quinta-feira, 8 de maio de 2025

O vazio envolvente.

 

                                                          Image by Canva from Pixabay. 





O vazio envolvente.



E assim amigos vamos tentar fazer uma análise do nada, de coisa alguma, parametrizado na orgia das completas ausências de objetivo e de metas para seguir. Algo inusitado que mesmo sendo completa inadimplência mental ocupa espaço definido para a maioria do povo, não se trata de subterfúgio ou de estratégia mas sim de um modo de vida assumido e de completa abrangência dentro das hipóteses caóticas da ausência de avaliação por ser apenas o nada. Se fizermos um ensaio a respeito do tema notaremos que buscando similaridade na inteligência artificial poderíamos dizer que muitos possuem apenas um programa de gerenciamento interno básico, que gerencia somente atividades de sobrevivência e de deslocamento dentro do plano ocupado fisicamente no agora. Ou para turma que gosta de mecânica a diferença entre um caminhão caixa seca e um caminhão moderno. Os dois cumprem o seu propósito mas há um abismo de qualidade entre os dois. Acreditem, a maioria é assim, não se preocupam com evolução e obtenção de prosperidade, vivem suas vidas sem metas ou compromissos de obter uma melhoria progressiva com nossas experiências, em tempos de redes sociais, se apresentam situações que causam constrangimento nos que possuem critério de avaliação superior, mas é assim mesmo. Hoje essas redes sociais informam e comunicam de tudo, são a alma da informação, cultura e entretenimento, falsa ou verdadeira, tem de tudo. Basta selecionar o que tem valor e o que não tem. Governos autoritários têm pavor dessa tecnologia de interação social; onde já se viu o povo dialogando, raciocinando e encontrando respostas de forma livre? Ainda existe uma pequena e sutil camada dos que raciocinam com qualidade de análise de cenário, com inteligência suficiente para constranger os poderosos, expondo suas imoralidades e negócios escusos para o publico de menor capacidade cognitiva. E dentro dessa ignorância profunda que foi cultivada com esmero, tornando a massa popular ignara e com alto e grande teor de obsolência intelectual temos aqueles que ficam felizes e festejam o recebimento de um magro auxílio financeiro do governo. Eu sei, na maioria que pensa causa revolta, mas entendam, essa gente consegue ser feliz na miséria. Receber um valor financeiro pelo qual não fez jus com trabalho para eles é ótimo, o ócio os alimenta e os nutre profundamente, nesse nível o trabalho com objetivo de obter dinheiro e melhorar de vida é uma agressão. Uma intromissão na própria liberdade que julgam ter, mesmo mergulhados na miséria que os delimitam ao perímetro da penúria de seu miserável estado de ser. Não há complexidade cultural suficiente para entender que enquanto vivem na miséria outros vivem como príncipes e reis com recursos que mudaria a vida de todos eles. Os políticos populistas trabalham diretamente com isso, essa massa humana vota e sempre elegerá aquele que lhe dará mais esmolas, mais coisas “grátis” para alívio de sua condição. A preguiça e a falta de propósito são estimuladas pois o voto de um deles possui o mesmo valor de um voto de alguém qualificado, chamam isso de democracia. E como são muito numerosos graças ao desinvestimento no ensino básico e profissional, a politicalha infame sempre vence. Não basta produzir o iletrado, tem de produzir também o profissional meia boca, aquele que apesar de ter diploma ainda assim é um analfabeto funcional que acredita em teses políticas disfuncionais e derrotistas. Este vácuo mental não proporciona ambição, ao contrario, fornece convicções distorcidas da realidade onde trafegam abusivamente opiniões fracassadas repetidas insistentemente apenas por não se aceitar o lógico, a normalidade funcional do mundo. Se vive assim feliz mesmo em cenário caótico e sem perspectiva nenhuma de avanço social para as próximas gerações. Não há saúde, não há emprego, não há segurança mas o importante é o benefício com o qual comprarei umas linguiças e uma cerveja para curtir o momento. Já observou um galinheiro, uma granja? As galinhas e frangos não se importam com mais nada se tiver ração e água, é exatamente desse jeito que a maioria vive. O interesse pelo progresso pessoal é um sinal de uma inteligência um pouco acima da média, e isso hoje é raro. Se perceber, se notar que está fora de onde merecia estar, de entender que com esforço pessoal é possível migrar do galinheiro para algo com mais dignidade e que ofereça múltiplos caminhos no tempo e no espaço levam a novos destinos, constroem novas histórias e possibilidades, cada nova habilidade adquirida o posicionam de forma diferente na realidade, isso se trata de valor agregado, de qualificação para múltiplos cenários, e com o somatório de conhecimento a amplitude de ação de propostas se apresenta em oferta ao que se propõe a ser diferente. Você escolhe: ter uma vida de galinha num aviário ou se projetar intelectualmente para ser o dono do negócio, Quer ser o dono da granja ou viver feliz como um frango? Se alegrar efusivamente ao ponto de dançar com a ração e a água grátis ou se apropriar de si e produzir um final diferente? Eu aqui utilizando o linguajar peculiar dos socialistas que construíram esse desastre social que se avizinha, mais um, é a especialidade deles, “tenho lugar de fala”, fui muito pobre, mas desde criança tive um diferencial, não gostava nem um pouco de ser pobre. E sendo assim, mais uma vez utilizando vocabulário deles, furtado de um termo de Administração de empresas, procurei “empoderamento”. Sim, essa gente até muda o linguajar para se excluir da sociedade e fazer de conta que são especiais.



E esse “empoderamento” está em estabelecer objetivos, criar diferenciação, e como se faz isso? Adquirindo habilidades profissionais. Aumentando a própria capacidade de ação estudando e encarando qualquer oportunidade de ter mais conhecimento. Se qualificar para ser diferenciado e assim obter mais oportunidades e ofertas profissionais. E com melhores ofertas e com profissionalismo se sobe a escada social se libertando da mediocridade abrangente de nossa sociedade. Infelizmente a maioria não é assim, não encara a vida como um caminho para percorrer e progredir, prefere estacionar e ser feliz na miséria onde nasceu. Bebida ruim, comida de péssima qualidade, roupas de palhaço e a música tribal conforta muitos, plenamente satisfeitos naquilo que conseguem perceber como qualidade mas não é. Essa turma até quando fortuitamente consegue obter muito dinheiro se perde nos valores e desperdiçam tudo voltando ao ponto de origem. A maior fortuna que um homem pode ter é seu intelecto, se for apenas um vazio envolvente ainda que consiga obter fortuna será um mendigo cognitivo e sujeito as trapaças da vida. Entendam e aprendam a se defender porque como disse o grande poeta Augusto dos anjos: “O beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja”. O ser humano é cruel, portanto não se torne disponível para ser pisado ou ser descartado como lixo. Adquira seu valor específico na selva.


