sábado, 29 de agosto de 2026

Insustentável porvir.

 

                                                  Imagem by Dariuz Sankowski from Pixabay.



 Insustentável porvir.



Alguém já percebeu que nós os que possuímos um passado além desse período obscuro e controverso estamos vivenciando muito mais essas recordações do que a vida na realidade? Vivemos hoje um momento empobrecido, desnatado, sem qualidades que induzam uma permanência psicológica nesse nível. E assim nas asas capciosas de um destino que ultraja a expectativa de uma permanência saudável, nos resguardamos num passado com melhores termos e sentenças. Confesso, me sinto muito melhor lá, envolvido com o que se foi do que nesse presente distópico repleto de perversões comportamentais. Este agora se tornou um lugar sem brilho, sem propósito, onde não há mais o encanto da promessa apaziguadora de desejos e paixões que se dedicavam ao realizar das horas. Um tempo onde o mal não era tão explícito e monótono como o ranger de uma engrenagem sem lubrificação. Ele está ali hoje, se exibe, coeso, iníquo e com uma desfaçatez abrangente, como se não devesse satisfação a ninguém. Na verdade, não há mais desconforto com sua presença. A falta de pudor e a ausência de recato não significam mais nada. Tudo foi relativizado, e por isso o passado se torna tão atraente. Lá bons valores existiam e eram respeitados, Então, vivemos no equilíbrio das suscetibilidades pois o agora onde não há exéquias à morte circunstancial dos bons costumes. Almejar um melhor momento faz parte da insípida esperança, se denota como um suspiro instintivo de sobrevivência.


Afinal, sobreviver se trata de puro instinto, uma força vital que não sucumbe com facilidade aos piores cenários. Porém, no fim, tudo isso se torna tão particular que cada um escolhe entre as diversas alternativas que proporcione uma devida evasão do desconforto. No meu caso eu sonho, e nesse mundo, na maioria das vezes estou no passado, vivendo, me emocionando, e carregando a alma com o alimento necessário já não disponível na realidade. Se a realidade não entrega o essencial, há que se procurar alternativas de sobriedade que sincronize com a ocasião. Pois viver se trata de estar na frequência certa e com ela construir o palco de atuação correto, prolífico, sem as debilidades de um neófito. Não há muita margem para inexperientes no calhamaço do destino. Nessas atribulações específicas, endereçadas a nós, devemos transitar com desenvoltura suficiente para diluir toda essa ocasião espessa que se acomoda na alma desse pormenor que abriga todo esse desassossego. Mas sonhar apenas não basta . será preciso categoricamente se perder no labirinto da imaginação para ali buscar a solução plausível dentro dos detalhes sinuosos para conseguir construir um porvir. Na atual situação, o desastre social será inevitável, mas ainda assim se pode construir nichos de qualidade e soberania da razão nesse ambiente corrompido. Como? Lendo, se qualificando, conhecendo os verdadeiros bons intelectuais, expandindo o padrão cultural e passando a ser a alternativa a toda ignorância e estupidez das relações corriqueiras. Lembrem-se a tênue esperança reside nos ensinamento dos bons dos realmente qualificados para gerar qualidade. E literatura, como disse Liev Tolstoi no seu magnífico livreto de fábula De quanta terra precisa o homem:


“Portanto, lembre-se: há somente um, apenas e tão somete momento mais importante… Agora! É a hora mais importante porque é a única em que podemos fazer alguma coisa”.


Eu procuro propagar conhecimento, e você? Porque assim como disse o referido autor:


“Aquele que tem amor está em Deus, e Deus está nele. Pois Deus é amor”.


Então, Deus é amor e esse amor faz morada apenas em corações receptivos e aconchegantes com o bem. É o imponderável a insustentável energia que quando chega abraça os seus com sua gloria e sua abrangente energia onde a morada da vitória se encontra. Nesse abrigo não há temor, nem indecisão, toda especulação se desfaz e nenhuma indecisão faz morada. Ao excisar o lamento das ocasiões resta apenas o regozijo de ser e estar do lado certo da existência. Este livro citado, em uma das suas fábulas tem uma lição moral a respeito do ganancioso. Um problema psicológico abordado nos filmes Wall Street poder e cobiça, e Wall Street o dinheiro nunca dorme. A ganância, a insatisfação eterna com o que se tem, uma ausência de limite que leva sempre ao desastre. Quando por mais que se tenha, nunca é o suficiente, não há limites para a satisfação, sempre falta alguma coisa, dinheiro, poder e terras. Algo que hoje acomete e acaba compelindo os poderosos ao exagero no acumulo de poder e riqueza. Uma doença psicológica abrangente e poderosa o suficiente para matar seu portador. O qual foi o destino do personagem principal do conto de Liev Tolstoi.


