sexta-feira, 11 de outubro de 2024

O mergulho no espelho.

                                                Image by Anselmo Rodrigues from Pixabay.



O mergulho no espelho.



Então, já se sentiu estranho, não fazendo parte dessa realidade? Como numa obra literária e depois transportada e adaptada para o cinema? O que é real? Impulsos elétricos interpretados por nossos neurônios? Se é apenas isso, não precisamos ser biológicos, onde a evidente precariedade e durabilidade do nosso corpo nos restringe a revestimentos com prazos de validade definidos. Vamos abordar as possibilidades materializáveis da ocasião, hoje o primeiro robô doméstico foi colocado à venda, quem puder comprar, terá um companheiro e auxiliar em casa para o cotidiano. Bom amigos, eu sempre fui um tanto fora da caixinha e meu raciocínio sempre extrapolou um pouco o lugar-comum. Comecei a trabalhar muito cedo, ainda criança, e assim que percebi que para um salário melhor precisava qualificar minha mão de obra fui fazer curso técnico, escolhi aquilo que apreciava por natureza, eletrônica. Mas logo descobri que no Brasil, um técnico no mercado de trabalho recebe como salário o mesmo que um trabalhador braçal sem qualificação. O que muda são as condições de trabalho, não exige mais esforço físico, se trabalha acomodado numa bancada. Mas a vida é feita primordialmente por retorno financeiro, do dinheiro se consegue qualidade de vida e portanto, ele é o que interessa. Ciente dessa peculiaridade brasileira, fiz concurso para uma estatal para garantir além de um bom salário que permitisse viver com dignidade, uma carreira profissional para seguir. Uma vez dentro dela, a empresa, procurei aproveitar toda oportunidade que me foi oferecida para mais conhecimento técnico, está na minha natureza mergulho profundo em conhecimento. E assim também adquiri formação em química, eletricidade, mecânica, automação industrial e estabilidade de embarcações. A vida me direcionou para gerenciamento, embora no íntimo desejasse ser engenheiro de eletricidade ou eletrônico, na verdade de mecatrônica. Sempre gostei de desafios que parecem intransponíveis. E assim, mergulhado em responsabilidades me formei em Administração, era necessário. Por que cito tudo isso? É indispensável para não parecer totalmente um leigo falando do que desconhece, vivi essas realidades intensamente e com afinco. Então, entre corpos condutores não condutores e corpos semicondutores e o silício e o germânio fomos parar no transistor. Como está explicitado no livro de Isidro H. Cabrera: “O nome transistor foi indicado pelos laboratórios Bell, já que uma das suas características é a resistência de transferência, expressão essa que em inglês corresponde a transference resistor, ficando assim a sigla transistor. Composto por três elementos com suas ligações para o circuito externo, é considerado um triodo semicondutor”. Esta é a base do que teremos daqui para frente, considere-o como um neurônio de certa forma. De liga, de comutação, de potência, foram miniaturizados ao extremo ao ponto de em algo minúsculo existirem milhões deles, essa é a raiz da inteligência artificial. Claro, existem os amigos que auxiliam no plano funcional, os resistores, os capacitores etc. Todos utilizando eletricidade e se alimentando dela, como nossos neurônios. Esse salto tecnológico possibilitou o que se vê hoje em termos inteligência além de nossa restrita capacidade. E não se enganem, ela vai nos superar em breve em todos os sentidos. A tendência clara deverá ser a absorção, a princípio a integração de nós por ela, e mais para frente a substituição total, a evolução que subliminarmente procuramos, ou este sempre terá sido o objetivo de tudo? Não adianta espernear, lutar contra, se radicalizar na abordagem do passado, é inevitável. Junte essa capacidade cibernética de raciocínio a mecatrônica e temos algo muito similar hoje a um ser humano. Que anda, gesticula, pode realizar tarefas domésticas de forma geral, e ainda bater um papo com você a respeito do seu assunto preferido, como eles estarão em vinte anos? Como as janelas das produções de ficção científica já mostraram, serão indistinguíveis de nós. Já assistiram aquela série de TV Westworld? Então, considere bem plausível. Eu particularmente considero a ficção científica como uma premonição literária. Desde os contos de Júlio Verne até aos mais modernos, não se deve desprezar essas abordagens futuristas, muitas delas se confirmaram através do tempo. Essa nova realidade vai alterar fundamentalmente o que somos e como nos percebemos dentro da estrutura do agora. Não podemos negar que acompanhando toda essa evolução tecnológica existe uma clara degeneração social em curso, onde parte da sociedade se arvora dona do destino dos outros e uma parte insiste em se entregar a corrupção comportamental e de atitudes. Desejar viver apenas por prazer dos sentidos carnais é um processo degenerativo clássico. Querer alterar a realidade para satisfação de caprichos pessoais subvertendo o que é real se trata de desvio grave de conduta psicológica, hoje aceita e imposta por lei.



