terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ceticismo.









Meus caminhos são trilhas,

Desencaminhadas por sentimentos

Descamisados, depauperados,

Nas vãs promessas,

Nas vãs expectativas,

De um contexto ladino

Que traiu toda esperança.

Já não há frescor em pressentir

A chegada da brisa,

Já não existe o rumor

Quando a esperança chega,

Se de futuro é o que se almeja presença

Em asséptica face,

Que não venha batizado com perfídia.

Pois nas entranhas de um axioma,

Talvez por hipótese,

Meus lábios ainda venham

Proferir teu nome.



Gerson F. Filho.

sábado, 8 de março de 2014

Ígneo.









Queria te dar um abraço,
Sentir teu calor atrito e textura,
O teor, toda trama do laço,
O esgarçar oblíquo, a ternura.

Que tanto me faça próximo.
Qual mormaço sem brandura,
Como tez úmida e no mínimo,
Quando tua boca for loucura.

E se puder sentir no teu seio,
O pulsar incessante da vida,
Um sublimar e em devaneio.

Mas impermeável és de fato.
Nem ousadia ou desacato.
A fria face de um monólito.

Gerson F. Filho.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Rabiscos.







gostaria de escrever,
Um poema de traço marcante.
Sem ser com desejo crer,
Nem um pouco simétrico
Muito menos um tanto pedante.
Algo insípido algo inodoro,
Alguma coisa politicamente correta;
Com aquele jeito de lavagem com alvejante.
Quem sabe os puristas não tenham cólicas.
Não morram de disenteria.
Se meu trânsito enfim machucar
O bom mocismo dos nossos dias,
Vejam: não sou massa sou unidade.
E para escândalo do coletivismo
Debochar deste ranço,
É a meta do meu ativismo.
Olhem lá no futuro!
Fui voltando
Apesar de não ter ido.
Devo retornar?
Pedrinhas com sangue
Não representam o meu cardápio.
Acho que farei um rolezinho semântico por aí.

Gerson F. Filho.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Um novo ano.












                 Mais um ciclo determinado em minutos horas dias e meses chega ao fim. Vamos esperançosamente aguardar o próximo, que venha com mudanças reais de atitude e com uma nova maneira de pensar do nosso povo. Que não aceite mais ser tutelado e conduzido como gado. Que não aceite somente o pão, mas exija também o conhecimento que liberta o corpo e engrandece o espírito. Criando assim um país de cidadãos e não um país de pedintes, sempre com a mão estendida, aguardando mais uma benesse dos governantes.



               Então que seja criada a partir deste próximo ano, uma geração pujante e orgulhosa do seu destino. Despida do coitadismo opressor que se instalou na ultima década em toda a América Latina (vide exemplos lastimáveis na Venezuela e Argentina), onde em alguns lugares nem materiais de primeira necessidade existem mais. Será isso que desejamos para o Brasil? Queremos para nossos filhos e netos um futuro miserável? Ninguém verdadeiramente quer isso. Neste caso podemos constatar que algo está ideologicamente errado com os rumos do nosso país.





            Se alguém aplica uma receita ou fórmula que comprovadamente já deu errado, a lógica diz que, vai dar errado novamente. Por mais fascinante, por mais apaixonante que esta idéia seja, ela nunca vai dar certo. O que a elite política precisa é de humildade para descartar essa doutrina, ou se não tiver força para isso, que o povo o faça pelo voto. O voto consciente, o voto de quem quer sua individualidade respeitada, o voto de quem quer ver a lei sendo cumprida, de forma clara e sem subterfúgios. Tendências mostram uma leve mudança de rumo, poderíamos dizer um viés diferente. Jornalistas, colunistas, e alguns juízes, na mídia, imprensa, internet e STF têm criado uma atmosfera de esperança.





          Corruptos foram presos (alguns), já se encontra com mais facilidade opinião que contesta o Status Quo, e já existe um bom número de livros que contradizem o que massivamente a imprensa chapa branca prega. Existe um processo de dominação em curso, isso está claro. Cabe então ao nosso povo, a população em geral, rejeitar essa política. Lendo mais, pesquisando mais, não aceitando como fato consumado a primeira opinião. Duvidar do que foi prometido, o candidato cumpriu a promessa anterior? A violência diminuiu? O emprego aumentou? Os hospitais estão atendendo bem e com leitos suficientes para todos? As estradas estão melhores? Meus caros amigos: se o governante ao menos não minimizou estes problemas, não lhe dê outra chance, ou você será enganado novamente.





        A ferramenta está na mão. O voto. Ainda temos essa alternativa democrática, então vamos usá-la com sabedoria. Basta ver o cenário, o entorno. Está tudo bem? Balas perdidas voam, pessoas pedem esmolas, doentes morrem na fila dos hospitais, enchentes derrubam casas arrancam vidas. Qual curso profissionalizante o governo oferece gratuitamente ao seu filho? O transporte coletivo vai bem? Você verdadeiramente sabe onde vai parar todo o imposto que você paga? Com a carga tributária que o Brasil tem, caso ela fosse bem empregada, viveríamos em um país muito melhor. Então vamos fazer um novo ano novo. Um feliz 2014 para todos nós, que a brisa do progresso da ordem e da liberdade venha com determinação.





Gerson F. Filho.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Um caminho.












               Hoje é um dia especial para uma quantidade enorme de pessoas. Por motivos religiosos, por motivos familiares, ou simplesmente para passar com os amigos e até quem sabe sozinho. Um personagem muito importante tem seu aniversário comemorado hoje, Jesus. Uns acreditam nele, outros não, tantos duvidam, quantos se entregam fervorosamente aos seus ensinamentos. De qualquer maneira ele trouxe importantes ensinamentos para todos. Não se pode negar que se suas diretrizes e ensinamentos fossem seguidos em plenitude teríamos um mundo melhor.