Gerson Ferreira Filho.



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sábado, 3 de maio de 2025

A angústia dos espaços.

 

                                                     Image by Gerd Altmann from Pixabay. 



A angustia dos espaços.




Dentro de cada lacuna existe uma loucura e no íntimo de cada loucura existe uma normalidade particular para proporcionar conforto ao insano. Não devemos tentar desalojar o desajustado do seu universo particular, isto depende apenas dele, do celerado, do inclemente, de se autoconhecer e reconhecer sua própria miséria cognitiva. Ofereça apenas circunstâncias alternativas, caminhos diferentes sugestivos como um traçado proposital que pareça uma construção própria do alienado, assim ele não se sentirá invadido e sua camada de proteção construída em orgulho e arrogância não irá rejeitar a opção. Porque o estúpido acredita ter conhecimento pleno de tudo e jamais aceitará uma opinião que entre o conflito com suas crenças internas de como o mundo deve funcionar. Estamos cercados de gente assim, extremamente dominados por convicções deletérias e perniciosas constituídas de erros sistemáticos absorvidos por doutrinação proposital para construir um ser que margeia o irracional sem perceber que é assim. Ao contrário, se percebe como um “iluminado” um “ungido” muito superior moralmente a seus pares de existência. E isso gera um impacto significativo na realidade, do comportamento ao desempenho econômico de sociedades, causando danos severos em todas as áreas da comunidade e vida social com uma visão distorcida da realidade. Da política a justiça e claro ao desempenho financeiro, tudo passa a ter uma morbidez incompreensível quanto aos resultados esperados onde se tem a normalidade das instituições, a organização, de qualquer área não pode usufruir de uma boa dinâmica onde se aplica o erro de interpretação quanto a funcionalidade estrutural dos reais parâmetros de estruturação social. Vive-se num amplo devaneio, e tudo se amplifica Introjetando em prolapse um futuro ainda e apenas como uma péssima expectativa. No presente se compromete desastrosamente o futuro e esse futuro maculado não se sustentará para acomodar dentro dele um conteúdo plausível de prosperidade que se deveria possuir dentro de algo legitimamente planejado e construído para ser apenas por si sustentável. Existem regras, e elas são claras, específicas para uma boa condução social com amplitude necessária ao progresso e a prosperidade esperada dentro de uma boa condução dos valores da civilização. E quem governa está diretamente ligado ao sucesso ou ao fracasso do planejamento. Adam Smith no seu livro A riqueza das nações explica: “As grandes nações nunca empobrecem por má conduta privada, embora às vezes isso ocorra pela prodigalidade e pela má conduta pública. Todo ou quase todo o rendimento público é, na maioria dos países, empregado para a subsistência de mãos improdutivas. A saber, as pessoas que compõem uma corte numerosa e esplêndida, um grande aparato eclesiástico, grandes frotas e exércitos – que em tempos de paz, não produzem nada, e, em tempo de guerra, não adquirem nada que compense as despesas de sua manutenção, mesmo enquanto alguma guerra ainda está em andamento. Já que essas pessoas nada produzem, são todas mantidas pelo produto do trabalho de outros homens”. Está claro que o Estado grande não produz, ou poderíamos dizer, produz gente que não produz, vivem apenas dos recursos de terceiros. Não há efetiva geração de riqueza para ser compartilhada como prosperidade. Um judiciário enorme e poderoso produz exatamente o que além de muito papelada na sua extensa burocracia e interpretações da lei? Qual o produto físico que possa ser comercializado e assim gere lucro para justificar seu tamanho e poder? E ainda mais, Forcas Armadas enormes, mal treinadas e ineficientes e inúteis como defesa de seu povo e suas fronteiras. Numerosos ministérios com milhares de funcionários burocráticos também sem função produtiva real, essa turma não produz nem um botão ou um dedal que sirva para uma simples costureira produzir suas roupas, e olhem; as roupas que a costureira produz, os vestidos e os ternos do alfaiate contribuem com a riqueza do país quando somadas no total de atividades rentáveis. Uma nação poderosa representa a quantidade de riqueza produzida dispersamente nas atividades individuais dos seus cidadãos, e não na mesa dos gabinetes dos funcionários burocráticos que apenas cuidam de uma rotina infinita para representar um trabalho na verdade que poderia ser feito por muito menos pessoas e assim desonerar a atividade de controle. Este inchaço natural do Estado estimulado pela ideologia socialista está diretamente ligado a ineficiência que provoca desastres sociais enormes em países que se entregam a isso. Devemos lembrar aos entusiastas da improdutividade que a simples atividade de cada trabalhador que produz seu sustento é o que rende capital para que os salários de toda essa turma improdutiva seja pago. Através da cobrança de impostos em cima de quem produz é que gera o salário do improdutivo, e se o setor improdutivo for enorme, maior do que o que produz, teremos sérios problemas.