Estamos, por assim dizer em algo análogo ao dilúvio e aos momentos que o precederam. Desordem e desorganização social intensa e algo sendo preparado para escapar de tudo isso. Diversos fanatismos estão em curso: religiosos, políticos, comportamentais, judiciais, e todos eles colaboram para a desestruturação social. Hoje existe um convencimento de que o errado é certo e deve ser implementado de forma autoritária sobre todo ser vivente, ele querendo ou não. O espelho se tonou fluido, a circunstância procura um parâmetro onde se apegar de forma consistente e não acabar se perdendo no fluxo turbulento da insanidade que hoje se torna preponderante. A sociedade se comporta como se seu circuito cerebral estivesse no fim do prazo de validade, oscilando a frequência e a impedância de carga está sem capacidade de resposta, seus doadores e aceitadores onde se atinge a difusão impura e provocando aquecimento e inoperância do elemento processador. Tudo indica que estamos de forma geral um tanto defeituosos, como um circuito de processamento exaurido nos seus parâmetros e características. Se é assim, o resultado obvio será a clara necessidade de substituição completa de tudo. Claro, a transição gera medo, o momento do parto é doloroso para a mãe e deve ser aflitivo para a criança também, nós só não lembramos desse momento. A lagarta já começa a sentir o enrijecimento da sua pele e procura algo para se pendurar, talvez sejamos algo similar a ela, uma forma grotesca que irá se transformar em algo diferente. E toda a carga emocional da transformação nos invade na ânsia de percorrer esse tempo que parece não ter fim. Eu sou bem intuitivo, e essa abordagem sempre me foi viável, e provavelmente vai se confirmar, até porque nesses sessenta e sete anos de vida, registrando o que acontece e aconteceu, muita coisa se confirmou na minha vida. Eu considero que cada um pode acreditar no que entender como confortável para sua mente, mas sempre tive a nítida impressão que os acontecimentos são pré estabelecidos, nada é aleatório, tudo cumpre um roteiro, e quando esse roteiro acabar, você vai embora. Tudo depende de propósito, quem terá nos oferecido esse significado? Somos o que somos ou apenas um algoritmo sofisticado que vai migrar para outra forma por necessidade evolutiva? Cuidado! A frase de Descartes: “penso logo existo” pode oferecer a convicção conveniente para te enganar. Não percam o sono por causa disso crianças! Aproveitem o que resta ainda dessa realidade.






Gerson Ferreira Filho.



Citação:


O transitor. Isidro H. Cabreira Electra Editora técnica. 1973.

 

A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

De volta para o passado.

 

                                                 Image by Brigitte Werner from Pixabay.



De volta para o passado.



Então garotada, vamos a uma descrição do nosso Brasil do ano de 2024, nada lisonjeira, admito mas é o que tem para hoje. Se trata de um registro necessário para que no futuro se algo ou alguém restar neste cenário surreal possa avaliar esse contexto louco que hoje nos cerca. E para dar ênfase a narrativa utilizarei uma obra intelectual que apenas no título descreve nossa época: O imbecil coletivo de Olavo de carvalho. Ah, você nunca leu o Olavo, leia! Fará muito bem para seu trato intelectual o diversificando com algo realmente relevante para sua saúde mental. Nosso mundo político e seus protagonistas reorganizaram a realidade de hoje como era a algumas décadas atrás. Depois de uma suposta aventura conservadora insipiente, o poder de fato colocou muitos supostamente conservadores para trabalhar com amor dedicado a eles. Nada complicado em país onde a miséria intelectual é predominante, nossa pobreza não se encontra apenas em bens materiais, mas também e de forma acentuada ocupa a mentalidade do povo. Basta uma rápida avaliação e perguntar a algumas pessoas quantos deles leram Thomas Sowell, Mário Ferreira dos santos, Roberto Campos, Olavo de Carvalho, vejam, não estou pedindo que conheçam Corpus hermeticum de Hermes Trismegisto, mas apenas alguma coisa de bons autores que oferecem conteúdo precioso na cultura para diferenciá-la da vala comum. A sonegação cultural imposta pela esquerda solapou a capacidade de avaliação de qualidade da realidade e assim criou o cenário adequado para que se consiga implementar qualquer absurdo, não há parâmetros de julgamento. Vejam bem, hoje se perde alegando vitória, se elege o inimigo acreditando assim estar enfim elegendo alguém que o defenda. Mas na verdade tudo não passa de um arranjo muito bem costurado pelos mesmos de sempre. Hoje de posse de um ainda notório puxador de votos, que outrora representou o conservadorismo, mesmo não sendo, se consolida o poder dos caciques políticos venais e trapaceiros de sempre. A ilusão é muito bem utilizada pelos mesmos de sempre, e como já citei, a pobreza intelectual da maioria ainda festeja como vitória uma derrota estrondosa. Está tudo nas mãos deles, os de sempre, a oligarquia política a qual a esquerda malandramente se aliou, como descrevi em crônica hoje no meu livro mais recente O murmúrio do tempo onde citei Darci Ribeiro, que descrevia esse grupo responsável pela miséria do país. Vem de longe e prosseguem dominando tudo, após ingerirem esquerdistas para dar mais substância e assim incorporar os desatinos pretendidos em benefício do mesmo grupo de sempre. O domínio do povo por essa gente virou um objeto de arte, tão especializado que faz uma derrota acachapante ser comemorada como vitória, e ainda não enfiaram tudo, aguardem que mais surpresas virão, embrulhadas em proposições amanteigadas para uma invasão mais suave. Vivemos em tempos de caricaturas de amplo espectro, onde a inteligência é apenas uma suposição frágil apesar de certificada e diplomada no mercado. Olavo oferece uma descrição desse cenário: “A impostura intelectual, sombra e caricatura da atividade da inteligência existe um pouco por toda parte. A diferença é que no Brasil a caricatura tende a usurpar o lugar do modelo, a sombra adquirindo vida própria e passando a mover o corpo que a projeta. O número de farsantes e de doutores ineptos em todos os campos da atividade cultural é anormalmente grande nesse país – a ponto de adquirir um traço permanente de cultura nacional, tanto quanto a corrupção na esfera política ou a impunidade na judiciária”. E assim temos o império das abstrações supostamente intelectuais, formadas diplomadas, mas sem real conteúdo para oferecer uma gestão de situação realmente profissional e comprometida com a qualidade de vida do seu povo. Vejam, fazendo um paralelo com a fantasia, hoje o senhor dos anéis recuperou seu poder e nas próximas eleições vai consolidá-lo de vez, se é que realmente teremos eleições , mas acredito que ainda vão manter essa liturgia, afinal, existe uma necessidade de manter o recato não pode ser explícito, como cães no cio em praça pública, deve ser com comedimento e sutileza que as eleições fornecem ao regime. Afinal, o ânus pertence ao povo, ao populacho brejeiro que festeja até martelada no dedão do pé. Nosso problema real: a imbecilidade é coletiva, como o título do livro. Estaremos sempre escolhendo entre o péssimo e o muito ruim, não há possibilidade de uma saudável aventura fora desse espectro, uma busca por novos ares, tudo sempre acaba no colo do feitor do rebanho. Quem no passado disse que faria isso, está hoje na coleira e trabalha como arregimentador de apoio para o grupo que um dia disse que iria combater, virou um animal doméstico da oligarquia.



