aquilo que se torna viável dentro das circunstâncias, aquilo que proporcione razão ao momento, Um amor? Um relacionamento? Ou uma missão? Teríamos assim que avaliar o momento, para um jovem, um amor seria uma boa proposta para mais velhos e calejados de tanto caminho uma missão teria maior aceitabilidade, dentro de cada trajetória moram as necessidades e isto faz toda a diferença. O trajeto cumprido delimita as escolhas, ao inicio da manhã de uma vida uma necessidade, ao entardecer aquilo que puder se acatar. Ortega y Gasset tem uma abordagem interessante a respeito desse tema:



O homem tem a experiência de que a vida não consiste somente no que há, mas também no que cria, que tira de si mesmo novas realidades, que a vida, portanto, não se define exclusivamente por suas necessidades, senão que, ainda mais do que estas, e transbordando-as, consiste em abundantes possibilidades”.



Será então, necessário criar dentro daquilo que não entendemos a possibilidade de uma realidade plausível que nos atenda e nos conforte, pois tudo aquilo que acreditamos que há, pode ser apenas um reflexo de um momento de imaginação , sem sustentação suficiente para se consolidar enquanto margem cognitiva para que se torne axioma. A arquitetura do imaginário tem de gerar sustentação para que, e para nós, exista esse intervalo existencial sem conflito e turbulência da realidade produzida na expectativa do desejo. O mundo é aquilo que construímos, pessoalmente ou em grupo, se o resultado se torna desconfortável, algo foi malfeito, mal planejado, e se entregou a sistematização de algum erro que veio a criar opções exageradas e conflitantes quanto a uma vida normal. Ortega y Gasset tem mais alguma coisa disser:



Há que se escolher. A emoção básica a partir da qual se dá o fenômeno da existência é o contrário da resignação, pois viver é “ter algo de sobra”. Começa a emoção básica da petulância, da prepotência existencial do humanismo”.



Se encontrar em certezas definidas onde floresce a convicção petrificada de sistemas que se apoiam no acúmulo de vontades satisfeitas por um padrão, não proporcionam o “algo a mais” ou “algo de sobra” para que se possa transcender além das franjas das margens psicológicas que nos abrigam. Nada pode ser considerado exato se nem ao menos você tem a certeza de como e o porquê está aqui. Se não sabemos, devemos assumir que não sabemos e partir em busca da apelidada de pedra filosofal pelos alquimistas e primeiros filósofos. O que ela era? Um conceito, aquilo que transforma a escuridão em luz, ignorância em sabedoria ou para os não iniciados, chumbo em ouro. Apenas um artifício para aqueles que não possuem capacidade de entender.



A penumbra tenaz que abriga essa eterna dúvida quanto a origem será nossa companheira de jornada, Não se trata de incapacidade ou de limites, lembre-se sempre, limites não existem, em todos os sentidos que você siga, não encontrará fim. Não é esse seu propósito, embora seja instigante explorar o impossível. O ocaso do nosso objetivo está além do limiar que nos impuseram para sermos o que somos. Incertezas, enfim, a pura indefinição como leito que receberá nossos passos nesse percurso, Sentimos, percebemos, nos entregamos a toda e qualquer emoção aleatória que encontramos, assim vivemos, nas margens dos prognósticos, sentenciando a cada mudança de paisagem que tudo não passa de destino. As ocasionalidades que ocorreram durante o trajeto forma simulações? Aquele amor encantador, aquele ódio devastador ou a indiferença aplicada na ocasião, ou então a ingratidão que acossa o espirito através do tempo. Vivemos, compartilhamos, seduzimos e somos seduzidos, indo além da fronteira da razão, e ainda assim, cremos e assumimos ter controle de algo que nem sequer percebemos como funciona. Devemos assim traçar o nosso horizonte, a nossa referência final, onde se oculta tudo aquilo que realmente desejamos, porque a esperança se alimenta da surpresa, do inusitado que conforta ou o que venha devastar nossas crenças. E assim, mais um pouco da filosofia de Ortega y Gasset:



O homem encontra-se em meio a várias opiniões, sem que nenhuma delas sirva de apoio firme para seus pés – por isso escorrega entre muitos “saberes” possíveis e cai, cai em seu elemento insólito, fluído… cai num mar de dúvidas. A dúvida é flutuação do juízo, ou seja, um remar desesperado em meio às ondas”.



