domingo, 30 de dezembro de 2012

Sopro.





Mutila-te o sonho?


Sonha então, pois ainda é apanágio.


Pior seria não sonhar.


Onde estaria a fuga?


Na realidade faz-se a exegese.


Enquanto sonho se realiza,


Sonho torna-se concreto


Realizar do desejo,


Concreto.







Gerson F. Filho.


Pessoal, este ano não pude criar muito, mas pude deixar, agora no final alguns trabalhos para vocês. Uma ótima passagem de ano para todos, muita saúde paz e que os caminhos de todos vocês estejam cobertos de vitórias e sucesso, meu sincero carinho e abraço.

Gerson F. Filho.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sob o sol azul.





Borboletas translúcidas vagam


No divagar devagar das curvas empíricas.


Seria dia? Ou noite? Naquele perfume...


Aquele que guarda agudos sentimentos.


Tão densos que poderiam ser fatiados e servidos.


Quer um pedaço do êxtase?


Então faça da ênfase o impulso,


Sinta o sabor do absurdo!


Aguarde e pense:


Seria normal amar com requinte?


Ou ser desejado por ser boçal?


Estes extremos estultos...


O bruto vence no aleatório.


O sutil é sempre específico


E vence no ataque surpresa.


Se proteja! Sob o sol azul.








Gerson F. Filho.

sábado, 20 de outubro de 2012

Antepara estanque.


                                                                                                       

Ainda não me espanta a hora,


Sendo que de seixo se faça,


E tenha o sabor de mordaça,


Faz-se têmpera d’alma agora.





Uma boca um grito o desdém.


O quanto de quando fugir,


Donde a agonia vier suprimir,


Se o desejo trespassar o além.





Como você voltará ao real?


Se o estado normal feneceu.


Este instante nasceu surreal.





Todavia um átimo desperta.


Esta loucura de tão incerta,


Oblíqua insólita, mas liberta.







sábado, 14 de julho de 2012

Contextos da usura parte 11.






                 O inquietante calor de quase trinta e três graus da noite era um alívio refrescante quando comparado à temperatura do dia. A leve brisa da tarde havia perdido a batalha para o mormaço. O transito fluía nas estreitas ruas da cidade sem planejamento moderno, uma angústia já sentida por boa parte da população, isso já não era problema exclusivo de cidade grande. Termínio que passou quase toda vida na capital construiu uma casa em um terreno dado por sua mãe Leogácia, esta “atitude nobre” se deveu a uma disputa por benefícios entre os seis filhos, e debaixo de pressão; Leogácia acabou cedendo, perto da praia, numa região desvalorizada, comprou alguns terrenos a preço módico para investimento, portanto neste caso Termínio acabou beneficiado. Até Jaconildo o seu padrasto feirante comprou uns terrenos por lá, nos dez anos que ficou casado com Leogácia, Jaconildo melhorou consideravelmente seu patrimônio, talvez tenha sido isso que levou a não fazer questão da casa em que morava e saiu entregando-a ao Olivário.

            Lá também e bem próximo morava sua irmã, Levilha a maior beneficiária das atenções e dos recursos de Leogácia. Ela, Leogácia deixou um valor razoável para pagamento de débitos com a previdência social do seu filho mais velho, o Avenildo, este estava com várias contribuições atrasadas no plano de previdência e com seu veículo de trabalho em condição de miséria, a ponto de quebrar, porém praticando uma manobra astuta Olivário o filho homem mais novo meteu a mão no dinheiro e foi passar uma temporada viajando, claro para alívio do período que cuidou da mãe. Avenildo não se aposentou: coisas entre irmãos, mas isso já foi consequência do falecimento de Leogácia, por enquanto Olivário ainda tinha um bom trecho de expiação pela frente, sua mãe ainda iria durar um pouquinho mais. Como guardião de todos os bens da mãe ele com certeza podem apostar planejaria tirar um naco maior do que a parte que lhe cabia na herança. Estímulos hereditários para tal comportamento não faltavam no filho mais novo de Leogácia.

         Gotas de suor faziam seu percurso sinuoso em corpos extenuados aguardando o encontro com alguma piedosa brisa. A noite repleta de pernilongos ainda ia cair e Leogácia com sua sinetinha na mão chamava Olivário de dez em dez minutos para pedir alguma coisa ou para pura reclamação. Essa era a hora na qual ele pensava se tudo aquilo valia a pena, talvez deixa-la com Levilha fosse melhor, mas e o risco de perder o controle do processo? Ouvir os impropérios de sua mãe o estimulava ainda mais nos planos obscuros. Levilha que tanto recurso de forma privilegiada já conseguira de Leogácia não se firmava. Ela provavelmente não sabia administrar o dinheiro, mas avidez por mais não lhe faltava. Sua mãe enquanto isso comentava em segredo para Levilha que seu irmão Olivário a estava maltratando, pura intriga para estumar os espíritos. Isso ainda ia ser utilizado como argumento na batalha pela herança. Aquelas palavras utilizadas no momento certo fariam catálise acelerando a discórdia naquelas almas em conflito.