Estejam cientes, a pobreza cultural se torna terreno fértil para espertalhões. Quanto menor for a sua capacidade de avaliação por possuir um ambiente intelectual raso, mais sujeito a cair no domínio e controle dos donos da política se possui. Não há versatilidade para entender os truques que fazem a água do pote balançar. Olavo já advertia com propriedade: “A democracia longe de se identificar com o império da maioria, tem em seus fundamentos essenciais na crença que é possível a minoria ter razão contra a maioria”. Bom, quem conhece um pouco e Platão sabe, ele não tinha nada de democrático como se entende democracia hoje. Não só ele, mas aqueles filósofos desejavam era um governo de gente considerada especial, ou seja, eles, a nata intelectual daquele tempo. O povo, a gentalha que se dane, se submeta aos desígnios dos especiais. Lembrando também que na época apenas os relevantes votavam, comerciantes, nobres, proprietários de terras, artesãos altamente qualificados, militares e o restante apenas obedecia. Mulheres, trabalhadores simplesmente braçais, escravos não participavam. É mais ou menos isso que será implementado novamente segundo o que a agenda 2030 globalista criará. Um mundo de governo único, onde toda a regra devida será cuidadosamente seguida pelos agentes desse governo central. Você não terá nada e será feliz, como se felicidade pudesse ser definida por outros, e não por você. Uma coisa tão particular apenas prospera em total liberdade de escolha, já conheci gente totalmente feliz com apenas um móvel dentro de casa, um rádio para escutar notícias e música, uma rede, um café com aipim pela manhã e um peixe bem frito pescado no riacho no almoço. Lamento, para mim seria o inferno, nasci pobre com gostos e prazeres mais complexos e elevados. O que levou a me capacitar para uma vida de melhor qualidade, ambição, desejo por melhoria de vida impulsiona e direciona o destino se é que ele existe. Como será isso em um mundo completamente, totalmente muito bem controlado e padronizado, vivendo em pombais que limitam a circulação, com alimentação padronizada a base de extrato de insetos, e com um suposto lazer estatal padronizado de acordo com o gosto de emasculados e depravados? Ainda bem crianças, que já estou no final da vida, Essas “delícias” comportamentais pertencem a vocês. Bom, agora que o Centrão se tornou preponderante no nível municipal, voltemos a fantasia, o senhor dos anéis preparará o bote para a eleição de 2026, para consolidar o cenário e apenas aguardar 2030, o curral estará cheio, de vacinados, vermifugados, adestrados, marcados e felizes da vida e crentes que são livres. Olavo citou Freud: “A projeção, já dizia o Dr Freud, é o melhor expediente para nos livrar de culpas que nossa consciência rejeita”. Para quem não sabe, projeção no sentido psicológico é um mecanismo onde o ser humano atribui a alguém ou outra coisa suas motivações, ou seja, um escape uma fuga de suas reais responsabilidades com a construção do cenário. É o que acontece no Brasil, a derrota é uma vitória, a opressão não me atinge, portanto, não existe. Quando o elemento humano passa a amar seu cativeiro a posse foi completa, até sua alma perdeu substância para o regime que a gerencia. E nada melhor para obter esse nível de subjugação do que um personagem de confiança da massa, que os conduza ao curral. Relatório de Outubro do ano de 2024, para quem puder acessar isso no futuro.



Gerson Ferreira Filho.



Citação:


O imbecil coletivo. Olavo de Carvalho Editora Record.


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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Na periferia do axioma.


                                                       Image by Gerd Altmann from Pixabay.




Na periferia do axioma.



