segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

As nuances do espectro.

 

                                                     Image by Septimiu Balica from Pixabay.






As nuances do espectro.




Bom, aqui nesse texto abordaremos a complexidade comportamental da atualidade do meu ponto de vista e do ponto de vista de um intelectual de primeiríssima prateleira, Eric Voegelin. Ele desenvolveu uma teoria que, embora tenha desagradado muita gente no mundo intelectual, tem um conteúdo explicitamente correto, apenas não foi compreendido na sua profundidade conceitual. Aviso que o assunto é árido, áspero e provoca conflito em sinapses despreparadas para um conteúdo mais sofisticado do pensamento. Versatilidade cerebral de entendimento da realidade será necessário para trafegar nesses caminhos alternativos da consciência humana. Aqui, intelectualidade frugal não basta, será preciso algo além de comedimento e parcimônia para compreensão do que vai ser apresentado, e poucos possuem essa qualidade de serem extravagantes quanto ao entendimento da realidade. A isso se dá o nome de flexibilidade e diversificação na conceituação e análise do contexto para que sua decomposição em parcelas compreensíveis se possível dentro do que chamamos realidade plausível do momento. E para isso vamos iniciar com uma citação de Eric Voegelin, a primeira de muitas, necessárias para esse tema:


A ciência política sofre de um mal que decorre de sua própria natureza enquanto ciência do homem na existência histórica. Pois o homem não espera a ciência para que a sua vida lhe seja explicada, e o teórico, quando aborda a realidade social, encontra o campo já ocupado pelo que se pode chamar de autointerpretação da sociedade”.


Entendam, o que você, eu ou qualquer um entende hoje como sociedade é uma construção social programada para ser assim, onde o povo em maioria, principalmente as pessoas mais simples foram conduzidas a um comportamento específico para serem dominadas e manuseadas como rebanhos, com coletivos, sem muito interesse além de manter uma vida sem propósitos mais amplos e dignificantes. Podemos dizer que a origem seria Marx, sim, mas a estrutura politica e ideológica da coisa já foi reformulada para adquirir novo perfil de domínio e propagação mais aceitável até o ponto onde isso se torne normal dentro das sociedades onde se instala. E até briguem para que se mantenha assim, como se a decrepitude de qualidade de vida fosse algo a se buscar e não a se lamentar. Como um tradicional ditado: se porcos pudessem votar, e o homem que fornece a lavagem fosse o candidato, os porcos votariam nele, mesmo sendo o responsável pela morte sistemática dos porcos. Quem se incomodar com isso será visto como elitista, pedante, desagregador e intolerante, o ideal será o ser permissivo com a decadência e a degradação, afinal, todos são assim. Tomando aqui emprestado um aforismo da nutrição: “você é o que você come”, sim! Você é o que você consome, se você por anos se alimenta intelectualmente de lixo, exatamente o quê será você? Nessa encruzilhada onde que nos encontramos define a situação de modo geral do nosso país entregue ao completo descaso cultural e que apenas fornece o que existe de pior para seu cidadão. Este planejamento infame e sutil contou com vários intelectuais no passado para ser estruturado, para criar o que vemos hoje, alguns deles são: Lucáks, Adorno, Marcuse, Gramsci, Comte, etc. Sim Comte, ah, vocês não sabiam que o pai do Positivismo era apenas mais um degenerado coletivista? Um mecanicista humano que desejava uma sociedade onde o homem-máquina apenas produzisse e trabalhasse em Ordem e Progresso? Sem religião, criado para produzir, sem desejos ou vida individual, sem esperança, apenas uma engrenagem na máquina chamada Estado? O amado dos nossos militares que colocaram o lema principal dele na nossa bandeira republicana? Pois é, nunca existiu nesse país um militarismo conservador, e por isso eles possuem uma afinidade de base com a esquerda e seus métodos. Comte foi um coletivista menor, mas teve seu espaço na história como mais um que propôs a desumanização do povo em benefício de um Estado controlador. Não tenho certeza, mas aqui deve ser o único lugar no mundo onde as ideias dele foram implementadas e assumidas como política de instituições.



