segunda-feira, 28 de julho de 2025

Os limites cognitivos e o comportamento.

 

                                                       Image by Gerd Altmann from Pixabay.



Os limites cognitivos e o comportamento.




Então, hoje precisamos conversar a respeito dessa essência brasileira da acomodação e da falta de atitude com respeito ao progresso próprio e a afeição acentuada aos objetos psicológicos de prazer. A maioria que pensa já percebeu e convive com esse perfil comportamental, onde as pessoas vivem o hoje, o imediatismo, o agora, intensamente em busca das descargas de prazer proporcionadas por atividades aleatórias de entretenimento, diversão e de laser continuado. Sexo, álcool, música instigante, e ou qualquer atividade onde a realidade se perca, dissipada no contexto de estímulos em profusão e adaptações aleatórias e momentâneas de comportamento. Toda essa gente é incapaz do verdadeiro êxtase de entrar em fluxo cognitivo. A superficialidade banal garante o prazer e apenas isso basta. Tudo nesse mundo atual gira em torno da precariedade, o ensino primário, médio e superior, e com isso a capacidade de interpretar corretamente o cenário construído e dedicado à vida. E portanto, sem sofisticação intelectual a maioria vive entre limites rígidos de compreensão e sem capacidade de evolução social esperada por quem entende a necessidade de adquirir especialização continuada, a vida é um eterno aprender e somar, somar tudo para um dia, talvez alcançar a capacidade de entrar em fluxo mental para obter destaque e assim progredir na sociedade. Inacreditavelmente, boa parte dessa sociedade parece e se comporta existencialmente apenas para fazer volume, para figuração, e assim não procura o aperfeiçoamento, levando uma vida inútil e sem nenhum resultado aparente. Eu prefiro acreditar que todos nós temos um propósito definido, mesmo os mais simples possíveis. Funcionaria como a composição de um gigantesco quebra cabeças, onde toda peça é indispensável para garantir uma finalização lógica, onde a falta de qualquer peça comprometeria o resultado final. E sendo assim dentro dessa simplicidade volumétrica se deslocariam e viveriam os que seriam capazes de transformação efetiva, o mais simples sustentaria o mais complexo para em associação produtiva uma dedicada realidade fluísse de forma saudável. Como um projeto que visa a acomodação sem não conformidades e assim estaríamos literalmente em constante construção da realidade entre a agitação dos diferentes e incompatíveis. O que considero uma construção intelectual romântica do nosso cruel mundo real.



Não sou eu que aplica relevância a este ou a aquele indivíduo, é o próprio elemento que escolhe a relevância no mundo que desejará ter. Sem determinação, sem aplicação exaustiva vai ser difícil obter diferenciação social. Este comportamento estará embutido previamente no propósito que cada um possui? Bom, posso falar apenas por mim, mas sei que existem os que também pensam e agem assim. Fome de conhecimento, a princípio, ter prazer em executar tarefas de maneira certa e sem preguiça ou com determinação, se algo se apresentar difícil de aprender ou executar, tentar até assimilar o procedimento. Nasci bem pobre e não desejava passar meus dias nessa condição, portanto estudei a vida inteira e trabalhei para obter o maior nível de educação técnica que esteve ao meu alcance e possibilidade de realizar. As aptidões se somam através do tempo, e contribuem diretamente para a dimensão de raciocínio que você terá. Tenho seis cursos técnicos, de eletrônica até estabilidade em embarcações. E claro, Administração de empresas em nível superior. Estando assim apto para entrar em fluxo, segundo o Dr Daniel Goleman, pronto para a neurologia da excelência. Não pensem que foi fácil, pensei em desistir muitas vezes, mas teimosia é minha característica principal e não abandono uma questão sem a resolver e a decompor. Lembrem-se do que falei, determinação e foco hiperfoco na atividade. E assim tudo que você aprendeu vai se apresentar para ser fluxo, para ser insight, ser resposta, e lhe proporcionará um banho energético imenso de circunstâncias aleatórias que chega a causar embriaguez de sensações. E aqui apresento algumas observações a respeito desse estado do Dr Daniel Goleman: “A capacidade de entrar em fluxo é inteligência emocional no ponto mais alto; o fluxo representa, talvez, a última palavra na canalização das emoções a serviço do desemprenho e aprendizado. No fluxo, as emoções não são apenas contidas e dirigidas, mas positivas, energizadas e alinhadas com a tarefa que está sendo realizada”. E ainda tem mais um pouco de tudo isso: “Fluir é uma experiência gloriosa: o sinal característico do fluxo é uma sensação de alegria espontânea, e mesmo de êxtase. Por ser tão bom, é intrinsecamente compensador. É um estado em que as pessoas ficam absolutamente absortas no que estão fazendo, dando atenção exclusiva à tarefa, a consciência em fusão com os atos”.



