domingo, 25 de janeiro de 2026

Por todas ocasiões.

 

                                                      Image by  Dawn Rose from Pixabay. 




 Por todas ocasiões.



A vida não passa de um inusitado protagonismo de coisa nenhuma. Surgimos, tomamos consciência, e agimos continuamente para tentar encontrar um encaixe que sirva na realidade sem provocar ferimentos, nem sempre dá certo, na maioria das vezes dá errado, e assim nos evadimos dos propósitos planejados um tanto antecipadamente para encontrar outro sentido. Um sentido que sirva na próxima narrativa que desta vez se ajuste para vestir o momento que se constrói no novo intervalo de vida. Novas associações, novas interpretações e outros sabores que o tempo nos oferece como opção, são tantos, tão diversificados, de amorosos a ultrajantes, de sedução ao ríspido abandono e descarte. É assim, pessoas vêm e vão, chegam e partem uns levam de nós as boas memórias, outras apenas saem a francesa sem causar impacto, mas de certa forma, todos deixam suas marcas. Parentes de sangue, amigos de alma e uma ocasião aleatória que fica na lembrança. Quantos já se tornaram saudade, outros livramento, mais uns tantos apenas se fizeram componentes coreográficos do cenário da vida, pois é assim, parece uma coisa sem importância mas todo o conjunto fez parte de você em algum momento e compõe suas lembranças. E você não passa de um acervo de ocasiões, de circunstâncias, e quando tudo isso se for, nada mais restará para compor o que você é. Eu me lembro, das tantas vezes que saltei de cabeça no risco, mesmo reconhecendo que o odor do perigo era preponderante na ocasião, confesso, fui ousado a beira da irresponsabilidade as vezes. Mas foi assim, não teria chegado a esses resultados que me puseram nesse agora sem essa dose de atrevimento. Talvez a vida aprecie a irresponsabilidade algumas vezes, goste daqueles que insinuam audácia onde naquele momento deveria existir comedimento, usei algumas vezes o abismo como referência para saltos inusitados dentro de realidades controversas que assediavam meu momento. Ainda me recordo do primeiro beijo, o primeiro amor a namorada e todas as ocasiões que aquecem o coração, do primeiro emprego e até das fragrâncias de uma época que hoje apenas mora em lembranças empoeiradas. Ainda está em mim aquele garoto desconfiado e que analisava todo o cenário com uma curiosidade absurda, tentando entender completamente tudo que surgia como novidade. Aprendi, aprendi muito, que esse mundo é repleto de idiotas, que se consideram espertos e te enganam toda hora com se você não fosse perceber, mas assim aprendi a deixar para lá, permitir que imbecis de toda espécie se deleitassem com supostas vitórias que apenas atestavam seu decrepito modo de pensar. Se regozijar de um suposta vantagem conseguida com trapaça onde o trapaceado sabe o que foi feito não é um vitória, mas uma vergonha mal alinhavada e passada. Um verdadeiro atestado de incompetência para dar aparência de vencer de forma justa. Estudei, trabalhei em diversos ambientes, cada um com sua realidade própria e em alguns até angustiante, em outros até agradável, mas sem nenhuma perspectiva de progresso, pois há de se possuir ambição, sem ela estacionaríamos em algum ponto referencial sem saída e ali teríamos o destino final da jornada sem alcançar um possível limite de progresso dentro do processo. Ser inquieto tem suas vantagens. Nunca consegui me satisfazer com o desconhecido, portanto, estudei tudo o que pude, fiz todos os cursos que foram possíveis, no encalço daquilo que se desconhece. Admito, obsessão tenho de sobra, quando escolho um alvo, sigo na captura, depois que mordo, nem trovoadas e relâmpagos me fazem soltar. Não me intimido com desafios. Os encaro com a determinação multifacetada do somatório de ocasiões que constam do meu acervo de capacidades. Estou falando muito de mim, mas poderia ser de você que lê isso, porque eu estou lhe oferecendo um roteiro de viagem.



