quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Inevitável.





Meu propósito é aquele passo adiante.
Onde quer que este sol se ponha,
Onde quer que este sol se levante.

Sendo assim se houver dúvida relevante;
Despirei minhas memórias eu teu favor.
Não ocultarei de ti nenhum impulso.

Porque ainda teus abraços me aquecem.
Porque todos os beijos ainda clamam,
Entre meus lábios que nunca esquecem.

Então segui procurando na tua ausência
As medidas das distâncias do amanhã.
Ainda que tudo seja apenas simples sonho.

Pois criando a expectativa imponderável;
Há de se tentar sempre uma alternativa.
Mesmo sendo o destino certo e inevitável.

Gerson F. Filho.

sábado, 23 de outubro de 2010

Sempre.





Ainda que viaje, vento:
Vá ventando e carregando
Essa esperança.

Ainda que e apesar
De tanto pesar penso.
Tenso no momento insano.

E se mesmo assim
Ainda sonhar sozinho.
Serei o elo que resistiu.

O suor derradeiro.
Aquele que sorriu feliz
Quando o portão ruiu.

Porque fui o último.
Porque serei o primeiro.
A ver o inimigo sob o medo.

Da luz que cega,
Da verdade que liberta,
Deste amor que me ungiu.


Gerson F. Filho.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Por estes dias.





Por estes dias.



Eu preciso,
Que tu me notes.
Que o sol surja
Só para mim.

Por estes dias,

Eu gostaria,
De sair da sombra,
De ser o objeto
Da tua compra,
Ser isso assim.


Sim! Nestes dias,

Não gostaria,
De ser tanta solidão.
Ou ser esse tanto
De silêncio.


Atenção um pouco
Enfim.
Poeira suspensa no ar,
Sombras
Que bordam o jardim
Teus lábios
E o fim.


Gerson F. Filho.

sábado, 9 de outubro de 2010

Em tese.




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Em tese.

Desvencilhe-se do cabresto.
Existe vida fora da trilha,
Vive lá fora outro conceito.
Livre-se dessa armadilha.

Teus ídolos são somente isso.
Filósofos da completa asneira,
Cabeças sem compromisso.
No tempo, eles viraram poeira.

Não existe perfil sem boa luta.
Nada se consegue sem disputa,
Natureza a plena competição.

E ainda se o nada existisse,
O ninguém não seria fetiche.
Haveria a tese como emoção.

Gerson F. Filho.

domingo, 26 de setembro de 2010

Saneamento básico.




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Vala negra e promessas.
Ainda não bastou uma década?
Solicitam mais sob o sol.

Será potável o que todos têm?
Ou só propaganda que convém?
Brigam as bactérias cínicas!

Clínicas transbordam gente.

Perene, a pobreza do povo.


Gerson F. Filho.

Época venenosa.



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Desonestos são meus instintos.
Que insistem que eu seja correto!
Embora eu só veja corrupção.

Soa a flauta triste em seu silvo,
Mas eu não ouvi bem aquilo.
Terá sido o riso do escorpião?

Tempos dissimulados estes.

Termos mentirosos aqueles.

Gerson F. Filho.

domingo, 19 de setembro de 2010

Além do limite.





Atiça-me com teus desejos.
Faça desse olhar o convite.
Abriga-me entre teus joelhos,
Creia que nada mais existe.

Não será o tempo um limite.
Das estrelas virão lampejos,
Atiça-me com teus desejos.
Faça desse olhar o convite.

Ousadia não será um palpite,
Entre tantos tensos beijos
Nosso clamor não desiste.
Amemo-nos como eleitos,
Atiça-me com teus desejos.


Gerson F. Filho.