sábado, 13 de setembro de 2025

A sintaxe da metáfora.

 

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A sintaxe da metáfora.



Entre desafios sociais e pesadelos comportamentais flui nesse momento a realidade, algo desandou, alguma coisa deu errado de forma geral na composição psicológica da realidade e assim se conseguiu incentivar o absurdo. Afinal, permitimos a infiltração ideológica na camada mais frágil, a juventude. A dissonância cognitiva se tornou abrangente, hoje qualquer raciocínio fora de uma cartilha vendida como verdade passou a ser insubstituível e quem estiver fora dela deve ser eliminado. Sim, extratores de almas e mestres do convencimento habitam escolas e universidades para esse fim. Se tornou possível matar sem arrependimentos, e até gerar satisfação com o ato. Isto se chama desumanização, um processo de dessensibilização com o próximo, onde não é permitido a discordância, a diversidade de pensamento, onde o rebanho tem a verdade. A verdade programada pelo tratador do curral. Sim, animaliza-se para obter controle. A mente humana é maleável, e na juventude está bem frágil para ser manipulada, pois o jovem vive uma tempestade hormonal que o desequilibra no momento das escolhas, e assim lhes oferecem o ódio. Este sentimento, o ódio, é fiel, abrangente e seus acessórios são a dedicação total ao seu alvo e exclusividade em seus propósitos. Nada é mais dedicado ao seu objetivo do que o ódio, ele faz seu portador ser um escravo do seu alvo. Coletivamente isto é algo extremamente perigoso, pode gerar justiçamentos, assassinatos, perseguições implacáveis e radicalismos extremados. O jovem radicalizado vira uma granada sem pino, algo que por qualquer descuido provoca uma tragédia. Não há nele um sistema de mediação ou ponderação de causa e efeito quanto a resultados possíveis. No capítulo aprofundamentos do Livro vermelho de Jung tem algo interessante: “É bom saberes que os demônios gostariam de instigá-lo para sua obra que não é a tua. E tu, estúpido, acreditas que seja tu mesmo, e que isso seja tua obra. Por que? Porque não consegues diferenciar-te de tua alma. Mas tu és diferente dela, não tem de promover a prostituição com outras almas, como se tu mesmo fosses uma alma, mas tu és uma pessoa impotente que precisa de toda a sua força para aproveitamento próprio”. Ao se deixar dominar por propostas invasivas e que reestruturam sua personalidade, você jovem, prostitui sua verdade guiado por “demônios” aqueles que o doutrinam de forma errada. Que o inserem numa realidade paralela onde o amor não possui espaço, onde a ponderação e a avaliação correta não existe. Tudo passa ser apenas ódio e destruição do diferente, daquilo que destoa da cartilha que instalaram criteriosamente no teu cérebro. O rancor e o ressentimento passam a ser rotina estabelecida para a execução de projetos violentos e desagregadores. Se faz necessário beneficiar a arquitetura e reconstruir a sintaxe da metáfora para eliminar a histeria programada no seu comportamento, a subordinação do ato tem de ter equivalência e correspondência com a textura metafórica da alma. A metáfora é uma transposição necessária ao processo figurado do comportamento humano. Processo impossível onde há apenas ódio. O ódio é simples, concentrado e sem recursos além da dedicação ao seu alvo escolhido, nele não há abrangência e diversificação, apenas foco.



Prosseguindo com a orientação de Carl Jung: “Por que olhas para os outros? O que vê neles, está negligenciando em ti. Deves ser o guarda diante da prisão da tua alma. Tu és o eunuco da tua alma, que a protege dos deuses e dos homens ou que protege os deuses e os homens dela. Ao homem fraco é dado o poder, um veneno que paralisa até mesmo os deuses, assim como à pequena abelha, muito inferior a ti em força, é dado um ferrão venenoso e doloroso”. Jung também definiu que o homem vive em dois mundos, o rico mundo do interior o da alma e o mais simplificado o do exterior. “Um demente vive aqui ou lá mas nunca aqui e lá”. O que seus “professores” lhes impuseram foi viver apenas aqui ou lá e nunca aqui e lá, eles transformaram vocês em dementes. Foi proposital, obedece a uma programação estipulada para um fim definido, desumanização doutrinária através de ideologia. Profissionais do campo psicologia e da linguística se envolveram nesse projeto, não foi obra de idiotas, o idiota é você que permitiu ser dominado e manipulado excluindo o que existe de melhor na humanidade. Previsível, pois na juventude, com raras e claras exceções, não existe intelectualidade suficiente para decompor todo esse sistema de falsas premissas e de claros contrastes com a lógica. Gatilhos dever ser construídos para se livrarem disso. Sempre se questione; isto que estão me oferecendo é verdade? Pesquise, leia a respeito de opiniões divergentes. Estude outras opções fora da programação rotineira oferecida, compare, analise dialeticamente e por fim, tome a decisão fundamentada em ponderação lógica. Aceitar, considerar como verdade qualquer coisa que lhes ofereçam geralmente não instrui, forma apenas fanáticos, A mentira repetida e trabalhada com sutileza vira uma falsa verdade, uma armadilha para despreparados. A estrutura gramatical da trapaça ideológica é sofisticada, nãos se enganem com dizeres bonitos e empolgantes, na maioria das vezes, vocês estarão sob efeito do discurso, envolvente, porém falso. Uma isca pertinaz para enganar incautos. Regimes totalitários e controladores são especialistas em discursos para excitar massas ignaras e de pouca cultura. Geralmente apelam para força do grupo, o coletivismo como escudo, que se for aceito, apenas vai transformar a todos num rebanho.



No fim, a verdade proporciona a liberdade, a verdade liberta, já devem ter escutado isso por aí, né? Apesar das contingências da vida o propósito tem de ser o correto, não adianta se entregar a subterfúgios e a estratégias semânticas de controle, se tudo for falso, não atingirá um bom objetivo, e apenas levará a um labirinto infinito de suposições falsas sem fim. Jordan Peterson o seu livro Nós que lutamos com Deus cita: “Em essência, ao estabelecer um pacto com o Único Deus Verdadeiro, Abrão jura viver na verdade. No início, ele não está, de modo algum à altura da tarefa; é, no melhor dos casos, um homem comum. Essa é uma ótima noticia para o restante de nós, que lutamos para direcionar o nosso propósito e organizar nossa vida, tendo em vista que também somos pessoas comuns. Apesar dessa trivialidade, Abrão decide correr o risco. Ele jura modificar seu propósito e aceitar, até mesmo acolher, tudo o que surgir em sua jornada ao longo do caminho da verdade. É preciso entender que essa é a aceitação da própria aventura. Por quê? Porque viver na verdade – agir de acordo com a verdade, enxergar a verdade, falar a verdade – significa aceitar as consequências que surgirem, em vez de virar o alvo da ilusão motivada pelo espírito da mentira. Esse acontecimento imprevisível(o que virá a seguir no mundo?) , decorrente da verdade, é exatamente a aventura da vida”. Bom, vocês que por acaso acessarem esse texto fiquem sabendo, eu escolhi ficar do lado dos que lutam com Deus ao seu lado, e você qual lado escolheu? A verdade ou a ilusão?