           Mesmo para outras vertentes religiosas, ou para quem não acredite em absolutamente nada há sempre uma palavra dele que servirá como escopo de uma ocasião sombria que será então dissipada. Nosso cotidiano está repleto de boas intenções, porém isso já se provou ineficaz, vivemos de esperança em discursos ricos em subterfúgios e completamente pobre na realização. O apelo do governar para todos, de governar para os necessitados já se esgotou. Que no próximo ano consigamos viver seguindo o ensinamento “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” de maneira mais convincente, e que o nosso “César” atual seja menos voraz, e mais cauteloso com os recursos que arrecada. Possibilitando assim uma melhor qualidade de vida para todos.

         Eu continuo acreditando nele, não de forma passional, mas com a mais tranqüila atitude de que procurei ser justo e correto nas minhas atitudes até hoje, procurando de alguma maneira seguir os termos que ele deixou. Nasci, cresci, vivi e vivo na busca do aprimoramento e do progresso, tanto intelectual como do espírito. Serei vitorioso no final? Não sei. Conseguirei vencer os obstáculos do meu caminho? Bem; eu diria então: o melhor guia para as ocasiões severas está comigo. Não preciso temer as tempestades que se avizinham.

Um Feliz Natal para todos, um ano novo com saúde paz e sucesso.


Gerson F. Filho.

domingo, 11 de agosto de 2013

Ao dia dos pais.


Uma história pessoal em homenagem ao dia dos pais.





Um breve passeio na história.




É quase certo que vocês não saibam, não tive a oportunidade de contar essas coisas para vocês, mas sempre surge uma chance. Meu avô paterno, Antônio Artur, um potiguar casou-se com a amazonense Leonilia, eles geraram três filhos, Gerson, Arlete e Ruth, lá na cidade de Porto Velho. Anos depois foram para Manaus. Quando completou a maior idade Gerson, o avô de vocês, de espírito inquieto, trabalhando na marinha mercante (não sei se foi bem assim), veio desembarcar no Rio de Janeiro para de lá nunca mais sair.


Não tinha muita escolaridade, então teve que trabalhar duro, encontrou o trabalho que sua capacidade atendia: garçom. Como era branco (naquela época isso era muito importante), conseguiu bons empregos para a especialidade que trabalhava. Era a época dos grandes cassinos (o jogo era liberado no Brasil), trabalhou em casas importantes da época como o Cassino da Urca, o Café Nice, Sírio Libanês etc. Sempre fazendo o possível para ser o melhor no que fazia.


Claro, dinheiro não nasce em árvores, e para ganhar o pão de cada dia, garantir o pagamento do aluguel da residência e tudo mais, viveu grande parte da sua vida no trabalho. Não teve muito tempo para mim, que fui fruto da sua união matrimonial com Alayde, uma operária carioca de Madureira. Essa que teve que parar de trabalhar para cuidar de mim.

Cresci vendo meu pai vir para casa, deixar dinheiro para minha mãe, pegar o uniforme de garçom já engomado, e sair novamente para trabalhar. Aos nove anos de idade, ele me levou pela primeira vez ao Maracanã para ver um jogo, era Flamengo e América. Deste dia em diante, quando tinha tempo esse passou a ser o nosso encontro, ir ao estádio ver futebol. Às vezes alguns amigos de trabalho dele apareciam para um bate papo, e eu via que ele era respeitado no meio, devido à qualidade e forma correta com que trabalhava.


Mesmo não tendo tempo para mim, esse foi o exemplo que me deixou e que sempre procurei seguir. Se quiser melhorar de vida; trabalhe, estude, seja o melhor naquilo que faz. Encontre respeito entre seus pares, seja honesto. Isso não o levou a fortuna a riqueza, mas teve uma vida digna, dentro das expectativas dele. Eu fui pobre, mas ele sempre me ofereceu um teto para me abrigar, e no mínimo três refeições por dia. E graças a isso pude estudar trabalhar evoluir e chegar onde estou certamente muito além do que ele tenha sonhado para mim.


A história de certa forma se repetiu, eu também não tive tempo, e força para ser aquele paizão (aquela imagem que vendem por aí), será que ela é real? Entreguei-me ao trabalho, como meu pai; procurei ser o melhor no que fiz e no que faço. Mas assim como ele deixo o exemplo, aquele que ele me passou, eu passo para vocês. A vida não é um parque de diversões, embora momentaneamente pareça, e nenhum esforço ficará em vão. Alguém lá em cima cuida dos justos, então seja um deles.


Abraços,

Seu pai,

sábado, 1 de junho de 2013

contemporâneos 12.







O horizonte hoje
Convida-me com seus abraços.
Algo incandescente
Esconde-se atrás daquela linha,
Seria o óbvio se fosse somente o sol
Mas a obviedade esconde uma paixão.
Não seria só calor seria assim clamor,
O grito insano das circunstâncias.
Um brado rasgando o amanhecer
Que surge nas trevas do meu coração.
Retirei-me da luz, porém ela me persegue,
Não resisti ao odor fétido do cotidiano.
Eufemismos solaparam minha confiança,
Sucumbi soterrado por sorrisos sarcásticos.
Será que vou deixar-me iludir novamente?
Por favor, me empresta este teu sorriso desleal,
Preciso legitimar minha falsidade
Para sobreviver neste mundo.


Gerson F. Filho