Então amigos, nesse período contraditório da existência, cá estamos para fazer parte dessa realidade que tenta sempre ser e não ser apenas para se tornar a tormenta cognitiva que constrói imagens para que exercitemos a nossa particular iconoclastia contra qualquer artifício. Eu sei, não é fácil, o trajeto tortuoso da nossa realidade foi oferecido como um gigantesco quebra cabeças para ser solucionado. São tantas frentes de combate, e tanta coisa para ser compreendida que as necessidades muitas vezes suplantam os recursos, mas é assim, há necessidade de escalonar, organizar e criar prioridades dentro da confusão de solicitações. Não se deixem ludibriar pelos oximoros do cotidiano, eles são criados justamente para isso, confundir e fragilizar o propósito. Seja furtivo em relação ao paradoxo, o use a seu favor, não se preocupe, o lado de lá não entende muito bem dessas sutilezas da narrativa, são constituídos de brutalidade o que os atrapalha navegar no contexto subliminar da circunstância. É preciso amar para adquirir flexibilidade abrangente a respeito das coisas que nos cercam. Se você não veio a este mundo com esse pacote de benefícios e ou o adquiriu no trajeto, terá dificuldade em se impor e desviar das armadilhas de uma realidade artificial preparada para seu tropeço. Estamos aqui para adquirir abrangência e não para um passeio prazeroso no parque, Teu roteiro vai te conduzir para o que você necessita, gostando ou não. Por mais irrelevante que possa parecer a sua participação o hoje não aconteceria sem você, não se subestime, seu peso específico no tecido foi previamente calculado para alguma reação que está fora da sua compreensão. Uma coisa é certa, apenas seus caprichos não cabem nessa bagagem, e se os tiver, eles serão contrariados. Aquele bucólico dia, ao sentir no rosto o frescor da brisa do mar e a repercussão do ruido das ondas se ajeitando nas pedras da praia calmamente pode ser apenas um evento aleatório da existência humana, que pode se repetir ou não. Hoje, homens que não são da área filosófica e psicológica se emaranharam na relativamente nova descoberta, a física quântica, e nela, a nossa realidade derrete e não faz mais o mínimo sentido. E qualquer possibilidade absurda anteriormente passa a ser plausível. Uma partícula, ou várias podem estar em vários lugares simultaneamente e serem apenas uma, embora sejam múltiplas, se estiverem entrelaçadas quanticamente. Coisas estranhas, que se comportam de um jeito quando você olha, e de outra forma se você não olha, mas no fim, o resultado é o mesmo. Niels Bohr citou: “Através do métodos da mecânica quântica foi possível explicar um enorme volume de dados experimentais sobre as propriedades físicas e químicas das substâncias. Não só a ligação dos elétrons nos átomos e moléculas foi pormenorizadamente esclarecida, como também se obteve um profundo discernimento da constituição e das reações dos núcleos atômicos”. Então, aquilo que você acha que vê e sabe, não é exatamente aquilo que você percebe. Relaxe, nesse universo de átomos dos quais você é constituído existe outras regras ditando sua forma e sua percepção. Notou a periferia do axioma? O que não está exatamente dentro das regras, mas também não está fora? Transportando para a linguística, somos uma metáfora, nós e tudo o que nos cerca. E assim entrando nessa área complexa que se mistura com a filosofia e a psicologia temos a linguagem, o instrumento, a característica que possuímos para exercer o que estamos fazendo agora, comunicação. Irracionais também possuem seus códigos de comunicação rudimentares, afinal, em algum nível têm de interagir com seus semelhantes, mas apenas nós os humanos transformamos esse recurso em arte. A teoria evolucionista nos coloca como descendentes de macacos, ou um ancestral muito semelhante, onde como passar de milênios, uma mutação genética aleatória provavelmente nos ofereceu essa ferramenta de comunicação que de certa forma possui a capacidade de expor nossos pensamentos, criarmos relacionamentos complexos, e com ela demonstrarmos efetivamente nossa capacidade pessoal de inteligência no cenário, pois quanto mais se domina essa ferramenta, mais preponderância se adquire no contexto onde se vive. Nossos textos, nossa música, nossa ciência, literatura, e nenhum outro ser vivente pode como nós criar uma biblioteca com um acervo de conhecimento descomunal como nós. Somos o que sai da nossa boca para registro do tempo, e como acessório indispensável veio a escrita, a possibilidade de registrar o que se fala e o que se pensa para as próximas gerações. E tudo começou com um bater de boca meio sem sentido , mas que na jornada do tempo foi criando significado para sons em relação a objetos e atitudes para nossas facilidades em comunidade.



De posse dessa capacidade ímpar, manipulamos a realidade e dela também tiramos o poder de influência social que nos permite ajustar a vida com o discurso, vendendo nossas propostas para modificar a realidade do grupo onde estamos inseridos. Como citou Noam Chomsky: “A linguagem humana pode ser usada para informar ou enganar, para esclarecer nossos próprios pensamentos ou exibir nossa esperteza ou simplesmente para diversão”. E assim sendo, a utilizamos, para ajustar nossa realidade conforme nossos interesses, e de acordo com a capacidade de domínio do instrumento, mais sucesso poderemos obter, um amplo e diversificado vocabulário se torna muito útil para navegar na realidade que se impõe no cotidiano volátil da nossa existência, e sim, torna-se um parâmetro de avaliar a capacidade intelectual da pessoa com maior volume de recursos nessa área. Assim, temos a linguística, invadindo de certa forma a área da psicologia comportamental e da filosofia, porque ela dita parâmetros inconfundíveis nessas duas áreas fundadamente ligadas ao que é ser um humano funcional. Dificuldades nessa área seriam fatores limitantes de progresso e de acomodação pessoal na base de relacionamento social. Se faz necessário competência e desempenho amplo nessa área e mais uma vez citando o especialista nesse ramo Noam Chomsky: “No nível mais rudimentar de descrição, podemos dizer que uma língua associa som e significado de um modo particular; ter o domínio de uma língua é ser capaz, em princípio, de entender o que é dito e produzir um sinal com uma interpretação semântica desejada. Mas, além de muita obscuridade, há também uma séria ambiguidade nessa caracterização rudimentar do domínio da língua. É bastante óbvio que as sentenças têm um significado intrínseco determinado pela regra linguística e que uma pessoa com domínio de uma certa língua de certa forma interiorizou o sistema de regras que determinando a forma fonética da sentença quanto o seu conteúdo semântico intrínseco – que ela desenvolveu o que chamaremos uma específica competência linguística”. Já devem ter notado que, hoje com as redes sociais e o uso do texto como forma de comunicação rápida, há dificuldade evidente de interpretação do que se escreve. Basta usar um português mais aprimorado e um monte viaja no significado, criando muitas vezes problemas e ofensas por não terem entendido o que se disse. Sem uma boa formação na língua usual do país onde se vive, a possibilidade de interpretar erroneamente o que se diz e o que se lê é enorme, e isso cria um diferencial desabonador para quem se situa nessa faixa de compreensão. Não se enganem, muitos, inclusive com nível superior, estão nesse grupo, o descuido com o aprendizado da língua pode ser fatal no entendimento da realidade, e levar a decisões equivocadas. Presumir que se está em plenitude com o axioma mas na verdade se habita a periferia pode ser fatal quanto ao desempenho profissional e de relacionamento, você não está entrelaçado quanticamente para estar aqui e lá, simultaneamente.



