sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O coletor de ocasiões.

 

                                                         Image by Heiko Stein from Pixabay.





O coletor de ocasiões.



Ah, se suplícios lancinantes margeassem a borda das hipóteses psicóticas apenas para serem tragadas pela insensatez contumaz de um suposto destino, assim construído na demência humana que estabelece seu desastre particular estaríamos apensas trafegando no contrassenso do período ocasional das urgências humanas que se formam em contínuo contato com o desatino e a arrogância impertinente das ocasiões. Porém, a coisa se torna muito mais complexa neste lugar onde a gordura do corpo se incorpora no calor excepcional para agir como um lubrificante da continuidade existencial que se impõe apesar da ousadia do clima que insiste em coagir o corpo do homem. A verdade, trago em mim tantos momentos, tantas circunstâncias, um oceano de ocasiões, onde naveguei destemidamente para possuir o que hoje me transborda a alma. De fato, sou um colecionador, tenho um sótão imaginário, virtual, cheio de conceitos e determinações, onde abrigo tantas convicções e incertezas quanto as estrelas no céu. O memorial das ações e decisões tomadas, respostas assumidas ao que se apresentou como desafio, pois se o absurdo é a resposta, Albert Camus certamente tem a resposta. Não precisamos de compreensão, apenas e portanto, evitar trafegar nas expectativas e viver para vencer os desafios mesmo que pareçam impossíveis de serem vencidos. Transforme sua paixão em propósito, em vontade inquebrantável de existir, apesar dos revezes, e da maledicência das ocasiões infames que tenha que enfrentar. Lembre-se sempre: o jogo tem de ser jogado, escolha a peça que deseja ser no tabuleiro. Acosse o destino como se fosse um chicote presunçoso que não aceita o trajeto que lhe foi imposto, ao margear o inaceitável, você o coloca dentro de você, se for necessário que se cumpra, então, transfigure-se em desafio, uma ousadia materializada no inconformismo com a realidade. Dentro de sessenta anos eu já mudei tantas vezes minha configuração psicológica para sobreviver que simplesmente encaro cada etapa como uma vida diferente, que somados na trajetória construíram minha realidade hoje. Derrotas, trapaças, traições, perfídia, maledicência, falsidade ocasional e a sistematização da perda de confiança no ser humano, não é fácil. O mundo real machuca, tortura, desafia e impõe pela força de péssimos sortilégios uma rotina desafiadora para qualquer um, os que entendem o cenário seguem em frente, os que não, sucumbem e ficam pelo caminhos da vida.



Se transformam em projetos fracassados, em resíduo ocasional fruto do processo, onde são triturados sonhos que foram incapazes de se sustentar e se adaptar na pauta ocasional que o momento ofereceu, lembrem-se, a paixão, o antídoto contra a negatividade, apaixone-se por si mesmo, ame-se e supere qualquer obstáculo que venha com odor de derrota, devo lembrar que a loquacidade pode ser indesejável nesse plano, ser discreto conta mais e conforme estabeleceu Albert Camus:


O autor medíocre dessa forma é levado a tudo o que lhe agrada. A grande regra do artista, ao contrário, é esquecer parte de si mesmo em proveito de uma expressão comunicável. Isto não ocorre sem sacrifícios”.


Sim você está no palco, no teatro da vida, portanto, como já citei, apaixone-se por seu desempenho e seja a harmonia determinante do cenário. Existiram com certeza momentos intoleráveis, ocasiões onde a fugacidade das certezas proporcionarão dúvidas e o débito que gerarão e recairão no custo do momento. Analisando o sarcasmo de Nicolas Chamfort, Camus cita algo útil para nosso tempo:


O que é efetivamente uma máxima? Simplificando, podemos dizer que é uma equação, em que os signos do primeiro termo se encontram de modo exato no segundo, mas numa nova ordem diferente. Por isso a máxima ideal sempre pode ser invertida. Toda a sua verdade está nela mesma e, assim como uma fórmula algébrica, ela não tem correspondente na experiência. Podemos fazer com ela o que desejarmos, até o esgotamento das combinações possíveis entre os termos do enunciado, sejam eles amor, ódio, interesse ou piedade, liberdade ou justiça. Podemos até, e sempre como na álgebra, extrair de uma de suas combinações um pressentimento da experiência. Mas nada disso é real, porque nela tudo é geral”.


Sejamos indulgentes com essa realidade, ela se ordena entre termos contratuais que insistem em nos reter na plasticidade de seus tempos opacos e submissos ao aprisionamento mental coletivo. Ser indivíduo dentro de tudo isso pode ser exaustivo, muito louco, algumas vezes.




Por isso, por todas essas circunstâncias, devemos adquirir multiplicidade existencial mesmo sendo apenas um. Como um desdobramento quântico que mantém seu entrelaçamento apesar das distâncias. E assim, com tantos laços específicos de uma existência assumidamente fatal, caminharemos no trajeto que nos deram para nos tornarmos matéria para os bardos possuírem uma narrativa para ocasionalmente divulgarem entre interessados em poesia e canto. E assim cá estamos, mais uma vez em fim de ciclo, na fronteira artificial do tempo para instintivamente estarmos com as origens. Somos todos filhos do mar, materialmente a água nos constitui e abriga nossa alma. Este grande ser vivo que proporcionou o corpo que usamos será mais uma vez procurado, não para lazer mas para culto e um ritual de travessia. Ele abusadamente se espalha por todos os cantos, impondo seu gigantismo colossal, poucos entendem isso, esse retorno ocasional as origens. Em associação com tantas outras coisas, adquirimos um corpo para chamar de nosso. Eu, pessoalmente vou cumprindo meu caminho, já deve estar no fim, nunca se sabe. O objetivo parece amplo, por isso coleciono ocasiões, para não me perder de você, destino. Porque enquanto a missão não acaba, minha voz grave irá assim provocar instintos ao pé do ouvido quando o clímax se apresentar na urgência da carne. Um feliz ano novo!




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.





Citação: A inteligência e o cadafalso. Albert Camus. Editora Record.


A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor.

https://t.me/gersonsilvafilho


A seguir os livros e os links para comprá-los  na Editora Delicatta.

https://editoradelicatta.my.canva.site


Lançamento já disponível para compra na Editora Delicatta. Trezentas páginas das crônicas mais recentes com os mais variados temas como sempre.









sábado, 20 de dezembro de 2025

A marca do momento.

 

                                                    Image by Felix Lichtenfeld from Pixabay.





A marca do momento.