Gerson Ferreira Filho.



Citações:


O livro vermelho, Liber Novus. C.G. Jung. Editora Vozes.


Nós que lutamos com Deus. Percepções do Divino. Jordan B. Peterson. Alta Books Editora.


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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Oximoros dissonantes.

                                            

                                               

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Oximoros dissonantes.



E agora vamos conversar a respeito de surrealidades políticas de um tempo intratável quanto a lógica e as atitudes populares que não se acomodam apenas nesse armário contextual do tempo. Onde frivolidades ensandecidas afagam rotineiramente o cenário como se fosse uma espuma produzida por microelementos sobrenadantes na atmosfera impactada por loucuras violadas pela ousadia da vontade. E puramente por desejo de liberdade a massa protesta, mas para quem? Quem receberá o clamor das multidões? Hoje o que há é um deserto infame e cáustico de não conformidades associadas para cumprirem um propósito subjacente aos piores objetivos de uma lúcida loucura que lambe suas ocasiões no afã de ser conforto a tudo aquilo que é abjeto. Sinceramente, eu não tenho mais a mínima paciência com tudo isso, porém se faz necessário resenhar essa época para a posteridade. Será um serviço prestado ao conhecimento, exibir as tripas de um tempo que se esvaiu em indignidades coletivas por desvios de conduta profissional. Afinal, alguém no futuro tem de saber; se realmente esse futuro existir, como foram esses dias de submissão ao frenesi dialético onde o único tema admissível de discussão era a opinião oficial e nada mais. Um monólogo para multidões. E azar de quem resolvesse inferir no contexto uma dedução dissonante do que o poder desejaria. Não há sombra para oposição nesse lugar e momento, tudo se faz no sol escaldante tropical para corromper a materialidade e assim prevalecer a vontade de um seleto grupo que se posicionou no cume da sociedade. Se você não entende azar o seu, vão te estuprar ideologicamente assim mesmo, sem convencimento e some-se a isso a obrigatoriedade de agradecer. Charles Bukowski definiu: “A diferença entre a arte e a vida é que a arte é mais suportável” e também “Não existe nada tão chato quanto a verdade”. São nossos dilemas, temos de sublimar psicologicamente o momento para de forma artística enfrentar essa atmosfera inconveniente, para suportar a monotonia da verdade, concluindo; estamos todos ferrados. Ontem o povo protestou, mais uma vez, milhares foram para as ruas para solicitar justiça verdadeira, porém não há mais um receptor para essa transmissão. O eco viaja e não encontra quem o receba, todas as instituições que poderiam estar a favor , na verdade estão contra. Quando se protesta e se organiza para cobrar uma posição e obter uma resposta é exigível que do outro lado tenha alguém que receba essa demanda, se não houver, toda manifestação é inútil e nem deveria ter ocorrido. Neste cenário somos o João Batista pregando no deserto convocando para o arrependimento, no fim sobrará para nós comermos apenas gafanhotos e perder a cabeça no fio da espada para algum jagunço obediente. Inescrupulosos são todos os momentos sob os desígnios dos estúpidos. Compaixão e misericórdia são atributos de evolução espiritual, não há a mínima chance de encontrar essas coisas no meio de arrogantes onde o pedantismo aflora como um vazo sanitário entupido de dejetos. Eclodir algo infame apenas se trata de oportunidade fortuita dos gazes putrefatos do local. É assim que se constitui esse momento leitor de oportunidade, não se trata de exagero, mas de criteriosa abordagem de algo que mais parece um conto de horror de quinta categoria.



Nas cercanias dessa organizada loucura, temos de preservar um pouco de sanidade mental. Não pense em romantismo semântico nas entrelinhas dessa ocasião, estamos muito mais para o absurdo do que para o equilíbrio, fugaz é o momento onde se pode descansar a alma dentro de tudo isso, entre impropérios governamentais disparados aleatoriamente e que ricocheteiam no corpo esquálido da razão. A ignorância é um vazio absoluto, e do nada apenas sai o odor fétido de um vazio existencial que se torna predominante em todas as nossas ocasiões. Não sei exatamente se há resposta plausível para tudo isso, no ensaio da resenha sempre surge inesperadamente uma esperança vazia, uma penumbra flutuante que ousa oferecer algum conforto para uma alma que se equilibra a beira do abismo. Tradicionalmente o inesperado surge com soluções, costumam ser heterodoxas e invasivas. Mas o que exatamente poderemos desejar se nesse palco somos apenas os palhaços atribulados com suas piruetas tangenciando o risco de coisa pior? Nossa vida é uma contradição, que se adapta constantemente para obter lógica e permissão para a realidade e assim existir. Ser um oximoro não é confortável, e muito menos ajustado aos anseios pessoais de um existencialismo sólido, há plasticidade nesse contexto, e isso proporciona conflito permanente. A vida é um eterno tangenciar armadilhas. Ao roçar no risco o espírito adquire desempenho, experiência e coragem. Hoje o povo, em maioria, a camada que pensa e não depende de auxílios do governo, os que produzem riquezas querem uma solução. Encontraremos? Ou teremos de viver uma novela trágica de quinta categoria? Como somos brutos, acompanhamos as opções que se apresentam com desconfiança. Temos agora uma proposta da oligarquia para substituição do PT por um representante mais palatável, amigável para o grupo que domina este país tem mais de século. Mas acho que ninguém contou para eles que a esquerda trabalhou décadas para alcançar o poder que tem hoje, e eles não irão assim abrir mão desse poder completo para botar um sujeito do Centrão. Na presidência? Que não pertença ao Foro de São Paulo? De jeito nenhum, portando, ou é uma encenação para atribuir normalidade no processo, uma ilusão, ou há alguma carta na manga, e tem de ser muito poderosa. Entendam, foi permitido um aparelhamento completo de todas as instituições, eles hoje só entregam o poder se por algum milagre assim decidirem.