Essa angústia espaçosa que se forma na diluição de problemas clássicos de gestão econômica para desequilibrar a forma de sobrevivência social de um espaço chamado país se apresentam como base de uma ideologia com base em equívocos solidificados em crenças praticamente esotéricas e sem fundamentação lógica para que gere prosperidade e resultados positivos no futuro. Parece simples mas não é, principalmente quando se lida com fanáticos entumecidos na mais pura estupidez acadêmica de propostas inviáveis e comprovadamente evidenciadas como destrutivas. Precisamos de um reconhecimento da realidade, um alívio nesses espaços intercalados na insanidade coletiva para que a boa regra volte a florescer e ocupar o que hoje é apenas insanidade. Claro isso depende de enriquecimento cultural, de pesquisa, de estudo de aprimoramento cognitivo determinado, ou teremos a tragédia com resultado. Um lugar onde uma diminuta elite viverá nababescamente à custa de todos e sem nenhuma perspectiva de progresso. Reduza-se a máquina, dê mais liberdade de empreendimento, coloque a carga tributária para níveis aceitáveis com um Estado menor e acompanhe o milagre acontecer. Adam Smith tem mais algo a oferecer: “O esforço uniforme, constante e ininterrupto de cada um para melhorar sua condição, o princípio que dá origem tanto à opulência pública e nacional quanto à privada, costuma ser suficientemente poderoso para sustentar o progresso natural das coisas no caminho do aperfeiçoamento, apesar das extravagâncias do governo e dos grandes erros de sua administração”. Um Estado pequeno, enxuto, ainda assim pode errar mas seus erros não vão criar calamidades dentro da estrutura de governança, e como é pequeno, suas correções também serão mais simples e de caráter imediato devido a seu design interno ser bem simplificado e sem enormes escalonamentos de poder e influência compartimentados em setores de interesse. Se e quando conseguirmos refinar os nossos procedimentos políticos talvez consigamos obter prosperidade e segurança, mas não com uma máquina pública enorme e desequilibrada para sustentar. É muito malandro querendo viver à custa de quem realmente produz. Afinal, a boa vida sem merecimento, ou uso de relógios caríssimos de grife internacional oferecem importância a estultos e néscios para a satisfação de seus delírios particulares de grandeza. Nada mais arrogante e esnobe do que um incapaz intelectual que se julga sábio.



Gerson Ferreira Filho.



Citação:


A riqueza das nações. Adam Smith. Edipro Editora.


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segunda-feira, 21 de abril de 2025

Ilusionismo de alambique.

 

                                                   Image by Jacqueline Macou From Pixabay. 



 Ilusionismo de alambique.



E assim amigos que todos nós tenhamos profundidade de esclarecimento para entender como definiu Ortega y Gasset que conceito de certa forma é a genitália daquele que pensa, existem duas castas de homens: “os meditadores e os sensuais. Para esses últimos o mundo é uma reverberante superfície: seu reino é a face esplendorosa do universo – facies totius mundi, como dizia Espinoza. Aqueles ao contrário, vivem na dimensão da profundidade. Assim como para o sensual o órgão é a retina, o paladar, as polpas dos dedos etc. O meditador possui o órgão do conceito. O conceito é o órgão normal da profundidade”. Portanto, mergulhados que estamos nessas sutilezas e com uma alma suscetível para absorver impressões embriagam-nos com a pura ilusão retirada dos alambiques conceituais da política onde se obtém o produto certo de domínio grupal com fins prognosticados para enganar a todos nós. E dessa forma a maioria caminha para ser seviciada politicamente para vantagem de algum grupo de interesse, qualquer um de qualquer tendência no espectro político. A moralidade e a ética não costumam ser atributos dessa gente. Mesmo os que se identificam e vendem uma imagem de conservadorismo. O interesse pessoal sempre vem primeiro a vantagem que julgam merecer para que sejam protagonistas entre um rebanho humano dócil e sempre disponível para o sacrifício. No lugar dessa submissão ultrajante precisamos encontrar sentido, aquilo que ressignifique a existência, o ser e estar no mundo correto e não arrebanhado entre receitas de controle mental onde a flexibilidade de pensamento se esclerosou com a estagnação da acomodação dos parâmetros de julgamento. A falta de dinamismo, fluxo e mobilidade intelectual provoca perda na capacidade de julgamento dos parâmetros da realidade, compromete seriamente as escolhas possíveis dentro de tudo que se oferece como opção devida, limita as fronteiras da compreensão e do raciocínio de forma muito conveniente para os que desejam controlar multidões e o indivíduo. Mas se nos transformarmos em seres que pensam realmente, teremos conceitos, meditaremos profundamente a respeito da moral, dos bons costumes e da ética necessária para que a civilização seja assim mantida em níveis adequados de convivência.
Uma névoa de tolerância intolerante, de aceitação do inaceitável, do culto ao crime como uma qualidade e não uma falha grave de comportamento inundam o imaginário e a realidade presente hoje. O ultrajante virou objetivo onde se percebe claros sinais degenerativos de uma sociedade que se esqueceu de seus valores. Um sonho mau, um desconforto existencial onde atributos corrompidos se apresentam e se instalam na alma humana para destruir completamente um ainda possível amanhã. E essas coisas inserem na realidade algo que Baruch Spinoza definiu como soberba: “A soberba consiste em fazer de si mesmo, por amor-próprio, uma estimativa acima da justa”. E a soberba atrai a adulação, pois isso gera o equilíbrio necessário pois segundo Spinoza uma característica atrai a outra: “A adulação também gera concórdia, mas mediante o feio vício da servidão ou mediante a perfídia; com efeito, ninguém é mais suscetível à adulação que os soberbos, que querem ser os primeiros, mas não o são”. No fim nesse ambiente doente, o soberbo não passa do tradicional estúpido, preenchido de certezas erradas algo pior do que o ignorante que é vazio de tudo, segundo Lacan. Essa névoa infame supracitada não abraçou a circunstância repentinamente, ela veio de forma sutil, abrigada em licenciosidades parceladas e abrigadas em permissões cotidianas em mídia, ensino, imprensa e programações de TV e filmes e teve permissão metodológica para se instalar. Até hoje é assim, ou você já não se deparou em algum filme com uma ação que agride seus valores morais? Então, essa ignominia é servida de forma sutil até que se torne normal e você aceite o novo comportamento e com isso seu desconforto não mais provoque náuseas e desapareça. Você está sendo reprogramado para conviver com o que não aceita e não está alinhado com as regras tradicionais da civilização. Hoje, apiedar-se de monstros insensíveis que matam suas vítimas em assaltos parece normal, mas não é. E isto já é um claro resultado dessa névoa venenosa que corrompe espíritos e altera a percepção entre o certo e o errado. Todo o processo implementado para embriagar o povo nessa pantomima infame de fundo e curral tem esse objetivo mesmo empobrecer a civilização até que fique inviável reconduzi-la ao que já foi. Um antídoto? Cultura, verdadeira cultura, reduzam ao mínimo a exposição a este tipo de conteúdo oferecido, procure o que tem de fato valor real agregado, leia bons autores fora dessa esfera de influência, existem muitos, eu sempre os utilizo nos meus livros. Procure armazenar no seu subconsciente o que os filósofos dizem e não o que dizem políticos e agentes do poder instalado. Organize seu recanto de sanidade dentro de toda essa loucura, não consuma o produto desse alambique de perversões como se isso fosse normal e para gerar aceitação. Vivemos numa época onde o que sempre existiu em guetos e bolhas de influência limitada se transformou em assunto preponderante.



