sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O coletor de ocasiões.

 

                                                         Image by Heiko Stein from Pixabay.





O coletor de ocasiões.



Ah, se suplícios lancinantes margeassem a borda das hipóteses psicóticas apenas para serem tragadas pela insensatez contumaz de um suposto destino, assim construído na demência humana que estabelece seu desastre particular estaríamos apensas trafegando no contrassenso do período ocasional das urgências humanas que se formam em contínuo contato com o desatino e a arrogância impertinente das ocasiões. Porém, a coisa se torna muito mais complexa neste lugar onde a gordura do corpo se incorpora no calor excepcional para agir como um lubrificante da continuidade existencial que se impõe apesar da ousadia do clima que insiste em coagir o corpo do homem. A verdade, trago em mim tantos momentos, tantas circunstâncias, um oceano de ocasiões, onde naveguei destemidamente para possuir o que hoje me transborda a alma. De fato, sou um colecionador, tenho um sótão imaginário, virtual, cheio de conceitos e determinações, onde abrigo tantas convicções e incertezas quanto as estrelas no céu. O memorial das ações e decisões tomadas, respostas assumidas ao que se apresentou como desafio, pois se o absurdo é a resposta, Albert Camus certamente tem a resposta. Não precisamos de compreensão, apenas e portanto, evitar trafegar nas expectativas e viver para vencer os desafios mesmo que pareçam impossíveis de serem vencidos. Transforme sua paixão em propósito, em vontade inquebrantável de existir, apesar dos revezes, e da maledicência das ocasiões infames que tenha que enfrentar. Lembre-se sempre: o jogo tem de ser jogado, escolha a peça que deseja ser no tabuleiro. Acosse o destino como se fosse um chicote presunçoso que não aceita o trajeto que lhe foi imposto, ao margear o inaceitável, você o coloca dentro de você, se for necessário que se cumpra, então, transfigure-se em desafio, uma ousadia materializada no inconformismo com a realidade. Dentro de sessenta anos eu já mudei tantas vezes minha configuração psicológica para sobreviver que simplesmente encaro cada etapa como uma vida diferente, que somados na trajetória construíram minha realidade hoje. Derrotas, trapaças, traições, perfídia, maledicência, falsidade ocasional e a sistematização da perda de confiança no ser humano, não é fácil. O mundo real machuca, tortura, desafia e impõe pela força de péssimos sortilégios uma rotina desafiadora para qualquer um, os que entendem o cenário seguem em frente, os que não, sucumbem e ficam pelo caminhos da vida.



Se transformam em projetos fracassados, em resíduo ocasional fruto do processo, onde são triturados sonhos que foram incapazes de se sustentar e se adaptar na pauta ocasional que o momento ofereceu, lembrem-se, a paixão, o antídoto contra a negatividade, apaixone-se por si mesmo, ame-se e supere qualquer obstáculo que venha com odor de derrota, devo lembrar que a loquacidade pode ser indesejável nesse plano, ser discreto conta mais e conforme estabeleceu Albert Camus:


O autor medíocre dessa forma é levado a tudo o que lhe agrada. A grande regra do artista, ao contrário, é esquecer parte de si mesmo em proveito de uma expressão comunicável. Isto não ocorre sem sacrifícios”.


Sim você está no palco, no teatro da vida, portanto, como já citei, apaixone-se por seu desempenho e seja a harmonia determinante do cenário. Existiram com certeza momentos intoleráveis, ocasiões onde a fugacidade das certezas proporcionarão dúvidas e o débito que gerarão e recairão no custo do momento. Analisando o sarcasmo de Nicolas Chamfort, Camus cita algo útil para nosso tempo:


O que é efetivamente uma máxima? Simplificando, podemos dizer que é uma equação, em que os signos do primeiro termo se encontram de modo exato no segundo, mas numa nova ordem diferente. Por isso a máxima ideal sempre pode ser invertida. Toda a sua verdade está nela mesma e, assim como uma fórmula algébrica, ela não tem correspondente na experiência. Podemos fazer com ela o que desejarmos, até o esgotamento das combinações possíveis entre os termos do enunciado, sejam eles amor, ódio, interesse ou piedade, liberdade ou justiça. Podemos até, e sempre como na álgebra, extrair de uma de suas combinações um pressentimento da experiência. Mas nada disso é real, porque nela tudo é geral”.