E sendo assim, uma importante parte da sociedade, aquela que cuida da sua proteção, não tem apreço pela liberdade, mas aprecia controle coletivo da população. Eric Voegelin tem uma interpretação dessa corrente de pensamento:


A ideia de encontrar uma “lei” dos fenômenos sociais que correspondesse funcionalmente à lei da gravitação na física newtoniana nunca foi além do estágio de conversa fiada na era napoleônica. Por volta da época de Comte, a ideia já era reduzida à lei das três fases, isto é, a uma peça de especulação falaciosa sobre o sentido da história que se interpretava como a descoberta de uma lei empírica. Característico da diversificação precoce do problema é destino do terno physique dociale. Comte desejava empregá-lo para sua especulação positivista, mas foi contrariado quando Quételet se apropriou do termo para as próprias investigações estatísticas; a área dos fenômenos sociais de fato passíveis de quantificação começou a se separar da área em que brincar com uma imitação de física é um passatempo para diletantes em ambas as ciências. Assim, entendo o positivismo, em sentido estrito, como o desenvolvimento das ciências sociais por meio do uso por métodos matematizantes, poder-se-ia chegar à conclusão de que aquele nunca existiu; se. Porém, for entendido como a intenção tornar as ciências sociais “científicas” por meio de métodos que se assemelham ao máximo com aqueles empregados nas ciências do mundo exterior, então os resultados dessa intenção (embora não intencionados) serão bastante variegados”.


E para complemento desse tema Voegelin prossegue:


A ciência foi destruída pela segunda manifestação do positivismo, isto é, pela operação em materiais relevantes sob princípios teóricos defeituosos”.


Bom, agora vamos entrar no tema principal, deixar essa aberração positivista de lado e vamos analisar o que Voegelin chamou de gnosticismo moderno, aquele procedimento de trazer o transcendental para o material, para o mundo que entendemos como realidade. A crença de que os homens podem criar o paraíso na terra com politica. É uma abordagem que eu adoto nos meus textos, hoje temos esse produto pronto na forma de populações completamente alienadas, produzidas por severa doutrinação, as vezes subliminar, outra vezes direta e muitas vezes com sutileza através da cultura de massa com o uso da cultura, onde se produzem filmes, programas de TV peças de teatro, todos impregnados de dessensibilização coletiva com o objetivo de produzir alienação quanto a realidade só contexto. O truque básico, oferecer uma alternativa crível de que o homem não precisa de mais nada além dele, afinal, nesse culto materialista o Estado representa o deus a ser cultuado, e seu líder nomeado, o demiurgo a ser tratado como o representante direto do Estado. Todos regimes coletivistas, socialistas, fascistas, nazistas trabalham nesse formato de governança, uma estrutura religiosa para controle e domínio de massas. Com amplitude cultivada através do tempo, e participação de muitos intelectuais renomados a estrutura foi sendo moldada para uma forma religiosa de aquisição de devotos, que uma vez conquistado, se comportam como lacaios, acólitos, sectários, intensamente intransigentes quanto a qualquer alteração de panorama político. Por isso, se torna extremamente difícil o convencimento dessa turma, absorvidos completamente pelo sistema, a única verdade que acreditam, é aquela que foi produzida para mantê-los no cabresto político, para essa gente, tudo fora da doutrina, é falso. Não merece crédito e está errado, nenhuma análise se faz necessário, pois, eles detém toda verdade possível. Essa religião do Estado foi plenamente implementada no mundo ocidental e é diretamente responsável por sua decadência de forma geral.




Ela é abrangente, sedutora e seus princípios estão presentes na cultura, nas instituições de ensino, de justiça, militares e na política de forma geral. Temos aqui mais um pouco de Voegelin:


Quando a experiência gnóstica se consolida, o material social bruto está pronto para a representação existencial por um líder. Afinal, continua Hooker, tais pessoas preferirão a companhia uma das outras à do resto do mundo, aceitarão voluntariamente o conselho e a direção dos doutrinadores, negligenciarão seus próprios interesses e dedicarão tempo excessivo ao serviço da causa, fornecendo generoso auxílio material aos líderes do movimento”.


Como em qualquer religião, seus acólitos são extremamente fiéis ao ritual, oferecendo lealdade inquestionável a causa, e portanto, refratários a qualquer ideia fora daquilo que entendem como verdade. O que costumo dizer em vários textos nos meus livros, eles o povo e também os seus líderes se transformam em produtos, pacotes ideológicos com certificação ISO para que assim não exista de forma alguma diferenciação e não tenhamos desvio de “qualidade” esperada no conteúdo industrializado no método de coletivização de mentes. Para os raros que acompanham o que escrevo sabem disso. Os efeitos dessa doutrinação foram ressaltados por Voegelin:


Uma vez que um ambiente social desse tipo se organiza, será difícil, se não impossível dissolvê-lo por persuasão. Se qualquer homem de opinião contrária abre a boca para persuadi-los, eles fecham os ouvidos, não ponderam suas razões, tudo é respondido se repetindo as palavras de João: Nos somos de Deus, quem conhece Deus nos ouve; quanto ao resto, vos sois do mundo: é para a pompa e vaidade deste mundo que falais, e o mundo, do qual sois, vos ouve”. Eles são impermeáveis à argumentação, e suas respostas são bem ensaiadas. Sugira-se a eles que são incapazes de julgar em tais assuntos, e responderão: “Deus escolheu os simples”.”.