Se existe algo que determina as nossas ações eu não sei, apenas sei que ao menos eu tive esse entendimento, talvez ninguém consiga mudar o rumo da vida dos outros, mas ao menos algumas vezes eu tentei, com aconselhamento, sugestões e argumentos. A acomodação da maioria parece acontecer naturalmente, dentro de uma falta de perspectiva em meio a poucas alternativas apresentadas, cabe ao indivíduo trabalhar o contexto para que novas opções surjam do emaranhado de propostas. O que faz o seu dia é você, portanto, não reclame do resultado que encontrar no fim da jornada. Um coeficiente de inteligência reduzido provoca também essa penumbra cognitiva, apenas algumas necessidades básicas e de prazer corporal possuem significância relevante nesse cenário, algo mais complexo sempre é visto como exaustivo, desestimulante, complexo demais para ser considerado, mas são justamente essas dificuldades que farão a diferença no final. Quanto mais você aumenta sua capacidade de fazer algo que poucos fazem, você aumenta seu valor de mercado se tornando um diferencial de qualidade. Neste ponto, você pode estacionar em algo mais confortável ou prosseguir se aprimorando, se diferenciando e alcançando pontos que anteriormente pareciam impossíveis. Enquanto as pessoas de forma geral estiverem amarradas nos prazeres e não no sacrifício um mundo enviesado será criado para acomodação da mediocridade. Um mundo voltado para prazeres e banalidades não progride e isso se vê claramente nos países onde o povo se engaja mais no conhecimento e no aprimoramento pessoal, claro com uma boa dose de livre mercado, pois populações mais evoluídas não gostam de controle governamental total. Coletivismo abrangente só e possível onde se pode domesticar populações. Pois nesse ambiente pobre de entendimento a estupidez se diverte e cresce a níveis impossíveis de serem controlados, tornando a realidade um inferno, onde apenas grupos reduzidos se apossam da liberdade e passam a controlar absolutamente tudo. Nossas expectativas hoje não são favoráveis, tudo indica uma etapa terrível no modo de vida da população, Espero apenas que o sofrimento estimule o fator inteligência, o suficiente para entender como chegamos na possível tragédia.



Gerson Ferreira Filho.


Citação:


Inteligência emocional. Daniel Goleman ph.D. Editora Objetiva.


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quinta-feira, 24 de julho de 2025

O encarceramento mental.

 


                                                            Image by Cathe from Pixabay.





O encarceramento mental.