Então, aqui estamos na fronteira de mais um natal, o que já foi um dia para muitos uma data de celebração, hoje adquire formato de súplica. Os prognósticos são infames, não há no cenário algum vestígio de vitória, apenas capitulação perante o ignóbil assumido dos poderosos de plantão. Vorazes em dilapidar a qualidade de vida da população. Com uma expectativa de futuro terrível, os poucos com capacidade de raciocínio lógico sabem, o desastre virá esfomeado. Não poupará ninguém, de coniventes a inocentes, todos vão ser tragados nesse sumidouro de esperanças. O ano? Dois mil e vinte e cinco, do calendário cristão. Se a civilização ocidental vai ter condições de suportar todos os ataques engendrados contra ela é impossível saber, hoje temos a peculiar atitude de membros que constituem esse mundo, lutando de forma enfática contra ele. As populações foram induzidas a um comportamento suicida, ao relativizar seus melhores valores, em nome de excesso de tolerância se fragilizaram ao ponto de provavelmente não existir mais retorno. Um descuido fatal para o conjunto de nações que se propuseram a se entregar à selvageria consentida de momentos inadequados para o convívio grupal mais equilibrado e com regras específicas apoiadas na letra da lei civilizada. Hoje, neste momento, temos a permissividade e a vantagem pessoal exclusiva de pequenos grupos de poder em prática rotineira. Para um pequeno grupo não há limites éticos de comportamento, a lei? Essa se retinge aos de fora desse mundo privilegiado por relacionamentos difusos sob a capa da neblina da conivência. O restante que se vire, que sobreviva com auxílios governamentais e se divertindo com shows de artistas que praticam vassalagem por dinheiro público. Constrangimentos? Nenhum! Afinal, já não produzem mais nada de interessante há décadas, se vivessem de sua produção artística hoje estariam certamente pedindo esmolas. No mundo político, oposição e situação se digladiam para ver quem é mais sujo, basta uma ligeira investigação, que situações constrangedoras surgem dos armários e gavetas que escondem os cadáveres da ilegalidade oculta pelo cinismo abrangente. Sendo assim, esperar solução desse ambiente se torna algo que equivale beber água do esgoto e esperar não sofrer um resultado negativo com isso.



O palco da politica está sendo montado como sempre, afinal o circo tem de iludir e distrair a população, então, o candidato que vai perder parece que foi escolhido. O simulacro de democracia tem de ser preservado, fica muito feio assumir diretamente um regime de força não democrática, prejudica os negócios internacionais. Pasmem, tem gente que dentro de toda essa situação que acredita em eleição. Bom, afinal, engajamento político sustenta muita gente, existe um fundão eleitoral com recursos para remunerar os palhaços que irão assim propagar a comédia política. Foi montada uma estrutura circense sedutora aqui para esse evento. Nem preciso mencionar muito o jornalismo de aluguel ou os verdadeiramente idiotizados por ideologia, estes como cães esquizofrênicos em surto correm sempre no sentido contrário que a carruagem passa. Quem se informa somente pela mídia mainstream pode ter dano mental e surtos psicóticos, pois vive num mundo de fantasia. E ainda para adornar o momento temos um cometa de passagem, o 3 I/Atlas, segundo as tradições de civilizações antigas, um cometa é um enorme mau presságio, ele sempre precede revoluções, guerras, epidemias, desastres naturais de grande proporção. Não seria de estranhar se ano que vem tivéssemos alguns eventos desastrosos, aqui no campo político, certamente, pois esse cenário está em construção acelerada. Quem entende um mínimo de economia sabe disso. Mas nós temos um vasto território, com muitas riquezas cobiçadas, sempre se pode vender algo para obter sobrevivência. E sendo assim, não haverá falta de dinheiro para o atual governo enquanto existir patrimônio nacional para trocar por sobrevivência. Os cobiçosos internacionais não se importam com ética, querem apenas vantagem.




E portanto, prosseguimos com o povo contido em sua energia potencial como uma mola comprimida no corpo de um mecanismo qualquer, Ele, o povo, tem energia acumulada, mas está submetido a pressão do sistema, só atuará quando esse controlador da realidade assim o quiser. Não estou falando aqui da mecânica simples mas psicologia fenomenológica, de Jean-Paul Sartre. No qual estudo do tema diz:


A energia que se acumula na mola comprimida, não a sentimos como puro armazenamento passivo, mas como uma força viva que cresce com o tempo. Aqui a imagem da mola já não é simples imagem da mola. Ela é além disso, alguma coisa indefinível: uma imagem da mola viva”.


Dentro dessa opressão persistente e de característica preponderante, submete a massa popular ao seu destino de eterna força contida entre receptáculos de abrigo das vontades indesejadas por uma elite singularmente cruel.



Este mecanismo de controle estratégico no campo psicológico tem eficácia garantida nas mãos de quem sabe aplicar sua característica de segurança. Jean-Paul Sartre prossegue:


É disso que se trata: o oprimido é a mola. Mas por outro lado, na mola comprimida já podemos ler com evidência a força que ela se distenderá: uma mola comprimida representa claramente uma energia potencial. Essa energia potencial será evidentemente a do oprimido, uma vez que o oprimido é a mola”.


A sutil contenção de energia popular se torna um mecanismo extremamente útil para dominadores, exatamente essencial na governança de sistemas que desejam perpetuação no poder. Pois em mais uma definição Sartre completa:


Um organismo: teremos uma intuição absolutamente inversa, algo que poderia se expressar por essa frase: a opressão avilta e degrada os que a sofrem. Mas na imagem da mola deixada por sua conta e vista pura e simplesmente como imagem da mola tampouco poderia bastar para nos persuadir. Sem dúvida a mola acumula força. Mas nunca o suficiente para poder se desvencilhar do peso que pesa sobre ela”.


Então, por isso precisamos nos desvencilhar do imaginário planejado e passar a enxergar o mundo real, aquele fora do controle e não abrigado dentro dos limites impostos por ideologia e procedimentos de sistemas e governos, é preciso atitude, e como conseguir? Estudando, se qualificando, lendo boas obras e bons autores, que possuam uma outra visão de mundo bem diferente daquela que lhe foi oferecida para transformá-los em mola, retida, comprimida e incapaz de acionamento pelo peso do sistema de contensão do esforço mental da ação que viria lhes favorecer. Tudo passa pelo aprimoramento, a cultura verdadeira, a qualificação o tira do perfil objeto, da provável manipulação, Portanto, a liberdade passa pelo trabalho cultural de qualificação do povo quanto aos reais valores da liberdade política e econômica que provoque o litígio entre os valores dos que controlam e a verdade que liberta.





Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.



Citação:


O imaginário. Psicologia fenomenológica da imaginação. Jean-Paul Sartre Editora Vozes.