Sejamos indulgentes com essa realidade, ela se ordena entre termos contratuais que insistem em nos reter na plasticidade de seus tempos opacos e submissos ao aprisionamento mental coletivo. Ser indivíduo dentro de tudo isso pode ser exaustivo, muito louco, algumas vezes.




Por isso, por todas essas circunstâncias, devemos adquirir multiplicidade existencial mesmo sendo apenas um. Como um desdobramento quântico que mantém seu entrelaçamento apesar das distâncias. E assim, com tantos laços específicos de uma existência assumidamente fatal, caminharemos no trajeto que nos deram para nos tornarmos matéria para os bardos possuírem uma narrativa para ocasionalmente divulgarem entre interessados em poesia e canto. E assim cá estamos, mais uma vez em fim de ciclo, na fronteira artificial do tempo para instintivamente estarmos com as origens. Somos todos filhos do mar, materialmente a água nos constitui e abriga nossa alma. Este grande ser vivo que proporcionou o corpo que usamos será mais uma vez procurado, não para lazer mas para culto e um ritual de travessia. Ele abusadamente se espalha por todos os cantos, impondo seu gigantismo colossal, poucos entendem isso, esse retorno ocasional as origens. Em associação com tantas outras coisas, adquirimos um corpo para chamar de nosso. Eu, pessoalmente vou cumprindo meu caminho, já deve estar no fim, nunca se sabe. O objetivo parece amplo, por isso coleciono ocasiões, para não me perder de você, destino. Porque enquanto a missão não acaba, minha voz grave irá assim provocar instintos ao pé do ouvido quando o clímax se apresentar na urgência da carne. Um feliz ano novo!




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.





Citação: A inteligência e o cadafalso. Albert Camus. Editora Record.


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sábado, 20 de dezembro de 2025

A marca do momento.

 

                                                    Image by Felix Lichtenfeld from Pixabay.





A marca do momento.




Então, aqui estamos na fronteira de mais um natal, o que já foi um dia para muitos uma data de celebração, hoje adquire formato de súplica. Os prognósticos são infames, não há no cenário algum vestígio de vitória, apenas capitulação perante o ignóbil assumido dos poderosos de plantão. Vorazes em dilapidar a qualidade de vida da população. Com uma expectativa de futuro terrível, os poucos com capacidade de raciocínio lógico sabem, o desastre virá esfomeado. Não poupará ninguém, de coniventes a inocentes, todos vão ser tragados nesse sumidouro de esperanças. O ano? Dois mil e vinte e cinco, do calendário cristão. Se a civilização ocidental vai ter condições de suportar todos os ataques engendrados contra ela é impossível saber, hoje temos a peculiar atitude de membros que constituem esse mundo, lutando de forma enfática contra ele. As populações foram induzidas a um comportamento suicida, ao relativizar seus melhores valores, em nome de excesso de tolerância se fragilizaram ao ponto de provavelmente não existir mais retorno. Um descuido fatal para o conjunto de nações que se propuseram a se entregar à selvageria consentida de momentos inadequados para o convívio grupal mais equilibrado e com regras específicas apoiadas na letra da lei civilizada. Hoje, neste momento, temos a permissividade e a vantagem pessoal exclusiva de pequenos grupos de poder em prática rotineira. Para um pequeno grupo não há limites éticos de comportamento, a lei? Essa se retinge aos de fora desse mundo privilegiado por relacionamentos difusos sob a capa da neblina da conivência. O restante que se vire, que sobreviva com auxílios governamentais e se divertindo com shows de artistas que praticam vassalagem por dinheiro público. Constrangimentos? Nenhum! Afinal, já não produzem mais nada de interessante há décadas, se vivessem de sua produção artística hoje estariam certamente pedindo esmolas. No mundo político, oposição e situação se digladiam para ver quem é mais sujo, basta uma ligeira investigação, que situações constrangedoras surgem dos armários e gavetas que escondem os cadáveres da ilegalidade oculta pelo cinismo abrangente. Sendo assim, esperar solução desse ambiente se torna algo que equivale beber água do esgoto e esperar não sofrer um resultado negativo com isso.