E assim no meio-fio dessas esquinas oportunistas do contexto vamos abordar um tema tão antigo como atual e presente na nossa literatura para registro, embora com polaridade política invertida mas sempre relevante no contexto ao qual se aplica, o crime de pensar diferente. Nós, os presentes nessa lacuna de oportunidade exótica que talvez o destino tenha proporcionado pensamos, mas nem sempre foi possível exercer com plenitude essa qualidade, pois sempre existiu e parece que irá portanto existir um filtro controlador aplicado à força com a intenção de reprimir o individualismo e a capacidade natural de análise do mundo conforme a crença que nos fornece estrutura e exatidão para suprir nosso particular mundo de valores. Os totalitarismos, tenham lá a aparência e a embalagem que tenham não convivem muito bem com o contraditório, sempre buscam suprimir a divergência ocasional para manter a uniformidade monótona da opinião oficial, a opinião permitida. Ao regime opressor, seja lá qual for, pensar se torna um insulto se esse raciocínio não estiver alinhado com seus valores estabelecidos à força por suas particularidades excêntricas e consolidadas no alicerce que escolheram para o controle de populações e países. O clássico temor pela liberdade atormenta sempre essas almas periféricas que apenas sobrevivem na monotonia da estagnação mental onde nada muda ou se apresenta como novidade. Essa falta de complexidade queiram ou não, sempre leva ao colapso, a coisa em si, pode demorar mas em algum momento desmorona por simples incapacidade de renovação e ausência de uma sadia diversidade na textura da artificialidade que criaram. Qual exemplo que temos desse comportamento? Memorias do cárcere de Graciliano Ramos, indico a leitura para um comparativo com a atualidade. Veremos semelhanças como que está por vir, gradualmente estamos nos aproximando de situação semelhante, mas observem, os motivos são ideologicamente diferentes, o autor foi perseguido por ter afinidade com comunistas, nós seremos por não termos afinidade com comunistas, entenderam? No seu livro Memórias do cárcere ele relata em detalhes o seu sofrimento apenas por pensar diferente naquele momento histórico onde um regime que não aceitava quem abraçasse este tipo de posicionamento tivesse paz. Intelectual, bom, se os que o Graciliano admirava estivessem no poder, eles fariam exatamente o mesmo ou talvez pior com os que pensassem diferente. Então, preso sem acusação formal – interessante como regimes de força não dão nenhuma satisfação a respeito e seus atos e ações - , o governo era de Getúlio Vargas, hoje herói da esquerda. Na obra primorosa Graciliano detalha exaustivamente suas bizarras experiências com os acontecimentos, os sofrimentos sem explicação plausível e descreve os personagens bizarros de um regime assim.



Fumando como uma chaminé, descrição dele mesmo, vai expondo o interior do intestino de um regime que não se importava muito com o bem-estar de quem julgava perigoso. Não se enganem, de fato, comportamentalmente pouca coisa mudou, talvez você, se cair em desgraça não possa fumar, por risco a saúde, hoje o maligno se preocupa com sua condição de saúde, talvez para que viva mais tempo curtindo o aprisionamento. Hoje por banalidades se consegue uns quinze anos de cadeia fácil. Bom, segundo um posfácio de Wander Melo Miranda há suspeitas de adulteração no texto do Graciliano; mas ainda assim, é uma obra indispensável para navegar nesse universo de regimes opressores, tenham lá a cor ideológica que tiverem. Pode realmente ter sido adulterado, afinal, regimes de força não apreciam a verdade. Algumas coisas são muito constrangedoras para que sejam registradas para a posteridade. Em nome de um recato obsceno se suprime a verdade. Na narrativa ele, Graciliano descreve algumas situações constrangedoras, nem vou ressaltar e chamar muito a atenção, deixarei que vocês Sintam o absurdo: “O padre de Mangaratiba, numa longa visita, procurou salvar nossas almas. - Formatura geral. Era de manhã, o frio cortante nos arrepiava as cabeças peladas, estávamos no curral de arame. Organizaram-se filas, o reverendo surgiu com o tenente Bicicleta, o oficial de beiço rachado, passeou algum tempo a examinar-nos, depois de colocar-se junto à grade, risonho, esfregando as mãos, um brilho de contentamento nos olhos. Sem dúvida nos julgava animais perigosos enjaulados. Entrava na jaula, mas sentia-se defendido, livre das nossas garras, e esfregava as mãos, satisfeito. Indisfarçável aquele ar de triunfo e segurança”. Vocês acreditam que mudou alguma coisa no comportamento dos militares daquele período para hoje? Basta ver a perfídia que usaram com os manifestantes do dia oito, Não há evolução humana onde se recebe educação para virar um prego. E o padre? Estava presente, sabia do que acontecia portanto, conivente. Nesse simples fragmento o Graciliano mostra como o ser humano pode ser cruel e omisso.