A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor.

https://t.me/gersonsilvafilho


A seguir os livros e os links para comprá-los  na Editora Delicatta.

https://editoradelicatta.my.canva.site


Lançamento já disponível para compra na Editora Delicatta. Trezentas páginas das crônicas mais recentes com os mais variados temas como sempre.









terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Objeto do tempo.

 

                                                    Image by Gianni Crestani from Pìxabay.



 Objeto do tempo.



Finalmente! Cá estamos, nesse alvoroço das circunstâncias para sentir de perto as platitudes vorazes dos estimulados a se tornarem produto industrializado na esteira das ocasiões que prosperam na mais absoluta ignorância. Não saber virou qualidade, ignorar um bom atributo, e viver na alienação uma meta de vida, pois aqui dentro desse ambiente construído criteriosamente para nós, saber, conhecer e ter capacidade real de análise virou atividade de risco. Autores sonegados possuem obras abandonadas em estantes e livrarias, estes que produzem a real cultura são praticamente proibidos de serem citados ou abordados, criaram o risco intelectual, o perigo do saber. Pois quem sabe tem potencial para a argumentação, pode refutar, está além do controle estabelecido nos termos da alienação. Um bom lastro intelectuais se torna inconveniente para a política de domínio de massas, uma pessoa com mais recursos na estrutura mental não se submete facilmente às regras do manicômio construído para ser prisão psicológica de populações. Dentro desse ambiente vivem “intelectuais” sem abrangência e disciplinados a apenas enxergar um termo da criação. Nada mais existe e que possa ser tolerado além da mixórdia de conceitos embolorados de um passado de erros sistematizados e comprovadamente fracassados em toda sua estrutura conceitual. Essa gente, pedante e de caráter duvidoso, apenas considera o assunto que acaricia seus egos inflados por puro oportunismo decadente. De tão doutrinados e anulados intelectualmente não conseguem mais viver com o contraditório, não podem mais fazer de alguma obra com a qual não concordem uma análise dialética para produzir uma síntese do objeto em questão. Enfim, refutar o argumento que foi apresentado, eles apenas o apagam da realidade e o classificam como inadmissível. Um último recurso para não enfrentarem a verdade, aquela que diz estarem errados. Objetificados, padronizados e sistematizados dentro de uma liturgia imposta por décadas e até mais, não possuem mais a capacidade de ver o que está além de um único propósito. Eles se transformaram na metáfora do produto, não há diferença entre eles, como uma linha de montagem, correm pelas esteiras industriais até o armazenamento para uso quando for conveniente. Quem me acompanha, lê meus livros sabe que uso essa associação para defini-los tem tempo. Fale com um a respeito de política e terá de todos a mesma resposta, o conteúdo psicológico é exatamente o mesmo, como uma caixa de leite. Não há diversificação no que diz respeito a qualidade do produto apresentado, tudo é a mesma cantilena coletivista e de preocupação com o pobre e o trabalhador. Parecem um registro de acontecimentos do início do século passado. Acredito que já perderam o prazo de validade e não perceberam. Essa displasia cognitiva provocada por estagnação de conceitos acaba refletido na organização social da atualidade. Reparem, tivemos entre nós até a bem pouco tempo um intelectual como poucos, Olavo de Carvalho, quantos o conhecem ou leram algum livro dele? Ele foi praticamente proibido pela esquerda, relegado ao ostracismo e a manada obediente aceitou. E quando opinam a respeito dele o chamam de astrólogo, de louco ou qualquer outra coisa depreciativa. Leram os livros dele? Não! Portanto julgam sem conhecer, depreciam sem ao menos lerem alguma obra dele, porque se lessem, seriam outras pessoas, teriam outro entendimento da vida e não seriam as vacas de presépio que são. Leiam, produzam um trabalho intelectual refutando o que ele diz, apresentem evidências de erros e assim tenham lugar de fala nesse momento. Utilizando aqui um termo esquerdista bem modernoso e inclusivo.



“Lugar de fala”. Sim! Essa gente esquisita produz também um linguajar próprio de tribo, de gueto. Olavo, um intelectual ímpar, esteve conosco e deixou um vasto trabalho para estudo e análise, então, se não gostam dele, o leiam e produzam material acadêmico comprovando com evidências de seus erros, caso contrário tudo não passa de fofoca de grupo centrado na incompetência abrangente e incapaz de refutação intelectual sólida. Usam o bom humor dele nas redes sociais como instrumento contra ele, mal sabem que uma as principais características da inteligência superior é o sarcasmo e ironia. Pessoas com deficiência mental não entendem esse recurso. Nos livros dele podemos encontrar insights muito bons de circunstâncias comportamentais a respeito de todos nós, os brasileiros, perdidos em tanta ignorância já margeando a estupidez para muitos. Aquele que fornece a capacidade de pensar com qualidade deve ser valorizado e apreciado como um real transformador social de um tempo. O pouco que temos hoje de intelectualidade superior tem origem nele e nos seus livros e nas suas aulas. Enquanto isso, criadores de marchinhas populares estão na Academia Brasileira de Letras, um símbolo vivo evidenciando a nossa miséria intelectual hoje. Em um texto de 1985 Olavo fala dessa intelectualidade decrépita do nosso país:



A impostura intelectual, sombra e caricaturada atividade da inteligência, existe um pouco por toda parte. A diferença é que no Brasil a caricatura tende a usurpar o lugar d modelo, a sombra adquirindo vida própria e passando a mover o corpo que a projeta. O número de farsantes e de doutores ineptos em todos os campos da atividade cultural é anomalamente grande neste país – a ponto de constituir um traço permanente da cultura nacional, tanto quanto a corrupção na esfera política ou a impunidade e na judiciária”.



Não se enganem, temos doutores, mestres e demais graduados com dificuldade em interpretação de texto. Muitos sabem mais inglês do que português pois os pais os colocaram desde muito cedo em cursos prolongados desse idioma, eu fiz o mesmo com meus filhos. Mas são bons em português também. O que faz a massa supostamente qualificada ser bem menor do que de fato é em aparência. O professor Olavo já alertava para esse problema e só piorou com o passar do tempo, piorou muito. Hoje já não existe mais criação artística de qualidade, musicas com letras bem elaboradas e marcantes, tudo virou um ritmo tribal de tambores como em alguma aldeia nos confins dos tempos.



