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Além do portal.
Nessa calha do universo onde transbordamos contradições entre abrigos sucedâneos nessa suplência cognitiva de um arcabouço de arquétipo sensorial que nos abriga para que assim consigamos suportar nossa insignificância temporal e existencial no tecido flexível de um momento qualquer que se abriga no infinito espaço de um tempo, algum lugar que se fez morada de nossa ilusão, aqui estamos para questionar, afinal, o que exatamente somos nós? E entre tantos estereótipos e tantas circunstâncias trafegamos entre sensações oblíquas e indefinidas para a construção de um momento único, ser e estar dentro da ocasião que foi criada para nós. Estamos no limiar de algo grande como acontecimento, margeamos agora a transformação dos detalhes, onde os pormenores se estabelecerão e vão se reorganizar de acordo com a nova contingência que não será efêmera dentro do trânsito existencial da conformidade que nos cerca. A vertigem, é mesmo quase imperceptível se faz sentir como vibração energética do momento. Reconfigurando estruturas envelhecidas por excesso de uso, e também as anomalias que tentam substituir a razão. Então, flutue comigo na última e derradeira margem da sensatez e não se importe mais com princípio e fim, tente apenas embaralhar-se na composição das hipóteses onde as ocasiões se banham sem comedimento para assim finalmente de forma justa tornarem-se materialidade. O imaginário se constitui de pormenores estáveis dentro de um corredor oblíquo e sem corrimão de auxílio, Não tente entender, apenas sinta como uma essência que flutua na ocasião vadia para ser notada e instigar a sensação. Somos emotivos, uma fraternidade de enunciados específicos para ser exatamente o que somos, sensações deletérias inseridas num contexto proposital de experiências para determinado fim. Estamos e somos uma projeção de algo infinito para sustentação de propósitos incompressíveis dentro de um agora supostamente real. Existiu um tempo onde os parâmetros eram mais específicos, de autodisciplina, onde a luxuria e a impiedade eram combatidas para se obter um mundo melhor. E sendo assim a história ficou marcada com os ensinamentos de Xenofante:
“ - Porque; a meu ver amigos, riqueza e pobreza os homens as têm não em casa, mas na alma. Vejo tantos que são carentes e, embora possuindo muitos recursos, são considerados pobres a ponto de afrontarem qualquer fadiga, qualquer risco para ganhar mais: conheço irmãos que tiveram a mesma herança e, todavia, um tem o necessário para os seus gastos e até de sobra, enquanto o outro carece de tudo; e sei de certos tiranos tão famintos de riquezas que cometem delitos muito mais horrendos do que os homens desesperados: alguns de fato, por necessidade roubam, outros invadem as casas, outros escravizam homens; existem tiranos que destroem famílias inteiras, outros assassinam em massa e, amiúde, por dinheiro reduzem cidades inteira à escravidão”.
A maldade humana não possui limites, almas pobres, não se importam o que já possuam de bem material, estarão sempre em busca de mais, custe o que custar, e se custar a vida do seu semelhante, não tem problema nenhum. Não irá tira o sono do impiedoso. Muito parecido com o cenário que temos hoje, não? Milênios passaram mas o homem prossegue o mesmo. A saciedade não existe para o insaciável, essa sede por riqueza e poder não se contenta com tudo que já conquistou, pois uma alma pobre só enxerga a própria e infinita necessidade de se complementar. Gente assim, por mais poder que possua , no inconsciente continua a ser um mendigo maltrapilho e faminto, desesperado a busca de uma saciedade impossível, e isso o atormenta eternamente.
A alma rica, se contenta com o que possui, abençoa o que vier a mais e desfruta de paz nos seus dias. Progride, constrói um futuro diferenciado e próspero dentro de seus limites de satisfação e estrutura sua realidade sadia para viver, sem tormentos adicionais para administrar no seu cotidiano. Como Xenofante estabeleceu:
“Riqueza e amigos estão na alma”. Hoje entendemos que o equilíbrio é o melhor a se fazer mas há também a disciplina do corpo, naquele tempo se exigia um rigor exacerbado aos prazeres da carne como vemos nessa citação: “Por que essa luta contra o prazer? Porque o prazer, em qualquer caso , no momento em que é buscado, torna escravo o homem, fazendo-o depender do objeto do qual ele deriva. Em particular isso se verifica no prazer erótico, o qual, acompanhando-se da paixão amorosa, põe o homem à mercê da pessoa que dá aquele prazer”.
Tão atual, não? Hoje vemos um festival de sexualização, de humilhação de escravidão aos desejos mais infames nessa área por submissão a um parceiro que manipula seu escravo que depende por desejo e paixão de ofertas contínuas de prazer atrelado a um comportamento sem honra e sem mérito nenhum. Estamos no período da dependência dos prazeres e assim, não há autonomia pessoal que resista por muito tempo. Acredito que se possa sobreviver sem os exageros, da metodologia antiga e da devassidão moderna. Porque acredito que os dois extremos levam ao colapso psicológico do homem. Xenofante também estabeleceu: “sem virtude, a riqueza não dá alegria”. É o que vemos em algumas personalidades ricas, mas acossadas psicologicamente e de forma permanente por idiossincrasias peculiares de uma vida desregrada e sem limitações éticas e muito menos morais.
Gerson Ferreira Filho.
Citação:
Sofistas, Sócrates e socráticos menores. Giovane Reale. Edições Loyola.
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