Essa abordagem religiosa do gnosticismo político que envolve a ideologia, consolida o método coletivo de fiéis de uma religião materialista que não permite ou aceita divergência. Os dogmas devem ser preservados acima de tudo e de qualquer coisa. Por isso hoje se vê velhos comunistas ainda presos no dogmatismo do processo, vão morrer acreditando naquilo que receberam como verdade na juventude, e o povo hoje? Ora, a baderna conceitual se apropriou da realidade, tudo é relativo, qualquer norma de conduta moral e ética pode ser flexionada, e os absurdos são plenamente tolerados, pois a doutrinação prossegue na mídia, na educação e na cultura, todo dia, para sempre. Por isso, toda pessoa ainda não absorvida pelo processo tem de ter cuidado ao consumir a proposta alienante. Ao se expor a radioatividade desses ambientes, você muda sem perceber, subliminarmente passa a concordar com o inadmissível, e o que julgava intolerável já passa a ser admissível como tolerância a “diversidade” cultural. A atitude mais inteligente, é não se expor a esse tipo de doutrinação sutil, não assistindo televisão, cinema, ou programas com conteúdo de massa com perfil progressista, porque hoje, tudo é doutrinação. Sem perceber, você hoje tolerante e inclusivo, será um deles. Como supracitei: cada um é aquilo que consome, ou poderia citar Nietzsche: “Se você olha para o abismo, o abismo olha para você” Não se trata de elitização, exclusivismo ou intolerância, falamos aqui de sobrevivência.




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.



Citação:


A nova ciência da política. Eric Voegelin. Vide Editorial.



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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O interior dos detalhes.

 

                                                          Image by WikiImages from Pixabay.




O interior dos detalhes.



E assim, nos pormenores específicos da existência humana repercutimos a aleatoriedade abrangente das nossas intenções. Um pouco de hesitação aqui, um tanto excitação ali quando o arcabouço das minúcias se estabilizam. E portanto, do nada se materializa um contexto, uma aflição metódica, que chega sempre na companhia de alguma emoção. Como uma evidencia oportunista que desafia as necessidades prementes do espaço que de forma impertinente insiste em ser vazio de contexto. Minha alma não possui gelosias para aplacar ou atenuar esse tipo de aproximação sistêmica e prototipadas nas ocasiões mais inconvenientes do dia. Aqui, o adorno do momento se faz específico para a ocasião, Então, na clausura do espaço humanamente possível a mim concedido para existir, concedo-me a exequível tarefa de escrever, e escrevendo, me transformo em texto, em letras organizadas na textura do tempo que se faz de registro, para a consolidação do espaço editado útil como a esperança. Na sutileza desmembrada dos termos configuro o propósito, ocupar o que foi esquecido e negligenciado por ser insignificante. Para mim, o desnecessário se apresenta como a poeira que acumula nas memórias e no passado como uma inconveniência consentânea que acaba se tornando essencial para a criação. Quem lê, veste o autor, vive dele a presença na ocasião em narrativa, e sendo assim, empresta vida ao que foi registrado. Uma roupa fabricada em algum momento passado para se tornar presente na realidade do leitor, que assim sente o que já foi sentido, vive o que já não tem mais uma vida, mas ainda assim; sobrevive no corpo do texto. Na tecitura da narrativa e entre as reentrâncias sentenciadas pela estrutura gramatical da semântica impregnada de emoção. Enfim, a literatura pede envolvimento, sentimento e a entrega total ao corpo da narrativa que flui na superfície do papel. Este depósito final da construção em letras que talvez a conserve por mais tempo para futuras gerações. Em seu corpo estarão as emoções, análises, argumentos, evasivas e descrição de propósitos em relação a algum evento, a alguma vida ou a algum momento pessoal. Essas premissas, momentaneamente serão suas. Se for empolgante ou angustiante terão o tratamento que a sua realidade vai assumir prezado leitor. Há os que preferem emoção outros a paixão, mas a sobrevida oferecida pela leitura vai apresentar o que lhe é de sua natureza. Eu esse escriba apresento cultura, informação, embalada em produção literária para consumo. Com a intenção de não ser monótono e de certa forma atribuir qualidade a apresentação do assunto específico. E aqui vou eu em mais um texto, embriagado de conceitos que a solidão proporciona nesses espaços vagos, aflitos por sentido em um axiomático ritual onde se corrobore a necessidade de existir. Entretanto, nas minhas frações de perseverança ainda ameaço fuga da alienação no cântico das promessas vazias que habitam a textura da realidade com um único objetivo, desencaminhar uma alma desavisada de algum romântico que ainda possui a inocência para se deixar levar por falsas promessas e assim demolir o restante de razão.