Gerson Ferreira Filho.



Citações:


Física atômica e conhecimento humano. Niels Bohr. Editora Contraponto.


Linguagem e mente. Noam Chomsky. Editora UNESP.

 

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segunda-feira, 23 de setembro de 2024

O contexto negligenciado.

 

                                                             Image by Jeshuah from Pixabay. 



O contexto negligenciado.



E assim aqui estamos nessa realidade perversa onde experiências sociais são implementadas à revelia do povo, até porque esse povo não se incomoda com isso aparentemente. Anestesiados por conforto e liberdade irresponsável, levam vidas em busca de prazer imediato e com nenhuma preocupação com o enriquecimento da cultura e do comportamento humano. O descuido com essa parte primordial da existência humana, a verdadeira cultura e com a preservação dos bons costumes costuma ser fatal. Uma vez fragilizados culturalmente, se tornam presas fáceis da mudança social pretendida. Sem capacidade de raciocínio amplo, uma sociedade se animaliza e assim fica pronta para o manejo social que alguns pretendem. Temos muitos anos hoje de empobrecimento do ensino básico e superior, não só aqui, mas no mundo todo, o protejo de controle de populações é mundial. Alguma mente ou algumas com desarranjo cerebral concluíram que são donos de todos, e por isso devem decidir o que vai acontecer na sociedade de forma geral, um cacoete proveniente da antiguidade onde existia um rei com direito divino sobre toda sociedade, sabemos de onde vem isso, o antigo Egito, o rei deus e sua corte de privilegiados decidindo por todos. Ou seja, o avanço na realidade é um retrocesso, o progressismo nada mais é do que a volta daqueles tempos. Mas há uma falha fundamental no processo, não sei se intencional ou simplesmente por desconhecimento. Aquela sociedade antiga tinha um conceito fundamental, chamada Maat. Um conjunto de leis divinas a qual todos, até o rei estavam submetidos, que dizia e exigia um comportamento ético para merecer o paraíso. E isso fazia toda diferença. Pois mesmo os mais poderosos, se agissem fora dessas leis éticas seriam punidos, e eles respeitavam totalmente essas regras. Havia uma obrigação de respeito ao seu semelhante, mesmo os mais inferiores, todo ser humano deveria receber condições de vida digna oferecido pelo seu rei e seus nobres, a elite deveria trabalhar pelo sucesso de todos da grande casa, enfim, o próprio nome Faraó deriva dessa palavra, a casa grande que abriga todo mundo. São detalhes sutis porém fundamentais de convívio social e explica como eles, os antigos egípcios obtiveram tanto sucesso como sociedade por mais de três mil anos ininterruptos. Com a mesma cultura e os mesmos valores. Hoje, se tenta algo semelhante porém, sem a estrutura religiosa base, o que direciona o contexto social ao colapso, porque o processo religioso de controle de instintos humanos não foi considerado no planejamento, apenas um culto ao Estado que passa a ser divinizado pela estrutura de controle, e a partir dele, sem a base ética para humanizar o processo, se abre a possibilidade para qualquer tipo de aberração cultural e de estilo de vida predatório e destrutivo. Não há sensibilidade na estrutura do processo, não existe piedade, ou misericórdia, pois essas qualidades tem origem no sagrado, ou o que se considera transcendental como guia social de um conjunto de seres humanos. Vejam, mesmo naquela infinidade de deuses, e de diversificação de culto, os antigos egípcios possuíam ordem na estrutura de vida social. Por isso foram um sucesso total como sociedade, apenas não resistindo as mudanças do mundo e a ascensão de outros povos e impérios. A evolução no processo religioso nos deu o monoteísmo, o culto a um único Deus, e desse culto várias vertentes surgiram, com o cristianismo e toda sua cultura desenvolvida em torno do personagem cultuado como Cristo o salvador, vários textos referentes a esse evento foram agrupados e com uma revisão final por São Jerônimo em latim popular da época. Estabelecendo o formato original do livro no século V. Estou escrevendo de memória, portanto, solicito que pesquisem mais a respeito. Então, a Bíblia não caiu do céu, não veio pronta da mãos de Deus, embora por fé, poderíamos considerar sob inspiração divina, para que a religião tivesse um livro base de conteúdo qualificado para o culto naquela época ainda insipiente. Homens a estruturaram e selecionaram seus textos, seres humanos escolheram o que deveria entrar no conjunto que se conhece hoje, e em relação a reforma protestante, vários livros foram excluídos dela por Lutero, não sei com qual autoridade, mas foi assim. Alguns evangélicos desconhecem isso, o livro utilizado por eles como base da fé foi filtrado e vários textos suprimidos, o que de certa forma prejudica a comunicação religiosa inicial pretendida. Há uma lacuna criada na estrutura da religião.