Então, flutuamos, prosseguimos a deriva, sem um rumo específico, acreditando em fantasias que nos contaram para entretenimento enquanto estávamos vazios, sem conteúdo que abrigasse nossos sonhos. Temos a ciência diriam alguns, porém Aristóteles definiu a ciência: “A ciência é a presunção mais convincente”. Em suposições jazem tudo o que sabemos, e na lisonja que nossa característica proporciona, rumamos sem objeto específico que nos sustente dentro do lugar-comum o qual nos transformamos. Sentimos que a vida vale a pena ser vivida, Assim, a religião fornece a transcendência necessária para estabilização em meio ao turbilhão de simulacros que se apresentam de forma abusada para oferecer o pretexto no qual muitos se perdem.




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.



Citação: Origem e epílogo da filosofia. José Ortega y Gasset. Vide Editorial.  



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domingo, 11 de janeiro de 2026

Papel e tinta.

 

                                                                Image by Nile from Pixabay.



 Papel e tinta.





Escrever, criar textos, organizar a realidade em letras, algumas vezes usar a criatividade literária e introduzir sonho e lembranças adaptadas ao momento onde se aplica a imaginação. Os russos foram especialistas nessa arte, dois deles Dostoiévski e Tolstoi até exageraram nesse campo. Para os que desejam possuir uma boa cultura, ler o que escreveram se torna obrigação. Detalhistas de grande desempenho fazem o leitor ingressar em outra época, em outro período de tempo registrado meticulosamente nos seus livros. Lê-los não é simples, pois se trata de um exercício de habilidades no campo da arquitetura mental, onde cenários serão construídos conforme o aprofundamento no texto. Claro, textos tão complexos foram criados em ambiente favorável, numa época sem distrações, e num clima onde lá fora no inverno estava a menos vinte graus. Mas dificuldades existiam, a maquina de escrever ainda não tinha sido inventada, eles escreviam em papel, enormes pilhas de papel que se transformariam em livros, não existia rádio ou outra qualquer facilidade, além de uma lareira para conforto e uma escrivaninha para o trabalho. O que se percebe de toda informação que passaram é o desenho social da sociedade russa daqueles dias, uma sociedade hierarquizada entre nobres, aristocratas e camponeses, o povo de forma geral. Essa parte quase sem direitos e acossada por uma aristocracia infame, até parece o Brasil de hoje, sim existem similaridades amplas. O Dostoiévski e o Tolstoi possuem estilos ligeiramente diferentes de narrar os fatos, o primeiro considero algo como a mecânica dos fluidos: possui um texto turbulento, o segundo Tolstoi, um deslocamento laminar, mais agradável e mais fácil. Ambos complexos e brutos quando necessário e incisivos na descrição do cenário e do comportamento humano. Numa sociedade onde não existia muito o que fazer, essa aristocracia gastava suas horas de tédio em reuniões, chás, e vodca, um momento para falar da vida dos outros, relatar acontecimentos políticos e contar a respeito de viagens ao exterior. Claro, tudo dentro de uma etiqueta de comportamento específica de época. Muitos personagens viviam de resultados de propriedades rurais, ou de escrever, e claro, da vida militar que proporciona um bom soldo para altas patentes. E claro, os oportunistas e aproveitadores, que numa sociedade onde a cultura, que deveria ser muito limitada na época dava oportunidades aos que possuíam um bom transito nessa área. Vivia-se também de aparências, os camponeses eram os únicos sem acesso a alguma qualidade de vida, apenas eram componentes de cenário. Este ambiente é bem representado no livro Os demônios de Dostoiévski, que imprime um claro desassossego social nos relacionamentos. Que se esgarçam de acordo com expectativas fragilizadas dos personagens. Como o narrado em certo trecho do livro a respeito de um de seus protagonistas:


- Espera, aguarda mais um pouco. Ele é um maricas, mas para ti é melhor. Aliás um maricas lastimável, não valeria absolutamente a pena nenhuma mulher amá-lo. Entretanto ele merece ser amado pelo desamparo, e tu deves amá-lo pelo desamparo. Estás entendendo?”.