Mas tudo isso foi uma construção ressentida da nossa esquerda com relação ao período militar, onde foram fragorosamente derrotados ao tentar, já naquele tempo, implementar uma ditadura soviética brutal. Com a derrota, partiram com afinco para a destruição da sociedade por aparelhamento e doutrinação de forma geral. Hoje temos apenas militantes com poder. Olavo diz algo a respeito desse momento:



Ofendidos pela ditadura, os intelectuais brasileiros tiveram uma reação desproporcional e mórbida. Não conseguindo derrubar o governo, interiorizaram a revolta, puseram-se a derrubar a família, a moral, a gramática, a personalidade humana, os sentimentos, o respeito pela civilização, tudo aquilo que adorna e enobrece a vida, para disseminar em seu lugar um espírito de revolta nietzschiana e de cinismo nelsonrodriguesco. Há duas décadas eles vêm submetendo o público brasileiro a um estupro psicológico sempre em nome, é claro, do combate a ditadura”.



E assim amigos, para quem ainda não teve a sorte de conhecer, apresento Olavo de Carvalho, sugiro que leiam seus livros, seus artigos e crônicas, um mundo novo vai se apresentar, um mundo fora dessa doutrinação que o transformou em um objeto do tempo, apenas para ser usado por poderosos de ocasião.




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.



Citação: O imbecil coletivo. Olavo de Carvalho. Editora Record.



A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor.

https://t.me/gersonsilvafilho


A seguir os livros e os links para comprá-los  na Editora Delicatta.

https://editoradelicatta.my.canva.site


Lançamento já disponível para compra na Editora Delicatta. Trezentas páginas das crônicas mais recentes com os mais variados temas como sempre.









quinta-feira, 27 de novembro de 2025

As fagulhas da insensatez.

 

                                                   Image by Tibor Janosi Mozes from Pixabay.





As fagulhas da insensatez.




Então, aqui estamos caminhando nesse nível existencial que propuseram a nós e que temos como opção de jornada. Uns chamam de destino eu nas minhas alegorias fantásticas chamo de trajeto definido antecipadamente para cumprir um propósito previamente acordado com objetivo específico no teatro da vida. Somos apenas uma pecinha que contribui com o todo nesse oceano cósmico de argumentações. Não se apavorem com meu lirismo exacerbado, eu sempre fui exagerado nas premissas ultrajantes da semântica fantástica. Eu adormeço ao flutuar nas margens de um incêndio que as palavras podem provocar. Características e particularidades de um doido varrido, provavelmente, não faço parte da textura daquilo que se considera normal. Mas o que seria da loucura se não houvesse o contraditório, a outra metade para equilibrar a insensatez das chamas que bailam freneticamente no absurdo, aspergindo seus filhotes em forma de fagulhas para corromper o amanhã? E sendo assim, vou oferecendo o que tenho, conhecimento, e um pouco de luz entre os momentos indefinidos de apostasia ideológica que fortuitamente vou semeando em almas comprometidas com a loucura. O meu trabalho é te desencaminhar , te oferecer alternativa, fora dos ditames obscuros onde você vive, e se sente até aqui confortável, como se detivesse toda a verdade do mundo. Pois é isso que a ilusão entrega, o conforto sedoso do engano, uma trapaça mental, psicológica para que ninguém perceba as grades em formação no perímetro de vida. As palavras aconchegantes de igualdade diferenciam seu destino, e te aprisionam numa lacuna oportunista onde teu esforço será conduzido para dar boa vida a poucos. Um lugar exótico onde o inconcebível e inaceitável se tornam parâmetro justo de vida. Sem perceber, ou se dar conta, você passa a elogiar o crime ou o criminoso como se fosse qualidade, e assim em pouco tempo, você será parte desse conjunto de comportamentos inadequados e destrutivos, e ainda achará tudo isso bom. A miséria que lhe aguarda será a recompensa por não pensar e analisar o cenário com critério correto. Bom, não se preocupem comigo ou com que escrevo, estou na periferia literária, abandonado ao ostracismo cultural pelos “inteligentes” da área. Essa gente despreza aquilo que não entende, não os condeno completamente, acredito que muitos não conseguem entender direito o que escrevo, o que seria óbvio dentro do contexto miserável do ensino básico atual.



Mas o produto está no balcão dessa feira ocasional para ser avaliado e consumido, basta ter boa vontade e interesse. Um ser humano sem interesse em adquirir mais conhecimento não está longe de um quadrúpede de corte para consumo em alguma fazenda de criação de ruminantes. E assim nesse incêndio cognitivo que lança suas labaredas ferozes no corpo das almas desprevenidas e preguiçosas o futuro passa a ser completamente incerto e talvez nem exista com algo desejável de caminharmos rumo a ele. O que hoje a ilusão proporciona de conforto ao dar um perfil engajado com as supostas “melhores” causas humanas, será a aflição do abandono completo de um amanhã sem perspectiva nenhuma de qualidade de vida. Então, pertença a si mesmo, Ortega y Gasset comenta a respeito disso: “Na medida em que eu penso e faço, não por evidência própria e individual, mas repetindo o que se diz e o que se opina, minha vida deixa de ser minha, deixo de ser personagem individual que sou, e ajo por conta da sociedade: sou um autômato social, estou socializado. Mas em que sentido essa vida coletiva é vida humana?”. Tudo gira em torno e pertencimento, seja seu, não se ofereça para ser mais um na massa coletivizada, tenha seus princípios e seus valores, o que parece conforto não passa de controle sistematizado para domínio grupal e de condução de grupos dominados para determinado fim, que dificilmente coincidirão com seus sonhos e objetivos pretendidos. Essa conversa que sempre procuro ter com meus parcos leitores ocasionais é para conscientização dos que almejam se libertar desse domínio infame que enxerga o povo como rebanho. Luto intelectualmente com poderes colossais de controle, provavelmente serei derrotado, esquecido mas me fizeram persistente e que aprecia ser inconveniente, aquele que cria confusão. O pouco que conquistei na vida foi à custa de dedicação e persistência. Desafios me incentivam. O pouco que ofereço são parcelas dessa inquietude, que não se conforma com liturgias e procedimentos padronizados e com discursos políticos enviesados com a finalidade da trapaça, se fazer de bom não o é suficiente comigo. Como o magnífico Raul Seixas disse, “eu sou a mosca na sopa, vim para lhe atormentar”.



