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Contextos e pretextos.
Então, aqui estamos envolvidos numa diáfana e ao mesmo tempo contundente opacidade típica de Outono, onde as aparências de um amanhecer se ocultam das sensações que se encontram impedidas de possuir alcance na espessura delicada de uma estação climática que não apenas representa o que deveria ser, mas um estado de espírito depauperado de bons prognósticos. Não existe no momento o óbvio, As distâncias não mais existem, tudo circunstancialmente agora está dentro de você, encontre seu propósito interno e assim se ache cheio de sentido para viver. Apesar de todo cenário em plena decrepitude ocasional, infelizmente é o que temos. Urgências são gotículas que molham toda a face da realidade e a pretexto de ser chuva incessante, levam uma grande dose de insensatez impertinente para diluir toda vontade de ser correto. Há então, a necessidade de estabelecer parâmetros aceitáveis para conseguir secar esse efeito garoa que umedece a realidade com propostas conflitantes com a razão. Conseguir desvincular a sensação do que parece e do que realmente é. Lembre-se, preste atenção! A sedução possui camadas, dentro de uma lisonja especializada ela invade todo o espaço que a princípio deveria ser reservado para a cautela, mas pode ser armadilha se for possuído oportunamente por desejos contraditórios. Vivemos em período infame e degenerado em relação a ética e a verdade, tudo aqui pertence ao maligno em maioria. Autoridades que deveriam representar o povo e protege-lo agem somente visando seus próprios interesses, percebem o povo com fastio, um enfado entediante quase uma ojeriza desconfortável quando ao povo se dirigem, essa gente inferior, desnecessária e ignorante. Bom, toda essa percepção é recíproca, ao menos entre os que ainda possuem algum nível cultural diferenciado e não foram capturados pelo discurso pasteurizador de mentes. Afinal, se fosse preciso apertar as mãos de alguém desse meio, precisaríamos lavar as mãos com álcool ou um desinfetante qualquer imediatamente. A metodologia aplicada nas nossas elites para que permaneçam sempre no poder não são exatamente saudáveis e livre de sujeira. O que sobra? Essa parte Ortega y Gasset definiu bem:
“Viver é. Então, ater-se são que há – e graças sejam dadas a Deus porque temos o necessário para viver! Um pouco de que comer, um pouco do que saber, um pouco do que gozar. Vida é pobreza”.
Restrito a suas necessidades básicas, o sonho foi expelido da realidade, como uma necessidade fisiológica premente e inevitável de uma urgência corporal. E assim assimilados pela rusticidade de uma existência planejada, não há possibilidade do menino pobre, desejar ser algo a mais daquilo que é nesse agora. Seu destino foi definido por uma sociedade que apenas pode lhe garantir comida e trabalho braçal. Seria possível escolher, mas todas as alternativas foram eliminadas da realidade criteriosamente para que desejos de progresso e ascensão social fossem eliminados, sobra apenas a delinquência.
Ao homem, ao ser humano, não basta existir, há necessidade visceral de progresso, de aplicar o insólito ao cotidiano para assim obter uma alternativa mais justa no seu existir. O trafego das circunstâncias irá inevitavelmente criar lacunas no conceito coletivizante de existir, e assim o estilo rebanho em algum momento irá ser rompido como colapso na estrutura ideológica onde apenas existe padrão. Está na natureza humana não se encaixar muito bem em objetos ideológicos, e com isso, mesmo que demore, a turbulência causada por inconformismo acaba sendo inevitável. Em outro momento interessante Ortega y Gasset comenta:
“O homem tem a experiência de que a vida não consiste apenas no que há, mas também no que cria, que tira de si mesmo, novas realidades, que a vida, portanto, não se define exclusivamente por suas necessidades, senão que, ainda mais do que estas, e transbordando-as, consiste em abundantes possibilidades”.
Sem desejo e sonho essas coisas aparentemente simples não há ser humano, Não existe contexto multidisciplinar para a construção de um momento sadio, uma ocasião refletida onde se aboliu a possibilidade de extrapolar o tempo e assim navegar dentro da penumbra das hipóteses plausíveis de um amanhã planejado para ser diferente do que se possui. Com um cérebro complexo, precisamos de fluidez constante de ocasiões trabalhadas na imaginação e no desempenho lúdico das hipóteses variadas para alcançar uma mediana que atenda a plasticidade de uma ocasião desejada. Tudo gira em torno de equilíbrio e se fundamenta em análise pura das ocasiões que se avizinham de propósito concreto. Não se trata apenas de banhar-se em objetivo, mas vesti-lo e perceber que ele lhe serve muito bem. O agora precisa ser subjetivo porém em conjuminância efetiva com as tendências oportunas do teatro que se apresenta e oferece palco ao modo de ser plausível.
Se faz necessário harmonizar o período com o contexto, o comum deve ser objetivo das partes, onde o equilíbrio semântico da sentença possa ser aplicado sem conflitos de interesse na conjunção e que jamais sejam adversativas, coesão sem conflitos ou admoestações inoportunas. O pretexto do dominante será achar o desvio na textura do tecido que se compõe a vontade de romper parâmetros e assim desfazer a ação. Bom, tem e ser assim, uma liturgia de ações dentro do espaço concedido para o trabalho mental necessário para a libertação dos grilhões ideológicos construídos propositalmente por gente muito perigosa e vil. Ortega y Gasset nos entrega mais um pouco de conhecimento:
“Para bem compreender um homem há que se representar, com alguma precisão, a topografia cronológica de seu horizonte”.
Neste horizonte de eventos se encontra o passado o presente e o futuro. Com todas as suas relações e conflitos em relação a toda e qualquer ação que por acaso decida tomar. O somatório dessas atitudes no agora repercutirão pela eternidade com resquícios do passado e resultados no futuro. No fim, são os passos do caminho, que proporcionarão destino ao ator principal do teatro do qual fazemos parte. Por mais submetido a um controle externo, ainda será você que construirá seu resultado final, não esqueça disso.
Gerson Ferreira Filho.
ADM 20 – 91992. CRA – RJ.
Citação:
Origem e epílogo da filosofia. José Ortega y Gasset, Vide Editorial.
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