Hoje moças vendem sua imagem completamente despidas, com a genitália de fora ou fazendo sexo e ganham muito dinheiro com isso, como se fosse algo completamente normal. Deparei-me outro dia com um anúncio de um curso para mulheres do JOB, apelido recente para prostituição. Um estilo mas ameno um eufemismo para ocultar a precariedade da função. Em se tratando de comércio, compra e venda de produtos logo se estabelece demanda e oferta para atendimento da atividade, não há preocupação com consequências psicológicas, com um possível salto para a atividade real dentro desse contexto, porque ofertas surgirão e o interesse financeiro irá assim atrair o fornecedor até ao ponto de consumo. O comércio, seja lá do que for se adapta e evolui de forma veloz para gerar mais ganhos e oferecer mais riscos. Devemos todos nós trabalharmos com cautela em relação ao que se apresenta como oportunidade, armadilhas existem e são cruéis e definidoras de destinos. O ser humano apesar de ainda civilizado guarda dentro de si hipóteses controversas de comportamento. E para isso eu fico com Ortega y Gasset: “- Jaz como que adormecida a besta infra-humana, pronta a se apropriar da fisionomia inteira. E há em mim uma, substancial, cósmica aspiração a erguer-me da fera como de um leito de sangue”. Não somos necessariamente anjinhos barrocos, estamos mais próximos dos demônios do que gostaríamos de estar e por isso o freio civilizacional deve ser preservado, e não destruído pois o resultado será destrutivo em larga escala. Cuide de si, estude, aprenda respeite a tradição, desejos existem para serem domados, todos têm. Equilibrar a vida é a essência da civilização moderna. Exista para ter sentido e propósito e não como se estivesse solto numa selva de oportunidades e lascívia onde o despudor impera e o instinto se acomoda na propensão ao devasso e libertino comportamento selvagem. Ter prazer de forma civilizada difere do comportamento desagregado dos irracionais.



Gerson Ferreira Filho.



Citações:


Meditações do Quixote. José Ortega y Gasset, Vide Editorial.


Ética. Baruch Spinoza. Editora Autêntica.


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quarta-feira, 16 de abril de 2025

Os embaraços cognitivos.

 

                                      Image by David Sánchez-Medina Calderón from Pixabay. 





Os embaraços cognitivos.




E assim vamos mais uma vez mudar o rumo da prosa para outro assunto relevante dentro da estrutura mental que nos abriga para que assim sejamos considerados racionais, pois mesmo não parecendo em algumas circunstâncias é isso que somos dentro da escala de inteligência conhecida nessa nossa vida biológica. Dentro de todas as possibilidades geradas nesse caleidoscópio de vida que surgiu dentro dessa bolha de água flutuando aparentemente sem rumo no universo temos a nós, essa vida que pensa, que ama e que se odeia até transbordar na margem mais distante de qualquer conceito lógico. Nossa capacidade de ultrapassar limites não se contém na antepara da razão, essa vontade de se insurgir contra métodos e aplicações lógicas nos fez de ousadia e irresponsabilidade para provavelmente ser uma ferramenta de evolução, porém se for mal utilizada pode ir de encontro ao colapso civilizacional certo. Não será a primeira vez que abordo isso, quem lê o que escrevo encontrará crônicas com essa abordagem, o motivo aqui é semear conhecimento que me foi necessário profissionalmente e assim distribui-lo a quem possa se interessar. Garanto que será um diferencial de qualidade aos que se ocuparem em ler o que escrevi. Tanto quanto ao perfil das abordagens quanto aos autores inclusos nas tantas análises colocadas no balcão. E hoje vamos abordar mais uma vez a inteligência humana e suas opções de trafego na realidade que construíram para nós hoje. Normalmente a parcela de inteligência lógica possui um meio de aferição popular chamado dentre tantos de análise de QI. Normalmente bem aceito nos meios acadêmicos como uma ferramenta razoável de análise da profundidade de uma inteligência pessoal. Uma pessoa que vai mal nessa avaliação normalmente não possui muito entendimento do que acontece no mundo que o envolve e não consegue destaque na sua vida e nas suas atividades, mas isso é uma condenação? Se não existir dano cerebral por doenças e falta de alimentação na primeira idade, todo o potencial está lá, basta incentivá-lo. Vale lembrar que o consumo de substâncias alucinógenas também reduzem essa capacidade cognitiva. Todos nós dependemos muito de interpretações plausíveis da realidade para que possamos programar nossas ações de vida e de atitudes em relação ao cotidiano e ao serem somados no percurso do tempo farão do futuro algo aprazível ou não. O futuro provavelmente se constitui das atitudes escolhidas no ontem e no hoje para possuir a textura que lhes foi oferecida para se construir como um paraíso ou um inferno. Ter escolhido bem no passado lhe trouxeram a um hoje agradável se prosseguir assim, terá um futuro provavelmente bom e com boas opções. Por que provavelmente? Porque mesmo fazendo tudo certo, ainda assim pode dar tudo errado, mas se você tiver um bom nível de inteligência pode reconstruir tudo outra vez, a determinação implacável pertence aos que não aceitam a derrota como resultado. Perdeu? Levante-se e comesse tudo novamente com novos parâmetros, afinal, versatilidade você tem, e o propósito da vida é esse, vencer. Comodismos, acomodações e estabilidade modorrenta não fazem parte dos atributos de quem possui uma inteligência diferenciada. Um ser inteligente é complexo, inquieto, possui uma mente fervilhante de opções e metas para cumprir, jamais se abriga na estabilidade. Se não existir aparentemente propósito ele cria um da neblina opaca das suas múltiplas conexões neurais que lhe trarão a resposta mais adequada ao ambiente novo que enfrenta. Assim como se formam as estrelas da massa de gases que se comprimem sobrepondo seu peso específico a uma força gravitacional imensa a inteligência se supre da sua própria natureza. Não estamos aqui por acaso, como um descuido universal ou um acidente peculiar sem circunstâncias definidas, temos um caminho para trilhar e ele é extenso e cheio de armadilhas. E assim chegamos nas ferramentas da psicologia elaboradas por mestres dessa área, com cita o Dr Daniel Goleman: “Otimismo e esperança, - da mesma forma que o sentimento de impotência e desespero – podem se aprendidos. Por trás dos dois está uma perspectiva que os psicólogos chamam de autoeficácia, a crença de que somos capazes de exercer controle sobre os fatos de nossa vida e de que podemos enfrentar os desafios que surgirem”. Aptidões aprendidas desenvolvem e fortalecem esse senso de autoeficácia. Quanto mais você se especializa, estuda se qualificando maior e mais abrangência você terá no cenário, diversificação de conhecimento, estudar de tudo, e não apenas uma área específica lhe dará flexibilidade de raciocínio para assumir riscos e disposição para qualquer desafio, pois existe uma extensa diversidade de conhecimento dentro de você. O multifacetado teor cultural cria uma mente poderosa o suficiente para não temer mudanças de cenário e ser adaptável a mudança nas regras do jogo da vida. Albert Bandura psicólogo de Stanford que realizou pesquisa nessa área resume: “A confiança que as pessoas têm em suas aptidões exerce um profundo efeito sobre essas aptidões. A aptidão não é uma propriedade fixa; há uma imensa variabilidade na maneira como atuamos. As pessoas que têm senso de autoeficácia se recuperam de fracassos, abordam as coisas mais em termos de como lidar com elas do que se preocupando com o que pode dar errado”.