Mas isso não invalida o novo sistema de crença, apenas causa empobrecimento na estrutura do conhecimento original proposto. O protestantismo surgiu devido a comportamento inadequado da igreja da época, o que criou a oportunidade para a divisão de método da fé cristã, para uma metodologia mais simples, mais enxuta, sem a presença de toda liturgia tradicional católica e para uma crença voltada exclusivamente para a fé. A religião, a partir desse momento, seguiu por caminhos de culto diferentes, e isso causou muita violência e intolerância em toda estrutura religiosa provocada pela arrogância de cada vertente em acreditar que é dona da real da crença. Até hoje vemos isso no comportamento que solicita a exclusividade para seu segmento. Até hoje pessoas discutem por protagonismo e razão da sua forma de culto, o que é uma insanidade. Eu particularmente acredito que Cristo foi um aglutinador de almas e não um divisionista, mas eu sou um cara complicado ao extremo, não convivo bem com dogmas construídos por homens. Fui educado e estudei por um período em colégio católico, conheço razoavelmente seu sistema, e o aprecio e respeito, mas minha alma controversa não concorda com a exclusividade de salvação presente na frase, “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim”. De João 14:6-11. Não condiz, ao meu ver com a iluminação extraordinária de Jesus, usar um exclusivismo que cria um gargalo de salvação alijando boas e nobres almas do paraíso simplesmente por não conhecer ou não concordar com o método. Como o livro foi escrito e revisado por homens, não há confiança total em algumas afirmações, mas vejam bem, isto sou eu, e com já referenciei, sou muito complicado e questionador, quem quiser acreditar, seja feliz e realizado na sua interpretação. Não me odeiem já discuti no passado com religiosos de várias tendências e cultos, Deus me fez assim, já me conformei com a situação. Digamos que estou mais para um Giordano Bruno que foi queimado na fogueira por ter um pensamento diferenciado a respeito das coisas. Não me importo, maldições, pragas, feitiços, pajelanças, os respeito, mas não os temo. O Deus que acredito está além de tudo isso, e o que tiver de acontecer acontece com seu consentimento, o sofrimento do justo, e a alegria do injusto possuem o propósito estabelecido por ele, e cabe a nós apenas seguir o roteiro e aprender com isso. Afinal, sobrevivi ao casamento e ao câncer, acho que sou quase imortal, e se ainda estou aqui, devo ter propósito ainda, de acordo com o que Deus decidir. E o dia que aqui não estiver mais foi porque o Criador assim decidiu e enfim terminei meu ciclo. Não se preocupem, vocês poderão continuar a sofrer a tormenta das minhas palavras nos meus livros, Lá em tantos textos estarei presente para conversar a respeito das variedades do cotidiano desse século perverso. Não negligenciem o conhecimento crianças, enfim, nossa presença aqui se deve apenas a isso, evolução e aprendizado.




Gerson Ferreira Filho.


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domingo, 15 de setembro de 2024

Anomalia abrangente.

 

                                                              Image by SK from Pixabay.





Anomalia abrangente.




Bom amigos, vamos cavar fundo nesse conceito, então, sendo assim, desenvolveremos essa crônica com aspecto de artigo, porque será muito mais informativa, e portanto longa. As diferenças de estilos são bem sutis, o artigo é mais informativo, a crônica mais literária, porém no fim as duas informam com estilos e características próprias a seu escopo ou função. E sendo assim como iremos desenvolver o raciocínio para que todos tenham alguma compressão de como o mundo se tornou essa baderna atual, crianças! Vamos mergulhar nas origens e para isso teremos de citar alguns autores fundamentais, e serão muitas citações pois a coisa em si exige esse trato mais aprimorado, até que para vocês tenham as referências necessárias para pesquisa, pois eu sempre procuro favorecer esse campo, nada de afirmar algo que não possa ser confirmado na literatura específica que abrange a área citada. E sendo assim voltaremos nesse intervalo de tempo, diversas vezes para demonstrar como essa loucura surgiu e se alimentou de sonhos e esperanças provocando na maioria dessas vezes tragédias determinantemente coletivas e gigantescas para produzir a morte da liberdade, diversas vezes através do tempo. Venham comigo nessa saga que vai procurar descrever como a tragédia em forma de anomalia surgiu e prosperou, foi produto de atividade humana intelectual eivada de vaidade e de teor discriminatório, um rancor inerente a um tipo de gente que parece ter ódio a humanidade e não faltou a eles capacidade, eram soberbos incontroláveis na sua análise da sociedade. Mas os movimentos foram registrados para a história, apenas estes argumentos foram sonegados para vocês mais jovens, com o intuito de mantê-los desinformados e sob controle. Vamos lá com Ludwig von Mises, um autor odiado pela esquerda, pois ele transformou toda teoria econômica de Marx em pó. “Marx tinha “anti-talento” – ou seja falta de talento. Ele foi influenciado por Hegel e Feuerbach, especialmente pela crítica deste ao cristianismo. Ele admitia que sua teoria da exploração fora tirada de um panfleto anônimo da década de 1820. Suas teses econômicas eram distorções de ideias tiradas de (David) Ricardo (1772 – 1823). Marx era um ignorante no que se referia à economia; ele não percebia que pode haver dúvidas sobre o melhor meio de produção utilizado. A grande questão é saber como devemos utilizar os escassos fatores de produção disponíveis. Marx achava que era óbvio o que tinha de ser feito. Ele não percebia que o futuro é sempre incerto, que é o trabalho de todo homem de negócios está em ser o fornecedor para o futuro incerto. No sistema capitalista, os trabalhadores e aqueles que trabalham com tecnologia obedecem ao empresário. Sob o socialismo, eles obedecerão ao oficial socialista. Marx não levava em consideração que há uma diferença entre dizer o que precisa ser feito e fazer o que outra pessoa diz que tem de ser feito. O Estado socialista é necessariamente um estado policial”. Trocando em miúdos, o “deus” base da ideologia predominante no mundo hoje era um idiota. Mas devemos reconhecer, como eu já citei anteriormente em alguma crônica minha: “O socialismo é uma fraude intelectual de muito sucesso”. Hegel foi o grande inspirador de Marx, e Hegel foi encarregado de criar uma ideologia, adivinhem em quem ele se inspirou principalmente? Platão, Heráclito e Aristóteles. Aquela turma da democracia para poucos, regida por uma elite intelectual apoiada pelos supostamente melhores. Parece com algo que temos agora? Onde um tribunal de poucos homens detém todo o poder? É bom? Claro que não! Mas é a formação de poder original, passada por nomes proeminentes da história e filosofia. Talvez seja esse o nosso trágico destino, a escravidão. Karl R. Popper outro grande intelectual citou que: “O hegelianismo é o renascimento do tribalismo. A significação histórica de Hegel pode ser vista no fato de representar ele o “elo perdido”, por assim dizer, entre Platão e a forma moderna de totalitarismo. Na maioria, os modernos totalitários não se aperceberem de que suas ideias podem ser rastreadas até Platão”. Karl Marx se alimentou dessas ideias para construir o seu sistema político, que na verdade era um filho parido, resultado dessa relação infame de estratégia para domínio do povo, nem original ele foi. Vocês têm de entender que o coletivismo infame de Hegel se apoiava totalmente nas diretrizes de Platão, Hegel deu início e Marx copiou. Nem na sua suposta ideologia conseguiu elaborar por conta própria algo original.