Como no passado, não espere ajuda contra uma situação onde os interessados lucram e vivem muito bem dela, você será esmagado e obliterado por essa gente. Foi assim na Alemanha de1939, foi assim na Rússia de 1917, e foi assim no Brasil Varguista. Regimes de força esmagam o contraditório, a humanidade de quem discorda desaparece, e como uma coisa, podem fazer contigo o que bem entenderem. Recomendo a leitura desse livro, Memórias do cárcere, estamos no limiar de uma situação assim e seria bom que vocês compreendessem o que pode vir, não se preocupe com a lacuna de tempo dos procedimentos executados e descritos no livro, o mal é monótono e banal, ele nunca muda. Ao despedaçar adversários ele apenas sorri. E não se enganem, muitos estão associados a esse mal, vozes de conciliação virão para oferecer o comunismo ou o fascismo como algo insípido, inodoro, mas afastem-se desse discurso, o artifício para subjugar vem embalado em palavras doces, As escrituras em Apocalipse 3,15-16 dizem algo a respeito dessa gente morna, apaziguadora: “Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca”. Então, ler faz muito bem, informa, instrui e oferece entretenimento. Viver sem conteúdo intelectual de valor o transforma em objeto de manobra, sem capacidade de avaliação da realidade. E este mundo não é nem um pouco gentil com despreparados.



Gerson Ferreira Filho.



Citações:


Memórias do cárcere, Graciliano Ramos. Editora Record.


Apocalipse, Bíblia Sagrada.


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segunda-feira, 21 de julho de 2025

O cinismo estrutural.

 

                                                            Image by Leo from Pixabay. 




O cinismo estrutural.



O cinismo que já foi doutrina filosófica na Grécia antiga que pregava o desapego e desprezo pelas comodidades, hoje representa apenas a ausência de caráter. E nesse atrevimento audaz onde espíritos insignificantes se encontram em grau de importância social existe um indisfarçável tédio com o semelhante. Essa gente que julgam tosca, desnecessária até, pois uma vez incultos servem apenas para trabalhar de forma braçal e gerar arrecadação de impostos para aquele vinho importado indispensável para acompanhar um almoço diferenciado. Sim, aqui nesse fim de mundo temos os que se julgam elite, os botocudos com grife, de posse de um simples diploma de curso superior e aprovados em concurso publico ou por escolhas políticas nadam em arrogância densa e se sentem superiores a todo esse restante da sociedade desclassificada, e claro, por isso merecem viver à custa de todos, e não com simplicidade, mas com todo esplendor que um príncipe merece. São socialistas, claro! A epitome liofilizada da estupidez, um autêntico despautério populista estruturado socialmente para abrigar seres “ungidos”, especiais, que não podem ser confundidos com o restante da sociedade, com qualquer um. Para entrar nesse mundo você precisa apenas de um diploma de graduação em Direito e contatos de oportunidade, não há necessidade de mérito real, seja apenas ou pareça leal a uma ideologia. Essa diferenciada engenharia social supostamente preserva os melhores da sociedade sob os critérios inventados por eles mesmos para garantir uma posteridade de qualidade, pois esses “direitos” criados costumam migrar de pais para filho ou filha, como queiram. No fim, vira uma dinastia de privilégios e superioridade social dentro do país, onde poucos tem acesso ao melhor da vida. Não se preocupem, não há constrangimentos nesse meio, todos são progressistas e supostamente zelam pela igualde social dos povos, são inclusivos, não discriminam, não permitem segregação entre multidões de gente comum, pois proporcionam a mesma cota de ração de sobrevivência para cada súdito que vive em seu entorno. Resta a todos nós, os participantes dessa massa de considerados desqualificados sobreviver dentro desse hospício real onde fomos enfiados a contragosto, não interessa se você é graduado em alguma coisa, você não se graduou na ciência certa, escolheu algo inferior como engenharia, medicina, Administração, tudo isto é irrelevante em comparação ao avaliador das leis. Lamento se você projeta pontes, edifícios, se realiza cirurgias complexas se organiza empresas estruturando seu fluxo de ações, você é inferior e tem de se submeter. Afinal, você escolheu errado, escolheu ser inferior. Parece piada mas não é, assim se organiza a sociedade hoje, alguém com dificuldades em cálculo simples dita todas as regras da sua vida, lamento, amigos que possuo dentro do Direito, essa é a estruturação social que criaram. Aos bons juristas eu dedico minha solidariedade, mas destruíram a carreira de vocês, os que não participam do clube da elite foram assim transformados em despachantes sofisticados do processo, se urinarem fora do vaso caem em desgraça. Assim como esse texto, eu tenho uma obra de seis livros até o momento descrevendo através do tempo a nossa particular decadência como sociedade livre. Mas as pessoas não se interessam, não compram, não leem e os nomes de destaque não divulgam como se existisse inexplicavelmente um certo ciúme intelectual pelo trabalho. Curioso e trágico. Deve ser a cota de cinismo nosso de cada dia, pois não só a mais elevada camada social possui essa característica, o que se entende é que novas forças são boicotadas dentro de um cenário já muito hostil apenas para não ser um concorrente direto no seu nicho de atuação, o brasileiro tem muito disso e nem nota. Então sou obrigado a fazer algo inusitado citar algo que escrevi e está no livro Detalhes do dia: “E sendo assim, aqui estamos nesse caldo que ousa ser literatura e que tenta ser apologético nesse texto ocasional de uma época destrambelhada e sem rumo certo”. Enquanto isso o escalonamento das arbitrariedades prossegue impávido, sem nenhum temor a movimentos externos de punição. Nossos líderes já urinaram nos quatro cantos do país e estabeleceram o perímetro de segurança, não há o que temer pois restrições tarifárias não os atinge diretamente, quem paga é o povo, e essa gente não se importa nem um pouco com isso. Prosseguindo na inusitada citação de meus textos: “Nós aqui encarangados entre absurdos, prosseguimos na boa fé de que algo mude o cenário para proporcionar um equilibrismo de fato na estrutura psicológica de um tempo que parece condenado a mergulhar no erro que se tornou sistêmico”. Esse texto, o Axioma exógeno já tem algum tempo, e nada mudou, ao contrário , se agravou e prossegue em decomposição continuada. Alguém leu? Claro que não, exceto uma reduzida minoria que me acompanha e prestigia meu trabalho. Uma turma muito qualificada que atesta a qualidade do que escrevo.