Temos nesse mesmo livro uma abordagem da Neurobiologia da excelência. Quando você realmente adquire versatilidade cultural abrangência e profundidade em seus conhecimentos, se inicia um processo de fluxo, um entrelaçamento entre todas as áreas que estão presentes dentro de você e em processo de êxtase, você cria e resolve problemas. Este estado de funcionamento neurobiológico chamado de fluxo pelo psicólogo Mihaly Gsikszentmihalyi foi por ele descoberto. E o Dr Goleman esclarece: “A capacidade de entrar em fluxo é inteligência emocional no ponto mais alto, o fluxo representa, talvez, a última palavra na canalização das emoções a serviço do desempenho e aprendizado. No fluxo, as emoções são não apenas contidas e dirigidas, mas positivas, energizadas e alinhadas com a tarefa que está sendo realizada”. E também: “Fluir é uma experiência gloriosa: o sinal característico do fluxo é uma sensação de alegria espontânea, e mesmo de êxtase. Por ser tão bom e intrinsecamente compensador. É um estado em que as pessoas ficam absolutamente absortas no que estão fazendo, dando atenção exclusiva à tarefa, a consciência em fusão com os atos”. Essa característica diferencia dos que possuem apenas QI elevado dos que possuem QI elevado mais uma boa dose de inteligência emocional. O Coeficiente elevado de inteligência sem a emocional o transforma apenas num software de cálculo, o emocional te oferece o êxtase, a transcendência necessária para ser realmente inteligente. Os insights são provenientes da tempestade diversificada de produtos internos que você possui e tem a habilidade necessária para utilizá-los. Coisa muito rara hoje em dia no Brasil, devido a políticas destrutivas no ensino básico e universitário o melhor de nós a juventude se perde em vícios, obscenidades e falta de propósito. Se trata de um plano de destruição que avança até o momento sem muita resistência e com vaidades na oposição a tudo isso. Na maioria das vezes orgulho e interesse financeiro e também prejudicam a luta por um país melhor no futuro. Eu vou fazendo a minha parte, quem lê meus livros já possui uma percepção melhor do cenário. Venham comigo nessa jornada interessante por conhecimento.




Gerson Ferreira Filho.




Citação:


Inteligência Emocional. Dr Daniel Goleman Objetiva Editora.



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quarta-feira, 9 de abril de 2025

Contextos econômicos.

 


                                                        Image by Gerd Altmann from Pixabay.





Contextos econômicos.



Bom, como o assunto principal nessa nossa realidade hoje é a guerra econômica iniciada pelos americanos contra a China, principalmente; mas no fundo tem como objetivo cortar amarras impostas por outros países que vivem sugando a energia dos Estados Unidos com taxas e impostos indevidamente aplicados e severos de forma a minar a capacidade daquele país de continuar a se expandir e dominar o cenário, para americanos, com certeza válido e justo, porém o restante lá fora vai se complicar. Claro, como qualquer país hoje há lá dentro da América os que agem contra sua própria terra, não faltam traidores do seu próprio povo em qualquer lugar, a ideologia de esquerda está ai para diluir o sentimento de pertencer a um lugar e amar essa determinada terra. A política dessa gente submissa ao coletivismo progressista não reconhece fronteiras, trabalham pela desestruturação da sociedade como conhecemos para implementar uma aberração grupal que transforma globalização comercial em globalismo onde não existem fronteiras e por isso adota um política massificadora, pasteurizada, homogeneizada que não respeita tradições locais e religiões. Tudo tem de estar dentro de um padrão. Embora as alternativas válidas continuem existindo, apenas o padrão pode ser aceito, um nível de castração metal absurdo só possível de ser implementado onde a inteligência foi abandonada. E a Economia? Ah essa malvada que insiste em atropelar teses absurdas geradas para desmentir seus preceitos mas que sempre acabam no encurralamento intelectual precário de quem tenta desafiá-la. Thomas Sowell tem uma definição: “A economia não se trata apenas de lidar com o conjunto de bens e serviços existentes no mundo como consumidores, mas também, e mais fundamentalmente, sobre produzir esses bens e serviços a partir de recursos escassos em primeiro lugar – transformando insumos em produção”. As decisões que são criadas a respeito do uso da terra , trabalho e capital definem o padrão de vida de um pais, decisões nessa área tem consequências em concomitância com a sabedoria aplicada ou a insensatez assumida. Causa e efeito com aplicação implacável para toda decisão assumida as sensatas e as delirantes, cada um colherá o que plantou. Estamos agora assistindo talvez a primeira guerra econômica em larga escala, e entre economias fortes, supostamente. Aquela que tiver menos fragilidades e mais diversificação vencerá. Neste mesmo livro que citei o Thomas Sowell se refere a China com informações relevantes para o momento, embora possam estar desatualizadas mas ainda assim são um referencial de um dos protagonistas do embate: “Apesar da China possuir 1/5 da população mundial, tem somente 10% das terras agricultáveis, então, alimentar o povo poderia continuar a ser o problema crítico que já foi, trazendo de volta os dias em que a fome recorrente ceifou milhões de vidas chinesas. Hoje, os preços atraem para a China os alimentos vindos de outros países”. Então, fica claro que a China depende de forma vital do comércio com o exterior para poder alimentar toda sua enorme população, não é possível sustentar um conflito que restrinja o comércio por muito tempo. E o dinheiro em questão o dólar americano é a moeda mundial hoje. Com ele se vende e se adquire mercadorias inclusive alimentos. O Grande problema da China sempre foi ter uma população enorme excessiva, e como parte do cenário toda essa gente precisa comer, não se trata de apenas estrangular a compra de minérios para a indústria, isso pode esperar, ter impacto econômico, mas alimentação , bocas não esperam. Não adianta ter tecnologia, armas se não existe alimentação. Essa é uma fragilidade enorme que precisa ser trabalhada com sabedoria e contornada preferencialmente com acordos amigáveis e com a construção de parcerias saudáveis no comércio. Devemos lembrar que do outro lado tem um país com a economia dinâmica, multifacetada e forte pois se trata do emissor da moeda mundial. Onde estão os principais mercados financeiros e de negócios sem contar na tradição industrial que hoje está enfraquecida mas pode com certeza proporcionar uma virada inesperada nesse setor. Ou seja, não é um inimigo que se desejaria ter. Pode ser vencido? Pode, mas a qual custo? O dono do dinheiro que circula resolveu alterar as regras que não lhe eram favoráveis, está correto, se não lhe favoreciam. Se lhe davam prejuízo, tem de mudar mesmo. Óbvio, um governo que governa para seu próprio povo não vai ficar bancando privilégios para outros, isto é normal onde existem políticos que cumprem corretamente suas promessas eleitorais. Os governos anteriores espalhavam o dinheiro americano pelo mundo financiando aberrações políticas em nome de caridade falsa. Na verdade estavam fazendo uma engenharia social para destruir o mundo como conhecemos. Milton Friedman faz uma observação a respeito do Mercado: “A perfeição não é para esse mundo. Sempre haverá produtos de má qualidade, charlatões, vigaristas. Mas em geral, a concorrência do mercado, quando lhe é permitido funcionar, protege o consumidor melhor do que fazem os mecanismos alternativos do governo que foram sendo progressivamente impostos ao mercado”.




