Vadiagem conceitual.
Então, cá estamos em meio às ocorrências circunstanciais que desnudam toda uma estrutura oculta que de tão ousada já transborda iniquidades provenientes do coração da estrutura criada para ser vantajosa aos seus membros societários e colaboracionistas. Atenção, o povo está fora desse nível, não há espaço aqui para insignificantes ou apenas coadjuvastes, neste espaço, frequentam apenas aqueles que obtiveram a permissão de ver o rosto do sistema. E o que exatamente é esse rosto? Compõe-se de uma mascara onde por detrás está um seleto grupo de privilegiados extremamente ricos, não! Não pense que é você, que possui mil cabeças de gado e usa um relógio Rolex de duzentos mil Reais, essa gente tem dez vezes mais bois que você, e não é o único empreendimento deles. Possuem centenas de prédios, empreendimento hoteleiro, iates, provavelmente embarcações de cabotagem para trabalho costeiro, bancos de investimento e bancos por si só, jatos particulares e helicópteros customizados para deslocamento em cidades e ilhas particulares para um relaxamento ocasional. Essa gente controla o Brasil, eles decidem quem governa e quem será eliminado da vida política. Não há vida possível fora desse controle insinuante e abrangente. Afinal, no mundo o dinheiro manda, e quem tem muito, controla tudo. Recentemente um velho politico mostrou como o sistema se organiza, em vídeo curto na rede social, não foge muito daquilo que ele disse, mas um renomado intelectual do passado, já mapeou isso tem tempo, e eu citei ele em outras duas ocasiões, e serei obrigado a apresentar mais um pouco do trabalho dele, Darcy Ribeiro, do livro O povo brasileiro, recomento esse livro a todos que puderem acessá-lo. Porque por mais que eu o cite, todo o conteúdo tem enorme importância para entender o que se passa conosco, porque somos esse atraso atolado entre espertalhões de todo tipo. Nós, os insignificantes, merecemos ao menos conhecer quem realmente nos controla e quem dita nosso destino. Conforme Darcy Ribeiro citou em outro momento, nós fomos sede do reino português, e os americanos foram simples colônia com igrejas e cidades de tábuas, o que deu tão errado? Aquilo que dá errado até hoje, uma elite insensível, elitista, arrogante, pedante exclusivista.
Essa gente não nos enxerga como seres humanos, mas como objetos para uso e para produção de lucro e posterior descarte, não! Você classe média alta, para eles, tem a mesma composição de um mendigo inútil, sem origem nobre eles não se importam nem um pouco com você. Para essa gente não há diferenciação entre aqueles que vencem na vida e os que perdem tudo. São apenas componentes de um cenário que pode sofrer modificação conforme o desejo deles a qualquer momento. Como essa gente vive muito bem no seu paraíso particular, a falência do país não importa, eles desenvolveram um chamego, um amor bandido por socialismo. Não se engane, a esquerda é apenas um capricho dessa gente, se eles quisessem, seriam eliminados rapidamente. Mas essa turma gosta desse coletivismo bocó, inclusivo, e com pautas absurdas. Para eles, tudo não passa de um jogo para eliminar o tédio de possuir tudo e poucas opções de prazer ainda existirem. Uma recreação para privilegiados mergulhados no marasmo impregnante de vidas sem propósito, pois não há desejo que não possa ser cumprido. Na cabeças vadias se instala o inferno, para os outros é claro. Como funciona esse andar superior? Vamos a Darcy Ribeiro:
“A estratificação social gerada historicamente tem também como característica a racionalidade resultante de sua montagem como negócio que a uns privilegia e enobrece, fazendo-os donos da vida, e aos demais subjuga e degrada, como objeto de enriquecimento alheio. Esse caráter intencional do empreendimento faz do Brasil, ainda hoje, menos uma sociedade do que uma feitoria, porque não estrutura a população para o preenchimento de suas condições de sobrevivência e de progresso, mas para enriquecer uma camada senhorial voltada para atender às solicitações exógenas. Essas duas características complementares – as distâncias abismais entre os diferentes estratos e o caráter intencional do processo formativo – condicionam a camada senhorial para encarar o povo como mera força de trabalho destinada a desgastar-se no espaço produtivo e sem outros direitos que o de comer enquanto trabalha, para refazer suas energias produtivas e de reproduzir-se para repor a mão de obra gasta. Nem podia ser de outro modo no caso de um patronato que se formou lidando com escravos, tido como coisas e manipulados com objetivos puramente pecuniários, procurando tirar de cada peça o maior proveito possível”.