Portanto, não me preocupo com críticas, tenho um lastro positivo de opiniões de pessoas muito qualificadas e unanimidade não existe, alguém sempre vai se sentir desconfortável com o que escrevo, afinal, minhas fortes críticas ao socialismo são severas e isso machuca os doutrinados e servos do coletivismo insano. Uma doença metal dos nossos tempos. Os meus livros são revisados, editados em formato clássico ABNT onde as citações são colocadas em recuo o que facilita a leitura. Mas no Blog Entretanto coloco o texto bruto, muitas vezes carente de revisão, reconheço, e tem em áudio também no meu Telegram, onde leio e comento e assim oferecendo um teor mais intimista ao trabalho, além de tornar mais pessoal o contato com os interessados. Nesses livros estão registrados os acontecimentos exóticos do nosso cotidiano recente e oferece um bom panorama da tragédia que agora nos envolve. O escalonamento do arbítrio pode ser sentido no decorrer do tempo, nas opções erradas, nas escolhas desastrosas e no perfil submisso de nossa sociedade. O que temos hoje não foi fruto do acaso, se formou com a colaboração de despreparados e com apoio de muita venalidade política abraçada a uma estupidez sistêmica que envolve a nossa sociedade, a sociedade da vantagem acima de tudo. Agora, não se enganem não haverá recuo. Trata-se da sobrevivência de um esquema e os que pertencem a ele vão até às ultimas consequências.




Gerson Ferreira Filho.


Citação:


O axioma exógeno do livro Detalhes do dia, autor Gerson S. Filho, Editora Delicatta.


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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Um perímetro para guarnecer.

 


                                                              Image by Anja from Pixabay. 





Um perímetro para guarnecer.