Se torna precípua toda parcimônia, toda austeridade mediante a escassez de significado no que assistimos hoje. O volume de crueldade obscena que nos oferecem a título de informação agora e que merecem registro de um tempo cruel e animalizado, onde entregam ignomínia embalada em rituais sofisticados de uma elite abominavelmente constituída. Com requinte extremado, onde com toda pompa e opulência demoníaca se faz o impensável para uma civilização que se apresenta como o ápice da criação. Não há luz nesses ambientes, apenas a escuridão de abismos e a sordidez dos comportamentos onde a infâmia se torna apenas um detalhe corriqueiro entre os participantes. Filosoficamente e metafisicamente nos faz pensar, existe inferno? Existe paraíso? Onde foi parar esses temores, esses instrumentos regulatórios de comportamento que ninguém encontra mais, o que temos é apenas o gratificante prêmio da boa vida para infames onde a torpeza baila freneticamente rindo dos justos sem demostrar receio de punição. O mal venceu, e isto é apenas uma constatação, as evidências concretas dessa ocorrência estão sendo esfregadas na nossa cara todo o tempo. Não há o mínimo vestígio que se salve como alento para a verdadeira justiça. Cumpro aqui apenas o meu papel de elaborar o registro de um tempo, de uma ocasião onde qualquer expectativa de mudança de rumos apenas mostra um precipício comportamental sem limitantes para que de faça uma real correção de rumo. O bem se tornou inócuo, nessa planície congestionada de abominações exuberantes e com um assanhamento que se faz valer da mansidão benevolente da ocasião. A abordagem negativa de Schopenhauer tem espaço aqui nessa nossa realidade tranquilamente:
O mundo é o inferno, e o mundo divide-se em almas atormentadas e em diabos atormentadores”. E ele prossegue:


A miséria que alastra por esse mundo protesta demasiado alto contra a hipótese de uma obra perfeita devida a um ser absolutamente sábio, absolutamente bom, e também todo poderoso; e, de outra parte, a imperfeição evidente e mesmo burlesca caricatura do mais acabado dos fenômenos da criação, o homem, são de uma evidência demasiado sensível”.



A desilusão do filósofo com o enunciado e com o resultado é evidente, e também contagiante. Como definir o cenário com tanta contradição? Afinal, para toda expectativa se espera um retorno que se alinhe com a proposta anunciada. E se tudo for ilusão?



A evidente e consolidada vitória do mal está materializada na intensa corrupção, nas hoje demostradas monstruosidades sanguinárias com sacrifícios de inocentes para o deleite de pervertidos de uma elite demoníaca. A pergunta que se deve fazer respeitosamente: Onde está o bem? Onde está o que sustenta o justo, o fiel? Consolidou-se a frase de João o evangelista: “O mundo jaz no maligno”. Onde a felicidade e a alegria efusiva dos demônios se estabelece. Temos aqui um mundo de ferozes contradições, onde a honestidade e a honra são constantemente violentadas para o prazer infinito dos canalhas e dos venais. Estes constantemente se deliciando com o fruto da venda de seus valores moldáveis e que mudam de acordo com o preço oferecido em pagamento para alguma facilidade suja. Se tudo isso for um teste de fé, exageraram. As cobaias, nós, não sobreviveremos a tanta pressão psicológica. Algo precisa ser revisto no detalhamento desse cronograma de vida porque no seu interior o caos colapsante dos sentidos se aproxima perigosamente. Como um preludio existencial de civilização estamos dançando na beira do precipício, sem corda de segurança que possa impedir a queda. E para encerramento, um pouquinho mais de Schopenhauer : “Quão longa é a noite do tempo sem limites comparada ao curto sonho da vida!”.



Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.




Citação:


As dores do mundo, Schopenhauer. Edipro Editora.  


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