O palco da politica está sendo montado como sempre, afinal o circo tem de iludir e distrair a população, então, o candidato que vai perder parece que foi escolhido. O simulacro de democracia tem de ser preservado, fica muito feio assumir diretamente um regime de força não democrática, prejudica os negócios internacionais. Pasmem, tem gente que dentro de toda essa situação que acredita em eleição. Bom, afinal, engajamento político sustenta muita gente, existe um fundão eleitoral com recursos para remunerar os palhaços que irão assim propagar a comédia política. Foi montada uma estrutura circense sedutora aqui para esse evento. Nem preciso mencionar muito o jornalismo de aluguel ou os verdadeiramente idiotizados por ideologia, estes como cães esquizofrênicos em surto correm sempre no sentido contrário que a carruagem passa. Quem se informa somente pela mídia mainstream pode ter dano mental e surtos psicóticos, pois vive num mundo de fantasia. E ainda para adornar o momento temos um cometa de passagem, o 3 I/Atlas, segundo as tradições de civilizações antigas, um cometa é um enorme mau presságio, ele sempre precede revoluções, guerras, epidemias, desastres naturais de grande proporção. Não seria de estranhar se ano que vem tivéssemos alguns eventos desastrosos, aqui no campo político, certamente, pois esse cenário está em construção acelerada. Quem entende um mínimo de economia sabe disso. Mas nós temos um vasto território, com muitas riquezas cobiçadas, sempre se pode vender algo para obter sobrevivência. E sendo assim, não haverá falta de dinheiro para o atual governo enquanto existir patrimônio nacional para trocar por sobrevivência. Os cobiçosos internacionais não se importam com ética, querem apenas vantagem.




E portanto, prosseguimos com o povo contido em sua energia potencial como uma mola comprimida no corpo de um mecanismo qualquer, Ele, o povo, tem energia acumulada, mas está submetido a pressão do sistema, só atuará quando esse controlador da realidade assim o quiser. Não estou falando aqui da mecânica simples mas psicologia fenomenológica, de Jean-Paul Sartre. No qual estudo do tema diz:


A energia que se acumula na mola comprimida, não a sentimos como puro armazenamento passivo, mas como uma força viva que cresce com o tempo. Aqui a imagem da mola já não é simples imagem da mola. Ela é além disso, alguma coisa indefinível: uma imagem da mola viva”.


Dentro dessa opressão persistente e de característica preponderante, submete a massa popular ao seu destino de eterna força contida entre receptáculos de abrigo das vontades indesejadas por uma elite singularmente cruel.



Este mecanismo de controle estratégico no campo psicológico tem eficácia garantida nas mãos de quem sabe aplicar sua característica de segurança. Jean-Paul Sartre prossegue:


É disso que se trata: o oprimido é a mola. Mas por outro lado, na mola comprimida já podemos ler com evidência a força que ela se distenderá: uma mola comprimida representa claramente uma energia potencial. Essa energia potencial será evidentemente a do oprimido, uma vez que o oprimido é a mola”.


A sutil contenção de energia popular se torna um mecanismo extremamente útil para dominadores, exatamente essencial na governança de sistemas que desejam perpetuação no poder. Pois em mais uma definição Sartre completa:


Um organismo: teremos uma intuição absolutamente inversa, algo que poderia se expressar por essa frase: a opressão avilta e degrada os que a sofrem. Mas na imagem da mola deixada por sua conta e vista pura e simplesmente como imagem da mola tampouco poderia bastar para nos persuadir. Sem dúvida a mola acumula força. Mas nunca o suficiente para poder se desvencilhar do peso que pesa sobre ela”.