E assim devemos por segurança estar aprovisionados em nosso espaço mental para suportar tanta surrealidade e ignorância que hoje a sociedade nos proporciona sem receio de ser invasiva e inconveniente. Naturalmente sempre existiu e vai existir uma cota determinada de estúpidos no mundo mas como agora ele adquiriram protagonismo e relevância passaram a transformar o mundo em algo surreal. E as esquinas do mundo são sinuosas e controversas, sempre com aquele olhar sedutor para lhe oferecer algo incorreto para o levar ao abismo. A vida é um oximoro pedante que sempre lhe oferece duas alternativas: uma errada e a outra incorreta, e dessa combinação inadequada se produz um futuro injusto e desajustado com o perfil de um mundo sadio. Viver no hospício não é fácil, mas é o que temos em um período onde a negligência revestiu a realidade com uma loucura contumaz. Portanto, se proteja dentro da cultura relevante, lendo bons autores e não apenas os da camada ideológica que são apenas serviçais fiéis dessa insanidade. Carlo M. Cipolla criou às leis fundamentais da estupidez humana e entre tantos comentários nos ofereceu: “É preciso ter em mente que, de acordo com a segunda lei fundamental, uma fração da população votante corresponde a pessoas estúpidas, e eleições oferecem a todas elas uma oportunidade magnífica de fazer o mal a todas as outras pessoas sem ganhar nada por sua ação”. E o que diz essa tal de segunda lei? Aqui está: “A probabilidade de determinada pessoa ser estúpida independe de qualquer outra característica dessa pessoa”. Então, eu comprovei isso pessoalmente gerenciando pessoas e me relacionando diretamente com profissionais de alto escalão, Profissionais, uns até com doutorado que exalavam estupidez e era necessário aparar arestas para que determinada ação ou tarefa não acabasse em desperdício, improdutividade em cronogramas altamente complexos de atividades rotineiramente especializadas. Normalmente um estúpido está sempre coberto de certezas e sempre procura seguir essas convicções errôneas que lhe dão lastro a sua peculiar arrogância que o define sem que ele se perceba como um idiota.



Na verdade, a estupidez estratifica o mundo em camadas de insanidade, aplica sempre o desejo vulgar de informações aleatórias e não fundamentadas na verdade. Para um estúpido reconhecer a verdade se faz necessário um forte trabalho de descontaminação criterioso e sensato quanto a lhe oferecer alternativas que pareçam ter saído da cabeça dele, é assim que se lida com deficientes mentais. A solução tem de ser semeada com cuidado na cabeça do necessitado para que ele aceite a mudança dentro dos paradigmas paradoxais que habitam uma mente conturbada. Cipolla também cita em referência: “A maioria das pessoas não age com consistência, sob determinadas circunstâncias, uma determinada pessoa age com inteligência e sob outras diferentes a mesma pessoa vai agir de forma vulnerável. A única exceção importante a essa regra é representada pela pessoa estúpida que normalmente demonstra um forte pendor na direção da consistência perfeita em todos os campos do empreendimento humano”. O estúpido sempre foge para seu nicho de entendimento particular, por isso há necessidade de que seja tutelado intelectualmente para não se perder em conjecturas infames de seu raciocínio limitado. Thomas Sowell apelidou essa turma de Os ungidos, um livro que recomendo, e eles hoje comandam o mundo. O resultado se torna evidente ,basta acompanhar o noticiário para entender que algo vai muito errado na governança geral. Para lidar com esse mundo complexo eu sugiro a aplicação da Navalha de Ockhan, não sabe o que é? Enquanto o estúpido complica, busque a simplificação. Essa abordagem filosófica vem do frade franciscano Guilherme de Ockhan, lá nas profundezas do século XIV. E é usada até hoje com um simplificador de procedimentos, alguma coisa muito complexa se resolve com a mais simples das abordagens. É mais ou menos isso: “A pluralidade não deve ser postulada sem necessidade ou é inútil fazer com mais aquilo que pode ser feito com menos”. E também o autor do livro a respeito dessa filosofia Johnjoe McFadden cita: “Em 1934, Albert Einstein insistiu que o grande objetivo de toda ciência é cobrir o maior número de fatos empíricos por dedução lógica a partir do menor número possível de hipóteses ou axiomas”. Um estúpido ou imbecil não possui capacidade de trabalhar filosoficamente assim pois estão imersos em convicções vadias e deturpadas na sua particular estrutura mental. A certeza é o abrigo do estúpido, e hoje temos muitos em função de comando, criando privilégios para si e os seus companheiros de insanidade. Por isso a necessidade de fortalecer o espaço mental vital para não ser tragado por esse oceano de dejetos mentais onde estamos por obrigação existencial mergulhados. Sem uma boa estrutura intelectual, privilegiada com bom conteúdo de conhecimento a respeito de filosofia, economia, psicologia, literatura e organização social com uma boa dose de administração de procedimentos estaremos expostos demais a atmosfera exterior que hoje não é saudável.