Essa doença, mesmo já proporcionado o suficiente, não permite prazer com o que se tem, e assim, de posse da máquina pública o saque continuado da máquina administrativa prossegue, insaciável, sem limites para encher bolsos sem fundo da elite. Já possuem tudo, luxos e prazeres estão disponíveis aos membros desse seleto clube de perversões econômicas, onde se esbanja aquilo que retiram do povo. Por isso prefiro muitas vezes apena sonhar, não que lá no passado não existisse tanta desfaçatez, mas o assincronismo moral era apenas um augúrio na paisagem moral da sociedade, hoje, os corruptos se relacionam sexualmente com o dinheiro do povo que passa necessidade em praça pública. E assim, avassalados pela cobiça destroem seu próprio país sem se importar com o futuro, como se recursos fossem infinitos, desconhecendo completamente algo básico da ciência econômica, a escassez. Com gente assim, se torna insustentável o porvir e e no meu caso prefiro me ausentar dessa atividade melancólica e eivada de insensatez. Impossível não ser melancólico nessa paisagem destruída e destituída de bons valores morais. Ou adotar uma atitude mais peculiar com disse Jorge luís Borges:


“Talvez a velhice e o medo me enganem, mas suspeito que a espécie humana – a única – está em vias de extinção e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta. A biblioteca de Babel”.


E assim, caminhamos entre suposições e afirmações, no interesse do destino, se é que ele realmente existe, e nós inconformados com tantas boas ausências e na ressonância inconfundível de um tema de amor que repercute no infinito apesar de toda perversão diligente que insiste em se fazer de realidade.




Gerson S. Filho.



Citações:


De quanta terra precisa um homem e outras histórias. Liev Tolstoi. Ciranda Cultural editora.


Ficções. Jorge Luís Borges Companhia das letras.  


Meus diversos livros estão no portal da Editora Delicatta. 


https://editoradelicatta.my.canva.site





segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Endereços.

 

                                                    Image by Miguel À. Padrinán from Pixabay.



Endereços.



Não se perca em conjeturas, tudo passa, tudo acaba, do melhor e delicioso momento até o mais odioso dos cenários. Toda e qualquer sensação se torna efêmera na amplitude existencial que cumprimos conforme programação estipulada nas esquinas do universo. Um certo dia no passado eu estava caminhando sem rumo previsível e repentinamente a vida aconteceu, como uma lufada alegórica de eventos a ocasião me trouxe até aqui. Acossado por situações onde a perfídia, a trapaça, a mentira e a ingratidão construíram a estrada. Eu poderia até estar escrevendo romances, mas acredito que apenas obsessivos escrevem romances, onde projetam a vida que desejariam ter mas não tiveram. Eu nunca fui assim, resolvo internamente meus embaraços, supero todos aqueles que destilam traços em laços invasivos e possuem o ranço oportunista da derrota. Tropeço, caio, levanto entre os destroços de uma etapa sigo em frente, impertinente, determinado a consumir todo estoque de propósito dado a mim como objetivo. Toda e qualquer projeção ou previsão não me intimida pois o trajeto e as ocorrências já estão previamente definidas, o que aconteceu ou vai acontecer estava previsto, não há ocasião fortuita.


A massa circunflexa de desejos são apenas entretenimento da jornada a ser cumprida dentro do comprometimento estipulado, afinal, temos de possuir algo para equilíbrio psíquico nesse trajeto. Pois vivemos hoje o fim de uma civilização. É evidente para qualquer um que possua capacidade cognitiva e cultura, os vestígios do desastre se acomodam nas ações e decisões de uma elite mundial corrompida e comprometida com o caos e com políticas e que desprezam a razão. Geralmente grandes impérios caem assim, por invasão de algo mais forte estruturado ou pela degeneração de sua elite, que passa a não se importar mais com qualidade, abrindo oportunidades para o barbarismo. O império Romano é o nosso maior exemplo disso. No final já não existiam legiões bem preparadas e armadas com o melhor equipamento possível, a política virou um enorme prostíbulo, e até o imperador foi criar uma cidade sob seus critérios de civilização, o que sobrou foi engolido pelos povos bárbaros. Hoje vemos a Europa civilizada sob o mesmo ataque de povos rústicos e sem um povo natural que a defenda, estão todos emasculados e amansados para servir de sacrifício ao último suspiro desse formato civilizacional. E aqui no nosso quintal não é diferente, a ignomínia abrangente nubla o cenário com a textura do desproposito. Essa decadência cultivada não vai permitir sobras após a consolidação plena de seus objetivos. Enquanto isso eu apenas registro o contexto em colapso, já tenho sete livros mencionando o problema, com citação de intelectuais de renome e dentro do meu estilo, não faz sucesso, mas me ajudou a entender que na mídia mainstream a grande maioria cuida apenas dos seus interesses, nada é pelo país ou pelo povo. Além claro, do instinto perverso do brasileiro, que quando vê alguém se afogando, não lhe fornece uma boia, mas joga uma bigorna em cima. Ter independência de pensamento aqui ofende a maioria: quem esse sujeito pensa que é? Para escrever a respeito da verdade.