Então, por isso precisamos nos desvencilhar do imaginário planejado e passar a enxergar o mundo real, aquele fora do controle e não abrigado dentro dos limites impostos por ideologia e procedimentos de sistemas e governos, é preciso atitude, e como conseguir? Estudando, se qualificando, lendo boas obras e bons autores, que possuam uma outra visão de mundo bem diferente daquela que lhe foi oferecida para transformá-los em mola, retida, comprimida e incapaz de acionamento pelo peso do sistema de contensão do esforço mental da ação que viria lhes favorecer. Tudo passa pelo aprimoramento, a cultura verdadeira, a qualificação o tira do perfil objeto, da provável manipulação, Portanto, a liberdade passa pelo trabalho cultural de qualificação do povo quanto aos reais valores da liberdade política e econômica que provoque o litígio entre os valores dos que controlam e a verdade que liberta.





Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.



Citação:


O imaginário. Psicologia fenomenológica da imaginação. Jean-Paul Sartre Editora Vozes.



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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Objeto do tempo.

 

                                                    Image by Gianni Crestani from Pìxabay.



 Objeto do tempo.



Finalmente! Cá estamos, nesse alvoroço das circunstâncias para sentir de perto as platitudes vorazes dos estimulados a se tornarem produto industrializado na esteira das ocasiões que prosperam na mais absoluta ignorância. Não saber virou qualidade, ignorar um bom atributo, e viver na alienação uma meta de vida, pois aqui dentro desse ambiente construído criteriosamente para nós, saber, conhecer e ter capacidade real de análise virou atividade de risco. Autores sonegados possuem obras abandonadas em estantes e livrarias, estes que produzem a real cultura são praticamente proibidos de serem citados ou abordados, criaram o risco intelectual, o perigo do saber. Pois quem sabe tem potencial para a argumentação, pode refutar, está além do controle estabelecido nos termos da alienação. Um bom lastro intelectuais se torna inconveniente para a política de domínio de massas, uma pessoa com mais recursos na estrutura mental não se submete facilmente às regras do manicômio construído para ser prisão psicológica de populações. Dentro desse ambiente vivem “intelectuais” sem abrangência e disciplinados a apenas enxergar um termo da criação. Nada mais existe e que possa ser tolerado além da mixórdia de conceitos embolorados de um passado de erros sistematizados e comprovadamente fracassados em toda sua estrutura conceitual. Essa gente, pedante e de caráter duvidoso, apenas considera o assunto que acaricia seus egos inflados por puro oportunismo decadente. De tão doutrinados e anulados intelectualmente não conseguem mais viver com o contraditório, não podem mais fazer de alguma obra com a qual não concordem uma análise dialética para produzir uma síntese do objeto em questão. Enfim, refutar o argumento que foi apresentado, eles apenas o apagam da realidade e o classificam como inadmissível. Um último recurso para não enfrentarem a verdade, aquela que diz estarem errados. Objetificados, padronizados e sistematizados dentro de uma liturgia imposta por décadas e até mais, não possuem mais a capacidade de ver o que está além de um único propósito. Eles se transformaram na metáfora do produto, não há diferença entre eles, como uma linha de montagem, correm pelas esteiras industriais até o armazenamento para uso quando for conveniente. Quem me acompanha, lê meus livros sabe que uso essa associação para defini-los tem tempo. Fale com um a respeito de política e terá de todos a mesma resposta, o conteúdo psicológico é exatamente o mesmo, como uma caixa de leite. Não há diversificação no que diz respeito a qualidade do produto apresentado, tudo é a mesma cantilena coletivista e de preocupação com o pobre e o trabalhador. Parecem um registro de acontecimentos do início do século passado. Acredito que já perderam o prazo de validade e não perceberam. Essa displasia cognitiva provocada por estagnação de conceitos acaba refletido na organização social da atualidade. Reparem, tivemos entre nós até a bem pouco tempo um intelectual como poucos, Olavo de Carvalho, quantos o conhecem ou leram algum livro dele? Ele foi praticamente proibido pela esquerda, relegado ao ostracismo e a manada obediente aceitou. E quando opinam a respeito dele o chamam de astrólogo, de louco ou qualquer outra coisa depreciativa. Leram os livros dele? Não! Portanto julgam sem conhecer, depreciam sem ao menos lerem alguma obra dele, porque se lessem, seriam outras pessoas, teriam outro entendimento da vida e não seriam as vacas de presépio que são. Leiam, produzam um trabalho intelectual refutando o que ele diz, apresentem evidências de erros e assim tenham lugar de fala nesse momento. Utilizando aqui um termo esquerdista bem modernoso e inclusivo.