Para deixar bem claro a estrutura doutrinária e sua origem Hegel declarou: “O universal se encontra no Estado” escreve Hegel “o Estado é a ideia divina tal como existe na terra. Devemos, portanto adorar o Estado como manifestação do Divino sobre a terra, e considerar que, se é difícil compreender a Natureza, infinitamente mais árduo será apreender a Essência do Estado… O Estado é a marcha de Deus pelo mundo...Ao Estado pertencem, essencialmente, a consciência e o pensamento. O Estado sabe o que quer… O Estado é real; e… A verdadeira realidade necessária”. Acredito que vocês já perceberam de onde vem o complexo de Deus dos lideres da esquerda, vem de longe, vem dessa imbecilidade de colocar o Estado acima de qualquer coisa, de tudo, o tornando um Deus de fato, e seus representantes divinos e com direito de vida e morte sobre todo restante do povo. Mas tudo isso foi apenas um trabalho intelectual de um homem para bajular o rei da Prússia, Frederico Guilherme II. Em momento de crise e instabilidade política tudo isso foi criado para lastrear politicamente um rei, o colocar numa posição de poder absoluto, uma vez que o rei é o Estado. Nessa ideia de comando exclusivamente criada por filósofos, temos um problema: quem determinará quais filósofos serão escolhidos como merecedores de ocupar cargo tão determinante para a vida de todos? A regra seria bem clara, ninguém poderia fazer nenhuma atividade humana sem permissão desse grupo. O livre comércio, a liberdade, a diversificação de ideias e de comportamento, enriqueceram o mundo com sua pluralidade e flexibilidade de adaptação e de atitude livre comportamental de consumo e de prestígio e satisfação dos interesses particulares. Onde a força do conjunto está presente na diversificação intensa de propostas que concorrem para o progresso da humanidade como um todo. A força do conjunto está justamente em não ser um monólito, rígido, sem flexibilidade. A liberdade proporciona a negociação justa, a aplicação das novas ideias, e o sucesso ou o fracasso atual como correção de rumo ou um ajuste circunstancial da proposta aplicada e a análise de resultados. Claro, como seres humanos, espertalhões irão procurar obter vantagens ilícitas nesse processo de liberdade, mas em processo de controle total do Estado, os mesmos espertalhões ganharão com a rigidez do sistema, trabalhando para esse Estado, o que leva ao raciocínio lógico de que os espertalhões estarão sob maior controle em sistema de liberdade democrática e suas ferramentas constitucionais, do que transformar esses mesmos espertalhões em fiscais do governo. E é isso que o socialismo faz, coloca no poder os que possuem essa característica infame de caráter, um dos clássicos motivos para nunca conseguirem sucesso em seus governos, apenas resultado sofríveis no mínimo, ou o desastre econômico e social total, o que presenciamos hoje, o naufrágio evidente da economia, que aumenta dramaticamente a carga tributária e não consegue acumular capital para o governo, gastando todas as reservas acumuladas anteriormente. O resultado final todos nós sabemos, o colapso financeiro e o empobrecimento generalizado. E assim cá estamos crianças, eu sei, seus professores não explicam a respeito desses assuntos constrangedores. Essas coisas provocam o efeito colapso em toda estrutura doutrinária que eles pregam. Por isso, a anomalia é tão abrangente e parece ser a vitoriosa no nosso momento existencial. Como também vivemos um momento onde a possibilidade de uma guerra mundial em larga escala, e nuclear é um possibilidade palpável, não sei o que realmente restará de mundo para viver, mas aqui está para quem sobrar e tiver a capacidade de ler um registro de conhecimento real da situação. As origens das consequências que vivenciamos e vivenciaremos em breve. Se tiverem dúvidas, pesquisem os autores citados, eles possuem vasta obra a respeito de toda abordagem desse trabalho. Até a próxima oportunidade.




Gerson Ferreira Filho.


Citações:

Marxismo desmascarado. Ludwig von Mises. Vide Editorial.


A sociedade aberta e seus inimigos Tomo 2. Sir Karl Popper. Editora Itatiaia Limitada.


A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor. 

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quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Axioma exógeno.

 

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Axioma exógeno.



