segunda-feira, 1 de junho de 2026

Na urdidura do momento.

 

                                                        Image by Edyflar Edy from Pixabay.






Na urdidura do momento.




Olá! Tem tempo que não nos encontramos, as urgências prioridades e contingências da ocasião criaram novas prioridades, novos percursos e desvios na estrada surgiram e assim tivemos que atende-los para que criássemos alternativas e encontros casuais com quem realmente se interessa por cultura. A saúde vai sutilmente equilibrada na fragilidade, viver esse momento é o equilíbrio entre o ser e o não ser, nunca se sabe com convicção se existirá um amanhã. Mas se estamos aqui não será a altivez do ignóbil que irá nos intimidar, enquanto existir vida há propósito, e o meu é causar desconforto em gente sem abrangência intelectual, lamento, sempre foi assim e por isso , de certa forma sempre fui escanteado de boas oportunidades. Mal visto, sabotado, depreciado e no fim, venci. Naquilo que acredito, cada um de nós tem um caminho pré definido, e nós alcançaremos o objetivo, sejam lá colocadas todo o tipo de armadilhas fortuitas e infames por possíveis desafetos. A maioria não entende a vida como uma missão, como um sumário de tarefas, onde será necessário apenas persistência para cumprir o roteiro, Jacques Lacan criou o Nó Borromeano, para explicar nossas flutuações psicológicas entre o real, o simbólico e o imaginário. Este nó representa o equilíbrio necessário para um ser humano estável. Se um for rompido, todos se soltam. Muito usado para entender a angústia, inibição e demais psicoses que possam estar presentes no paciente. E a vida e sua trajetória turbulenta se torna especialista em gerar eventos que atacam esse equilíbrio de ser e de estar. Conforme descrito no livro dos especialistas a respeito de Lacan:


Na lógica do nó Borromeano, a existência é em função do enlace do conjunto desencadeamentos. O sujeito, em sua condição particular, é o conjunto de relações, inclusive com o analista. Cada caso é um conjunto de relações, presentes, passadas e futuras; com o qual o que disse o analista é material do caso”.


Trabalhar com esse entrelaçamento produz resultados, o desempenho psicológico se altera e existe um recondicionamento comportamental e organizacional na estrutura mental. E mais uma vez acrescentando:


Vocês nunca perguntaram por que as análises produzem efeitos? Justamente porque a partir de uma análise é possível que haja mudanças nesse sistema de laços e nós. O que muda é o encadeamento. Lacan propõe que, porque se fala, advém outro modo de ser, mas um ser que carece de identidade, interioridade, substância etc.”.


Somos seres extraordinariamente complexos e sujeitos a todo tipo de pressão externa, das pessoais e particulares até aquelas que fogem completamente ao nosso controle com pressões políticas e da sociedade onde estamos inseridos. Viver dentro do absurdo moderno interfere nas nossas cordas internas, no nosso equilíbrio a ponto de não percebermos mais o sentido que a princípio tínhamos como referência. Apenas um nó desfeito, e tudo desmorona, tudo se desfaz. No campo dos relacionamentos pessoais, estar com uma pessoa equilibrada traz estabilidade, se seu companheiro de jornada for um desequilibrado, isso repercutirá em você, inevitavelmente, o espelhamento, se se tornar referência pode alterar suas cordas de controle, e assim passar a comandar uma relação conflitante. A toxidade de quem o acompanha vai se tornar abrangente e a relação vai tender assim ao fracasso ou a perpetuação do sofrimento. No campo mais abrangente, o social, vivem em uma sociedade disfuncional, comandada por pessoas desestabilizadas e com graves problemas de interpretação da realidade, também destroem a saúde mental. Hoje, o que temos, um sistema complexo de desvirtuamentos, de razões obliteradas por interesses danosos ao convívio social, e assim todos, de certa forma adoecem sem perceber de imediato. A subliminar invasão da intimidade por conceitos destrutivos solapa o equilíbrio subjacente e que dá a sustentação ao ser lógico que possuímos internamente. E ao perder o propósito, o sentido, passamos a não ser mais o que deveríamos, para ser apenas objeto manipulável e sem laços psíquicos aprimorados para ser livre. Essa desestabilização transforma pessoas em dependentes de um companheiro inadequado e ou de governos inconvenientes e mal-intencionados na administração social. E assim temos a esposa que apanha do marido e o defende, e temos o governo que se associa ao crime e é defendido pela sociedade. A relação é exatamente a mesma, por desordem psicológica e fragilidade interna se alcança este nível de dependência, que tende a aumentar até um possível e até previsível colapso fatal.



Nesse universo o real é a materialidade, diferente do simbólico e do imaginário, não se trata de imaginário onde moram toda e qualquer ilusão. Então temos:


Este real é uma construção. A partir do nó e da lógica matemática podemos formular um real. Há uma possibilidade de escrever o que não cessa de não se escrever: a partir das escrituras dos nós, se faz operável uma escrita da lógica em jogo na estrutura do sujeito, que, no curso em análise, o real de que se trata fique circunscrito, seja produzido como escritura. Se a psicanálise tem algum futuro, é porque oferta a passibilidade de produzir essa escritura”.


A cultura nos prende no simbolismo e oferece formas de estruturação de sobrevivência no imaginário que com seus espelhamentos iludem e enfraquecem a consistência estrutural para com o que sobrar e nos entregar o real. A aridez que nos acomoda e nos fere com sua implacável presença. O lugar de onde não há mais fuga, onde a hipótese se concluiu e as alternativas se esgotaram implacavelmente.




Gerson F. Filho.



Citação:


Lacan A revolução negada. Flávia Dutra, Karime Colares, Martín Mezza. Editora CRV.  




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