segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Espaços exíguos.





Momentos extenuados se encontram comigo. Meu ponto final torna-se sempre o início. Algo me impele ao próximo passo ainda assim. Porque por princípio nada eu começo nada eu finalizo, apenas insisto viver ao sabor dos extremos extensos limites da razão. Sentir o louco desatino da certeza, tocar o intangível sorriso da dúvida se assim fosse possível, e acaba sendo apesar da incoerência.


Porque as ocasiões chegam em pacotes, os momentos são unicamente protocolos ditados na seqüência determinada. A esperança apenas amortece o atrito circunstancial de uma ansiedade que de forma aleatória tenta trafegar no espaço exíguo do humor. Ria! Sorria! Tua realidade, o teu dia, já passou. Ontem hoje e o amanhã têm endereço certo, estão por detrás daquela luz que viste ao abrir os olhos esta manhã. Levante! Vá em frente, tudo já está definido. Você já foi. Por enquanto é, e ainda será um acontecimento neste contexto.



Gerson F. Filho.

sábado, 29 de outubro de 2011

Algo assim e apesar de.





Esperança, vela insuflada entre azuis.

Que cobrem e sustentam destinos.

Abrigam sonhos loucos e desatinos,

Ante a ânsia e o desassossego sutis.


Um quê de certezas secas e inseguras.

Alguma coisa que diz sem condizer,

Aquelas coisas que ocultam o prazer,

O tempo tão incessante das clausuras.


Porque o fim está sempre no início.

Chegar, um claro e almejado objetivo.

Partir, a opção que não vê lenitivo,

E ainda assim ela dita meu princípio.


A alma essa tal incógnita que pensa.

Mesmo sem ser densa em presença.


Gerson F. Filho.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O guardião das estrelas.




Guarda tuas angustias nas páginas viradas.
Elas estarão sempre lá,
Mas serão contexto passado.

Cultive a humildade,
O silêncio e a observação nos teus campos.
Aquele que sustenta o infinito o verá.

Receba a indiferença
Apenas como um acidente de percurso.
Não deixe que ela te marque.

Mesmo que esteja
Nos teus piores dias ofereça um sorriso,
O amor nasce em pequenos detalhes.

Não sinta o peso da existência,
A vida é energia densa porém maleável.
Vá moldando conforme a caminhada.

No fim tudo é luz ou escuridão.
No universo a cada segundo nasce uma estrela,
Persevere e seja mais uma entre elas.




quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Dissonância cognitiva.




Doçura insolente que dos teus olhos escapa, não venha me dizer que antes da curva mora a surpresa. Atiçar-me com o inesperado seria apenas um detalhe, um afago do destino. Novos caminhos surgem no oceano de possibilidades, e um sorriso desconhecido pode ser a chave de um novo enredo.


Pode ser tarde para você meu bem, algo deve ter mudado no contexto, a textura mudou, a ocasião perdeu consistência, e a incoerência espetou meu ímpeto com seu jeito cafajeste. Posso ser seu e de um leque de possibilidades. Talvez seja essa a resposta, os bonzinhos não têm charme.


Então querida fique com a sedosa dúvida que acaricia tua libido. Revanche? Ora meu amor; bandidos não temem o amanhã, se a casa cair partem para outra. Sempre haverá um coração incauto para ser ferido, sempre haverá uma mentira para iludir quem assim o quer.



Gerson F. Filho.

domingo, 28 de agosto de 2011

Imprevisível azul.




Na flor d’água é que o mar é imenso.

Na sua franja onde se escondem segredos,

Vêm do sussurro profundo os medos,

Que me dizem o quanto o todo é intenso.


Perdi nas águas minha alma faz tempo.

Meus desejos se envolvem em maresia,

Minhas vontades se vestem em utopia,

Sou a presença que se sente no vento.


Sim! Na flor d’água pele em reflexo.

Onde um contexto me deixa sem nexo,

Sou brio incerto e o texto frio da ilusão.


Mesmo me conhecendo não confie.

Ainda que eu te chame não se fie.