Guarnecidos em nosso espaço mental assistiremos essa tragédia patrocinada por ideólogos e agentes de desestruturação social que foram muito dedicados em pregar o erro como se fosse algo vantajoso e correto. Como artificialidades não se sustentam por muito tempo a tragédia virá, o colapso do sistema e de sua estrutura mental em algum momento entrará em conflito sistêmico e não poderá prosseguir pela simples falta de material humano de qualidade para dar prosseguimento no devaneio, pois até para sonhar corretamente se faz necessário qualidade de raciocínio. O desastre fareja a incompetência e sempre acha seu alvo, tudo é uma questão de tempo.




Gerson Ferreira Filho.




Citações:


As leis fundamentais da estupidez humana. Carlo M. Cippola. Editora Planeta.


A navalha de Ockham. Johnjoe McFadden. Editora Sextante.



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quarta-feira, 9 de julho de 2025

O avesso da lógica.

 

                                                        Image by Juanita Mulder from Pixabay. 





O avesso da lógica.




E assim nesse trabalho que executo de acompanhar a realidade e seus atributos contemporâneos e de presença marcante nessa circunstância que nos abraça para que sustentados estejamos no tecido desse agora controverso, temos aqueles que lutam para ser taxados, para pagar imposto. Não acreditam? Pois é, chegamos nesse ponto de delírio social onde a vítima implora o contato do chicote com sua pele como se isso fosse lhe proporcionar prazer. Como chegamos nesse nível? Ora, com professores que pregam a decapitação de opositores nas universidades, de economia planificada, de coletivismo e outras taras ideológicas diversas e incapacitantes. Quem lê os grandes autores da economia sabem diferenciar o que é oferta, demanda e empreendedorismo. Adam Smith determinou como funciona: “Dê-me aquilo que eu quero e você terá isto que você quer”. E também algo com mais conteúdo explicativo a respeito do funcionamento da economia: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que eles têm por seus próprios interesses”. E também um detalhe constrangedor para nossos dias de amor a dependência econômica do Estado, onde se prefere receber benefícios do governo do que trabalhar: “Ninguém, a não ser um mendigo, opta por depender principalmente de seus concidadãos”. O que nos leva a crer que estamos numa época de mendigos, pedintes maltrapilhos e esfarrapados de alma. E assim sendo essa gente, toda essa massa humana apoia o aumento da cobrança de impostos, pois isso transfere dinheiro da camada produtiva para quem não produz nada, é um perfeito inútil. Qualquer imposto, tenha o nome ou a sigla que tiver vai parar no preço final ao consumidor, entendam; o empreendedor, também conhecido como empresário tem sua receita proveniente de sua atividade específica, e ele não vai absorver mais carga tributaria sacrificando sua margem de lucro para nenhum projeto social. Porque amigos, o governo não tem dinheiro, ele arrecada os recursos através dos impostos para pagar suas obrigações administrativas e compromissos populares e populistas. Atender necessidades e desejos é a alma da economia de livre mercado, e os que se prontificam a realizar esse atendimento criam muita vezes fortunas, em outros casos apenas sobrevivem com sua margem de produtividade após desconto de todas as obrigações tributárias, essa que vão para o governo.