O que temos é uma guerra na área econômica onde praticas abusivas de taxação estavam favorecendo um setor e prejudicando outro, não só da China mas da Europa também digamos de forma mundial. Como uma infestação de parasitas, estavam sugando recursos através do mercado impondo impostos que poderiam ser mais amigáveis e menos destrutivos para a economia alheia. E governos anteriores pouco se importavam com isso num claro movimento contra seu próprio país. Como a perfeição não é desse mundo, houve a necessidade de um sacolejo econômico para que as peças se rearrumem no tabuleiro. Esperamos que a concorrência típica de um mercado livre encontre naturalmente uma solução sem emprego de força, mas nós sabemos que aproveitadores não gostam de se ver encurralados. De perderem suas vantagens comerciais consolidadas por anos de colaboracionismo por gente de dentro do país garantidor da moeda. E assim flui o contexto com características de conflito, quem sobreviver verá, cada lado que pondere suas fragilidades e escolha o diálogo ou o enfrentamento que certamente consumirá muito mais recursos, humanos técnicos e materiais, afinal, tudo isso custa dinheiro. Que é a origem da discórdia atual. Milton Friedman também deixou registrado: “A igualdade de resultados está em claro conflito com a liberdade”, e também: “A vida não é justa. É tentador acreditar que o governo possa corrigir o que a natureza gerou. Mas também é importante reconhecer o quanto nos beneficiamos da própria injustiça que deploramos”. Toda essa turma que grita contra as sobretaxas do governo americano deveriam estar satisfeitos pelo longo período onde se deram muito bem e correr para uma negociação amigável, mas o orgulho e a ganância estão falando mais alto. Estavam todos numa posição de vantagem indevida, portanto não há o que reclamar, apenas negocie o novo cenário econômico de comércio e bola para frente. Acabou a farra, o dono da casa mudou têm nova gerência e agora existem novas regras de funcionamento. Se ajustem ao novo preço e negociem melhores condições ou partam para a briga, mas lembrem-se o estrago pessoal pode ser insustentável se optarem por isso.



Gerson Ferreira Filho.




Citações:


Economia Básica. Thomas Sowell . Editora Alta Books.


Livre para escolher. Milton Friedman e Rose Friedman. Record Editora.


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domingo, 6 de abril de 2025

Passividade limitante.

 

                                                     Image by Septimu Balica from Pixabay.






Passividade limitante.