Assim flutuamos nesse oceano de hipóteses e propostas, não há bom prognostico e muito menos sensibilidade para proteger o povo do pior. O que vier será no atropelo, como tudo tem sido feito ultimamente. Não há razoabilidade nesse asfalto quente chamado Brasil, o que acontecer causará desconforto, Charles Bukowski também disse: “Quando os homens controlarem os governos, os homens não terão mais necessidade de governos; até lá nós estamos fodidos”. Então, é isso. Um eterno saltitar no chão quente com cuidado para não torrar os pés, e de alguma forma sobreviver a toda tragédia que se desenha no Horizonte perceptível do fundo do buraco onde nos encontramos.




Gerson Ferreira Filho.


Citação: Notas de um velho safado. Charles Bukowski. L&PM Editora.


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quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Paradoxos subliminares.

 

                                                         Image by Tumisu from Pixabay.



Paradoxos subliminares.




O homem está condenado a ser livre”.


Jean-Paul Sartre.



Estamos em época de conflitos comportamentais, não que se apenas por acaso estivéssemos fora disso em algum momento, pois, afinal, ser conteúdo de transformação dinâmica está no nosso perfil existencial. Por isso citei Sartre logo de início, pois embora fosse de opiniões políticas infames em filosofia foi grande. Não há como fugir de sua parte filosófica apesar da idiotice política. Como já citei em textos de minha autoria mais antigos, o processo político ideológico se situa no nível da religião, quem tem fé em um formato de sociedade morre nele, apesar de erros evidentes. Se trata de fé. Apenas com uma reforma interior muito particular se consegue transcender de um formato de convencimento para outro. Afinal o próprio Sartre determinou: “Corremos rumo a nós mesmos, e somos, por tal razão, o ser que jamais pode se alcançar”. Nesse infinito escalonado onde Jung definiu como o dinâmico subconsciente, vivemos sem perceber num oceano de hipóteses, cabe somente a nós escolher, definir o rumo, mesmo que seja inalcançável, mas tem de parecer plausível para a estabilidade de ser, de se pertencer e ocupar lugar dentro da realidade. Os contrastes e as contradições sempre existirão no complexo caminho, porém suprido de informação suficiente para o exercício intelectual, será possível navegar nesse ambiente psicológico de forma segura e confortável. Tudo passa a ser conteúdo, bagagem que atenda a qualquer necessidade e imprevisto. E portanto, a liberdade, mesmo alcançada com dificuldade e meios tortuosos é o nosso destino final, estamos condenados a isso como definiu o filósofo. Muito melhor do que ser um condenado a escravidão eterna, a ser submetido para sempre aos desejos e taras ideológicas de grupos de interesse submissos a infâmias e ao exclusivismo peculiar dos que se consideram superiores ao restante do povo. Porém, até o mal possui propósito na realidade, ele não é um acidente de percurso, ou uma inutilidade ocasional que surgiu do nada. Andrew Lobaczewdki define: “Os maus tempos não são apenas o mero resultado de uma regressão hedonista ao passado; eles possuem um propósito histórico a ser cumprido”. Temos de entender que nesse ambiente que ocupamos, o sofrimento tem finalidade regenerativa. Mesmo que de pronto não consigamos entender o objetivo, mas tudo tem sua razão de ser, obedece a um minucioso planejamento estrutural onde toda e qualquer possibilidade e evento já foi calculada para determinado fim. Lutar pela sobrevivência existencial cria os blocos que irão montar a estrutura da nova sociedade dentro de valores honestos e estáveis. A diferenciação se dará na reestruturação do caráter e da personalidade do indivíduo mergulhado nos problemas ocasionais que se apresentam para solução. Compreende a estrutura mental do adversário e nela penetra de forma ousada com valores e técnicas resgatadas de valores melhores do passado para costuras no tecido psicológico dessa gente que pertence ao mal e nem e dá conta disso. Como citado por Lobaczwski: “Tempos difíceis e trabalhosos dão origem a valores que finalmente conquistam o mal e produzem tempos melhores”. O mal não passa de uma condição histérica a ser resolvida, uma neurose e nesse vazio predominante que a situação lhes oferece, vivem para prejudicar o próximo como o alívio de um estertor sistemático que sibila impulsos aleatórios de sentimentos excludentes com relação a sociedade comum.



E assim, esse resgate de valores sociais legítimos e regeneradores só é possível pela parcela da sociedade não contaminada pelo discurso socializante e coletivista que impregnou o ensino básico e superior por décadas, o socialismo foi fruto de esquizofrenia, e como comportamento esquizoide se infiltrou na realidade produzindo um egotismo tenaz exacerbado nos seus próceres de característica proeminente na sociedade para fins de controle social. Qualquer uma pessoa normal já deve ter percebido com qual ferocidade essa gente defende seus valores distorcidos e deselegantes quanto ao desenho arquitetônico da realidade. A tradicional ladainha coletivista se repete e se preserva, apesar de todos os desastres óbvios produzidos através do tempo. Por mais que os resultados dos seus valores produzam tragédias eles continuam insistindo no mesmo método, por que? Porque é um processo esquizofrênico. Peter Jacob Frostrig, psiquiatra definia Carl Marx e Engels dessa maneira: “No entanto, se forem bem sucedidos em esconder sua personalidade por trás dos escritos, sua influência pode envenenar as mentes da sociedade em uma ampla escala e por longo tempo. A convicção de que Karl Marx seja o melhor exemplo disso é correta, visto que ele foi a figura mais conhecida desse tipo”. Prezados companheiros socialistas, vocês seguem as diretrizes de um esquizofrênico, não há logica nesse mundo, por isso, nunca dá certo. Nunca perceberam? Acredito que vocês também foram incorporados nesse problema psiquiátrico. Não só e apenas no campo social mas no econômico, as alternativas apresentadas são risíveis e completamente infantis para a gestão de Estados e países de forma geral. Grandes homens, Mises, Hayek, Milton Friedman , Hans-Hermann Hoppe, Thomas Sowell e muitos outros já desmoralizaram completamente essa metodologia política de manicômio. Não há lógica procedimental nesse conjunto de aberrações distribuídas como se fosse algo aceitável e de ação previsível quanto ao bom resultado. Apenas idiotas continuam acreditando nesses delírios ultrapassados e corrompidos na origem, pois se tratam de um raciocínio doente. Não há como oferecer credibilidade a quem se entrega a esses delírios irrealizáveis. Mas não podemos desconsiderar os paradoxos subliminares que essa geringonça ideológica causa na sociedade, afinal, nem todos tem capacidade intelectual para saber o quanto tudo isso é uma farsa de grande sucesso. Definição minha, presente em outros textos: “O socialismo é uma fraude intelectual de grande sucesso”. Pode se considerar de extraordinário sucesso, para ter capacidade de envolver tantos indivíduos pelo mundo e por tanto tempo. Bom, a quantidade de idiotas sempre foi enorme, temos de levar isso em consideração.