Desse jeito, ao excluirmo-nos da filosofia da vida, seremos objeto inerte e adaptável para uso de terceiros sem uma vida própria provável que possa assim ser considerada saudável existencialmente para o que pretenderíamos ser. A arquitetura sublime da liberdade terá sido corrompida e no seu lugar será imposta uma animalização brutal de conceitos perversos quanto a natureza do homem. Essa corrupção cognitiva presente na nossa realidade hoje terá um custo imenso para as futuras gerações, um país arrasado , uma elite reduzida vivendo com reis e a miséria sistêmica e perene como herança de uma geração de idiotas passivos que aceitaram a domesticação ideológica imposta a todos. Entendam Ortega y Gasset: “Eis que nossa análise, sem tê-lo buscado nem premeditado, sem precedentes formais – ao menos que eu saiba – nos pensadores, põe em nossas mãos algo desnorteante e até terrível, a saber: que a coletividade é, sim, algo humano; mas é o humano sem o homem, o humano sem espírito ,o humano sem alma, o humano desumanizado”. Não adianta argumentar que uma vida oblíqua terá sucesso se ela não possui o essencial, a esperança dentro desse arquétipo pobre e desidratado para se tornar controle. Sem sentimentos e sensações teremos apenas uma automatização do conceito viver, ou melhor seria dizer, sobreviver. Uma sobrevida para ser útil apenas ao propósito de criar satisfação para terceiros, e nunca para si e os seus. Acessoriamente vivo para complementar desejos outros e proporcionar conforto e prazer apenas para alguns. Fazemos isso agora com a inteligência artificial e com robôs, criando unidades para proporcionar prazer, inclusive sexual.



Não os estamos criando para apenas conforto doméstico e auxilio a atividade de trabalho, dentro dessa lógica, existirão os escravos sexuais nessa área também. Não pense que quem pensa assim, não ousaria fazer o mesmo com outro ser humano também, um objeto de satisfação de suas perversões. O atributo ética não costuma frequentar cérebros devassos. Os extremos são da natureza do homem, de anjo a demônio não há parede divisória entre comportamentos, resta apenas possuir um controle que hoje está cada vez mais raro, o amor a seu semelhante. Se você não vê em outra pessoa alguém igual a você, todo delírio invasivo passa a ser permitido, uma vez que o seu próximo é diferente, e provavelmente será julgado como inferior. Essa característica selvagem ainda presente em nós, gerou a escravidão. São os “outros”, aqueles que parecem conosco mas não são iguais, não possuem nosso pedigree, a nossa origem nobre. Para finalizar esse ensaio, mais ou pouco de Ortega y Gasset: “Agora vemos como a palavra “outros” significa o indivíduo abstrato, isto é, o indivíduo esvaziado de sua única e inconfundível individualidade, o qualquer, o indivíduo desindividualizado; em suma, “um quase indivíduo” ”. Estamos no campo do indivíduo institucionalizado, aquele tipo de gente que foi absorvido de tal maneira pelo ambiente, lugar ou ídolo, o ser que não possui mais sua personalidade, não vive mais fora do ambiente no qual se agregou. Ele hoje, faz parte de algo , um lugar onde definitivamente não pertence, mas vive apenas por isso, como um processo parasitário que lhe dá características próprias do ambiente ao qual se agregou. Na maioria das vezes, não há possibilidade de retorno a uma vida individual normal e independente para essa vítimas, sim, são vitimas de um sistema onde foram enraizados e de onde alimentam seus devaneios nos delírios em camadas fornecidos por quem controla essa fazenda de almas humanas infelizes. Parece o inferno? Talvez seja. 



Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.

Citação:


O homem e os outros. José Ortega y Gasset. Vide Editorial.



A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor.

https://t.me/gersonsilvafilho


A seguir os livros e os links para comprá-los  na Editora Delicatta.

https://editoradelicatta.my.canva.site


Lançamento já disponível para compra na Editora Delicatta. Trezentas páginas das crônicas mais recentes com os mais variados temas como sempre.













segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Uma notação de circunstâncias.

 

                                                           Image by quaese from Pixabay.




Uma notação de circunstâncias.






Portanto, companheiros, nessa lacuna de oportunidade que nos abriga entre tantos eventos aleatórios e de procedência incompreensível, aguardamos que uma chance sensível e extravagante conceda um óbolo de prêmio a nossa sensibilidade dilacerada por todo tipo de inconveniência política, Pedintes que somos nessa oportunidade estranha onde fomos convertidos em produto com fins de manejo e domínio. Fomos instruídos que: a vida se torna naquilo que fazemos dela, portanto, utilize bons métodos para bons resultados. Mas nesse agora temos apenas a metodologia do abismo, que com sua peculiar característica vertiginosa se impõe na malha existencial, impedindo uma abordagem mais humana e independente. Nos mantemos lúcidos revestidos de recordações, de um tempo onde ainda era possível realizar a saudade como um carinho na alma atormentada. Incertezas, tudo o que temos, o risco flutua na atmosfera corrompida de um período infame, o exagero virou rotina e a falta de ética se converteu em procedimento. Não é um pesadelo, embora, tenha a textura específica de um mau sonho inconveniente. Com a escuridão de uma noite sem lua, perambulamos entre desafios inconvenientes fruto da insanidade semeada com critério por ideólogos na base de um período existencial onde nos situamos, poderíamos considerar que a sorte nos abandonou. Qualquer tribuna ou qualquer órgão governamental tem um militante de prontidão, para executar seu padrão absorvido por anos de alienação oferecida para ser um reformador social. O mal que nos atormenta está em cada gaveta que se abre, em cada rumo que se toma, em todos os poros da pele de uma gente que acredita ser superior por ignorância. A fatalidade hoje é uma certeza, não há mais sequencia lógica em relação a qualquer procedimento. A elevação artificial do imbecil ao estrelato do poder deu a eles o controle da realidade, e essa gente não suporta a que é realmente real, pois estão cheios de certezas erradas e convicções distorcidas no forno ideológico que assou seu entendimento. Vinculados que estão ao erro, não o percebem e até o cultuam como verdade. Um Manicômio a céu aberto onde a escassez de sentido dança em ritmo louco na periferia do que um dia foi uma alma. Em algum momento fortuito chega até ser interessante assistir esse espetáculo, se não fosse trágico, seria divertido, apreciar depoimentos completamente idiotas sendo proferidos como se fosse a melhor qualidade política do mundo, eu apenas aprecio e não interfiro, a transformação e o reconhecimento de que se está errando deve vir da própria pessoa. Apenas a reforma pessoal, iniciada a partir de dentro, pode recuperar o ser humano desse lamaçal psicológico onde estão. Então, no bailado doentio entre sujidades psicológicas parte do povo festeja injustiças não entendendo que alquilo que atinge um desafeto hoje provavelmente vai atingi-los amanhã, basta aguardar, quem viola limites para uns vai violar para outros. O poder sem controle vicia e solicita mais vítimas para o sacrifício no altar da impostura. A festa de hoje poderá ser a tragédia particular de alguém amanhã, a história ensina que em regimes de força até colaboradores são descartados em nome de uma purificação circunstancial, aquela bajulação e entreguismo serviçal não será suficiente. Mas vocês que se entregam a essas práticas não vão se importar, afinal, tudo pela causa companheiro. Liberdade não tem preço, não se negocia por favores ou por ideologia é um atributo natural humano, Baruch Espinosa tem algo a dizer : “Liberdade humana é uma existência firme que nosso intelecto obtém por sua união imediata com Deus para produzir em si mesmo ideias e, fora de si mesmo, efeitos que concordem com a sua natureza, sem que esses efeitos estejam submetidos a causas externas pela quais eles possam ser alterados ou transformados”. Quem retira esse direito do ser humano, a sua particular liberdade, de pensar, de ir e vir de criar, está entrando em confronto direto com o Criador, e isso terá consequências. Seria melhor, nesse cenário não perder as referências, as boas referências de vida social, aquela que não oprime ou policia e oferece espaço para o contraditório e o duelo de ideias e atitudes. Uma sociedade que aceita punição sem crime evidenciado e executado de fato está condenada. Ninguém está seguro nesse ambiente onde direitos fundamentais são flexionados de acordo com o desejo político de alguns. Se torna fundamental que se reforce sempre isso, o risco pessoal, mesmo sendo apoiador fiel de um sistema assim, desse jeito ninguém está seguro, porque parece que muita gente não entende a situação.



