terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Um caminho.












               Hoje é um dia especial para uma quantidade enorme de pessoas. Por motivos religiosos, por motivos familiares, ou simplesmente para passar com os amigos e até quem sabe sozinho. Um personagem muito importante tem seu aniversário comemorado hoje, Jesus. Uns acreditam nele, outros não, tantos duvidam, quantos se entregam fervorosamente aos seus ensinamentos. De qualquer maneira ele trouxe importantes ensinamentos para todos. Não se pode negar que se suas diretrizes e ensinamentos fossem seguidos em plenitude teríamos um mundo melhor.

           Mesmo para outras vertentes religiosas, ou para quem não acredite em absolutamente nada há sempre uma palavra dele que servirá como escopo de uma ocasião sombria que será então dissipada. Nosso cotidiano está repleto de boas intenções, porém isso já se provou ineficaz, vivemos de esperança em discursos ricos em subterfúgios e completamente pobre na realização. O apelo do governar para todos, de governar para os necessitados já se esgotou. Que no próximo ano consigamos viver seguindo o ensinamento “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” de maneira mais convincente, e que o nosso “César” atual seja menos voraz, e mais cauteloso com os recursos que arrecada. Possibilitando assim uma melhor qualidade de vida para todos.

         Eu continuo acreditando nele, não de forma passional, mas com a mais tranqüila atitude de que procurei ser justo e correto nas minhas atitudes até hoje, procurando de alguma maneira seguir os termos que ele deixou. Nasci, cresci, vivi e vivo na busca do aprimoramento e do progresso, tanto intelectual como do espírito. Serei vitorioso no final? Não sei. Conseguirei vencer os obstáculos do meu caminho? Bem; eu diria então: o melhor guia para as ocasiões severas está comigo. Não preciso temer as tempestades que se avizinham.

Um Feliz Natal para todos, um ano novo com saúde paz e sucesso.


Gerson F. Filho.

domingo, 11 de agosto de 2013

Ao dia dos pais.


Uma história pessoal em homenagem ao dia dos pais.





Um breve passeio na história.




É quase certo que vocês não saibam, não tive a oportunidade de contar essas coisas para vocês, mas sempre surge uma chance. Meu avô paterno, Antônio Artur, um potiguar casou-se com a amazonense Leonilia, eles geraram três filhos, Gerson, Arlete e Ruth, lá na cidade de Porto Velho. Anos depois foram para Manaus. Quando completou a maior idade Gerson, o avô de vocês, de espírito inquieto, trabalhando na marinha mercante (não sei se foi bem assim), veio desembarcar no Rio de Janeiro para de lá nunca mais sair.


Não tinha muita escolaridade, então teve que trabalhar duro, encontrou o trabalho que sua capacidade atendia: garçom. Como era branco (naquela época isso era muito importante), conseguiu bons empregos para a especialidade que trabalhava. Era a época dos grandes cassinos (o jogo era liberado no Brasil), trabalhou em casas importantes da época como o Cassino da Urca, o Café Nice, Sírio Libanês etc. Sempre fazendo o possível para ser o melhor no que fazia.


Claro, dinheiro não nasce em árvores, e para ganhar o pão de cada dia, garantir o pagamento do aluguel da residência e tudo mais, viveu grande parte da sua vida no trabalho. Não teve muito tempo para mim, que fui fruto da sua união matrimonial com Alayde, uma operária carioca de Madureira. Essa que teve que parar de trabalhar para cuidar de mim.

Cresci vendo meu pai vir para casa, deixar dinheiro para minha mãe, pegar o uniforme de garçom já engomado, e sair novamente para trabalhar. Aos nove anos de idade, ele me levou pela primeira vez ao Maracanã para ver um jogo, era Flamengo e América. Deste dia em diante, quando tinha tempo esse passou a ser o nosso encontro, ir ao estádio ver futebol. Às vezes alguns amigos de trabalho dele apareciam para um bate papo, e eu via que ele era respeitado no meio, devido à qualidade e forma correta com que trabalhava.