Nessas tradicionais reentrâncias ideológicas Hans-Herman Hoppe oferece o seguinte cenário específico de um regime socialista ou de influência coletivista: “Assim, caso se deseje subir a escada do regime socialista, é preciso recorrer a talentos políticos. Não é a capacidade de empreender, de trabalhar e de satisfazer as necessidades e os desejos dos consumidores que garante o sucesso. Ao invés disso, é por meio da persuasão, da demagogia e da intriga – bem como por meio de promessas, subornos e de ameaças – que se alcança o topo. É desnecessário dizer que essa politização da sociedade, implícita em qualquer sistema de propriedade coletiva, contribui ainda mais para o empobrecimento e a miséria”. Algo criado por um esquizofrênico jamais terá sucesso no mundo real, portanto, essa anomalia abrangente consome vidas e recursos na realidade que não consegue absorver toda essa insanidade que ainda é propagada por seres delirantes e incapazes de entender a realidade através dos desastres que provocam, no fim, Marx conseguiu multiplicar sua insanidade de forma abrangente e profunda entre os mais suscetíveis a mitos e lendas exóticos. Sartre diz: “o homem está condenado a ser livre”, em um tom melancólico, como se isso fosse ruim, mas isto é ótimo! Representa de forma sutil que embora os esforços dos loucos, continuaremos livres, e não condenados, mas sim destinados a liberdade.




Gerson S. Filho.



Citações:


O ser e o nada. Jean-Paul Sartre. Editora Vozes.


Ponerologia: psicopatas no poder. Andrew Lobaczewski. Vide Editorial.


Democracia, o Deus que falhou. Hans Hermann Hope. Mises Brasil Editora.



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quarta-feira, 27 de agosto de 2025

A unção dos degenerados.

 

                                                      Image by Stefan Keller from Pixabay. 




A unção dos degenerados.




Em alguns círculos de conversação existe o questionamento a respeito dos motivos por quais o ocidente incluindo nós aqui chegamos nesse ponto de descalabro comportamental e de aceitação do inadmissível de forma passiva e resignada como se tudo isso fosse apenas destino e não uma elaborada construção social com fins de reorganizar a sociedade como é hoje em algo supostamente melhor, melhor para poucos. O objetivo hoje se contém do oposto, o que pregam e disseminam não é exatamente como o discurso determina, há um efeito ilusório uma camuflagem mimética no contexto para distribuir insanidade revestida de responsabilidade e inclusão. Essa inexatidão intrínseca que habita o labirinto distópico das certezas erradas foi criado para domínio de massas. Profissionais elaboraram essa sopa abjeta de conceitos pervertidos, usando técnicas de domínio linguístico e psicológico para criar essa realidade infame que hoje se materializa nos infernizando, nós os poucos que ainda pensam com independência. Essa geração criada nesse ambiente se sente confortável, e assim em completa realização nesse pântano de abjeções indecorosas que se revestem de virtude para afetar uma presença aceitável e até nobre para os que a ela se agregaram. A perfídia aqui não passa de um requeijão no canapé que servem nessa festa. Nessas artimanhas se vê agora um termo, mais um criado para ocultar o que realmente é, “adultização”; aqui se fala de pedofilia, sem causar constrangimentos para pedófilos, hoje algo quase considerado um problema de saúde. Porque entre as taras em processo de normalização esse comportamento infame está em muitos degenerados com poder. A engenharia das palavras é usada para controle e contenção de danos como um contingenciamento de respostas sociais não desejadas por determinado grupo. Uma delinquência sutil que favorece os mais chegados em algum tipo de comportamento rejeitado pela sociedade normal. Devemos lembrar sempre que estamos lidando com gente se é que ainda podemos chamá-los assim, sem nenhuma ética ou escrúpulo que o valha para atenuar uma tenaz indignidade proposta ao meio social. Como Thomas Sowell definiu muito bem essa turma, esse conjunto de “iluminados” das trevas, são conhecidos como os Ungidos. Esse povo debate sem argumentos com termos como: “A dicotomia do “complexo” e do “simplista”, a retórica do “tudo ou nada, generalizações inócuas, alterar para o ponto de vista presumido, declarar direitos, realizar afirmações vagas com um ar de certeza e sofisticação”. E assim temos o ungido, ou o “escolhido”, o diferenciado conforme sua jactância sem nenhum traço de modéstia, mas nós sabemos que na bazófia mora a incompetência determinante. Com reduzido conteúdo intelectual, apenas ao que lhes foi oferecido por interesse de quem os criou, não possuem abrangência e diversificação de produto intelectual para um raciocínio lógico, ou não seriam com são. Não defenderiam o que defendem e também não se comportariam e viveriam como fazem os momentos de suas rotinas. Thomas Sowell prossegue da descrição do perfil comportamental dessa gente: “Um dos chavões mais recorrentes do ungido contemporâneo é “complexo”, geralmente dito com um senso de superioridade contra aqueles que discordam – estes últimos sendo taxados de “simplistas”. Trata-se de presunção de sabedoria, debater e argumentar sem argumentos para apresentar de fato. Se sentir superior sem possuir lastro intelectual para um detalhamento da ocorrência que se mostra e se apresenta para o debate.



