A insustentabilidade comportamental.
Hoje amigos, um tema bem conhecido por todos, algo muito comum em sociedades sem sustentação moral e regras rígidas de comportamento. Aquilo que resta depois de um incêndio político, o rescaldo entre escombros sociais e que indicam quem é e quem não é verdadeiramente o que diz ser. Da minha parte como observador, apenas entendo, como já vinha desconfiando, grande parte da suposta direita conservadora nada mais é do que comensais da corrução de valores e também traidores dos critérios ditos conservadores e de direita. Para gente assim, não há ideologia, moral, ética mas apenas lucro possível. E também explica o motivo da minha autenticidade ideológica não ser recebida bem nesse meio, os ditos influenciadores, em grande número estão também no bolso do sistema. E o sistema não vai querer amplificar o alcance de quem combate suas regras de ouro quanto a imoralidade política, entendo. Estamos num teatro onde o poderoso senhor do momento remunera e controla todos os palhaços, eles só fazem rir a quem participa dos interesses do grupo de poder. Me sinto lisonjeado por ser ignorado por gente assim! Tenho um pequeno público que me acompanha e me lê, todos muito qualificados: médicos, advogados, professores, engenheiros etc. Não pertenço ao grupo dos grandes construtores textuais, mas apresento autenticidade ética e compromisso com a correção comportamental humana. Algo indispensável para sociedades sadias. O insucesso persistente de nossa sociedade está nesse comportamento generalizado de cães sem dono, que se vendem por interesses pecuniários, pela gorjeta gostosa do corruto, por poder alcançar talvez um nível de vida inacessível para cães vadios que se vendem por um biscoito. E a consciência? Ah, deixa isso para lá, honestidade não paga boletos, assim consideram.
Sempre entendi bajulação exacerbada como um velho truque de traidores, o puxa-saco não vale nada, ele apenas tem interesses em vantagens que possa auferir na aproximação com quem tem algum tipo de poder, em algum momento da vida tive algum poder relativo, e muitos desse tipo me assediavam, mas eu os descartava, entendia que o jogo era sujo, e gente assim não é de confiança. A falta de autenticidade estava no exagero. Todo bajulador é um traidor em potencial, basta que apareça algo ou alguém mais propício a lhe fornecer vantagens que ele te vende na primeira oportunidade. Sem constrangimentos, gente assim apenas visa a própria sobrevivência, a qualquer custo. Um bajulador é um risco imediato a sobrevivência do bajulado, ele é um inimigo apenas esperando a oportunidade onde desferirá o golpe mais vil que estiver a disposição da sua metodologia comportamental do inferno. Então, sempre suspeite da integridade moral de quem expressa elogios entusiasmados para políticos, chefes, e gerentes de forma geral, o principal sinal de perigo é essa submissão incompatibilizável com o bom caráter de suposto amor, que de desinteressado não tem nada, gente correta a não faz isso. Alguém realmente com inteligência superior e integridade moral não age assim, sempre será discreto e participará da evolução de qualquer coisa que lhe seja proposta.