Ninguém alcança o que deseja sem determinação, sem estabelecer um alvo, Não precisa ser desleal, muito menos trapaceiro, apenas se qualifique, esteja pronto para a oportunidade quando ela aparecer, e nesse ponto inicie seu baile de competência, vai gerar desconforto nos periféricos incapazes, sempre é assim. Aquela turma sem propósito não gosta dos que se destacam ou apresentam um bom desempenho, a turma gosta do nivelamento por baixo, a mediocridade remunerada é muita em muitos lugares. Trabalhar apenas para garantir o salário, esforço só se for para manter tudo como está, ideias novas? Os chamados grupos de conveniência “panelas” são muito comuns no meio empresarial, sempre fui visto com maus olhos por essa turma. E se você se interessar realmente pelo que faz e se dedicar a apresentar resultados sempre melhores, não se engane, será sabotado e possivelmente descartado pela turma de preguiça mental. Meus caminhos sempre foram produzidos pela minha teimosia em procurar fazer o melhor, isso me conduziu a posições que nunca imaginaria ocupar, e nesse ponto o trem passou e eu estava pronto na estação. E certa vez me disseram que pedra que rola muito não cria limo, em referência as minhas constantes transferências de lugar de trabalho, mas eu não quero criar limo, eu desejo ser refinado pelas múltiplas experiências, pela diversificação de situações, por tornar o abstrato em sólido e com ele construir minha realidade. E assim, dentro dessa realidade ainda tem casamento, filhos enfim, aquelas coisas que deveriam trazer estabilidade mas acabam se tornando mais alguma coisa a se administrar. Nesse campo reconheço, fracassei, ou não, porque trinta anos de casado não significa necessariamente um fracasso, mas não estou apto a aconselhar ninguém nesse campo. Cada um que gerencie seu relacionamento dentro de suas características específicas, se trata de um assunto muito particular, e o que funcionava para mim, pode não funcionar para outra pessoa. Os problemas que tive podem não ser um problema para outros relacionamentos. A neuroplasticidade circunstancial dos métodos cotidianos sociais conduzem a vários caminhos e muitos deles levam a desencontros e a separação inevitável. Quando o sincronismo que estabiliza a relação se perde, não há mais o que fazer. Tudo que vier depois será apenas desgaste desnecessário. Se eu errei? Sim, muitas vezes, com falta de atenção, com desinteresse, mas lembrem-se, o estresse no qual vivia profissionalmente era imenso. E justamente por ser humano, sofri um impacto devastador por uma vida profissional de altíssimo desempenho. Porém, eu penso da seguinte forma, tudo que aconteceu, foi porque tinha que acontecer, estava na programação existencial, não havia como fugir do resultado obtido, era para ser assim. Provavelmente, eu não teria escrito seis livros até agora e com um sétimo para ser lançado se continuasse numa vida a dois. Não procurei isso mas aconteceu, para que e por quê? Sinceramente não sei mas deve ter um propósito, deve representar algo, mesmo não obtendo e conquistado público leitor e prêmios literários.



Por todas essas ocasiões e por tanto construído numa simples vida ao menos, além dos meus filhos deixo um legado de cultura, um caminho para os que se interessarem em aprender, em conhecer a respeito de grandes autores, no corpo desse trabalho, aqui coloquei uma infinidade de referências de grandes intelectuais, espalhadas por todos esses livros, disponível a quem se interessar. Imprimo também o meu jeito literário exótico e muitas vezes semanticamente estranho e controverso, é meu estilo. Enquanto eu tiver margem nesse mundo ocuparei esse espaço definido com trabalho, cultura e opinião. Sinto, pressinto que já não tenho muito mais tempo, mas prossigo por aqui enquanto o transporte para outra realidade não vem. Quem algum dia se interessar em ler esse autor que vos escreve e fala, o texto está nos livros e eu estou neles. Escolha qualquer um, pode se ler aleatoriamente, cada texto possui um universo diferente de interesses, alguns salvam um momento específico da vida, outros analisam as ocasiões políticas e econômicas do nosso tempo, e a literatura de grandes autores nacionais e internacionais. Porque a abrangência é necessária ao bom nível cultural. O sentido da vida que encontrei é esse, espero ajudar a todos vocês a encontrem os seus caminhos e que quando acharem, estejam preparados.



Gerson Ferreira Filho.


ADM  2 - 91992 CRA – RJ.



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