Bom, como o filósofo Harry Frankfurt estabelece: “De fato. A estupidez não é, ou não é apenas o contrário da inteligência. Podemos ser inteligentes e muito estúpidos: para se convencer disso, basta colocar um intelectual qualquer num cargo político, ou incentivar um especialista de alguma coisa a se expressar sobre um assunto a respeito do qual ele não tem familiaridade. O que virá a seguir em seguida se chama bullshit”. Temos aqui na verdade a falácia da pós verdade, um artifício enganador para disfarçar a conhecida mentira. Essa unção carismática que envolve o “escolhido” lhe dá o perfil exato para envolver desavisados com sua lábia e presença marcante que seu comportamento arrogante lhe proporciona. Este detalhamento se faz necessário para que identifiquemos os estúpidos, porque segundo definiu Jacques Lacan, essa gente não é ignorante, um ignorante é um jarro vazio, um estúpido é um jarro cheio de convicções e certezas, na maioria, todas erradas. Mas esse conteúdo lhe oferece presunção de capacidade intelectual e portando, define seu perfil comportamental. Estes são os ungidos que nos comandam. Essa turma que alcançou funções de liderança na sociedade atual, no setor político e jurídico e claro também no financeiro, na verdade é o que provoca essa tragédia administrativa no país. Tudo porque utopias não se agregam muito bem com a realidade, são inassimiláveis. A realidade tem a característica de vomitar sonhos e devaneios políticos, ela prefere a tradição. Anomalias, corpos estranhos que ousam invadir o corpo do que é real tendem a serem combatidos pelo sistema imunológico da realidade. O comportamento destrutivo desses “iluminados” tem detalhamento por Thomas Sowell: “Para os ungidos, as tradições provavelmente são vistas como relíquias opressoras do pretérito, pertencentes a uma era menos iluminada e não como a experiência purificada de milhões que enfrentaram vicissitudes humanas parecidas no passado. Além do mais, a aplicabilidade de experiências passadas é ainda mais diminuída na visão dos ungidos, por conta das grandes mudanças que aconteceram desde “épocas mais simples”. Então, assim essa turma não considera a tradição, o conhecimento acumulado mas apenas aquilo que a cabeça deles produz ou recolheram no iluminismo base que surgiu na Europa no século XVIII e centrado na ciência e racionalidade e que desembocou em cabeças cortadas aos milhares. Hoje podemos considerar os ungidos como os novos degenerados do momento, pois o que começou lá atrás com René Descartes terminou em banho de sangue.



Assim temos um avanço no retrocesso, como um termo popular determina. Autoridades travestidas de engenheiros sociais desejam reconstruir a sociedade e estão em pleno trabalho. Escolhidos por eles mesmos, baseados na sabedoria dos seus sentimentos revolucionários não se sentem constrangidos de erguer o mais perfeito desastre social em curso, é para um bem maior dizem eles. Enquanto isso eles se premiam, se afagam, se elogiam constantemente num intenso ritual de legitimidade do inaceitável, aquele afago no ego colossal dos que se sentem superiores ao restante e portanto, decidem quem vai viver, ou não. A arrogância peculiar conseguiu até se desgastar no exterior e com isso hoje correm perigo de ver seu modo de vida afetado, pois lá fora, eles não estão no topo da cadeia alimentar, tem algo muito maior e com enormes dentes afiados como navalhas para retalhar prepotência como se fosse osso de frango. Ao invés de assumir a posição de inferioridade, se recusam a ver o risco, e tudo indica que vão entrar numa briga que não podem vencer. E este é apenas o sintoma principal de uma doença da alma dos que sorveram poder em demasia.




Gerson Ferreira Filho.


Citações:



Os ungidos. A fantasia das políticas sociais progressistas. Thomas Sowell LVM Editora.


A psicologia da estupidez. Jean-François Marmion. Editora Avis Rara.



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sábado, 16 de agosto de 2025

Nada.

 


                                                 Image by Vilius Kukanauskas from Pixabay.





Nada.



Detalhes, soluços do tempo onde tropeçamos ocasionalmente e assim tomamos conhecimento dessa vastidão de hipóteses que apenas serão despertas caso as importunemos com o interesse. O nada nos oferece o contexto, a circunstância tímida se apresenta para assim ser a base do procedimento, e com evasivas propositais impor seu sabor no cotidiano. Entenda, a luz do esclarecimento surge das reentrâncias ocasionais ocultas dentro do não ser. Que mesmo não sendo possui textura nas margens da vontade, essa ousadia implícita sem definição específica que impele e conduz os passos para um amanhã, que supostamente pode ser ou simplesmente se ausentar da possibilidade. Porque ser plausível não condiz com a determinação, tudo está retido na linha do tempo, no script pronto e nas urgências inquestionáveis do amanhã. Você pressente a ocorrência, teoriza a tendência, elabora o trajeto, acreditando estar no rumo, mas na verdade , desejos não possuem substância e poderão ser diluídos com uma impertinente realidade. Nossa estrutura existencial possui homeostase, essa programação que nos mantém coesos, definidos e funcionais dentro do ambiente que nos cabe ocupar. Então, da sopa química que originou o ser vivo até hoje as regras prosseguem. Eu sei, a tradição lhe ensinou algo as respeito de livre arbítrio, que você escolhe como e onde seu futuro acontecerá, lamento te desapontar, este trilho mental onde o colocaram se presta apenas a um conforto mental apropriado para que seja evitado algum desequilíbrio e proporcione uma liberdade ilusória confortável. Afinal, na ilusão se encontra nosso jardim de prioridades e pressentimentos. Termos um perfil poético, dentro de um imaginário fértil onde favorecem hipóteses em abundância como as gotas de uma chuva torrencial que cai oferecendo contato com as coisas do sentir. António Damásio tem uma interpretação desse cenário: “O “eu” e o “você” são identificados como componentes mentais e corporais. Não faz diferença, contanto que a conexão entre os eventos mentais e a fisiologia geral do corpo tenha sido firmemente estabelecida. O mundo pode ir até você, diz seu empreiteiro encarregado da consciência, porque seu organismo vivo – todo o organismo, não apenas o cérebro – é um palco aberto onde uma peça sem fim é encenada em seu benefício”. Estamos conectados com uma infinidade de vida que colabora para que nos tornemos plausíveis e estáveis. E no diminuto mundo de tudo que compõe o que somos nós e nele existem regras que ordenam desordenadamente a realidade como o movimento browniano, também chamado de aleatoriedade browniana, que descreve o movimento imprevisível de partículas. Flutuações térmicas influenciam na atividade. Sugiro pesquisar a respeito, e com desempenho quântico no comportamento. Aqui o principio da incerteza de Heisenberg de aplica completamente. E este princípio determina que não podemos saber exatamente onde uma partícula está e qual sua velocidade ao mesmo tempo. Alguns detalhes relatados por outro autor Robert M. Sapolsky se refere a nossa base cerebral: “Um grupo aleatório de neurônios, estranhos perfeitos flutuando num béquer se forma espontaneamente para começara construir um cérebro”. E avança no tema: “O que essa viagem mostrou? A) De moléculas a populações de organismos, sistemas biológicos geram complexidade e otimização equiparáveis ao que cientistas da computação, matemáticos e planejadores urbanos conseguem alcançar ( e de onde roboticistas tomam explicitamente emprestadas de insetos estratégias de inteligência de exame). B) Esses sistemas adaptativos emergem de simples elementos constitutivos que têm interações locais, tudo sem autoridade centralizada, sem comparações explícitas para tomar decisões, sem plano e sem planejador”. Diante de toda essa complexidade explícita você realmente acredita que decide alguma coisa?