Hoje comemorações com injustiças, palavras de ordem e ódio ao adversário, e o amanhã? Lembrem-se, o mesmo método será aplicado a você que hoje sorri. Independente do merecimento ou não, todos merecem uma avaliação justa dos seus atos, de suas atitudes e respeito a defesa, caso tudo prove realmente a ocorrência, condenação em processo justo. O curioso hoje é que a mesma justiça que é tão complacente com criminosos comuns, ferozes por natureza, não permite margem de defesa a quem caiu em desgraça política. Idiossincrasia de um sistema que perdeu a estabilidade necessária para sua atividade fim. Enfim, entre contradições específicas prosseguimos dentro da anomalia, e embora tenhamos a certeza que o sol surgirá mais uma vez amanhã já não podemos dizer o mesmo da nossa justiça e da nossa política, afinal essa gente acredita mesmo que isso vai durar eternamente? O tempo costuma resolver coisas muito mais complexas no seu trânsito eterno e implacável.




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.




Citação: Breve tratado de Deus, do homem e do seu bem-estar. Baruch de Espinosa. Grupo Autêntica Editora.  



A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor.

https://t.me/gersonsilvafilho


A seguir os livros e os links para comprá-los  na Editora Delicatta.

https://editoradelicatta.my.canva.site



Lançamento já disponível para compra na Editora Delicatta. Trezentas páginas das crônicas mais recentes com os mais variados temas como sempre.








sábado, 22 de novembro de 2025

Os registros diagonais.

 

                                                      Image by Gabriela Olar from Pixabay. 





Os registros diagonais.



E assim vamos, neste sábado fim de primavera já com hálito de verão entre surpresas ocasionais onde a excentricidade não pode ser vertical e nem horizontal, tudo que notamos se faz com saltos promíscuos de uma realidade atravessada e incoerente como histórico da boa conduta. O sentido está em não ter sentido, como uma flatulência desconfortável, as ocasiões deslizam de forma impertinente nas reentrâncias da realidade. O foco ou hiperfoco está concentrado em violar a lei e os direitos, e sem isso parece que a vida não tem sentido lógico, e as reminiscências de um passado correto servem de um balcão para suportar estupros legais e atitudes levianas para a satisfação social ousada de desejos perversos. Então, temos por convicção apenas recordações do que um dia fomos, ainda em registro nas páginas ignoradas de uma literatura mais qualificada. Não pense que o amanhã será construído de hipóteses perceptivelmente fáceis de lidar, a ilusão se encarregará de oferecer revestimento para a infâmia. Você será mais um marcado a ferro no rebanho e sorrirá disso, mas finais de ciclo existenciais são assim, são cheios de contradições de obscenidades estruturais e a verdade sucumbe e escorre para os ralos de descarte como chuva torrencial, borbulha nos bueiros das sarjetas da realidade. Como um efeito colateral de tudo isso, estamos reduzindo os nascimentos de novos candidatos à vida nesse lugar, Óbvio, onde o hedonismo se instala não há mais espaço para o nobre desgaste estafante de criar filhos, e muito menos para o casamento tradicional regrado por ética comportamental e sacrifícios evidentes, a suruba eterna é a meta a ser alcançada. Prazer carnal sem limites, genitálias privilegiadas como destaque oferecido, conforto máximo e saciedade para qualquer desejo, por mais bizarro que seja. Exibicionismo, vaidades, luxúria e usura máxima com relação ao seu etilo e propósito. Tudo isso vendido como independência individual de cada um, mas na verdade se trata de um a escravidão aos prazeres ilimitados, não há aqui filosofia, metafísica, ética ou padrão fora de um grande bacanal de sensações. Nossa realidade atual não possui longarinas que proporcionem segurança e estabilidade ao conjunto, vivemos em artificialidade explicita e em algo maleável que se desmancha como uma fruta podre. Claro, tudo isso já existia, não foi invenção dessa geração, mas era criteriosamente oculto conforme o decoro social pedia. Pervertidos e tarados cumpriam sua rotina como sempre porém sem explicitude como cães no cio que não se importam por motivo óbvio com plateia e publicidade. Não pensem que sou santo, mas no meu tempo de juventude sacanagem se fazia com recato e controle, afinal nãos somos cães sem dono. O ser humano está além da animalidade vários degraus acima, embora, haja hoje os que prefiram se animalizar e se comportar como irracionais. Já não há mais a criação de acordes clássicos, apenas atabaques, tambores e ruídos tribais que fazem homenagem a comportamentos animalizados e a crimes em série. Pois não existe mais lastro cultural para ir além disso. A perda de capacidade intelectual será o canto do cisne dessa civilização. Regrediremos, e por fim seremos extintos e substituídos. Enquanto já nascem menos pessoas, e nesse ritmo com o avanço da inteligência artificial e a robotização, em quarenta anos teremos idosos cuidados e assistidos apenas por máquinas. Assustador? Porém o itinerário da vida é esse no momento, em quarenta ou cinquenta anos não haverá quase nenhum humano com capacidade técnica em nenhuma área, tudo estará nas mãos da inteligência artificial. O ensino básico e universitário cada vez mais irrelevante, o conhecimento não estará mais conosco. Os poucos humanos que sobrarem com intelecto superior estarão em nichos específicos de sobrevivência para privilegiados, o cidadão comum? Extinto. Na verdade, essa aculturação foi proposital para esse resultado final, ao desqualificar a maioria, essa maioria se torna inútil e incapaz de produzir resultados dentro de um cenário cada vez mais exigente de especialização. As pessoas simplesmente nem saberão mais a sua origem familiar, todos os traços de nossa sociedade terão desaparecido ou apenas registradas em livros, cada vez mais difíceis de serem lidos por uma população que já terá perdido a capacidade de uma leitura mais complexa quanto a interpretação. Não basta ler, tem de entender o que se está lendo. Neste momento, neste agora já encontramos multidões com extrema dificuldade de interpretação de texto, imagine mais cinquenta anos para frente?