Bom amigos que me acompanham, já tem um tempinho que não falo diretamente de política e estabeleço correlações com a situação onde estamos mergulhados, cheios de boçalidades institucionais, comportamentais, ideológicas e de assimilação pacífica do inaceitável. Alguns se questionam: onde vamos parar? Ora, no desastre certo e inevitável e ele chagará do tamanho da ignorância coletiva que possuímos. Neste Domingo de início de Abril de 2025, temos apenas brumas forrando a interpretação dos fatos que chegam a nós. E por isso a referência a data, precisamos de um registro histórico para a posteridade de todo descalabro que possuímos nessa realidade corrompida. Não se trata de capricho ou esmero mas necessidade. Estamos numa sociedade empobrecida culturalmente de forma proposital, e de acordo com testemunhos de nobres professores que na sua abnegação particular prosseguem tentando ensinar nos apresentam um cenário desalentador para o futuro. Aqueles que serão o futuro conseguem ser piores do que os que hoje carregam o país. A coisa só piora, e se não há exercício cognitivo da massa, essa desaprende e regride no seu grau de percepção e inteligência. O que me leva a tentar criar alternativas, opções de caminhos diversificados escrevendo e publicando livros onde há cultura de qualidade em doses regulares e diferenciadas de temas para os que lerem meu trabalho aprendam um pouco de verdadeira cultura e de autores realmente qualificados. E não o angu encaroçado ideologicamente servido de forma regular para os poucos que ainda possuem a capacidade de ler. Porque ler, e entender está ficando muito raro hoje, e isso inclui gente com formação, que estudou, hipoteticamente. Com um coeficiente de inteligência regredindo através do tempo por ociosidade intelectual, cérebros se atrofiam e estabelecem um padrão básico operacional de sobrevivência, não há mais refinamento e estilo no cotidiano, vive-se por alimento e prazer apenas. Nossa sociedade hoje está pronta para ser completamente dominada sem questionamentos e manipulada conforme os interesses de uma elite não necessariamente inteligente, mas poderosa no que conseguiu alcançar em termos de controle, principalmente dos órgãos de segurança. Não há ditadura sem fidelidade de quem possui armas, ou seria deposto imediatamente, no fim, tudo depende desse segmento social, dos que possuem armas. E como a cognição geral está seriamente comprometida, não falta mão de obra para essas instituições, onde a ordem tem de ser cumprida, não interessa o quanto absurda ela possa ser. E o povo? Bom, esse povo prejudicado cognitivamente está quase e apenas possuindo instintos. Musica degradante e sem criatividade estrutural poética, sexualização exacerbada, álcool e drogas para aliviar o estresse do dia a dia e procurar um político espertalhão e salafrário para prestar culto. Pois alguém tem de comandar a boiada, inevitável! E embriagados por discursos e prepostas falsas assumem um perfil político que interessa apenas ao condutor do grupo, que eventualmente sacrificará parte desse grupo por favorecimento a interesses particulares, afinal, a organização precisa se nutrir de idiotas sempre, e se você se apresenta ao serviço deles, estará marcado como propriedade política de algum espertalhão sem nenhuma ética ou piedade. E se você pertence a ele, dane-se suas prioridades individuais. Este perfil humano com o qual convivo por décadas desde a juventude é abrangente, nas empresas, sindicatos sob controle ideológico doutrinam a força de trabalho ensinando o erro sistemático por décadas, não se trata apenas de doutrinação nas escolas e universidades, mas também no trabalho, se trata de um planejamento criterioso de semeadura da ignorância, criando assim pessoas vazias e que acreditam e utopias geradas por estúpidos. Isto cria raízes e limita muito o percentual de QI coletivo de uma sociedade. O interessante é que a massa não percebe isso, e leva a vida normalmente dentro de parâmetros completamente distorcidos onde absurdos são implementados sem que haja nenhuma reação da sociedade e até alguns setores apoiem abominações políticas e comportamentais de bom grado com se fosse uma evolução positiva, um avanço social quando na realidade é um retrocesso civilizacional sem tamanho, brutal. Se não me engano Olavo de carvalho citou certa vez que a inteligência quando se perde não se nota essa perda, óbvio. Os atributos de qualidade real da sociedade foram quase que totalmente banidos para a instalação de valores deformados criados e alimentados por “ungidos” na atmosfera decrépita de seus sonhos pessoais de perversão social estabelecidos também por anos de mergulho no erro de conceitos equivocados. Entendam, o erro impregnado gera a sistematização da produção do erro futuro, temos assim a perpetuação e o aprimoramento da infâmia em substituição à qualidade humana. O nível de domínio é tal que mesmo os que pertencem e trabalham com segurança do sistema, e estão, lógico, dentro do caldeirão com todo o restante da sociedade serão atingidos por essa degeneração de valores. A filha querida de um deles ou o filho fatalmente se entregará a comportamentos sociais inconvenientes graças ao suporte de segurança proporcionado pelos pais que garantem a segurança e o conforto de quem implementa a loucura. Temos aqui o Ouroboros que se perpetua eternamente, a serpente que morde a própria cauda. Uma monotonia existencial submissa sempre aos mesmos valores e fatores que se alimenta de si mesmo para que nada mude. Se não há novidade e nem liberdade estamos presos no ciclo inevitável das propostas inconcebíveis que soterram a possibilidade de evolução do conhecimento humano, e assim obtemos o retrocesso civilizacional até que estejamos nas cavernas ou nas arvores novamente, possuindo um arremedo de dialeto e fugindo de feras para sobreviver.



Ser passivo, aceitar tudo como uma oferta do destino incapacita elementarmente a possibilidade de evolução da espécie. Prenderam-nos, todos nós e os alienados num mundo falso, uma pantomima de circo mambembe. Onde lutas são apelidadas de uma coisa; mas no fundo, defendem outras. Um processo de ilusionismo coletivo apenas perceptível por quem está acimada da média de QI. O restante viaja e se entrega ao truque e ainda se sente feliz. Hoje caminhamos naquela ingenuidade faceira das ovelhas que pastam no campo, passivas, limitadas guardadas pelo cão pastor para que não nos desviemos do objetivo e assim tenhamos a presunção de uma segurança falsa. Aqui, o cão é amigo do lobo. Mas enfim, entre os vazios da ignorância e as certezas da estupidez vivemos para ter utilidade para esse segundo grupo. Como citou Georges Picard no livro A psicologia da estupidez: “O que dizem os estúpidos? Nem eles mesmo sabem, e essa é sua salvaguarda. A fala do estúpido, mesmo que tenha algum sentido, não se limita à exatidão. Grasnando com ênfase, a sua meta é repelir o silêncio por todos os cantos. O Estúpido se agarra aos lugares-comuns como um trapezista bêbado se agarra à sua corda. Fica grudado no corrimão de banalidades e não larga delas nunca mais”. E aqui temos a descrição perfeita de nossas autoridades hoje. Um grupo que dança bêbado numa corda gritando para eliminar o silêncio constrangedor da plateia que mesmo sendo ignorante não deixa de notar que algo está muito errado na estrutura da governabilidade. E por isso insisto em propagar conhecimento, cultura através das minhas cônicas, porque mesmo de forma simples isso colabora com o enriquecimento cultural de quem por acaso vier a comprar os meus livros, minha contribuição para um futuro melhor e mais culto, onde as pessoas terão a possibilidade de análise mais qualificada. E com um estilo literário, com um texto diferenciado quanto a informação entrego aquilo que ele desconhece, os verdadeiros construtores do melhor do ocidente.



Gerson Ferreira Filho.



Citação:


A psicologia da estupidez. Jean-François Marmion Editora Avis Rara.


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quinta-feira, 3 de abril de 2025

Memórias de uma saudade.

 

                                                         Image by John Hain from Pixabay.



Memórias de uma saudade.