        Mesmo próximo do fim Leogácia prosseguia com seus objetivos sibilinos, para ela um pouco de peçonha na relação era fundamental, sem isso a vida não tinha graça. Ela possuía a determinação do sol que assava impiedosamente aquela depauperada planície até o ponto das mamonas espocarem ou “pocarem” de acordo com o modo popular de se falar, implacável modo de ser. Enxugador (toalha) era assessório indispensável para dar conta da transpiração nos dias de verão. Sob a carícia desta plena estação Leogácia viveria seus últimos dias e deixaria um legado de discórdia plantado em forma de controverso testamento, este feito com apoio do seu astuto filho Olivário. Muitos anos tinham passado desde aqueles nos quais ela misturava um pouco de cachaça ma mamadeira dos filhos para que eles dormissem e deixassem-na trabalhar. Isto se repetiu mais tarde, quem bebia água na casa de Leogácia saia mais calmo, só não sabia que ela costumava triturar um comprimido de diazepan e misturava na água das garrafas da geladeira. De dia centenas de moscas de noite milhares de mosquitos, estes se revezavam como companhia contínua e insinuante agraciando o período.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Limbo.





Vá! Maltrate minha ausência.


Sim! Eu nunca estou em mim.


Por ti tornei-me vazio.





Uma planície desesperada


Coberta de horizontes.


Desocupei este plano, fugi.





Não me procure!


Estenda seu sorriso alhures.


Sou vastamente insano.





E se assim não fosse;


Não teria estado nos teus braços.


Regaços cruéis da ilusão.





Não se preocupe:


Basta-me o nada ser e ter.


Sobrevivo se não tiver você.





Espasmo.





Desejo a essência do beijo apaixonado,


Ainda que de falsa alma assim se faça;


Tenha crédito verdadeiro na inferência,


Seja uma premissa nos lábios ao regalo!





Se não for direito que seja do avesso.


Que seja! Apenas um placebo satisfaz.


Que me mate iludindo de forma eficaz.


Almejo após apenas o resto do verso.





Sem ritmo e violentado pela solidão,


Vi na lua um sarcasmo de ocasião.


Onde foi parar essa tua alma poeta?





Fugiu, dobrou a esquina ficou o vazio.


Porém esqueceu o fiel do desvario.


Foi embora, e não levou meu coração.






sexta-feira, 22 de junho de 2012

Contextos da usura parte 10.





Antes do fim jogos e dissimulação.

            Lembram-se do butim? A coisa não seria fácil. Olivário sabe-se lá se em acordo com leogácia ou apenas utilizando manipulação conseguiu um testamento no qual recebia a casa da mãe como herança. Soube-se que Leogácia ficara desgostosa com sua filha preferida, a Levilha Pois essa só a procurava para pedir dinheiro alegando sempre alguma dificuldade. Isso em tempos atrás não causaria desconforto, afinal de contas ela era a preferida, e por diversas vezes já havia recebido ajuda por qualquer motivo. Existiram motivos de suspeita, sim, mas foi registrado.

          Aparentemente aos olhos de quem acompanhava de longe Olivário que detinha a procuração de Leogácia supria todas as necessidades dela. Internações, remédios, médicos. Ela já não andava, vivia na cama e morava com seu filho mais novo, que arcava com a terrível condição de cuidar da mãe doente sozinho e ter de escuta-la, sim! Ela apesar do estado completamente degradado ainda estava lúcida. E isso não era fácil, Leogácia nunca foi uma pessoa fácil.

          Foram anos de sofrimento, esgotamento de recursos e aparente dedicação, digo aparente porque de certa forma era isso que aparecia na superfície conturbada da situação. Olivário ainda tinha que escutar mais um pouco, a mãe mesmo naquela situação ainda pedia que ele reaproveitasse as fraldas descartáveis para poupar dinheiro, lembram-se? Ela prosseguiu “econômica” até o fim. Naquele corpo totalmente comprometido ainda morava aquela velha e conhecida essência, desperdício jamais!

          O silêncio imperava entre os demais filhos, Avenildo o filho mais velho dentre os filhos homens, conhecido como outro ávido por dinheiro simplesmente não se manifestou. Termínio que morou grande parte da vida em outra cidade e nunca incomodou também não se pronunciou. Com destreza e ajuda jurídica Olivário conseguiu com que Jaconildo, apesar de viver maritalmente com Leogácia a mais de dez anos saísse da casa da mãe. Foi uma surpresa não existir disputa, pois Jaconildo poderia complicar o quadro, afinal de contas ele era o marido de Leogácia. O jogo estava em curso.

         Debaixo das sombras almas sequazes cozinhavam desditas sórdidas em fogo brando. Levilha que não concordou com o testamento contratou um advogado para contestar o que a mãe havia colocado no tal testamento. Conquistou como aliado o seu irmão Termínio. Pelo menos essa luta ficou em espera até Leogácia de fato morrer. Ninguém ousaria contestar Leogácia em vida, receberia em troca uma enxurrada de pragas e maldições.

           Como diz o ditado popular: praga de mãe é coisa séria. Maior azar seria ser um amaldiçoado debaixo daquele maldito calor da região, nenhum dinheiro valeria esta condição. Mas pensando bem uma comichão insistente incomodava aquelas almas, a semente de Leogácia estava plantada naqueles corpos. Mergulhados na espessa atmosfera dos seus instintos aguardavam na esquina o desenlace do destino.