Enquanto o sol brilha nesse momento, trazendo vida ao conjunto do que somos, um espectro de destruição se move sorrateiramente tentando nos destruir, ele foi construído por semelhantes. O que nos leva a conclusão, somos os agentes de nossa destruição. Por vaidade, poder, exclusividade absoluta, ou simplesmente para saciar perversões particulares, o homem como ser humano deu errado em maioria. O bom selvagem de Rousseau é apenas um ensaio delirante, por séculos civilizações provocaram matanças de semelhantes apenas para impor suas tradições particulares ao um povo diferente. Implementar seus costumes pela força, ao que julgam estranho, que para eles era presumidamente inferior. Houve escravidão, submissão e humilhação a milhares de seres humanos apenas por serem diferentes e indefesos, não somos bons por natureza. Existe uma necessidade do nosso lado animal em provocar sofrimento a semelhantes com características diferentes. A vida do próximo não tem valor nenhum em determinadas circunstâncias. E sendo assim, com a perda da cultura que trouxe a civilização, voltaremos a esse período bárbaro de relacionamento. Não espere misericórdia ou compaixão de selvagens. Apenas por flexibilização ideológica tivemos massacres de populações, milhões morreram apenas por convicções de poderosos em algum momento histórico que percorremos. E assim estamos nesse mundo, existindo por descuido da natureza pensando em livre arbítrio, algo hoje contestado por neurociência, o que provavelmente somos não passa de um compilado de informações biológicas acumuladas através da evolução, com instintos e respostas automáticas proporcionadas por informações ancestrais. Complexamente simples e decisivas quanto a respostas e resultados que se pode obter de algo vivo e que se reproduz, como uma bactéria. Não é poético? Lamento, parece que não somos o que acreditamos ser. Nossas reações particulares ao meio ambiente possuem similaridade com organismos simples, num processo repetitivo curioso, com descreve o Dr Robrt Sapolsky: “Quando você começa a se predispor contra um grupo externo só porque ele tem costumes diferentes dos seus, a biologia subjacente a sua mudança de comportamento é iguala de quando uma lesma-do-mar aprende a evitar um choque dado por um pesquisador. Sem dúvida a lesma-do-mar não está fazendo uma demonstração de livre arbítrio quando essa mudança ocorre”. Os momentos biológicos contidos em nós e nos outros organismos proporcionam uma independência ilusória. O indeterminismo no universo é a regra, esperar que nós decidamos o que será pode não ser exatamente o que desejamos e pensamos. O Dr Sapolsky também comenta: “A clássica imagem física de como o universo funciona sempre atribuída a Newton, desabou no começo do século XX com a revolução da indeterminação quântica e nada mais foi como antes”.



O assunto é bastante complexo e aconselho ler a respeito, principalmente este livro desse autor que cito, mas a verdade é que não decidimos nada, hoje nesse mundo da neurociência já se sabe que antes de qualquer escolha que se faça, numa fração mínima de segundo vem um pulso elétrico que define o que você vai escolher. Então, não é você que decide, você está apenas seguindo um planejamento, e um roteiro específico que definirá sua vida e desenhará seu propósito no espetáculo da vida. Vale lembrar que isso não o absolve da responsabilidade de suas decisões, pois se tiver capacidade cerebral de análise, mesmo com um impulso de escolha, você pode desistir de determinada ação ou sugestão. Pessoas menos cultas, com menor capacidade de avaliação se entregam ao que poderíamos dizer, impulsos primordiais. Nosso potencial de análise está diretamente ligado ao conteúdo que armazenamos em nós de boa informação. Quanto mais abrangente e diversificado forem seus arquivos mentais pessoais, maior seu impacto na análise da realidade. E assim subjetivar a percepção como experiência analítica do mundo onde você se encontra. As análises de momento serão mais lúcidas e assim teremos mais impacto na convivência social, quanto mais potência na máquina, mais desempenho, simples.



Gerson Ferreira Filho.

ADM 20 – 91992 CRA - RJ.


Citação:


Determinados. Robert M. Sapolsky. Editora Companhia das Letras.  



A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor.

https://t.me/gersonsilvafilho



A seguir os livros e os links para comprá-los  na Editora Delicatta.

https://editoradelicatta.my.canva.site



Lançamento já disponível para compra na Editora Delicatta. Trezentas páginas das crônicas mais recentes com os mais variados temas como sempre.






segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Margem de manobra.

 

                                                         Image by Eve Gomez from Pixabay.



 Margem de manobra.




