quinta-feira, 29 de outubro de 2026

O drible da vaca.

 

                                                             Image by Sandid from Pixabay. 





O drible da vaca.




Então, num passado distante meu pai me apresentou ao futebol, me levando ao Maracanã, estádio que retornei diversas vezes com ele, e sem ele também. Foram momentos felizes onde pude presenciar artistas da bola brincarem com adversários desprevenidos em suas exóticas jogadas ilusórias de trapaça cognitiva no campo. Vi também pela TV essa jogada na copa de setenta, Pelé a aplicando no coleiro do Uruguai, Masurkievisky, bola para um lado, ultrapassagem pelo outro, pena que não saiu o gol, mas a construção primorosa estava lá, uma fração de segundo e, a escolha fatal do infeliz goleiro, acompanhar o jogador ou a bola. Vi também num jogo noturno em dia chuvoso junto com meu pai, o Júlio César de carreira tão breve, esculachar o defensor Orlando do Vasco da Gama diversas vezes com dribles como esse e suas variações diversas vezes. O Apelido do Júlio era Uri Gueller, entortava geral, como um mágico famoso daquele tempo. Vencer o Vasco já era uma rotina, na maioria das vezes o placar terminava favorável ao Flamengo, esse jogo citado foi 3 X 1 para o rubro-negro. Vi Zico também em algumas oportunidades aplicar essa manobra infame em alguns adversários ousados que não reconhecendo o perigo iam para cima do Galinho de Quintino e acabavam sentados no chão. Tive felicidade de na infância e juventude morar perto do Maracanã e portanto, era um dos meus programas preferenciais. Aquele magnificamente gigantesco estádio, com suas enormes escadarias de arquibancadas que foi destruído para construírem um estádio meia boca padronizado com valores europeus sem magia e tamanho. Vi o Fio Maravilha, um maluco do futebol que variava entre a extraordinária genialidade e completa mediocridade bizarra, virou até música popular, merecidamente. Não posso me esquecer de Doval, o argentino endemoniado que aterrorizava o adversário com uma mobilidade incrível para aquela época e do Dionísio, o Bode atômico, que apesar de baixinho, subia a alturas incríveis para liquidar com seus gols de cabeça o adversário. O Paraguaio Reyes, o marcador implacável, Liminha o carregador de piano, e Arílson o insuportável ponta acossador de defesas desprevenidas. Mais tarde, bem mais tarde vi Ronaldinho fenômeno e o insuperável Ronaldinho Gaúcho, o rei do drible a vaca. 


Ninguém tem mais magia nas pernas que ele possui, pena não ter juízo para permanecer na ativa mais tempo, um gênio da bola. O futebol faz sucesso graças a todos esses nomes, uns esquecidos outros mais famosos e uns reconhecidos em todo mundo com extremamente diferenciados. Muitas vezes subi aquelas enormes rampas de acesso ao Maracanã para assistir o meu clube vencer, e perder, poucas vezes, porque a derrota também pertence ao jogo, a disputa, mas confesso, torcer para o Flamengo me trouxe muito mais alegrias do que tristeza. Diversos esquadrões foram criados em ocasiões de tempo diferentes e foram muito vencedores em seu tempo. Foi o tempo do cachorro quente da Geneal. e do refresco de mate Leão. Que assim como os biscoitos Globo foram um marco de uma cidade. A Geneal. também tinha um achocolatado em garrafinha muto bom. Assisti ao vivo o Flamengo ser campeão brasileiro pela primeira vez com gol do João Danado, o Nunes em cima do Atlético mineiro, eu estava la! Um título que viraria rotina. Foram tempos magníficos, de Praça Sães Penã, no coração da Tijuca Zona norte do Rio de Janeiro, repleta de cinemas, eram mais de 10, suas lanchonetes , de crepes, de sanduíches americanos tipo Bob’s, dos cafés tipo o Palheta, e dos bares com diversidade gastronômica. Um jogo no Maracanã , um cinema e um lanche, a vida era muito boa, Inusitadamente bela e tranquila de um período que alguns chamam de anos de chumbo. Lia-se Nélson Rodrigues nas colunas dos jornais, poder-se-ia ter um encontro com Carlos Drummond de Andrade pelas ruas de Copacabana, onde ficava uma lanchonete muito boa também a Gordon lanches, com sanduíches maravilhosos. Mas confesso, o meu preferido era o cheeseburguer do Helal lá na região comercial do Saara, uma loja de variedades com lanchonete no fundo, do Geroge Helal, um grande flamenguista. Tudo consumido pelo implacável tempo, hoje tudo é medíocre, alienado, sem substância que lhe ofereça alguma qualidade intelectual, apenas prazeres desvirtuadamente fúteis, e na política, reina a insanidade que domesticou boa parte do povo. Tudo gira em amores fúteis a políticos trapaceiros e mentirosos. A população trocou a felicidade pela agonia rasteira da paixão política, como bois seguem o berrante do seu dono e nada mais. Nesse cenário fica até apropriado o drible da vaca, aplicado como rotina nos eleitores sistematicamente, e sempre dá certo. E afinal, tudo isso serviu apenas de engabelo, a intenção aqui foi registrar para história uma das maiores vergonhas logísticas brasileiras.


 Claro, ofereci eventos reais e históricos mas agentes estrangeiros entraram no país e resgataram o candidato da oposição em risco de prisão pelo regime sem que nenhum órgão de segurança brasileiro entendesse o que estava acontecendo, Um autêntico drible da vaca da CIA, muita informação aleatoriamente preparada para confundir, os agentes saíram para um lado e os agentes brasileiros ficaram sentados no chão. Sem conseguir entender o que era real e o que não era. Uma informação prêmio de quem trabalhou boa parte da vida controlando, coordenando e escolhendo pessoas, todos que se submetem ao aparelhamento ideológico não são inteligentes. A real inteligência requer desafio, contestação e até um bom grau de indisciplina, quem se enquadra perfeitamente em esquemas de controle é burro. A inteligência contesta, arguindo a proposta e a espreme até que se torne convincente e viável de ser aceita. A pessoa com inteligência superior é inquieta, ao deduzir as proposições escalona mentalmente as possibilidades inseridas nessa realidade e assim pode recusá-las ou até aceita-las se for convencida que são realmente necessárias. Quem aceita de pronto o que lhe oferecem como proposta de comportamento são apenas animais de curral. Estudem, se qualifiquem, eu ofereço essa oportunidade com meus livros.



Gerson S. Filho.



Livros no portal da Editora Delicatta.

delicattaeditora.com.br




 

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