Mesmo não tendo tempo para mim, esse foi o exemplo que me deixou e que sempre procurei seguir. Se quiser melhorar de vida; trabalhe, estude, seja o melhor naquilo que faz. Encontre respeito entre seus pares, seja honesto. Isso não o levou a fortuna a riqueza, mas teve uma vida digna, dentro das expectativas dele. Eu fui pobre, mas ele sempre me ofereceu um teto para me abrigar, e no mínimo três refeições por dia. E graças a isso pude estudar trabalhar evoluir e chegar onde estou certamente muito além do que ele tenha sonhado para mim.


A história de certa forma se repetiu, eu também não tive tempo, e força para ser aquele paizão (aquela imagem que vendem por aí), será que ela é real? Entreguei-me ao trabalho, como meu pai; procurei ser o melhor no que fiz e no que faço. Mas assim como ele deixo o exemplo, aquele que ele me passou, eu passo para vocês. A vida não é um parque de diversões, embora momentaneamente pareça, e nenhum esforço ficará em vão. Alguém lá em cima cuida dos justos, então seja um deles.


Abraços,

Seu pai,

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Atualidades e análise de politicas de controle de massas.






Novela ambientada no centro do Rio de Janeiro nos anos 70 estruturada de forma bem simples para dar representatividade a uma região, uma comunidade e seus moradores. Incluso contos Contextos da usura do Norte Fluminense.


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sábado, 1 de junho de 2013

contemporâneos 12.







O horizonte hoje
Convida-me com seus abraços.
Algo incandescente
Esconde-se atrás daquela linha,
Seria o óbvio se fosse somente o sol
Mas a obviedade esconde uma paixão.
Não seria só calor seria assim clamor,
O grito insano das circunstâncias.
Um brado rasgando o amanhecer
Que surge nas trevas do meu coração.
Retirei-me da luz, porém ela me persegue,
Não resisti ao odor fétido do cotidiano.
Eufemismos solaparam minha confiança,
Sucumbi soterrado por sorrisos sarcásticos.
Será que vou deixar-me iludir novamente?
Por favor, me empresta este teu sorriso desleal,
Preciso legitimar minha falsidade
Para sobreviver neste mundo.


Gerson F. Filho


domingo, 30 de dezembro de 2012

Sopro.





Mutila-te o sonho?


Sonha então, pois ainda é apanágio.


Pior seria não sonhar.


Onde estaria a fuga?


Na realidade faz-se a exegese.


Enquanto sonho se realiza,


Sonho torna-se concreto


Realizar do desejo,


Concreto.







Gerson F. Filho.


Pessoal, este ano não pude criar muito, mas pude deixar, agora no final alguns trabalhos para vocês. Uma ótima passagem de ano para todos, muita saúde paz e que os caminhos de todos vocês estejam cobertos de vitórias e sucesso, meu sincero carinho e abraço.

Gerson F. Filho.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sob o sol azul.





Borboletas translúcidas vagam


No divagar devagar das curvas empíricas.


Seria dia? Ou noite? Naquele perfume...


Aquele que guarda agudos sentimentos.


Tão densos que poderiam ser fatiados e servidos.


Quer um pedaço do êxtase?


Então faça da ênfase o impulso,


Sinta o sabor do absurdo!


Aguarde e pense:


Seria normal amar com requinte?


Ou ser desejado por ser boçal?


Estes extremos estultos...


O bruto vence no aleatório.


O sutil é sempre específico


E vence no ataque surpresa.


Se proteja! Sob o sol azul.








Gerson F. Filho.

sábado, 20 de outubro de 2012

Antepara estanque.


                                                                                                       

Ainda não me espanta a hora,


Sendo que de seixo se faça,


E tenha o sabor de mordaça,


Faz-se têmpera d’alma agora.





Uma boca um grito o desdém.


O quanto de quando fugir,


Donde a agonia vier suprimir,


Se o desejo trespassar o além.





Como você voltará ao real?


Se o estado normal feneceu.


Este instante nasceu surreal.





Todavia um átimo desperta.


Esta loucura de tão incerta,


Oblíqua insólita, mas liberta.







sábado, 14 de julho de 2012

Contextos da usura parte 11.