O Terreno aqui está salgado, faria inveja ao Mar Morto. Aqui amigos, apenas uma personificação ou a prosopopeia ilude os alienados, através das metáforas subliminares se envia a mensagem, sem sofisticação em si, um conteúdo mais aprimorado ultrapassa as regras que são impostas para controle. Este é um artificio recomendado para continuar falando onde tudo é proibido, passar sem ser visto pelos néscios. Pois a monotonia da estupidez é mais entediante que uma possível solidão. Ao estúpido resta apenas o embaraço dos seus equívocos adulados e adestrados no seu conteúdo depauperado de razão. Essa gente tem endereço certo, o erro, o fracasso coletivo que os acompanha. Porém este ambiente, para eles, se torna muito prazeroso, afinal, as fezes são o meio de sobrevivência de muitas formas de vida. Ecossistemas psíquicos são introduzidos na realidade como freio cognitivo de populações para atrapalhar e reduzir o desemprenho na área sensorial das etapas adjacentes ao perceptível cenário do conjunto que governa a normalidade sensorial das fases da realidade. Com isso, se cria uma artificialidade tolerável dentro da insanidade que funciona como uma sublimação onde se torna possível viver sem perceber a realidade e o erro estrutural onde se está introduzido.


Jamais acredite que o maligno não possui sofisticação. A caraterização do mal como algo rude sem refinamento é um dos tantos erros que cometemos. E nesses erros estamos perdendo continuamente capacidade de análise de cenário para escrutinar a realidade com o rigor necessário a nossa segurança. O detalhamento importa, apenas esmiuçando o contexto poderemos escapar das armadilhas colocadas com sutiliza para que nós mesmos procuremos o abismo sem sequer notar para onde vamos. A sistemática perda da capacidade de avaliação da realidade, da capacidade intelectual transforma grupos populacionais em rebanhos de quadrúpedes sem noção e planejamento de proteção individual. Cérebros sem essa capacidade espacial de compor situações complexas leva a ilusão do falso saber, do conhecimento superficial sem profundidade para realmente entender o que se forma materialmente dentro da realidade. E nesse plano obscuro de percepções atribuições complexas não conseguem mais obter uma correta abordagem do contexto que seria necessária a segurança individual e coletiva do povo. A inteligência tem de ser capaz de possuir a capacidade de abstração, generalização e sofisticação. O Dr Paulo Dalgalarrondo no seu livro Psicologia e semiologia esclarece e expõe um dos inúmeros testes cognitivos: 

 “Quais aves você conhece? O que é uma fera? O que é um monstro? De onde se obtém o açúcar? E o mel? E a gasolina? O que é maior, a lua ou o sol? O que é uma pessoa covarde e uma pessoa corajosa? Qual a diferença entre fé e conhecimento? Entre mentir sobre algo(errar com alguma intenção secundária) e simplesmente falar algo errado, falso, por ignorância errar por desconhecimento)?”.


 Isto é a semiotécnica da inteligência, um vasto procedimento de aferição da capacidade cognitiva, onde se consegue uma avaliação do nível de entendimento do mundo de um indivíduo. Ele também registra: “que pessoas com inteligência limítrofe têm uma frequência mais alta de transtornos mentais (TMs com transtornos de humor, por uso de substâncias e da personalidade) em relação à população geral”.


Hoje temos grande parte da população aqui e em outros países, condicionadas sistematicamente a uma vida dentro desses limites reduzidos de compreensão. Com endereçamentos cerebrais errados vivem entre suposições e interpretações frágeis quanto ao mundo real. Para muitos a capacidade de uma avaliação qualitativa e abrangente do que é real foi subtraída através da educação fraca e sem uma boa composição acadêmica como estrutura de ensino. Ate a inteligência artificial precisa de endereçamentos corretos no seu perfil de análise para obter sucesso e não errar sistematicamente avaliando situações com base em alimentação de dados incorretos. O ser humano não é diferente, a base de raciocínio lógico precisa de qualidade para processar o ambiente onde vive. Temos aqui mais elucidações a respeito da inteligência:

 “Entre as limitações mais significativas no indivíduo com DI (Deficiência intelectual) estão as dificuldades com o pensamento abstrato, metafórico, e categorial, além da incapacidade de planejamento estratégico e de previsão de consequências de ações complexas. A rigidez cognitiva e a dificuldade de aprender com os erros e desenvolver, a partir deles, novas e diferentes estratégias cognitivas de ação são elementos característicos do déficit intelectual”. 

Você já viram muito disso entre os nossos governantes, não? Pois é, se somos governados por pessoas incapacitadas, o resultado da administração será sempre o desastre. Junte a isso uma massa popular também com sérios problemas nessa área, a área da compreensão da realidade, e assim temos esse cenário enlouquecedor produzido para por fim a civilização. Estamos muito mal endereçados e não há ideia de como resolver isso de forma civilizada.



Gerson S. Filho.



Citação:


Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Paulo Dalgalarrondo. Associação Brasileira de psiquiatria Editora Artmed.


Meus diversos livros estão no portal da Editora Delicatta. 

https://editoradelicatta.my.canva.site