O ser humano não muda muito através das eras, qualquer convívio social tem suas particularidades padrão, seja lá onde for. Atender as expectativas do grupo ou dos mais próximos se torna uma exigência, ou será julgado por aquilo que não oferece. Mesmo que seja de relacionamentos extremamente confiáveis. Ao homem se exige ao menos ímpeto e ousadia, quando vocês lerem o livro entenderão. Aqui eu ofereço apenas um incentivo para que mergulhem em literatura de alto impacto. Quanto aos camponeses, estes apenas sobreviviam com muita dificuldade, excluídos de qualquer benéfico, a luta pela sobrevivência naquela sociedade era cruel, Não podemos estranhar que anos depois explodiu a revolução comunista demolindo a monarquia e toda aristocracia, aquilo que eles, a aristocracia não via, acabou por engolir a todos. Ignorar a maior parte da sociedade e viver em negação dos problemas que acontecem a volta não é um bom negócio, coisas assim geram revolta que se alimentadas no momento exato, incendeiam todo um estilo de vida. A coisa fica mais explicita no livro de Tolstoi Ressurreição, nesse trabalho ele descreve as agruras de uma jovem mulher que se envolve em determinado momento da vida com um crime supostamente cometido por ela. Com inspiração pessoal , de ocorrências amorosas da sua juventude onde homens e rapazes bem nascidos e com alguma condição social razoável se serviam sexualmente das camponesas jovens e belas, claro, sem compromisso. Este livro serve de comparação com nosso sistema jurídico atual, as semelhanças são inevitáveis de se encontrar, o mesmo ritmo de privilégios, a importância do quanto dinheiro você tem, e o peso dos bons relacionamentos na finalização e consequências como resultado esperado. Nada mudou, ao menos se comparando com nosso país atualmente, o procedimento comportamental da justiça é exatamente o mesmo. Para produzir essa obra Tolstoi se valeu da amizade com um juiz e com varias visitas ao judiciário e seus julgamentos de época. Procurou assim ser bastante fiel ao procedimento e comportamento do conjunto de justiça da época.



Sendo assim, este livro conta a trajetória de vida de uma jovem camponesa dentro daquela realidade de abandono e quase miséria da Rússia pré-revolução socialista, lá por 1885 a 1890. O livro é de um detalhamento singular e severo quanto aos pormenores de toda a narrativa que envolve a “eficiência” de um judiciário que julga conforme a classe o pagamento de advogados bem relacionados na estrutura de justiça. O autor insere uma curiosidade mórbida, o juiz que julga a protagonista, no passado, já havia se servido sexualmente dela na juventude, o que confere um ar constrangedor, de certa forma no julgamento. Numa passagem do livro fica evidente que o alvo principal do livro é esse:


São severos porque você não tem dinheiro. Se fosse uma endinheirada e tivesse um advogado daqueles bons, aposto que tinham absolvido – disse Korabliova”.


Terá sido esse comportamento um bom contribuinte para os eventos desastrosos de mais umas décadas para frente, que provocou o colapso político russo? Se torna bom analisar os eventos históricos para reparar como exageros e licenciosidades podem levar a destinos terríveis de uma sociedade. A revolução comunista triturou toda uma geração, de Lênin a Stálin não sobrou quase ninguém dessa organização social anterior ao desastre revolucionário. Uma organização insensível e corrupta, onde privilegiados manipulavam as regras e não se importavam com o sofrimento da maioria. Bom, não irei contar para vocês mais detalhes, o meu propósito aqui é incentivar a todos vocês o mergulho nessa literatura densa, encorpada e que irá se tornar um benefício intelectual de grande porte.




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.



Citação:



Os demônios Fiódor Dostoiévisk. Editora 34.


Ressureição. Liev Tolstói. Companhia das Letras.  



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