Sou ladino perverso afogo o coração.



Gerson F. Filho.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cesura tátil.





Lânguida volúpia

Que me abraça em lisonja,

Não me diga que o futuro

Já passou.

O então desejo

Morreu no rumor.

Dia já não há!

Noite?

Nem como conforto.

Referências?

Não existem na minha razão.

Faltou um pouco de indecisão

Para que eu pudesse amar

Com mais certeza.

Lógica não combina

Com paixão.

Enquanto isso teus lábios

Guardaram-me.

Por tudo isso

Perdi-me em você.

E o amanhã

Não se fez.

Não há mais

O que dizer...


Gerson F. Filho.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Esboço.





Meu coração

Cheio de mágoas desagua

Em águas,

Neste poço,

Fosso repleto de desilusão.


Preciso ao menos

Da intenção do seu sorriso,

E se for preciso

Uma mentira

Então diga uma,

Que não tenha rótulo.

Aquela que engane

Minha emoção.


Não ouse com a compaixão,

Meu momento é frágil.

Minha alma é ágil

Ela sempre escapa,

Só precisa de um álibi.


Que assim se faça:

Oculta da minha face

Teu rancor,

Que eu disputo espaço

Com meu fracasso

E minha dor.


Gerson F. Filho.


domingo, 24 de julho de 2011

Em algum lugar deste momento.





Por um instante obedecendo ao acaso me encontrei aqui. Bem no intervalo do passado que se agita e se sobrepõe a razão do hoje ajuntado em qualquer canto do que se chama de memória, de um futuro que me debita de antemão a esperança mesmo sendo somente e ainda aquele apenas, um esboço opaco dançando aflito para acontecer. Brindei a ocasião com um sorriso sarcástico, existir não é opção.


Minha presença no espaço tempo me obriga caminhar furtivamente entre as dissimulações obliquas do pensamento. Agora apesar do quesito real, já pode ser tarde e a trapaça o brinde deixado ao amanhã. Não venha me dizer que a realidade é boa, tudo o que acontece repercute com dor e a alegria não passa de uma brisa intrigante que cheia de caprichos surge apenas quando quer.


Amei muitas vezes para frear o passar das horas, e me vi após tudo isso abandonado bem depois do prazer. A atenção é egoísta está individualizada muito bem compartimentada na saciedade dos corpos. O Ápice está à beira do abismo, vertiginoso é o caminho, armadilhas sedutoras me acompanham; aqui vontade não é desejo. Na boca mora apenas um suspiro seco de ansiedade.


Por isso estou aqui. Bem aqui escondido no canto do momento, vendo o desenrolar do enredo, não procure me encontrar, sou súbito verso aleijado que se insurge contra as normas e os sistemas. Sou aleatório quando quero e intenso quando amo, mas antes aguado o amor passar e peço uma carona neste sonho.


Gerson F. Filho.



quinta-feira, 21 de julho de 2011

Nematóides da estrada.





Põe este esculacho aí!

Os vermes estão indignados com o meio.

Não há matéria para todos,

As bocas infames não descansam.

Verbas orçamentos diretrizes

Dançam açodadas em agonias

No bolso dos infelizes.

Então o buraco permanece lá!

Na estrada,

Esperando-te ansioso

Com a foice na mão.

O culpado?

É você!

Eleitor;

Faça-me um favor:

Olhe-se no espelho.

Veja como os políticos

Parecem contigo.

Custo Brasil também é

O teu preço.

Tua herança tóxica

Ainda vai te matar...


Gerson F. Filho.


Também no Recanto Das Letras.


Ainda é tarde.




De um olhar se insinua um desejo.

Com palavras traça-se a intenção.

Com vontade visto o ímpeto e vejo,

Que meu amor não é contradição.


Cedo seria um precipitar das coisas.

Estas tantas que rugem como trovão.

Basta o sorriso a atiçar as premissas,

Para que o desejo não seja em vão.


E ainda; ah esse ainda que não finda.

Este passo dado que nunca termina,

Que não se faz essência em aluvião.