Amigos, existe hoje uma necessidade lógica, apodítica, dentro de uma doxa epistêmica de estrutura lacônica porém desconfortável na estrutura da realidade, principalmente na administração das leis. Nada mais se move nesse complexo mundo empanado por pura retórica sem um confronto lisérgico com a tradição legal. Nessa sensação aflitiva de contaminação por um impertinente e ousado oxiúros jurídico habita uma eloquência pertinaz para que os caminhos permaneçam tortuosos e indefinidos, aqui temos os que sentem prazer com a coceira e não se importam mais com a normalidade do contexto, o desvio parece prazeroso e gratificante dentro dessa realidade de conceitos que se adéquam a cada momento a uma realidade favorável ao vaticínio apropriado para o momento. Confesso, me considero feliz por ter mudado de área, de Direito por Administração. Queiram me perdoar os tantos amigos, alguns pessoais do Direito, a profissão de vocês foi esculhambada, esse é o termo apropriado. A estrutura básica foi sabotada por ideologia e interesses políticos, e onde deveria existir apenas o caminho da lei, hoje se vê apenas o improviso que se adapta com a necessidade do momento. E como sugere o título desse trabalho, se a premissa provém de causas externas contaminadas, todo o corpo conceitual de tão importante segmento fica sem sentido e assim temos o risco evidente de que ilegalidades oportunistas venham a se instalar como arbítrio da estrutura social. Mas como eu citei anteriormente, a coceira ficou gostosa, e como um vício virou rotina aceitável transgredir a letra da lei mesmo que pareça estranho e desagradável. Afinal, é por um mundo melhor, Platão ficaria orgulhoso desse novo governo dos melhores, conforme seu pensamento, mesmo que os supostamente melhores, não sejam necessariamente isso, e sim escolhidos por influência e política. O conceito de democracia foi gradativamente expandido para mais participantes. O conceito original só permitia a manifestação e voto de uma elite social, não era para o populacho ignaro. Bom, através do tempo o povo ganhou o direito de participar, claro, a elite não gostou muito dessa ideia. E assim de adaptações em adaptações, chegamos novamente ao controle de poucos sobre muitos, esses muitos não possuem direito, apenas deveres, não há mais lei que os proteja. A ciência do Direito hoje passa a abrigar proteção a quem merece privilégio. Protegido por um complexo e peculiar jargão profissional, se torna possível adotar a decisão mais absurda porém, com revestimento semântico de uma metáfora para parecer adequado embora ilegal. Afinal, ao povo foi negado o ensino de melhor qualidade, e ninguém ou quase ninguém vai entender mesmo. O povo quer cerveja, futebol, praia e sexo. Podemos considerar que hoje a complexidade da vida intelectual verdadeira é para poucos, muito poucos, a população de inteligência limitada só se interessa por prazeres pessoais e vantagens oportunas, como isso será gerado? Ah, que se dane. Mas ao escolherem a mediocridade, também se tornam disponíveis para a eliminação do cenário, é disso que trata a elite mundial, despovoamento. A inteligência artificial está presente no nosso agora, para fazer todo trabalho que seria para os desqualificados e até para os pouco qualificados. Em breve ela também ocupará a vaga dos especialistas e por fim, o que fazer com tanta gente inútil? Adivinhem? Entenderam? Àquele mundo distópico que um dia talvez você tenha lido em alguma obra de um escritor famoso se torne a sua realidade. Bom, quem acompanha o que eu escrevo, tem um bom roteiro registrado de como chegamos a essa situação, eu procuro registrar nas minhas diversas crônicas e artigos essa sensação de fim de mundo se avolumando, enquanto a maioria gasta tempo com futilidades. Eu uso na maioria das vezes grandes autores, intelectuais de primeira para demonstrar que outro caminho existe, mas tenho a sensação de pregar no deserto. A lei, a corrupção dela foi o caminho adotado para gerar facilidades para esse desfecho que se avizinha. A humanidade de forma geral, inclusive os que a comandam perderam conteúdo filosófico, hoje tudo gira em torno de poder e prazeres, nesse mundo mentecapto apenas a insolência do absurdo se ocupa do cotidiano. A vantagem hipotética que pode se tornar plausível corresponde ao propósito de muitos e assim temos o berço do absurdo como aceitável e até relevante no processo de ascensão social.



E sendo assim, aqui estamos, nesse caldo que ousa ser literatura e que tenta ser apologético nesse texto ocasional de uma época destrambelhada e sem rumo certo. Claro, não pode passar sem registro a evidente desigualdade e desequilíbrio do processo de leis forjado para ser submisso ao que não se entende. Os que no futuro conseguirem ler esse registro saberão a respeito das obscenidades que foram praticadas para obter seja lá o resultado que conseguir ser produzido de uma época com aspecto encardido de atividades que não condizem com o bom propósito. Nós, aqui encarangados entre absurdos, prosseguimos na boa fé de que algo mude no cenário para proporcionar um equilibrismo de fato na estrutura psicológica de um tempo que parece condenado a mergulhar no erro que se tornou sistêmico. Amiúde, estamos sobrenadando em dejetos psicológicos de uma geração perdida, e nada indica que irão assim retroceder no planejamento, o desconhecimento e a falta de análise de impacto alimentam a ousadia, e se o resultado do desastre não os atinge, então, por que se preocupar. Não seria uma verminose no orifício corrugado da estrutura legal que seria o problema, transforme a coceira em prazer e encare como um bicho-de-pé circunstancial da estrutura jurídica. Ele está lá, mas coça gostoso. E assim citando Aristóteles: “A alma e a essência da alma são idênticas, mas o homem e a essência do homem não são idênticos, a menos que se venha a chamar a alma também de homem”. As combinações estruturais não são o que parecem ser no contexto da realidade. O que delimita o limite não é o limiar mas a ousadia intrínseca do ser que se constitui de ousadia. Mas essa conversa metafísica se torna inútil mediante o empobrecimento cultural e intelectual de uma era corrompida. Façamos então, da tenacidade nosso abrigo e que o improvável aconteça, uma aurora plena para assepsia com luz das densas trevas.



Gerson Ferreira Filho.



Citação:

Metafísica. Aristóteles, Edipro Editora.




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