Bom, eu costumo frequentar caminhos intelectuais tortuosos, portanto, me siga mas não me acompanhe, sou complicado, você pode perder suas referências existenciais. Mantenha sempre um espaçamento de segurança caso possua conceitos sedimentados, tenho efeito diluente em convicções e isso provoca desarranjo eventual nas contradições e questionamentos que sempre caminham comigo. Suas certezas podem perder consistência nesse novo mundo de propostas que sempre carrego comigo, se está confortável onde está fique por ai não ouse se aventurar nas artimanhas de um mundo novo cheio de propostas complexas que tenho para oferecer. Afinal, se você nasceu quadrado, jamais vai se arredondar. Eu apenas ofereço alternativas para atenuar a monotonia de limites claustrofóbicos, se o espaço lhe agride, volte para sua lata de conservas, e permaneça dento de onde o colocaram e viva institucionalizado nos limites que impuseram a você. Limites, tem gente que aprecia isso, correntes psicológicas que servem de controle de comportamento e de redução na amplitude da visão da realidade, afinal, tanto espaço embriaga aos que não se acostumaram, pois a vida dentro de setores estabelecidos é pequeno demais para a imensidão do oceano de possibilidades que a liberdade real proporciona. Um objeto controlado se sente desconfortável ao se tornar livre, recupere-se, abandone a náusea oportunista de marinheiro de primeira viagem, Sim, eu sei, provoco enjoo nos novatos. A vida é bem complexa e diversificada, e aos que escolhem se prender apenas na aba da história, passam a ter ojeriza ao espaço amplo dos conceitos reais de uma vida sem limitações conceituais onde se pode aprender de tudo, e sobreviver ao turbilhonamento das hipóteses e ainda sair com vantagem intelectual. Não sei exatamente o motivo mas tenho um compromisso inevitável com as palavras, e nos meus arranjos vou distribuindo-as no meu jeito peculiar de apresentação. O universo é grande demais para que você viva dentro de um pacote estabelecido por degenerados com instinto de controle social. Seja único, seja ilimitado, e sem cabresto que o controle, tome suas decisões baseadas apenas nas suas proposições mediadas nos seus particulares padrões de referência moral, e não naquilo que venderam para você como verdade. Eu avisei, essa jornada comigo seria tortuosa, a ânsia sempre aparece quando as questões mais preponderantes se esbarram com a amplitude dos questionamento da razão. Considere-me como Caronte, aquele que vai te levar para o outro lado da realidade, onde seus débitos e créditos serão aferidos para verificação de saldo. O resultado dessa matemática elementar será responsabilidade sua. O que exatamente você fez da sua vida? Viveu sendo enganado, ou parou para pensar? Independentemente da nossa vontade o tempo passa, a juventude é um sopro de energia que se consome e no fim apenas resta a conta para pagar enquanto o garçom coloca as cadeiras sobre as mesas para a faxina final no estabelecimento. Foi bom para você? Diria aquele espectro que lhe assedia com propostas duvidosas fazendo-lhe gastar energia à Toa. Entenda, quem conversa consigo mesmo é esquizofrênico. Você está inevitavelmente só e será responsável por tudo que vier a acontecer com base nos projetos e projeções intelectuais que fez durante a vida. Seu amigo imaginário não cumprirá pena no seu lugar. Restará apenas você, sua bagagem e seus resultados para lhe fazer companhia. Nessa única vida onde estou por enquanto inserido vi mundos distintos, diferenciados e estanques como se divididos por anteparas específicas que limitam o contingenciamento de propostas entre eles. Parte desse período estão nos meus livros, de Nacos de mormaço até Detalhes do dia há um universo percorrido de situações. Onde possibilidades excêntricas trafegaram sem margem de adaptação , mas exigiram pedágio intelectual em cada divisa de transposição para o acolhimento de mais futuro embora ele hoje seja bem escasso. Tudo indica, por enquanto que mais uma etapa virá, mas essa é a incerteza da equação. Conforme Heisemberg não se pode determinar exatamente a posição de um átomo em determinado plano. E assim, constituídos que somos deles, os átomos, não somos certeza para um amanhã legitimado nos termos que conhecemos. Sendo assim, abrigue-se estatisticamente nas possibilidades ocasionais passiveis de aferição. Fuja do controle e flutue nos intervalos dessa imensidão de propostas aleatórias, pense com amplitude nas ocasiões possíveis e não abandone nunca o impossível.


Bom, mas a gente sabe que os institucionalizados, aqueles que de tanto tempo de contato com algo já se transformaram naquilo onde vivem, passaram a ser parte do ambiente ocupado, com o micro-organismos marítimos que se agregam no costado do navio, passaram a fazer parte da embarcação. E sendo assim, defendem a estrutura onde se agregaram, Esse efeito foi abordado no filme Um sonho de liberdade, onde o prisioneiro não vê mais sentido em viver fora da prisão, e no filme Piratas do Caribe, onde marujos velhos se transformaram em craca agregada às tábuas. Assim, são muitos hoje quanto ao mundo político e a ideologia, ou a políticos, não conseguem mais se diferenciar do corpo onde se agarraram. Não existe mais o indivíduo, vida própria, apenas dependência e servidão. Passou a ser apenas um acessório útil para a estrutura base. Algo que pode ser descartado quando se torna inconveniente. Como as cracas de um navio, ela quando se aglomeram em muita quantidade provocam consumo maior de combustível, pois prejudicam o deslocamento. E assim a embarcação vai para o estaleiro remover a placa de micro-organismos inconveniente, assim os políticos fazem com seus aliados. Russel Kirk tem uma boa abordagem a respeito desse problema: “A ideologia oferece uma imitação de religião e uma filosofia fraudulenta, confortando, dessa forma, aqueles que perderam, ou que nunca tiveram, uma fé religiosa genuína e aqueles que não possuem inteligência suficiente para aprender filosofia de verdade”. Conforme eu já citei em outras ocasiões, qualquer religioso que adote discurso socialista, tipo teologia da libertação e versões equivalentes, pastores ligados a políticos de esquerda, são mentirosos ou burros. Ou estão enganado os fiéis ou são incapazes intelectualmente de entender que estas duas vertentes são imiscíveis. Não há como servir a dois senhores antagônicos. No Brasil eu atribuo isso a pura pilantragem, desonestidade com o público envolvido. E quanto ao conservador, o conservadorismo de verdade, ele luta pelos valores estabelecidos e que contribuem para a continuidade civilizacional adequada de sua sociedade, não há espaço aqui para improvisos progressistas desestruturantes quanto a moralidade e metodologia de convivência. Russel Kirk também aborda esse tema: “O conservador em suma, favorece um progresso refletido e moderado; opõe-se ao culto do progresso, cujos devotos acreditam que tudo o que é novo é necessariamente superior ao que é antigo”. Não se faz alterações sociais sem estudo de causa e consequências, sem avaliação dos efeitos que provocará na sociedade ao longo do tempo, o que pode parecer um avanço social, pode se transformar numa aberração incontrolável. Os atributos de convivência de uma população não podem ser tratados como experiência de sociólogos de botequim, que planejam suas modificações em guardanapos nas mesas de bar. E vamos a um pouco mais de Russel Kirk: “O conservador trata de que, em uma sociedade, nada seja totalmente velho ou totalmente novo. Essa é a maneira pela qual se conserva uma nação, da mesma forma que se conserva um organismo vivo”. Sim! Exatamente! Um país é um organismo vivo gigantesco, e hoje vemos que o nosso está muito doente, infestado de parasitas e invasores inadequados ao bom funcionamento interno como corpo saudável. Fazendo uma analogia com a saúde, precisamos de uma vermifugação urgente para que haja sobrevida nessa terra. O tempo passa e a infestação apenas se consolida consumindo recursos de forma agressiva que certamente provocará o colapso desse organismo que sustenta a todos nós. A margem está estreitando para que se condiga uma manobra salvadora.






Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.


Citação:


A política da prudência, Russel Kirk. É Realizações Editora.  



A maioria dessas crônicas estão em áudio no meu canal do Telegram. Que se chama também Entretanto e pode ser acessado no link abaixo. Uma abordagem mais personalizada do texto na voz do autor.



A seguir os livros e os links para comprá-los  na Editora Delicatta.



Lançamento já disponível para compra na Editora Delicatta. Trezentas páginas das crônicas mais recentes com os mais variados temas como sempre.