“Lugar de fala”. Sim! Essa gente esquisita produz também um linguajar próprio de tribo, de gueto. Olavo, um intelectual ímpar, esteve conosco e deixou um vasto trabalho para estudo e análise, então, se não gostam dele, o leiam e produzam material acadêmico comprovando com evidências de seus erros, caso contrário tudo não passa de fofoca de grupo centrado na incompetência abrangente e incapaz de refutação intelectual sólida. Usam o bom humor dele nas redes sociais como instrumento contra ele, mal sabem que uma as principais características da inteligência superior é o sarcasmo e ironia. Pessoas com deficiência mental não entendem esse recurso. Nos livros dele podemos encontrar insights muito bons de circunstâncias comportamentais a respeito de todos nós, os brasileiros, perdidos em tanta ignorância já margeando a estupidez para muitos. Aquele que fornece a capacidade de pensar com qualidade deve ser valorizado e apreciado como um real transformador social de um tempo. O pouco que temos hoje de intelectualidade superior tem origem nele e nos seus livros e nas suas aulas. Enquanto isso, criadores de marchinhas populares estão na Academia Brasileira de Letras, um símbolo vivo evidenciando a nossa miséria intelectual hoje. Em um texto de 1985 Olavo fala dessa intelectualidade decrépita do nosso país:



A impostura intelectual, sombra e caricaturada atividade da inteligência, existe um pouco por toda parte. A diferença é que no Brasil a caricatura tende a usurpar o lugar d modelo, a sombra adquirindo vida própria e passando a mover o corpo que a projeta. O número de farsantes e de doutores ineptos em todos os campos da atividade cultural é anomalamente grande neste país – a ponto de constituir um traço permanente da cultura nacional, tanto quanto a corrupção na esfera política ou a impunidade e na judiciária”.



Não se enganem, temos doutores, mestres e demais graduados com dificuldade em interpretação de texto. Muitos sabem mais inglês do que português pois os pais os colocaram desde muito cedo em cursos prolongados desse idioma, eu fiz o mesmo com meus filhos. Mas são bons em português também. O que faz a massa supostamente qualificada ser bem menor do que de fato é em aparência. O professor Olavo já alertava para esse problema e só piorou com o passar do tempo, piorou muito. Hoje já não existe mais criação artística de qualidade, musicas com letras bem elaboradas e marcantes, tudo virou um ritmo tribal de tambores como em alguma aldeia nos confins dos tempos.



Mas tudo isso foi uma construção ressentida da nossa esquerda com relação ao período militar, onde foram fragorosamente derrotados ao tentar, já naquele tempo, implementar uma ditadura soviética brutal. Com a derrota, partiram com afinco para a destruição da sociedade por aparelhamento e doutrinação de forma geral. Hoje temos apenas militantes com poder. Olavo diz algo a respeito desse momento:



Ofendidos pela ditadura, os intelectuais brasileiros tiveram uma reação desproporcional e mórbida. Não conseguindo derrubar o governo, interiorizaram a revolta, puseram-se a derrubar a família, a moral, a gramática, a personalidade humana, os sentimentos, o respeito pela civilização, tudo aquilo que adorna e enobrece a vida, para disseminar em seu lugar um espírito de revolta nietzschiana e de cinismo nelsonrodriguesco. Há duas décadas eles vêm submetendo o público brasileiro a um estupro psicológico sempre em nome, é claro, do combate a ditadura”.



E assim amigos, para quem ainda não teve a sorte de conhecer, apresento Olavo de Carvalho, sugiro que leiam seus livros, seus artigos e crônicas, um mundo novo vai se apresentar, um mundo fora dessa doutrinação que o transformou em um objeto do tempo, apenas para ser usado por poderosos de ocasião.




Gerson Ferreira Filho.


ADM 20 – 91992 CRA – RJ.



Citação: O imbecil coletivo. Olavo de Carvalho. Editora Record.



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