                 O inquietante calor de quase trinta e três graus da noite era um alívio refrescante quando comparado à temperatura do dia. A leve brisa da tarde havia perdido a batalha para o mormaço. O transito fluía nas estreitas ruas da cidade sem planejamento moderno, uma angústia já sentida por boa parte da população, isso já não era problema exclusivo de cidade grande. Termínio que passou quase toda vida na capital construiu uma casa em um terreno dado por sua mãe Leogácia, esta “atitude nobre” se deveu a uma disputa por benefícios entre os seis filhos, e debaixo de pressão; Leogácia acabou cedendo, perto da praia, numa região desvalorizada, comprou alguns terrenos a preço módico para investimento, portanto neste caso Termínio acabou beneficiado. Até Jaconildo o seu padrasto feirante comprou uns terrenos por lá, nos dez anos que ficou casado com Leogácia, Jaconildo melhorou consideravelmente seu patrimônio, talvez tenha sido isso que levou a não fazer questão da casa em que morava e saiu entregando-a ao Olivário.

            Lá também e bem próximo morava sua irmã, Levilha a maior beneficiária das atenções e dos recursos de Leogácia. Ela, Leogácia deixou um valor razoável para pagamento de débitos com a previdência social do seu filho mais velho, o Avenildo, este estava com várias contribuições atrasadas no plano de previdência e com seu veículo de trabalho em condição de miséria, a ponto de quebrar, porém praticando uma manobra astuta Olivário o filho homem mais novo meteu a mão no dinheiro e foi passar uma temporada viajando, claro para alívio do período que cuidou da mãe. Avenildo não se aposentou: coisas entre irmãos, mas isso já foi consequência do falecimento de Leogácia, por enquanto Olivário ainda tinha um bom trecho de expiação pela frente, sua mãe ainda iria durar um pouquinho mais. Como guardião de todos os bens da mãe ele com certeza podem apostar planejaria tirar um naco maior do que a parte que lhe cabia na herança. Estímulos hereditários para tal comportamento não faltavam no filho mais novo de Leogácia.

         Gotas de suor faziam seu percurso sinuoso em corpos extenuados aguardando o encontro com alguma piedosa brisa. A noite repleta de pernilongos ainda ia cair e Leogácia com sua sinetinha na mão chamava Olivário de dez em dez minutos para pedir alguma coisa ou para pura reclamação. Essa era a hora na qual ele pensava se tudo aquilo valia a pena, talvez deixa-la com Levilha fosse melhor, mas e o risco de perder o controle do processo? Ouvir os impropérios de sua mãe o estimulava ainda mais nos planos obscuros. Levilha que tanto recurso de forma privilegiada já conseguira de Leogácia não se firmava. Ela provavelmente não sabia administrar o dinheiro, mas avidez por mais não lhe faltava. Sua mãe enquanto isso comentava em segredo para Levilha que seu irmão Olivário a estava maltratando, pura intriga para estumar os espíritos. Isso ainda ia ser utilizado como argumento na batalha pela herança. Aquelas palavras utilizadas no momento certo fariam catálise acelerando a discórdia naquelas almas em conflito.

        Mesmo próximo do fim Leogácia prosseguia com seus objetivos sibilinos, para ela um pouco de peçonha na relação era fundamental, sem isso a vida não tinha graça. Ela possuía a determinação do sol que assava impiedosamente aquela depauperada planície até o ponto das mamonas espocarem ou “pocarem” de acordo com o modo popular de se falar, implacável modo de ser. Enxugador (toalha) era assessório indispensável para dar conta da transpiração nos dias de verão. Sob a carícia desta plena estação Leogácia viveria seus últimos dias e deixaria um legado de discórdia plantado em forma de controverso testamento, este feito com apoio do seu astuto filho Olivário. Muitos anos tinham passado desde aqueles nos quais ela misturava um pouco de cachaça ma mamadeira dos filhos para que eles dormissem e deixassem-na trabalhar. Isto se repetiu mais tarde, quem bebia água na casa de Leogácia saia mais calmo, só não sabia que ela costumava triturar um comprimido de diazepan e misturava na água das garrafas da geladeira. De dia centenas de moscas de noite milhares de mosquitos, estes se revezavam como companhia contínua e insinuante agraciando o período.