O que exatamente seria a realidade além do momento que nos envolve? Um contexto definido por condições específicas onde habitamos e chamamos de hoje ou de tudo aquilo que nos construiu no trânsito do tempo? As condições e contradições surgiram e foram assimiladas, geraram convicções e lembranças, houve especificação de atributos conceituais e específicos em relação a textura temporal daquele momento, ou no mínimo ocorreu a impressão harmoniosa dos sentimentos e sensações que vieram a construir seu acervo de experiências que hoje se traduzem em você. As agonias, o medo, a dor, as alegrias e o júbilo se apresentaram para essa obra arquitetonicamente estruturada em desafios, medo e ousadia entregue ao diapasão do destino para assim adquirir a qualidade necessária ao impossível. Há quem consiga se abrigar na dor, outros na ousadia, e tantos no pressentimento. A alma tem objetivos e metas interessantes, e a ela são entregues os desafios e as oportunidades para adentrar a vida e nela se realizar ou se perder. Escolha com sabedoria seu propósito, na verdade, sempre tenha um objetivo. Seu alcance, a profundidade que atingirá seu mergulho dependerá muito disso, dessa bussola que lhe guiará entre os termos contraditórios de existir. E isto começa muito cedo, caso tenha sorte de nascer onde bons parâmetros são ensinados tudo fica mais fácil, mas nem sempre isso acontece. Há ocasiões onde se faz necessário usar o conteúdo que vem conosco, um guia pessoal de sanidade para sobreviver se possível dentro de situações de desequilíbrio situacional na estrutura do ambiente onde surgimos. Pois cá estamos imersos nessa surrealidade brutal, que faz brotar o desejo de retroceder no tempo, onde o mundo era mais amigável com o correto, e não abrigava de bom grado a insanidade. Vontade de brincar novamente com o barro da pracinha em obras e criar estruturas aleatórias obtidas através da memória dos quadrinhos que lia na ocasião. Escutar novamente a água da chuva bater e escorrer pela telha de zinco e sentir o cheiro de terra molhada que sempre precedia a chuva. Tempos difíceis, tempos adoráveis, numa mistura de sensações onde a diversificação de proposições corriam e se misturavam na multiplicidade das mais variadas circunstâncias eventuais. Onde hoje percebo que o homem não precisa de quase nada para ser feliz. Um teto para se abrigar, comida para se saciar, saúde e um leito para dormir, a sutil complexidade desses atributos oferecem tudo o que precisamos, Nas ruas, o bonde passando e triturando o vidro para o cerol das pipas, na igreja, aquele bolo gostoso nas quermesses costumeiras em datas especiais das igrejas. Não possuir nada e ter tudo ao mesmo tempo. Conflitos situacionais? Pois é, em tudo há problemas se resolvermos procurá-los. Está na natureza humana com sua característica curiosidade procurar com afinco uma tribulação para chamar de sua. Sem isso, a vida parece não ter graça, ser monótona e vazia de sentido. Para nós o contratempo sempre impulsiona o desejo, a vontade de ser e querer mais. Graças a isso evoluímos, da inocência escapamos e na turbulência comportamental buscamos o sucesso. Depois de um certo nível não tem mais como retroceder, você já se transformou em algo diferente, se incorporou a estrutura da insanidade, e por este perfil lutará sem arrependimentos até que vença ou seja derrotado. Você agora é apenas mais um no teatro de operações, cuide-se e respire essa atmosfera carregada de sentidos oblíquos e enganadores. Você terá de se alimentar disso e conseguir não a ela pertencer. A angústia proporcionará desassossego, mas procure transformar em placidez o medo que se oculta nos detalhes. O mais importante é pertencer a si mesmo, continuar no controle de sua vida, e se muitas vezes tiver de se vestir de palhaço para se adequar ao ambiente não se ressignifique apenas por isso, se a ocasião pede então ofereça o que você tem também de ilusão. A proposta está em se confundir com o ambiente, ser momentaneamente mais um deles para não ser como eles. Os imbecis gostam da liturgia padronizada da querência onde o gado sempre volta para pastar. Atribua-se nesse momento um volume de nostalgia para reviver naturalmente aquele cheiro de terra molhada onde uma inocência produziu memórias para toda uma vida. Ortega y Gasset afirma: “Ao nos percebermos e nos sentirmos, tomamos posse de nós mesmos, e esse estar sempre em posse de si mesmo, este assistir perpétuo e radical a tudo que fazemos e somos, diferencia o viver de tudo o mais”.


Porque tudo mais seria loucura, desequilíbrio e decrepitude situacional da própria existência. Não se perca na fantasia da artificialidade concreta da ocasião, a ilusão é um truque perspicaz do mal para capturar os incautos e desprevenidos. Deixe a sagacidade da perversão para quem a aprecia, Ortega y Gasset conclui: “O louco ao não se saber a si mesmo, não se pertence, foi expropriado; e expropriação; passar a posse alheia, é o que significam os velhos nomes da loucura: alienação, alienado; dizemos “está fora de si”, “já foi”, entende-se, de si mesmo; é um possuído, entende-se, possuído por outro”. Hoje temos muitos expropriados de si, pertencem ao outro ou outros, por política, religião ou afinidade de propósitos. Ao renunciar a si mesmo, a se coletivizar, o homem se transforma em massa e perde sua identidade original. A partir desse ponto passa a ser um objeto de manipulação para vários propósitos e é incapaz de oferecer um raciocínio plausível de contestação ao que se cria a partir dele. A mente coletiva está subjugada ao seu manipulador, ao administrador da massa, não há espaço e nem é aceitável o contraditório, a argumentação dialética. O feitor do grupo determina o destino de todos e como irão agir e se conduzir dentro da circunstância que parecer favorável e boa para o capataz, e não necessariamente para o grupo. O grupo pode ocasionalmente ser sacrificado por alguma causa interessante para o dono do rebanho humano. E apenas isso já indica que essa condição não é boa para o indivíduo. É realmente isso que você quer? Perder sua capacidade de decidir seu destino? Resgate suas memórias e tenha realmente saudade delas, de um tempo que você era livre, mesmo sendo tão dependente. Qual o motivo de se submeter a um cacique político e a ele prestar culto? Está devendo dinheiro a ele ou pertente lucrar com isso? A submissão cobra seu preço não se permita assumir esse papel aviltante.




Gerson Ferreira Filho.




Citação:


Lições de metafísica. José Ortega y Gasset, Vide Editorial.



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