Não se iluda, você não está no comando, você provavelmente pelas evidências daquilo que o constitui apenas reage ao ambiente no qual foi colocado com algum propósito. Neurocientistas renomados afirmam isso. Mas sim, é uma delícia acreditar que nós estamos na liderança, que definimos o amanhã de forma inquestionável e estável. Dá um teor de estabilidade revigorante pensar que você define seu fim, que tudo está sob controle e não há risco no horizonte visível. O mundo funciona melhor, o ser humano sempre foi assim, tudo corre bem se os parâmetros são estabelecidos para controle e a maioria vive dentro dele, de civilizações antigas até hoje, a coisa flui assim. A textura da realidade também é constituída dos inexplicáveis entrelaçamentos quânticos e de toda aleatoriedade das menores partículas possíveis e estas de forma inusitada parecem ter vontade própria e oferecer tomadas de decisão diferenciadas quando são observadas ou não. Nesse mundo praticante mágico distâncias são irrelevantes, o deslocamento é instantâneo quanto a decisões e alterações. Existe um emaranhamento, um entrelaçamento o que define alterações simultâneas, mesmo que um dos elementos esteja do outro lado do universo. Verdades insuperáveis pairam perante nossa compreensão tacanha, e uma realidade acaba se apresentando, somos máquinas biológicas cheias de componentes vivos para um funcionamento coerente e viável dentro desse plano existencial que ocupamos, tudo isso deve ter um propósito, sempre tem, e o espectro do livre arbítrio é o toque que sensibiliza a máquina para que tenhamos uma vida a qual consideramos humana. O autor Sapolsky cita o filósofo Robert Bichop do Wheton College: “Ele acredita que a perspectiva consoladora que oferece é o único jeito de qualquer um de nós manter uma perspectiva saudável e afirmativa da vida e permanecer engajado nesta de maneira significativa. A vida vivida “como se” vista através das lentes coloridas do livre arbítrio”. Somos máquinas biológicas humanizadas por um detalhe fortuito que foi inserido na nossa realidade, mas o autor prossegue: “Mas “aguente firme, não existe livre arbítrio” não é nem de longe a questão. Talvez você fique um pouco desalentado ao perceber que parte do seu sucesso na vida se deve ao fato de ter um rosto atraente. Ou que sua louvável autodisciplina tem tudo a ver com a forma como seu córtex foi construído quando você era um feto. Que alguém ama você por causa, digamos, da maneira como os receptores de oxitocina desse alguém funcionam. Que você e outras máquinas não têm significado”.



Significar a vida se torna propósito de estabilidade mental numa realidade que a neurociência descobre. Na fria mesa da ciência descobrimos que somos máquinas biológicas, resta agora entender tudo isso, todo esse contexto multidisciplinar e complexo onde estamos para entender o motivo, o propósito de estarmos aqui e com qual finalidade. Por isso dei o título desse texto de nada, porque o nada está em nós, e todos nós estamos nele e nesse nada mora nossa necessidade de pertencimento ao mundo real. Recomendo a quem se interessar no tema os autores citados. Vou colocar abaixo do texto como sempre a citação dos livros. Ciência no mais alto nível para enriquecimento cultural.




Gerson Ferreira Filho.




Citações:



Sentir e saber. António Damásio. Companhia das Letras.



Determinados. Robert M. Sapolsky. Companhia da Letras.



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domingo, 10 de agosto de 2025

A expectativa como método de controle.

 

                                                       Image by Gerd Altmann from Pixabay. 




A expectativa como método de controle.




Amigos, não poderia deixar de abordar esse novo modismo, não tão novo assim de criar artifícios e alimentar esperanças sem uma base sólida de resultado futuro. Hoje tem gente se esbaldando em dinheiro graças a esse método perverso de lidar com o público-alvo e lhe tirar dinheiro com curtidas e visibilidade em redes sociais. Vivemos um festival de certezas que nunca se completam, e quando se completam já não existe ímpeto físico para aproveitar em plenitude o momento pois toda energia foi consumida em masturbação psicológica de grande intensidade. Muitos não percebem mas quando e se o alvo da expectativa se cumpre, existe uma bruma de perplexidade, quase uma ausência de vida, pois o circuito se rompeu, não haverá mais para aquele assunto um novo dia de promessas e de prognósticos. O método vicia e o público necessita do pregoeiro de porta de loja de comércio popular gritando novidades em promoção na loja de ilusões. Olhem! Vai acontecer! Mais 72 horas, ouvi dizer que será amanhã, tenho informações privilegiadas, me encontrei com uma autoridade e ela me confirmou que está próximo! E assim prossegue a aplicação e entrega de mais uma dose do entorpecente diário para um público dependente de promessas. Pensam que há escrúpulos em poupar o público desse consumo? Nada! Nenhum! Se dá dinheiro, lucro é o que interessa. Ao não produzir de fato reportagens bem elaboradas com conteúdo investigativo e de análise de contexto político, tudo vira um carnaval de promessas ainda em alguns casos bem distantes de se cumprir, se é que realmente se cumprirão, criaram até um termo específico para a ação: Tic Tac. Algo como o som de um relógio ou cronômetro avançando para um momento futuro que deveria ser breve. Eu particularmente não tenho paciência para esses truques baratos e sem criatividade que se repetem para iludir. Que fique registrado: no pior momento do país existiram os que arrumaram uma maneira de ganhar muito dinheiro com o desespero e desilusão. Afinal, nesse carnaval de suposições que funciona como distração os acordos são realizados, os arranjos que irão de alguma forma preservar os mesmos de sempre no cenário político. Não existe emprego melhor do que o de Senador ou Deputado Federal, talvez no alto escalão do judiciário, mas entrar nesse seleto grupo é muito mais difícil. Salário alto, verbas de gabinete enormes, vantagens do cargo que ocupa e por ai vai. Nessa miscelânea infame vai no bojo o povo, direcionado sempre para opção errada. O mais grave em toda essa manipulação política e midiática é a destruição do interior do psíquico das pessoas, que se sentem desnorteadas com tanta pressão por algo que necessitam mas nunca se cumpre verdadeiramente.



