terça-feira, 15 de setembro de 2026

O espaçamento do conceito.

 

                                                             Image by OSTC from Pixabay.



O espaçamento do conceito.



“O único termo em cuja presença eu sempre me encontro, o único fato que é, para mim, primordial e indubitável, é minha própria inserção no mundo”.


Louis lavelle.



Neste infinito gotejar de hipóteses que me proporcionam um olhar eivado de suposições conflitantes e companheiras do absurdo, me reprimo na ação, porque de sentido carece o verbo e sem ele a ação não se realiza ou se apresenta para fluidez gramatical dessa realidade efêmera. Conceitualmente a raiz lógica da semântica vazou pelas frestas e rachaduras do cotidiano, esse recipiente inusitado que armazena a realidade e os dias em eterno conflito entre o hoje e o amanhã. Este contentor de existencialismo não pode mais abrigar a razão, pois foi tomado de impropérios vários e todos eles submissos e servis ao completo perfil da irracionalidade. Nossos tempos são de infâmia, não possuem nenhum recato ou comportamento civilizado com a ética exigível. Aquela tradicional vergonha na cara por parte das autoridades virou tablado, deveras, de abjeções explícitas sem consternar as almas de quem se entrega totalmente ao ignóbil. E entre todas essas condições metafóricas anômalas surge repentinamente algo como uma intrusão nômade que recebe a pecha de anomalia mas se trata apenas de honestidade. Seria uma prolepse oportunista daquelas de sabor rascante que insufla os seios das velas da esperança? Teríamos como introverter este ocaso procedimental e ensimesmá-lo nos vazios que não se ocultam e procuram preenchimento com a razão? A perfídia aqui é sazonável, mas possui paredes de tabique, delgadas e sensíveis a qualquer variação de conduta. O que faz o sobreaviso da razão aborda-la com critério, pois certamente haverá sedição sobremaneira agressiva. Porque somos criados de significado, autores relevantes já o disseram e o nosso coração é uma caixa de ressonância emocional, bate por nós e nossas paixões submissas aos eventos aleatórios que a nós se apresentam. O que nos dá uma fugaz esperança dentro de todo esse processo utópico e subordinado à loucura. Mas tudo pode ser apenas um pretexto do destino, se é que isso realmente existe, para nosso tormento e aprendizado de uma exegese conturbada dentro da explicitude acadêmica de tantos contextos e circunstâncias que assediam a nossa vontade. Somos incompletos, estamos aqui para adquirir sentido, propósito, para enfim, transesender na forma e adquirir permissão para novos acessos, hoje impossíveis para nós. Viemos aqui para ser, ser em sentido pleno, e para que enfim, sejamos completos. Para entender tudo isso apenas a metafísica resolve, o mergulho profundo naquilo que margeia o impossível e o imponderável para tirar dali um átimo de lucidez atiçado que venha haurir o corpo de qualquer indecisão. Porque Louis Lavelle explica:


O ser é o objeto universal. A palavra objeto não é tomada aqui como correlativo da palavra sujeito. A afirmação do ser é anterior à distinção entre sujeito e objeto e envolve ambos. Ela é tomada numa acepção puramente lógica e designa todo termo possível de uma afirmação”.


E se assim somos na densidade desse momento peculiar que nos abriga teremos que escrutinar todo sentido e sensação para entender o lugar que ocupamos nas sentenças existenciais do universo. Até porque entender o infinito não é uma tarefa fácil, mas se ao menos delimitarmos nosso contexto já estará razoável. Ame o propósito e a embriaguez do trajeto não fará morada na sua alma. E a respeito da metafísica Louis Lavelle esclarece:


O caminho que conduz à metafísica é particularmente árduo. E há poucos homens que aceitam galgá-lo. Isso porque de fato, trata-se de abolir tudo que parece suster nossa existência, as coisas visíveis, as imagens e todos os objetos habituais do interesse e do desejo”.


Estamos falando aqui de um mergulho profundo em valores estruturais do arcabouço da existência plausível e conhecida, uma ida ao além do universo lógico conhecido, onde os cálculos filosóficos não fazem mais sentido, e com esses novos valores, montar e marcar um encontro com o esgotamento do argumento. Fazer surgir um novo conceito, uma nova interpretação que construa um novo caminho lógico na realidade. Temos que ocupar intelectualmente os intervalos, os espaços existenciais inalcançáveis aos de raciocínio efêmero, pois a esses a estupidez já abraçou. Não temos o que lamentar, essa gente escolheu seu trajeto na realidade. E enfim, cada um apenas alcança aquilo que lhe é possível dentro de seus limites.



Temos assim que definir o nosso lugar no tecido celestial, encontrar abrigo nas hipóteses ente conceitos coa elasticidade adequada ao átimo ligeiro onde se encontre uma real condição de sobrevivência e de morada intelectual. E assim temos mais uma definição metafísica:


O lugar e o instante não foram feitos para serem pensados, são feitos para serem ocupados; e nesse lugar e nesse instante que são ocupados, sempre parece que conquistamos uma vitória sobre o espaço e o tempo. O espaço e o tempo nos propõem fins e, por conseguinte, necessariamente nos separam do fim a que visamos. Permitem-nos alcançar fins particulares, mas ao nos proporem outros, incessantemente mais longínquos, que despertam em nós a atividade do querer”.



O tema é por demais complexo, devo produzir outros textos a respeito e recomendo ler o autor e os livros utilizados na construção desse texto. Mergulharemos nesse universo curiosamente profundo para pescar novas e translúcidas circunstancias. Por quê? Ora, Ser e estar, pertencer e se doar ao conhecimento é o regozijo de quem procura respostas.



Gerson S. Filho.




Citação:


Dialética do eterno presente Volume 1, Do ser. E Dialética eterno presente volume 2, do ato. Vide editorial. Tradução de Lara Christina Malimpensa. Autor Louis Lavelle.


Livros no portal da Editora Delicatta.

delicattaeditora.com.br







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