Então ainda é tarde apesar de tudo.

E este sentimento sedimento verdugo,

É o amor que ocupa o meu coração.



Gerson F. Filho.







segunda-feira, 18 de julho de 2011

Parênteses.





Não há como saber

O que o vento traz.


Não há o que dizer

Quando a palavra falta.


Não há o que sentir

Com o sentido no fim.


E apesar do ontem

Ainda existo conceitualmente.


Mesmo intuindo um amanhã

Sou um produto da razão.


Amo apesar da dor

Então amando Fujo da dor.


Neste ponto não sou abstrato

Suporto o peso do mundo real.


Digo sim as ignomínias

Abraço a sinuosidade do álibi.


Estou aqui entre parênteses

Para explicar ou deturpar.


Depende muito do ângulo

E da maneira como me enxergam.


Nunca subestime quem viu

O colapso da ilusão.



Gerson F. Filho.






quarta-feira, 15 de junho de 2011

Paradoxos.





Vivo de contingências.

Eventualmente posso sorrir,

Ou quem sabe,

Abandonar o raciocínio por aí.

Sendo sincero;

Nos dias de hoje é muito melhor.

Acho que cansei de ser coerente.

Minha vida um conjunto de ausências,

Aspas letárgicas me envolvem.

Gostaria de partir, mas

Um ponto acidental

Sempre me interrompe.

Entre tantas dúvidas eu sei:

Desesperadamente é claro!

Apenas me suporto

Pois sei que não sou eu

Que está aqui.



Gerson F. Filho.



Périplo.




.

Não sou o que da opinião se forma,

Mas apenas a tendência sofrível.

Existir sem ser vão em penumbra;

Época da subjetividade terrível!


Goste ou não em consciência estou.

Embora a morte ainda suprimida,

Não guardo o caminho que restou.

No embornal quiçá um tico de vida.


Sou o espectador da decadência.

Pratico necropsia nessa verdade,

Que jaz fria sob a maledicência.


Viver deveria ser somente isso?

A corruptela mortal da palavra?

Aziago destino para um amor.



Gerson F. Filho.




quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pertinaz.





Nesta vida

Tem à hora do riso

Tem a hora do choro.

Aquele momento que desperta,

A ocasião que parece mau agouro.

Eu masco as duas sentenças

Vivendo de esperança.

Gosto da incerteza

De ser alegria

A tristeza,

Que faz da minha vida

Esta lambança.

Sofro rindo

Só para ver o azar perder.


Gerson F. Filho.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Anúncio.







Alugo meu coração.

Peço comedimento antes,

Ousadia durante,

Um ar despretensioso depois.

Use-o e o embale em sonho,

Quando terminar me devolva

Sem ressentimentos.

A única coisa inadmissível

Seria inquilinato sem paixão.

Pensando em comprar?

Este território não está à venda,

Só se rende por conquista.


Gerson F. Filho.

sábado, 14 de maio de 2011

Conteúdo.




Amar submisso a loucura.

Ir até o fundo do infinito,

Tatear realidade e o mito,

Achar o que se procura.


Sentir o viés do delírio.

Entre um beijo e o abraço.

Enquanto lua e mormaço,

Trazem orvalho e colírio.


Diga o não em uma súplica.

Para que seja sim e única,

Ocasião eterna e momento.


Algo que não acaba assim.

Prossegue além do tempo,

Paixão perfume elemento.



Gerson F. Filho.



sexta-feira, 13 de maio de 2011

Réquiem.




Trôpega pétala,

Com seu instar decadente,

Oscila sem ver

O seu fim tão iminente.


Persiste com o ato falho,

Faz da carícia do eco

A sede única,

A ser saciada pelo orvalho.


A brisa já lhe maltrata.

O sol come sua face,

E ainda assim não sabe

Que o tempo é um cálice.


Onde todos os abismos moram

E transbordam.

Transformando a alegoria,

Nas certezas plácidas.


Não haverá amanhã

Para tua textura tênue.

À hora está no passado,

Existis-te não haverá depois.


Gerson F. Filho.