Os danos causados por tudo isso interferem na estrutura do corpo e da alma, Jorge Ponciano Ribeiro oferece uma explicação interessante: “Corpo e alma. Alma e corpo. Corpo-Alma. Se deixarmos que essa combinação de níveis de contato penetre o nosso ser, seremos transportados para dimensões completamente diferentes. O ser pessoa é constituído por essas dimensões, ora atuando uma, ora atuando outra. Quando olho meu corpo, não tenho a dimensão do que estou vendo. É como olhar a lua e ver apenas luminosidade e beleza ou olhar o sol e ver apenas calor. O corpo transcende tudo a que temos chamado de corporeidade. Por corporeidade, entendemos mais do que uma percepção cognitiva ou emocional do que um corpo pode ser”. Somos complexos estruturalmente um conjunto de circunstâncias que precisam de equilíbrio para que funcione bem e de forma saudável. Essa agitação provocada por oportunistas, um oba oba sem muito critério com relação ao respeito devido ao público, e enquanto isso o presidente anterior foi preso, claro domiciliar, mas ainda assim preso, retirado de circulação e protestos verdadeiros e contundentes não existem. A sociedade de forma geral não parou, não se sensibilizou a ponto de realmente parar o país. Nada de novo no cenário, onde a passividade natural do brasileiro se impõe naturalmente como sempre, segue a vida. O brasileiro possui mecanismo de proteção psicológica fantástico. Ele se aliena e vai para o bar tomar uma cervejinha gelada e que se dane todo resto. O brasileiro está ambientado na loucura, portanto, vai ser difícil uma correção de rumo político aqui. Com um ambiente desses, claro, a turma que governa exagerou, e assim estão enrolados com direitos humanos em nível internacional, descuidos de quem possui poder demais, indevido é claro. E uma constrangedora proteção oferecida a carteis criminosos por meio de legislação indulgente. Estes desvios de elite também são o resultado do desequilíbrio social proporcionado por ideologia, onde valores naturais são descartados para se obter algo supostamente mais “evoluído”. Essa evolução significa desastre social e assim estamos na mira de legislação internacional que coíbe exageros personalizados por pessoas que usurpam todo o poder estabelecido. Tudo indica que vai acabar muito mal para essa gente que acreditava ser inatingível, a coisa escalonou de forma abrangente e o país está no noticiário internacional como um regime que viola direitos humanos. Como vai acabar isso? O iluminismo da nova era parece que irá para o ralo da história. O que esse “iluminados” não percebem, não possuem conteúdo cultural para isso, é o espaço tempo onde eles também estão inseridos. O aqui e agora não é fácil como explica Jorge Ponciano: “Somos simultaneamente, espaciais e temporais; contudo, em cada um de nós, tempo e espaço funcionam ora separados ora juntos, produzindo processos e, às vezes sintomas completamente diferentes. Estar presente no tempo e no espaço ou no espaço tempo demanda encontros diferentes”. Já escutaram o aforismo: “O todo é maior que a soma das partes?”. Os detalhes que as partes possuem fazem volume e portanto como se trata de um volume, algo novo que a simples soma não consegue detectar pois está no campo da forma, a Gestalt, se trata de filosofia, metafísica e apesar dessa característica faz parte do todo.



Complicado? Porém decisivo estruturalmente e definidor daquilo que condicionamos e apelidamos como destino. Toda essa invasão mental proporcionada pelo cenário político manipulado por oportunistas e aproveitadores causam um sério distúrbio no equilíbrio individual em cada pessoa que fica exposta a toda carga e manobra da retórica definida por especialistas em ilusão e distribuição de falsas esperanças. Como cita Ángeles Martín: “Cada pessoa tem seu espaço vital dentro do qual, e dependendo do momento, pode receber ou abrir-se a determinadas pessoas; mas ninguém deve invadir este espaço. Se isso acontece, sentimo-nos ameaçados em nossa integridade e individualidade”. Ao invadir esse espaço vital com propostas e expectativas, temos um método de controle, e isso agride o indivíduo, criando resistência e ou passividade que pode mergulhar a pessoa em alienação e falta de interesse completo pelo que acontece no cenário que o cerca. De certa forma isto implica assim em desumanização coletiva partindo como princípio o contexto individual, algo como socialismo. Sim, as técnicas de domínio de massa são semelhantes, supostos conservadores também utilizam metodologia de esquerda. O método foi espelhado por ser de interesse de todos os grupos dominar o conjunto que tenham sob controle ideológico. Enfim, preserve-se e não creia em qualquer coisa, em discursos e promessas, se afaste de geradores de expectativas, viva mais leve e não se desgaste com discussões que não pertencem ao mundo real. Porque os pregoeiros do apocalipse estão na praça a séculos e a humanidade continua aqui.




Gerson Ferreira Filho.



Citações:


Vade-Mécum de Gestalt Terapia. Jorge Ponciano Ribeiro. Summus Editorial.



Manual prático de psicoterapia Gestalt. Ángeles Martín, Editora Vozes.




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domingo, 3 de agosto de 2025

Os parâmetros existenciais.

 

                                                     Image by Gerd Altmann from Pixabay.



Os parâmetros existenciais.