Entendam, existe uma margem de sobrevivência onde o empreendedor não permitirá invasão de forma alguma, pois ali está a qualidade de vida dele, e se um novo imposto for criado, ele simplesmente irá repassá-lo para o preço do produto que coloca na praça. O que irá assim onerar o consumidor interessado em tal produto, pode ser pão, carne, arroz, feijão, leite, ovos etc. Vamos desenhar: através de um estorinha bem simples. Dona Gertrudes é uma excelente confeiteira, e sendo assim resolve empreender e produzir doces em geral para vender na porta de casa. Para produzir os diversos doces ela precisa de insumos, de produtos base como farinha, açúcar, ovos, leite, essências diversas, corantes, e ainda formas metálicas variadas e claro gás para os fornos onde serão cozidas todas essas guloseimas. Tudo isso tem um custo que será incorporado no preço do produto, assim como o preço da mão de obra, o esforço consumido em produzir e o tempo gasto nessa produção. Ela sendo organizada, ela anota tudo isso direitinho para obter a margem real que dedicará ao lucro, o retorno esperado com a produção. Essa margem de lucro tem de compensar todo o trabalho e gerar receita para comprar novos insumos, e claro, a justa e merecida sobra que irá portanto, recompensar todo trabalho. Este equilíbrio se mantém até que o governo crie uma nova tributação. Ao surgir um novo imposto, os fornecedores de matéria-prima aumentam seus preços para descarregar o novo imposto em quem compra, e assim esse novo tributo vai para dona Gertrudes, e ela não vai ficar com esse prejuízo que reduzirá sua margem de lucro, também reajustará o preço de seus doces. Portanto, aumento de imposto impacta diretamente no preço final ao consumidor que pagará mais caro pelo produto que deseja, até mesmo um docinho excelente para agradar o paladar do dia. Seja um imposto direto ou um imposto sobre operações financeiras, o mercado vai entregar esse reajuste de preços na sua mão prezado consumidor. Não é uma medida inteligente apoiar aumento de imposto porque quem vai pagar é você mesmo, no final a sua renda familiar será reduzida pelo governo para satisfazer necessidades alheias aos seus interesses pessoais. Não seja burro o suficiente para ajudar o carrasco a lhe esfolar, por favor, o bom senso agradece.



Governos não democráticos e improdutivos se alimentam de altíssimas cargas tributárias para satisfazer seus luxos e para manter parte da população sob controle de seus benefícios sociais criando uma legião de dependentes fiéis que entregarão sempre seu voto ao sistema. Existe também a causa base do aumento de preço a expansão da moeda, impressão de dinheiro, o que torna o valor de face menor pois há mais dele em circulação. Um fenômeno monetário já explicaram diversos economistas renomados, alguns com prêmio Nobel nessa área. O ser humano de forma natural pensa primeiro em si e no resultado que terá para se sustentar e ter conforto financeiro, Adam Smith também cita isso: “Todo indivíduo sempre se esforça para encontrar o emprego mais vantajoso possível para o capital de que ele dispõe. De fato, é a sua própria vantagem, e não a da sociedade, que ele tem em vista”. E aqui nessa simples característica muito humana é onde mora o desastre do coletivismo, qualquer tipo de socialismo, ninguém vai produzir para o benefício dos outros, e sim para si e para os seus. O que acaba tornando sociedades coletivizadas improdutivas se o agente de produção de bens não tem participação direta no resultado do seu trabalho, para que exatamente ser eficiente se parte do seu próprio esforço vai para os outros, que talvez nem se esforcem para ter vantagem? O indivíduo quer seu bem e dos seus, se tiver liberdade ele enriquecerá assim como tantos outros também, e um número muito grande de indivíduos com prosperidade formam um país rico e com liberdade. O segredo? Liberdade, controle mínimo do Estado e carga tributária baixa que permita boas margens de lucro que certamente atrairão investimento e incentivarão o progresso de forma geral. Raciocínio fácil demais para quem não possui o cérebro do lado do avesso.




Gerson Ferreira Filho.



Citação:


A mão invisível. Adam Smith, Penguin & Companhia da Letras Editora.  



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