Trabalhei administrando pessoas e atividades, conheço bem o procedimento. Um QI hiper dotado se compromete, tem foco, muitas vezes é até confundido com autismo, e muitos autistas são hiper dotados em QI. O poder de concentração na tarefa a eles oferecida é completa e apenas se encerra com a conclusão. Não há interesses periféricos que os desvie da rota programada. O desafio intelectual os acaricia como um amor incontido, resolver o que se torna um empecilho provoca êxtase. Quanto mais complexo e desafiador o problema mais saboroso e pessoas assim tornam fácil encontrar soluções onde ninguém acha uma resposta. Não há espaço entre esses para dar atenção exacerbada para chefes ou políticos. O chefe é apenas uma engrenagem incumbida de lhe oferecer o trabalho, o desafio. Porém a maioria adota o comportamento de cachorro pidão, e assim se tornam alvo fácil para recrutamento efetuado por gente poderosa que conta com a fragilidade moral de muitos. Não entender o que representa moralmente ou não se importar a respeito da origem do dinheiro que lhe paga o torna sócio das ações que geraram estes recursos. Entenderei se for por necessidade, mas apenas isso, emergências todos podem ter. Mas isso, a necessidade não abona a ação errada. Nos detalhes aparentemente insignificantes se conhece o caráter das pessoas. O corruptor , o agente que caça fragilidades financeiras e morais sempre está a caça de elementos vulneráveis. Provavelmente as respostas devem estar na filosofia herege de René Guénon, um intelectual inquieto e de inteligência diferenciada que elaborou seu próprio ramo filosófico depois de pesquisar desde o ocultismo, o cristianismo e as filosofias orientais. Ele tem um texto bem gnóstico, de tantas andanças na intelectualidade acabou seus dias como muçulmano, casou no Egito, se converteu e teve filhos. O trabalho dele é interessante mas alguns livros que consegui a respeito dele o criticam, principalmente os católicos, ele desafiava alguns dogmas religiosos. Afinal, tudo tem origem na intelectualidade, na capacidade de entender a realidade, com profundidade suficiente para que respostas plausíveis possam ser encontradas no tecido da realidade, e algumas respostas podem contrariar dogmas estabelecidos na estrutura religiosa do ocidente. E nós sabemos da necessidade de sobrevivência para qualquer culto ao ter seus dogmas desafiados. Nós estamos numa etapa da humanidade onde precisamos expandir a análise, justamente porque ao que parece as crenças estabelecidas não estão dando conta dos desafios, nenhum crente, de qualquer religião gostaria de ouvir ou ler isso, mas a realidade que a metodologia atual da religiosidade ocidental está sucumbido, e quando ela sucumbe, a população tende para anarquia moral e limites de honestidade e ética morrem junto com essa religiosidade, que também é fonte de controle comportamental ético. O que significa saber por René Guénon:
“Ao iniciar as características essenciais da metafísica, dissemos que ela constitui o conhecimento intuitivo, ou seja o conhecimento imediato, em oposição ao conhecimento discursivo e mediato da ordem racional. A intuição intelectual é ainda mais imediata do que a intuição sensível, porque vai além da distinção entre o sujeito e o objeto que esta última permite que exista; ela é tanto o meio de conhecimento quanto o próprio conhecimento, e nela o sujeito e objeto são unificados e identificados. Em outras palavras. Não há conhecimento verdadeiro, exceto aquele que participa mais ou menos da natureza do conhecimento intelectual puro que é o conhecimento por excelência. Todo outro conhecimento, sendo mais ou menos indireto. Tem, em suma, apenas um valor simbólico ou representativo; não há conhecimento verdadeiro e eficaz, exceto aquele que nos permite penetrar na própria natureza das coisas e, se essa penetração já pode ocorrer até certo ponto nos graus inferiores de conhecimento, é apenas no conhecimento metafísico que ela é plena e totalmente realizável”.
Aqui especialistas consideram que Guénon erra como os pré socráticos. Levando em conta muito os princípios cristãos. Aqui o texto ficaria excessivamente longo para explicar esse entrevero, mas sugiro pesquisar e que leiam René Guénon, Será muito útil para o desenvolvimento de um pensamento crítico pois estamos em tempos de demolição acentuada de certezas religiosas. Onde dogmas são abandonados e a sociedade se permite agir sem nenhuma ética com relação o próximo. Cristãos assumidos como protestantes e católicos associam comunismo com cristianismo, se permitindo ser ou diríamos jogar nos dois times, o do demônio e o de Deus. É uma associação logicamente impossível, mas essas organizações religiosas foram infiltradas e o que nos leva a crer que não possuíam a rigidez de conceitos apropriada para esses novos dias ou a fidelidade de seus membros se tornou frívola e sem consistência para resistir ao assédio. É nesse ponto que René Guénon trabalhava, uma provável fragilidade da fé ocidental. Trarei mais dele em texto futuro, mas recomendo os livros dele.
Gerson S. Filho.
Citações:
René Guenón julgado pela tradição. Antoine de Motreff. Editora para que elle reine, CEDET.
René Guénon Revelado. Vida e pensamento de um enigma do século XX. Victor Bruno. Editora Danúbio.



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