A dúvida, nossa eterna companheira, onde nossos argumentos colidem e se enfrentam todo dia com a realidade, com a ilusão, e com toda proposta aleatória de ajuste que se faça na textura da vida. O espaço conta, o momento a ocasião, aquilo que apenas existe no agora, pois fora dele apenas se obtém memórias e futuras suposições. A vida é o hoje, o ontem não existe mais virou registro e o amanhã mora no intangível, apenas um prognóstico. Estamos agora registrando essa conversa para que e quando tudo isso for ontem tenhamos um amanhã mais promissor. Afinal, como criaturas presas no espaço tempo assim gerenciamos os eventos, as tantas circunstâncias que ocasionalmente a nós se apresentam nesse tecido que nos sustenta na realidade que foi oferecida a todos nós. Um pouco de suplício, um tanto de prazer e há os que encontram prazer no suplício e dor no bem-querer. Somos diversos, controversos e normalmente o conflito se torna nosso combustível principal para a evolução. Alguns autores importantes abordaram esse tema e criaram até uma dialética, um método filosófico que através do confronto de ideias procura sintetizar e diluir o conflito permanente que nos acomoda nessa contradição da frugalidade que nos impuseram nessa lacuna de tempo oferecida ocasionalmente que aproveitamos sem parcimônia e sem a exata noção de quanto pode ter um fim. Vamos mergulhar em um desses métodos o de Theodor Adorno, A dialética do esclarecimento. Este texto não será fácil e será longo, com muitas citações, pois de espaço precisamos para reflexão. Afinal, meu projeto pessoal é esse apresentar novos conceitos, tornar o desconhecido, conhecido para todo aquele que não teve a oportunidade e ser apresentado a diversidade conceitual que existe. E que se faça proveito ou não, da oportunidade que ofereço. Para iniciar a conversa temos: “A infatigável autodestruição do esclarecimento força o pensamento a recusar o último vestígio de inocência em face dos costumes e das tendências do espírito da época. Se a opinião pública atingiu um estado em que o pensamento inevitavelmente se converte e mercadoria e a linguagem, em seu esclarecimento, então a tentativa de pôr a nu semelhante depravação tem de recusar lealdade às convenções linguísticas e conceituais em vigor, antes que suas consequências para a história universal frustrem completamente essa tentativa”. A infatigável busca por autodestruição filosófica da humanidade a leva para caminhos escuros e sem definição exata de contexto que se volatiliza em afirmações fora de contexto para impor vontades particulares ao conjunto social que se adapta ao discurso de ocasião. Tornando abordagens e temas proibitivos para uso público onde se deveria ter análise e contextualização de algum propósito digno de se fazer notado. Proíbe-se temas e atributos são manipulados para gerar o falso entendimento, a clausura utópica que irá dessa forma abrigar o subconsciente da população, assim e então dependente de ajuda externa para seus conflitos particulares. Dependência psicológica sem indulgência obsequiosa para obter mansidão a qualquer tipo de pauta aplicada que venha atender os anseios de uma minoria revestida de arrogância comportamental em relação aos seus semelhantes. Existem planos e projetos para construção de um futuro apenas para os “especiais” que por mérito, nem sempre e muito mais por política, alcançaram protagonismo na realidade. Sem serem explícitos aplicam uma censura social disfarçada subliminar, hoje apelidada de progressismo, para eliminar do contexto a diversidade de opinião e vontades. A cultura funciona como um massificador de opiniões onde se molda a percepção com ares de esclarecimento incutindo a vulgaridade como proposta aceitável na sociedade. Entendam progressismo como permissividade, você aceitará o inaceitável com o nome de cultura Woke apenas para se sentir incluído socialmente nessa proposta, ou será alijado da realidade.



E de permissão cultural em permissão cultural você estará acorrentado e de focinheira, adestrado para viver fora dos seus reais padrões de vida. Hoje, o cinema, a televisão e mesmo a literatura está contaminada completamente por esses valores que irão conduzir a um estilo de vida degradado e sem nenhuma ética com relação aos reais padrões de civilização. Adorno cita: “O processo ao que se submete um texto literário, se não na previsão automática se seu produtor, ao menos pelo corpo de leitores, editores, redatores e ghost-writers dentro e fora do escritório da editora, é muito mais minucioso que qualquer censura”. A coisa funciona desse jeito, ou o próprio autor se censura ou qualquer outro membro do circuito por onde a obra literária irá passar censura o conteúdo intelectual que será apresentado. Entenderam o porquê meus livros são diferentes e os produzo de forma independente? Eles reproduzem o que eu quero dizer e não uma versão pasteurizada da minha ideia, pode até parecer agressivo, mas é a realidade. Se trata hoje de uma proibição institucional de certos temas “sensíveis” a um público já adestrado e que o poder quer que continue assim. Falar a verdade causa constrangimento numa sociedade de animais castrados e controlados, se torna anátema intolerável apresentar a versão real dos fatos. O mal estar com a apresentação da realidade é indisfarçável no conjunto social atual. Theodor Adorno prossegue: “Assim como a proibição sempre abriu as portas para um produto mais tóxico ainda, assim também o cerceamento da imaginação teórica preparou o caminho para o desvario político. E mesmo quando as pessoas ainda não sucumbiram a ele, elas se veem privadas dos meios de resistência pelos mecanismos de censura, tanto os externos quanto os implantados dentro delas próprias”. Povos criados, nutridos, cevados em pura distopia progressista Woke tendem a se policiar contra possíveis violações de comportamento assim criando uma prisão mental da qual nem percebem mais com o decorrer do tempo, a infâmia passa a ser completamente normal e o ciclo de domesticação humana está completo. A esperança, neste momento já foi assassinada e descartada, o que existe apenas é uma anomalia sistêmica comportamental degradante e decadente do jeito viver. E o detalhe sórdido, imperceptível para a maioria. Voltando mais uma vez ao livro: “O que está em questão não é a cultura como valor, como pensam os críticos da civilização Huxley, Jaspers, Ortega y Gasset e outros. A questão é que o esclarecimento tem de tomar consciência de si mesmo, se os homens não devem ser completamente traídos. Não se trata de conservação do passado, mas de resgatar a esperança passada”.



Vivemos assim um hoje cheio de medos de imprudências e de preferências ditatoriais, o meu regime de força é o correto, é o ideal: também mata, também persegue, também pende mas é pela minha boa causa. E se é uma causa minha só pode ser a correta, justo! Não há controvérsia, estamos num ringue onde loucos se matam. Não há mais equilíbrio e algum parâmetro existencial civilizado, tudo é força e intimidação. Existe um evidente cheiro de colapso de civilização no ar, quando acontecerá ainda não se sabe, mas os indícios gritam na atmosfera. Precisamos de um modelo, teremos? E para finalizar as citações: “Mesmo que o formalismo da razão a impeça de proporcionar à humanidade um modelo necessário, ela tem de sobra a ideologia mentirosa a vantagem da factualidade. Os culpados, eis ai a doutrina de Nietzche, são os fracos, eles iludem com sua astúcia a lei natural. O grande perigo para os homens são os indivíduos doentios, não os maus, não os predadores. São os desgraçados, os vencidos, os destruídos de antemão – são eles, são os fracos que mais solapam a vida entre os homens, que envenenam e colocam em questão da maneira mais perigosa nosso confiança na vida e nos homens”. Bom companheiros depois dessa citação de Nietzche por Adorno nada mais precisa ser mencionado, estamos nesse agora sendo governados por fracos, incompetentes e covardes, e sendo assim nada mais resta a não ser um fio de esperança que toda essa gente cometa um erro fatal alimentado por toda ignorância e fraqueza que os cercam.



Gerson Ferreira Filho.


Citação:


Dialética do esclarecimento. Adorno e Horkheimer. Zahar Editora.


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