Nada mudou no procedimento em centenas de anos, a elite funciona do mesmo jeito e alimenta os mesmos valores, não há sentimentos, não há patriotismo, o que existe para esses privilegiados é apenas um grande engenho cheio de escravos para produzir riquezas para eles. E para manter esse status quo precisam de facilidades que diminuam ou eliminem qualquer aventura por parte desse povo escravizado, como? Possuindo juízes, políticos e colaboradores que os considero capatazes do sistema. A voz deles? A grande mídia: jornais TVs, revistas e hoje influenciadores de internet, todos remunerados para defender essa camada social que representam. Não pertencem a ela mas a defendem mediante pagamento em grande volume. Como cachorros vadios que se tornam amigáveis com os restos que lhes oferecem, essa turma, sem saber, trabalha contra os próprios interesses e de seus descendentes, pois estão ajudando a perpetuar uma condição de vida humilhante. Não há aqui amplitude de raciocínio para avaliar o futuro, o que vale é o imediato, o ganho de momento. Sacudiu o dinheiro, se apoia qualquer coisa por mais bizarra que seja. Nossos nobres jogam com a necessidade social.
Uma vez que a vida promovida por eles é aviltante, não faltarão aqueles que por preço módico para as elites, se ofereçam para o serviço sujo. Temos que entender que, os milhões que circulam e escandalizam o povo não são grade coisa além de uma gorjeta dada a seus serviçais. Onde funcionários púbicos com salários de cinquenta mil Reais, o suficiente para viver bem, poderiam ter fazendas, escolas, relógios de 300 mil Reais, e até lanchas para uma pescaria recreativa? Afinal, essa turma protege os de cima, protege os nobres e recebe pagamento por isso. Não é ético, não é legal, mas quem se importa com isso, pois são eles que controlam o que é legal ou não. Azar de quem ficou de fora. E sendo assim, vivem com uma qualidade de vida inatingível para os que não fazem parte do jogo, a esquerda dita proletária, seus líderes ao menos, já foi cooptada e se integrou a esse etilo de vida tem tempo, dinheiro farto é muito bom. Imagine você acordando com mais quatro milhões de Reais na conta apenas por ter colaborado com algum desejo da elite. Lamento companheirada da base, que ainda possui aquelas ideias fantasiosas da esquerda legítima, seus líderes viraram cadelinhas da nossa nobreza, a troco de boa vida. E claro essa gente do topo da pirâmide não se comporta agressivamente, são até cordiais e educados, como visitantes de um zoológico humano, até participam de programas sociais de inclusão, mesmo a contragosto afinal o estilo faz o homem. Voltamos com mais um pouco de Darcy Ribeiro:
“A classe dominante bifurcou sua conduta em dois estilos contrapostos. Um presidido pela mais viva cordialidade nas relações com seus pares; outro, remarcado pelo descaso no trato com os que lhe são socialmente inferiores. Assim é que na mesma pessoa se pode observar a representação de dois papéis, conforme encarne a etiqueta prescrita do anfitrião hospitaleiro, gentil e generoso diante de um visitante, ou o papel senhorial, em face de um subordinado. Ambos vividos com uma espontaneidade que só se explica pela conformação bipartida da personalidade”.
Assim são as grandes famílias que controlam a todos nós, de facilitadores aos irrelevantes, ou seja, o restante. Não sei quantas famílias são, mas acredito em torno de dez: banqueiros, grandes latifundiários, construtores de grande porte, armadores, proprietários de navios de apoio e serviços marítimos etc. Tem de ser negócio para gerar milhares de dólares diários, desse núcleo, não fazem parte empresários até considerados ricos, mas sem o pedigree necessário à nobreza regional. E assim mais um pouco de Darcy Ribeiro para vocês:
“A essa corrupção senhorial corresponde uma deterioração da dignidade pessoal das camadas mais humildes, condicionadas a um tratamento gritantemente assimétrico, predispostas a assumir atitudes de subserviência, compelidas a se deixarem explorar até a exaustão. São mais castas que classes, pela imutabilidade de sua condição social”.
Neste ponto, que muitos funcionários públicos se transformam em colaboradores, criando castas de privilégio, prestando subserviência as grandes famílias a troco de gordas esmolas para viverem melhor. Ética? Moral? Nobreza profissional? A gorjeta é muito boa para ser negligenciada. Ideologia? Ah, que isso companheiro... Isto é apenas um sonho passageiro, fiquem ai estumando a massa nos sindicatos, tenho que pescar na minha lancha no fim de semana e saborear meu Blue Label.
Gerson Ferreira Filho.
ADM 20 – 91992 CRA – RJ.
Citação: O povo brasileiro a formação e o sentido do Brasil. Darcy Ribeiro. Companhia das Letras. Ano 1995.
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